6.15.2009

Deu no New York Times!

Larry Rother, o repórter que quase foi expulso do Brasil por Lula, depois de chamar o Presidente de pinguço, veio a Salvador e traçou um perfil com suas impressões sobre a Soterópolis, baseado na História e nos romances do Amado Jorge. Confira...


A visão de Jorge Amado de sua cidade é encontrada em cada rua de Salvador

Em vários romances, o escritor brasileiro Jorge Amado deixou claro sua eterna paixão por Salvador, Bahia, a cidade que o acolheu na adolescência como estudante de internato e se tornou seu lar. Salvador, por sua vez, retribuiu o amor, e mesmo agora, mais de seis anos após sua morte, o espírito exuberante, a estética e os personagens de Jorge Amado parecem permear as ruas do lugar que ele descreveu tanto como "a mais misteriosa e bela das cidades do mundo" quanto "a mais lânguida das mulheres".

Para os turistas interessados em experimentar esses mistérios tropicais, Jorge Amado chegou até a sugerir um itinerário em seu romance "Tereza Batista Cansada de Guerra". Ele queria que os turistas visitassem não apenas "nossas praias, nossas igrejas adornadas com ouro, os azulejos azuis portugueses, o Barroco, os festivais populares pitorescos e as cerimônias fetichistas", mas também a "podridão dos barracos sobre palafitas e dos prostíbulos".

Este tipo de dicotomia era típica de Jorge Amado, que, especialmente nos primeiros anos, tendia a ver tudo como pares de opostos: bem e mal, preto e branco, sagrado e profano, rico e pobre. Ele até mesmo conseguiu impor sua visão maniqueísta à geografia de Salvador, zombando da Rua Chile, na época a principal rua comercial da cidade alta, e sua clientela abastada, em prol da cidade baixa e o porto, onde marinheiros, estivadores, mendigos, prostitutas e malandros se saturavam no "óleo negro do mistério da cidade de Salvador da Bahia".

Atualmente, o coração da cidade baixa foi restaurado e melhorado. A praia onde os meninos de rua de seu romance de 1937, "Capitães de Areia", lutavam para sobreviver desapareceu, substituída por um iate clube e um pequeno shopping que inclui galerias de arte e um restaurante, o Trapiche de Adelaide, que não apenas pode ser o melhor de Salvador, mas também oferece uma vista magnífica da baía.

Mas no barulhento e sufocante Mercado Municipal, descendo a rua, o sabor dos velhos tempos persiste. Lá dentro, bancas vendem não apenas camisetas, mas também ervas, poções mágicas, afrodisíacos e amuletos. Na praça em frente, malandros realizam truques de cartas, repentistas e cordelistas recitam ou cantam seus versos, e praticantes de capoeira exibem sua mistura graciosa de dança e arte marcial ao som do berimbau.

O elo entre a suja cidade baixa e a imponente "massa preta na montanha verde acima do mar", como Jorge Amado se referiu à cidade alta em "Os Pastores da Noite", é o Elevador Lacerda de 72 metros , que tem destaque em "Mar Morto", publicado em 1936. No terminal superior, o elevador se abre para um largo que fornece uma ampla vista da cidade e da baía.

Mas no seu terminal inferior, o elevador é cercado por bares movimentados que tocam axé, pagode e outros estilos de música apreciados pela classe operária brasileira. Toda vez que saio, eu penso em "A Morte e a Morte de Quincas Berro D'Água" e sua descrição do bar "cheio de grupos de jovens aborrecidos, marinheiros alegres, mulheres sem sorte e caminhoneiros com longas viagens marcadas".

Como grande parte de seu povo, as ruas e marcos de Salvador são personagens dos romances de Jorge Amado. Salvador sobrecarregou o autor com suas vistas, sons e odores. "Na Bahia, a cultura entra pelos olhos, ouvidos, boca (tão rica, colorida e saborosa é a arte culinária) e penetra por todos os sentidos", ele escreveu em "Bahia de Todos os Santos", um guia publicado pela primeira vez em 1945 e que infelizmente est> á fora de catálogo.

A própria presença de Jorge Amado talvez seja mais palpavelmente sentida no museu do Largo do Pelourinho que leva o seu nome. Lá dentro há inúmeras fotos do escritor, no trabalho e com a família, em casa em Salvador e no exterior, onde viveu um exílio relutante por alguns anos. A mostra permanente também exibe as capas das primeiras edições, em português e em traduções em mais de 40 línguas, de cada um de seus romances.

Ao se sentar nos degraus do museu, a cena mais famosa do romance mais conhecido de Jorge Amado, "Dona Flor e Seus Dois Maridos", que também aparece na versão cinematográfica dos anos 70, vem à mente. Mesmo com o largo pavimentado com paralelepípedo, lotado de aproveitadores tentando vender badulaques para os turistas bronzeados vestindo bermudas, a imagem de Flor caminhando com Teodoro, de um lado, e com o fantasma nu de Vadinho, do outro, parece uma parte indelével da paisagem.

Do outro lado do Largo do Pelourinho, no número 68, fica o internato onde Jorge Amado morou quando chegou para estudar em Salvador, vindo da cidade provincial de Ilhéus, em 1928, aos 16 anos. Não por acaso, um de seus primeiros romances, escrito em estilo realista socialista, "Suor", se situa no prédio, que atualmente está pintado de verde pastel e possui uma pequena placa que reconhece sua importância na formação intelectual de Jorge Amado.

A lenda diz que Salvador tem 365 igrejas, uma para cada dia do ano, e cada uma supostamente mais espetacular que a outra. A mais deslumbrante de todas provavelmente é a de São Francisco, uma igreja barroca a poucas quadras do Pelourinho que é revestida de arabescos em ouro e se liga a um mosteiro, cujas paredes são decoradas com lindos azulejos portugueses do século 18.

Mas Jorge Amado sempre sentiu uma afeição especial pela mais austera Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, por causa de sua ligação com o sofrimento histórico dos negros que compunham a maioria da população. A igreja fica no pé do Largo do Pelourinho, onde nos tempos coloniais os escravos eram açoitados, e Jorge Amado, às vezes injustamente acusado pelos críticos de preferir o exotismo e sentimentalismo em vez de substância, nunca se esqueceu disso.

"A igreja era toda azul no final da tarde, a igreja dos escravos na praça onde o pelourinho foi erguido", ele escreveu em "Tenda dos Milagres", publicado em 1969. "Isto é um reflexo do sol ou uma mancha de sangue no paralelepípedo? Tanto sangue correu por estas pedras, tantos gritos de dor subiram aos céus, tantas súplicas e maldições ressoaram pelas paredes daquela igreja azul."

A comida também era essencial ao mundo de Jorge Amado, como o título de "Gabriela, Cravo e Canela" claramente indica. As heroínas humildes de Jorge Amado freqüentemente acreditam que a melhor forma de chegar ao coração de um homem é por meio de seu estômago, e com grande freqüência elas estão certas. "Se após enfrentar todos os perigos e obstáculos que a vida oferece, você não comer bem, então qual é o sentido?" um personagem observa em "Terras do Sem-Fim".

Caminhando pela calçada inclinada do Largo do Pelourinho no ano passado, eu senti o cheiro inconfundível de dendê e creme de amendoim saindo de uma porta. Ela era a entrada do Museu da Gastronomia Baiana, inaugurado em 2006 e que oferece uma introdução sólida aos prazeres culinários dos romances de Jorge Amado. Descendo a escada de um restaurante operado pelo Senac, uma escola de treinamento para funcionários de hotel, garçons e chefs, o museu é dividido em três seções. A primeira exibe os ingredientes de pratos típicos baianos, juntamente com os utensílios necessários para prepará-los e fotos dos resultados finais, enquanto a segunda é uma loja que vende livros de culinária, doces e compotas.

A terceira, é claro, é o restaurante em si, que n> ão é apenas um tributo à culinária que inspirou Jorge Amado, mas também um convite à gula. Por R$ 28, os turistas podem comer tanto quanto puderem de cerca de 40 pratos dispostos em um bufê. As opções variam de vatapá, uma pasta saborosa feita de camarão, leite de coco, dendê, castanha de caju e amendoim, ao quindim, um doce amarelo que combina gema de ovo, açúcar e coco ralado. As bebidas são servidas por baianas, mulheres que usam turbantes e vestidos cheios de babados das sacerdotisas de candomblé.

Como Pedro Archanjo, o herói de seu romance "Tenda dos Milagres", Jorge Amado era um comunista lapso e um ateísta que acaba se envolvendo tanto com o candomblé, religião de origem africana que é o equivalente brasileiro do vodu, que se torna um obá, um alto sacerdote honorário no culto de Xangô, a deidade dos raios e trovões e da justiça. As crenças e práticas do candomblé impregnam os romances de Jorge Amado e motivam muitos de seus personagens, especialmente em "O Sumiço da Santa", o último de seus grande romances, publicado em 1988.

"Na terra da Bahia, santos e seres encantados realizam milagres e feitiçaria", escreveu Jorge Amado, "e nem mesmo um etnologista marxista ficaria surpreso em ver um entalhe em um altar católico se transformar em uma feiticeira mulata ao entardecer".

Os terreiros, os santuários ao ar livre do candomblé, que eram freqüentados por Jorge Amado quando eram ilegais e sujeitos a batidas policiais, agora prosperam e são abertos aos turistas. Alguns hotéis organizam visitas ao que anunciam como sendo cerimônias de candomblé. Mas elas tendem a ser falsas ou no mínimo bastante atenuadas.

Uma melhor opção é acertar com um dos terreiros estabelecidos para participar de um ritual e, como a maioria deles se encontra nos bairros pobres da periferia, tomar um táxi. Jorge Amado apreciava tanto o grupo Casa Branca, no bairro de Vasco da Gama, quanto o Ilê Axé Opô Afonjá, em Cabula, que o governo brasileiro transformou em patrimônio nacional em 2001.

Ambos são boas opções para os turistas. O Ilê Axé Opô Afonjá era "minha casa", escreveu Jorge Amado, onde "eu tenho minha cadeira ao lado da alta sacerdotisa e às vezes sou seu porta-voz". Ele também pedia aos visitantes que não deixassem de pedir ao seu próprio orixá, ou divindade, por proteção tão logo chegassem a Salvador.

"Os caminhos de Salvador são guardados por Exú, um dos orixás mais importantes na liturgia do candomblé", ele escreveu em "Bahia de Todos os Santos". Mas Exú é freqüentemente confundido com o diabo, então "ai daqueles que desembarcarem com intenções malévolas, com um coração de ódio e inveja, ou que pare aqui tomado por violência ou ressentimento".

Por grande parte das últimas décadas de sua vida, Jorge Amado viveu na Rua Alagoinhas, 33, no bairro do Rio Vermelho, longe tanto da cidade baixa quanto da cidade alta. A certa altura em "Dona Flor", um personagem se queixa de que "o pior endereço só pode ser o Rio Vermelho, com seu isolamento e impostores, um fim de mundo, um tipo de lugar quase suburbano, ordinário demais".

Mas na verdade o bairro é encantador, e a rua em que Jorge Amado viveu é tranqüila e conta com sombra de palmeiras. A casa em si é decorada com azulejos brancos e azuis com imagens de pássaros e frutas, e possui uma torre branca com uma estátua e um emblema de candomblé em homenagem a Xangô. Após a morte de Jorge Amado, em 6 de agosto de 2001, suas cinzas foram espalhadas pelo jardim da casa.

"Os anos de liberdade que passei na ruas de Salvador da Bahia, misturado às pessoas nas docas, nos mercados e feiras" e outros locais um tanto picarescos e de má reputação, foram "minha melhor universidade", disse Jorge Amado quando ingressou na Academia Brasileira de Letras, em 1961. Ou como pensa um dos personagens de "Capitães de Areia", "não há nada melhor no mundo do que caminhar assim, > à toa, pelas ruas da Bahia".

(Larry Rohter, o chefe da sucursal do 'The New York Times' no Rio de 1999 até agosto de 2007, está em licença, escrevendo um livro sobre o Brasil).

'Divã' é premiado no Festival de Cinema de Miami


RIO - O longa-metragem "Divã" foi o grande vencedor do 13º Festival de Cinema Brasileiro de Miami. A comédia dirigida por José Alvarenga Jr., com Lilia Cabral, levou sete prêmios, o Lente de Cristal, incluindo melhor filme, dos júris oficial e popular. "Loki - Arnaldo Baptista", sobre a vida do músico fundador dos Mutantes (que estreia no Brasil dia 19 de junho), ganhou o prêmio de melhor documentário.
A cerimônia de premiação aconteceu na noite de sábado, no Colony Theater. Lilia Cabral recebeu o prêmio de melhor atriz por "Divã". Cauã Raymond, que também estava presente ao evento, dividiu o prêmio de melhor ator com João Miguel pelo filme "Se nada mais der certo", longa do brasiliense José Belmonte. O filme estreia no Brasil em 14 de agosto.
O curta-metragem "Sildenafil", de Clovis Mello, foi o grande vencedor na categoria: levou as Lentes de Cristal de melhor filme dos júris popular e oficial, melhor direção, roteiro, além do prêmio aquisição entregue pelo Canal Brasil no valor de R$ 10 mil.
Os júris de longas e de curtas-metragens, ambos presididos pelo cineasta Bruno Barreto, são formados por profissionais da indústria audiovisual americana e latina.
Além de presidir o júri, Bruno Barreto foi homenageado pelo conjunto de sua obra. Durante a cerimônia, ele recebeu a Lente de Cristal das mãos do filho, Gabriel Barreto, que estuda cinema em Nova York, e das três diretoras do festival, Claudia Dutra, Adriana Dutra e Viviane Spinelli.
O Festival de Cinema Brasileiro de Miami é realizado desde 1997 e seu sucesso originou a criação do Circuito Inffinito de Festivais, que hoje conta com eventos em Buenos Aires, Madri, Roma, Nova York, Vancouver e Barcelona, além do Cine Fest Brasil-Canudos, na Bahia. Este ano, o evento também estará presente pela primeira vez nas cidades do Cairo, Londres e Istambul.
Veja a lista dos vencedores:
LONGAS-METRAGENS
Melhor Filme - "Divã", de José Alvarenga Jr.
Melhor Documentário - "Loki, Arnaldo Baptista", de Paulo Henrique Fontenelle
Melhor Filme Júri Popular - "Divã"
Melhor Diretor - João Alvarenga Jr. ("Divã")
Melhor Ator - Cauã Reymond e João Miguel ("Se nada mais der certo")
Melhor Atriz - Lilia Cabral ("Divã")
Roteiro - Claudio Marcelo Saback ("Divã")
Fotografia - Lula Carvalho ("Feliz Natal")
Direção de Arte - Claudio Domingo ("Divã")
Montagem - Diana Vasconcellos ("Divã")
Som Direto - "Favela On Blast", de Leandro HBL e Wesley Pentz
Edição de Som - "Favela On Blast", de Leandro HBL e Wesley Pentz
CURTAS-METRAGENS
Melhor Filme - "Sildenafil", de Clovis Mello
Melhor Filme Júri Popular - "Sildenafil", de Clovis Mello
Diretor - Clovis Mello ("Sildenafil")
Direção de Arte - Daniel Bruson ("Dossiê Rê Bordosa")
Fotografia - Rodrigo Monte ("Domingo de Páscoa")
Roteiro - Clovis Mello ("Sildenafil")
Prêmio Aquisição do Canal Brasil - "Sildenafil", de Clovis Mello
Fonte O Globo

6.14.2009

'Na cabeça'


Marcos Sacramento reúne em CD violonistas em torno de repertório inédito, clássicos e raridades

Leonardo Lichote

RIO - Quando os violonistas Luiz Flávio Alcofra, Zé Paulo Becker e Rogério Caetano fizeram o primeiro ensaio para o novo CD do cantor Marcos Sacramento, "Na cabeça" (Biscoito Fino), havia apenas um arranjo pronto, de Caetano: "Último desejo", de Noel Rosa, para os três violões. Becker lembra:
- O arranjo era cabeleira! Não era fácil, não. Fui para casa e pensei: "Ah, é? Vocês vão ver" - brinca.
Becker, portanto, caprichou, assim como Caetano e Alcofra. Os três dividem os arranjos do disco de Sacramento e são seus únicos instrumentistas. Ou seja, "Na cabeça" é um CD de apenas voz e violões - formato que já rendeu bem com artistas como Ney Matogrosso e Cássia Eller.
Ouça 'Na cabeça', do disco
"Apenas", é claro, é modo de dizer. Sacramento - com seu canto que une ritmo, força e malícia - é uma das grandes vozes de sua geração. E os três músicos são prestigiados representantes do violão brasileiro contemporâneo, fruto da revalorização e renovação do choro a partir do fim dos anos 1980. Seus nomes estão em grupos como o Trio Madeira Brasil e o Água de Moringa, além de terem CDs solo e participação em projetos de artistas que vão de Elza Soares a Maria Bethânia, passando por Zeca Pagodinho.
- O formato de violões e voz não é novidade, mas nossa viagem é particular - avalia Sacramento. - Tocar um repertório voltado para o samba sem ter os instrumentos de ritmo é um desafio. Mas fiquei tranquilo, pois tinha a mão direita deles.
Para Caetano, a atuação da mão direita que se ouve em "Na cabeça" é característica da escola brasileira de violão:
- A necessidade de segurar o ritmo é própria do nosso violão, assim como as cordas soltas, que soam livremente.
A herança de mestres como Baden Powell, Dino Sete Cordas, Meira e Raphael Rabello é citada na conversa - ao lado das lições dos contemporâneos Marco Pereira, Yamandú Costa e Maurício Carrilho. Na opinião de Sacramento, estão todos lá, de alguma forma.
- É um disco que soa natural, mas tem coisas de dificuldade enorme, não dá para ter cifra no encarte. É tipo: "Não façam isso em casa, é só para profissionais". Apesar de não ter aquela postura de "olha como a gente toca paca", ele traz a sofisticação de tudo o que foi incorporado pelo violão brasileiro nas últimas décadas. Porque há uma evolução clara, o violão de Sinhô não é o que se toca hoje, há outros caminhos, levadas.
Para chegar ao resultado que se ouve em "Na cabeça", eles se lançaram numa pesada rotina de ensaios, que os permitiu gravar ao vivo, os quatro juntos no estúdio. Os arranjos foram pensados para que o trio não misturasse suas cordas. O sete cordas de Caetano sustenta a baixaria (o fraseado das cordas graves do instrumento), enquanto Becker e Alcofra se alternam entre as regiões médias e agudas. O produtor Carlos Fuchs separou os três na mixagem: Alcofra é ouvido no lado esquerdo; Becker, no direito; e Caetano, ao centro, nas duas caixas.
Acompanhado dos violões, Sacramento imprime sua interpretação a sambas inéditos, canções garimpadas e regravações de clássicos. Há cinco composições dos artistas envolvidos no projeto: "Na cabeça" (Alcofra e Sacramento), "Um samba" (Fuchs/Sacramento); "Calúnia" (Alcofra); "Canto de quero mais" (Becker e Moyseis Marques); e "Pavio" (de Alcofra e Sérgio Natureza), uma homenagem a Paulinho da Viola. As sílabas "pa" e "vio" são as primeiras do nome do sambista.
- Natureza fez a letra para Paulinho musicar, mas ele achou delicado, por se tratar de uma homenagem a ele - conta Alcofra, que fez um samba-choro nos moldes de obras de Paulinho (a introdução remete a "Choro negro").
Cartola ("Sim") e Noel Rosa ("Último desejo") são recriados com naturalidade - sem descaracterização, mas tampouco reverência excessiva.
- Não tivemos a preocupação de torná-las irreconhecíveis. Quisemos apenas retomá-las com frescor - diz Sacramento. - Aqui no Brasil vejo um preconceito com os clássicos na música, o que não acontece no teatro. Quando gravei "Memorável samba" (CD de 2003, apenas com sambas dos anos 1930 aos 50), cheguei a ouvir: "Mas não tem nenhuma sua?". Como se o cantor precisasse compor. Há essa ideia aqui. E a figura do intérprete? Outro dia vi uma jovem cantora dizer que agora ia começar a compor. Como assim? Não funciona desse jeito.

DOENÇA DE ALZHEIMER

A Doença de Alzheimer é uma doença do cérebro, degenerativa, isto é, que produz atrofia, progressiva, com início mais freqüente após os 65 anos. Produzindo assim, a perda das habilidades de pensar, raciocinar, memorizar. Que afeta as áreas da linguagem e produz alterações no comportamento.

As causas da Doença de Alzheimer ainda não estão conhecidas, mas sabe-se que existem relações com certas mudanças nas terminações nervosas e nas células cerebrais que interferem nas funções cognitivas (conjunto de funções intelectuais). Alguns estudos apontam como fatores importantes para o desenvolvimento da doença:
Aspectos neuroquímicos: diminuição de substâncias através das quais se transmite o impulso nervoso entre os neurônios, tais como a acetilcolina e noradrenalina.

Outras possíveis causas

Aspectos ambientais: exposição/intoxicação por alumínio e manganês.

Aspectos infecciosos: como infecções cerebrais e da medula espinhal.

Pré-disposição genética em algumas famílias, não necessariamente hereditária.

No idoso com demência, o ato de alimentar-se pode ser mais complicado, pois pela confusão mental e pela dificuldade de realizar até as mais simples tarefas, como "fazer seu próprio prato" e levar o garfo à boca, pode gerar stress, cansaço para ele e seus cuidadores.

O controle do peso do idoso é importante e deve ser feito mensalmente. Na doença de Alzheimer e nas outras patologias que cruzam com demência, em fases mais avançadas, os idosos podem apresentar perda de peso, lenta e gradual, mesmo com a dieta correta e adequada.

Se o idoso tem bom apetite, não apresenta problemas para engolir, é independente na mesa, e alimenta-se com (carnes, ovos, leite, cereais, legumes, verduras, pães, sucos, frutas), ótimo!

Agora, se é um idoso dependente, que necessita de ajuda para comer, engasga com facilidade, mastiga com dificuldade a dieta tem que ser pastosa, temos que variá-la ao máximo, para não causar desnutrição, principalmente de proteínas.

DIETA PASTOSA RICA EM PROTEÍNAS ANIMAIS


MINGAU: enriquecer o leite com frutas liquidificadas ou amassadas, gema de ovo pré-cozida ou geleia de frutas


VITAMINAS: adicionar ao leite, farináceos à base de cereais integrais, com ou sem açúcar, sorvetes em massa, leite em pó.

CARNE: liquidificadas e adicionar em purês.

VEGETAIS FOLHOSOS: adicionar a purês.

CEREAIS: Papa de arroz, angu.

LEGUMINOSAS: amassar com garfo ou passar em peneira fina.

SOPAS: Tipo cremes, preparadas em molho branco; à base de leguminosas liquidificadas, ou fubá com adição de carnes.

PÃES: de forma sem casca; adicionadas ao leite (papinha); doces ou roscas.

QUEIJOS: cremosos ou em pastas.

SOBREMESAS: pavês, mousses, pudins, arroz doce, curau, frutas cozidas ou em pasta.

LÍQUIDOS: leite ou iogurtes batidos com farináceos ou frutas; sucos de frutas e legumes com adição de farináceos.

*Borges, V.C.; Silva, M.L.T.; Waitzberg,D.L.; Desnutrição e terapia nutricional na Dç de Alzheimer. Revista Brasileira de Alzheimer. 1997; 01: 09-13.


Sandra Helena Mathias Motta
Nutricionista
Centro – (24) 3322-3715
Vila Nova – (24) 3326-5487
Celular –(24) 8813-4072
sandranutti@yahoo.com.br

6.13.2009

6.12.2009

Colaboração Angela Chaloub

CHICO & CAETANO FESTA IMODESTA

Abrindo o segundo programa da série que apresentaram na TV Globo em 1986, Chico Buarque e Caetano Veloso cantaram "Festa Imodesta", que o compositor baiano compôs especialmente para o colega gravar em 1974.

Era uma homenagem também aos convidados daquela noite, Tom Jobim e Astor Piazzola, dois dos maiores músicos e compositores populares do século XX.

Esta edição do programa teve a direção de Daniel Filho.

Vem ai " Arte na Intimidade"


Olá, Amigos blogueiros!

Brevemente o nosso Botecos do Vale do Café estreará mais uma coluna. Para esta missão convidei o amigo e um dos grandes músicos e arranjadores da nossa região, o engenheiro Marco Antonio Hauegen,(foto) que estará aqui com vocês em: "Arte na Intimidade"

Nesse novo espaço teremos entrevistas com artistas regionais e nacionais, focando principalmente músicos e compositores, mas, também haverá espaço para poesia, teatro e muito mais.

O objetivo dessa coluna é conhecer um pouco da vida desses artistas, seus costumes, pensamentos e o que os levou a seguirem a carreira. Também avaliaremos o que nossa região oferece em termos de mercado, o que precisa ser feito e por aí afora... E para isto, convidei uma pessoa talentosa que muitos de vocês do meio artístico já conhecem e que os nossos leitores irão conhecer: Marco Antonio Hauegen, conhecido como Marcial, um dos grandes músicos da nossa região.

Experiência musical em trinta anos de estrada.

Bem, o Marco é Engº Mecânico, mas tem a música como inspiração de vida. Resumindo, o cara começou com Bandas como The Brother's (na primeira formação), 2001 e Batokens (na última formação). Participou de vários festivais universitários no Estado de São Paulo; do Festival da Femupi em Pirai; do Festival Canta Rio Sul e de muitos shows pelos bares da vida, através da Secretaria de Cultura de Volta Redonda, tendo em destaque a abertura de um Show com Beto Guedes na Vila Santa Cecília para um público de quase 10.000 pessoas. Esteve em Show com Lô Borges no Casarão (com a casa cheia). Participou do Projeto Cênico e Musical com a Orquestra Sinfônica da Fundação CSN, onde se destacou diante de um público de 3.000 pessoas, no Recreio do Trabalhador. Fato que resultou em gravação em DVD. Nestas últimas apresentações, esteve acompanhado de sua extinta Banda "Viajando com o Trem Mineiro" cuja inspiração principal era o "Clube de Esquina"; ou seja: Milton Nascimento, Flávio Venturinni, Wagner Tiso, Beto Guedes, Lô Borges, Márcio Borges, Fernando Brant e tantos outros...

Marco "No Trilho das Canções"...

Em breve o Marco (nome artístico), lançará um CD intitulado "No Trilho das Canções", onde todas as músicas e letras são inéditas e de sua autoria e mais uma de Milton Nascimento (autorizado pelo próprio) e Ronaldo Bastos, intitulada "Pablo" (nome do filho de Milton Nascimento). Claro que este CD será também apresentado em nosso blog, para vocês curtirem algumas faixas.

Ao vivo e já confirmado, Marco estreará numa apresentação no Doc Emporium em Penedo no fim de Julho, que já está chegando!... Só aguardar para conferir!

Artistas e arteiros da Região preparem-se, pois vem aí "Arte na Intimidade"!

CONCERTO OSB JOVEM

Domingo 14 jun SCM 11h

Pablo Rossi piano
Luiz Gustavo Carvalho piano
Marcos Arakaki regência

Programa
Sinfonia nº 31 em Ré maior, K. 297 “Paris” (Mozart), Concerto para dois pianos e orquestra (Poulenc), Dança macabra (Saint-Saens)

Preço: R$ 2,00


SÉRIE SALA DE MÚSICA

CORAL SÃO VICENTE A CAPELA

Segunda 15 jun SCM 16h30min

Patrícia Costa regência

Programa
Obras de Chico Buarque, Guinga, Caetano Veloso, Lenine, entre outros

Entrada franca


IV RIOHARP FESTIVAL – CONCERTO DE ENCERRAMENTO

Segunda 15 jun SCM 20h30min

Catherine Michel harpa
Michel Legrand piano

Programa
Clássicos franceses

Preço: R$ 150,00 (platéia)
R$ 120,00 (platéia superior)


AFROSAMBAJAZZ

ORQUESTRA AFROJAZZSAMBA

Terça 16 jun SCM 20h30min

Mario Adnet violão e voz
Philippe Baden Powell piano e voz

Programa
Canto de Xangô, Canto de Iemanjá, Canto de Ossanha, Berimbau, Lamento de Exú (Baden Powell e Vinícius de Moraes), Suíte Yansan (Baden Powell, Ildázio Tavares e Silvia Powell)), Pai, Sermão (B. Powell e Paulo C. Pinheiro), Alodé, Domingo de Ramos, Nhem Nhem Nhem, Lamento de Preto Velho (B. Powell)

Preço: R$30,00 (platéia)
R$ 20,00 (platéia superior)


ORQUESTRA SINFÔNICA BRASILEIRA
2º CONCERTO ÔNIX - A

Quinta 18 jun SCM 20h

Joshua Bell violino
Roberto Minczuk regência

Programa
Um americano em Paris (Gershwin), Concerto para violino (Barber), Dapnis et Chloé, Suítes 1 & 2 (Ravel)

Preço: R$172,00 (platéia)
R$ 88,00 (platéia superior)


CONCERTOS INTERNACIONAIS

Sexta 19 jun SCM 20h

Hilary Hahn violino

Programa
A criação (Haydn)

Preço: R$ 30,00 (platéia)
R$ 15,00 (platéia superior)
R$ 1,00 (estudante da rede oficial de ensino de música)


ORQUESTRA SINFÔNICA BRASILEIRA
2º CONCERTO ÔNIX - B

Sábado 20 jun SCM 16h

Joshua Bell violino
Roberto Minczuk regência

Programa
Um americano em Paris (Gershwin), Concerto para violino (Barber), Dapnis et Chloé, Suítes 1 & 2 (Ravel)

Preço: R$172,00 (platéia)
R$ 88,00 (platéia superior)


ORQUESTRA PETROBRAS SINFÔNICA
DJANIRA IV

Sábado 20 mai às 20h. e Domingo 21 mai às 17h. SCM

Javier Logioia Orbe regência

Programa
Le tombeau de Couperin (Ravel), Danças Romenas (Béia Bartók), Pulcinella: suíte para pequena orquestra (Stravinsky)

Preço: R$ 30,00 (platéia)
R$ 20,00 (platéia superior)


BRASILEIRO SAXOFONE

Segunda 22 jun SCM 20h30min

Nailor Proveta saxofone

Participantes
Cristóvão Bastos, Maurício Carrilho, Luciana Rabello, Paulo Aragão, Marcus Thadeu

Programa
Quem é vc? (Pixinguinha), Ternura (K-Ximbinho), Choro e Divertimento, Choro de uma valsa (Nailor Proveta), Inclemência (César Guerra-Peixe), Stanats (Moacir Santos), Moacirsantosiana 5 (Mauricio Carrilho), Caminho da saudade (Radamés Gnattali), Linda Érika (Luis Americano), Implorando (Anacleto de Medeiros), Não me digas não (Cristóvão Bastos e Paulinho da Viola), Saxofone, por que choras? (Ratinho)

Preço: R$ 10,00


Terça 23 mai SCM 20h

Jean Louis Steuermann piano

Programa
Variações Goldberg (Bach)

Preço: R$ 100,00 (platéia)
R$ 70,00 (platéia superior)


ORQUESTRA DE SOPROS DA UFRJ

Quinta 25 jun SCM 19h

VILLA-LOBOS PARA ORQUESTRA DE SOPROS

Eduardo Monteiro flauta
José Francisco Gonçalves oboé
Cristiano Alves clarineta
Aloysio Fagerlande fagote

Programa
Fanfarra, para sopro e percussão (Rafael Bezerra), Concerto Grosso para quarteto de sopros e orquestra de sopros, Choros nº 5 e Fantasia em três movimentos em forma de choros (Heitor Villa-Lobos), Sinfonia para Orquestra de Sopros (Sérgio di Sabbato)

Entrada franca


Sábado 27 jun SCM 19h30min

ORATÓRIO ELIAS DE FELIX MENDELSSOHN

Solistas
Marcelo Coutinho, Veruschka Mainhard, Carolina Farias, Ricardo Tuttmann, Ana Cecília Rebelo, Manuela Vieira, Rejane Ruas, Cyrano Sales, Guido Rossmann

Preço: R$ 40,00 (platéia)
R$ 30,00 (platéia superior)


ORQUESTRA SINFÔNICA DE BARRA MANSA

Domingo dia 28/6 às 17:00.

Dentro do programa o concerto no. 5 de Beethoven. Regência: Guilherme Bernstein; Solista: Simone Leitão.


SÉRIE SALA DE MÚSICA

BANDA DO COLÉGIO SALESIANO DE SANTA ROSA

Segunda 29 jun SCM 16h30min

Alexandre Baluê regência

Programa
Semper Fidelis (J.Philip Sousa), Homenagem a Villa-Lobos, Gaúcho (Chiquinha Gonzaga), É preciso saber viver (Roberto e Erasmo Carlos), Cartoon Symphony (Larry Clark), Into the Joy of Spring (James Swearingen)

Entrada franca


SÉRIE MÚSICA DE CÂMARA OSRJ

ORQUESTRA DE SOLISTAS DO RIO DE JANEIRO

Terça 30 jun AGN 19h

Rafael de Barros de Castro regência

Programa
Septeto (saint-Saens), Trio para clarineta, trompete e violoncelo (Cláudio Santoro), Quinteto para clarineta e cordas (Brahms)

Preço: R$10, 00


Ingressos a venda nas bilheterias da Sala Cecília Meireles ou pelo site www.ingresso.com

Estacionamento ao lado da Sala gratuito para membros da Associação dos Amigos da Sala Cecília Meireles
O Cineclube do Jardim tem como objetivo promover a discussão da sétima arte a partir da exibição de ciclos de filmes nacionais e estrangeiros, seguidos de debate, a serem conduzidos pelo cineasta Walter Lima Jr. As sessões do Cineclube são quinzenais, com início às 19h, na sala multimídia do Centro de Visitantes. A sala de exibição tem capacidade para apenas 35 lugares, que serão preenchidos nos dias de sessão do Cineclube da seguinte maneira: uma lista de reserva será disponibilizada a cada sessão no Centro de Visitantes, pelo telefone 3874-1808, para que os associados do Cineclube incluam seus nomes. As reservas deverão ser confirmadas até 15 minutos antes do início de cada sessão, no local. Caso a lotação não tenha sido esgotada, serão disponibilizados os lugares restantes até cinco minutos antes de cada sessão. O Jardim Botânico oferecerá estacionamento gratuito no local para os associados do Cineclube nas noites de exibição.
Para associar-se, clique aqui.

Dia 16 de junho
RED RIVER (Rio Vermelho), de Howard Hawks com John Wayne, Montgomery Clift, Walter Brennan.
Em preto e branco. USA, 1948 - 133 minutos. Legendas em português.

O MUSICAL EM PRETO E BRANCO

Dia 23 de junho
LE MILLION (O Milhão), de René Clair com Annabella, René Lefevre. Em preto e branco. França, 1931 - 85 minutos. Legendas em português.

Dia 30 de junho
LOVE ME TONIGHT (Ama-me esta noite), de Rouben Mamoulian com Maurice Chevalier e Jeanette MacDonald. Em preto e branco (USA, 1932) - 96 minutos. Legendas em português

Dia 7 de julho
SWING TIME (Ritmo Louco), de George Stevens com Fred Astaire e Ginger Rogers. Em preto e branco. (USA, 1936) - 103 minutos. Legendas em português

Dia 14 de julho
CABIN IN THE SKY (Uma cabana no céu), de Vincente Minnelli com Eddie "Rochester" Anderson, Ethel Waters, Lena Horne, Louis Armstrong. Em preto e branco (USA, 1943) - 100 minutos. Legendas em espanhol ou inglês.

JOHN FORD: DUAS OBRAS MESTRAS

Dia 21 de julho
THE GRAPES OF WRATH (Vinhas da Ira), com Henry Fonda, Jane Darwell. John Carradine. Em preto e branco. (USA, 1940) - 129 minutos. Com legendas em português.

Dia 28 de julho
HOW GREEN WAS MY VALLEY (Como era verde o meu vale), com Maureen O'Hara, Walter Pidgeon,
Donald Crisp. Em preto e branco. (USA, 1941) - 118 minutos. Com legendas em português.

As sessões são realizadas todas as terças-feiras, às 19 horas, no Centro de Visitantes do Jardim Botânico, uma bela casa colonial frente ao Espaço Tom Jobim. A entrada é franca e dá-se pelo portão onde entram os carros, na rua Jardim Botânico.