
7.09.2009


Convite da Roda de Funk que foi canceladaA roda de funk que não aconteceu no Santa Marta foi organizada pela Associação de Profissionais e Amigos do Funk (ApaFunk) e militantes do movimento Funk é Cultura. Eles vêm organizando eventos nesse estilo há pelo menos um ano e a roda já passou por universidades, diversas comunidades e até na Central do Brasil, no Centro do Rio. Promover uma roda de funk, aliada a outros elementos da cultura dos espaços populares, como o grafite e apresentações de break, foi uma das formas que aqueles que vêm lutando pelo reconhecimento do funk como expressão cultural, encontraram para se manifestar e promover o ritmo.
A roda prevista para acontecer no Santa Marta, entretanto, tinha um objetivo mais específico do que levar adiante a luta que vem sendo conduzida por MC’s e militantes. Lá, como bem explicitava o convite, a intenção era se manifestar contra proibições que vêm sendo impostas em favelas recém ocupadas por forças policiais. Semanas antes, o movimento havia feito o mesmo na Cidade de Deus, comunidade ocupada de forma semelhante.
Em declarações dadas a jornais, o comandante do 2º Batalhão da PM (Botafogo) disse que a roda foi proibida porque não é permitida a realização de bailes naquela região. O comandante só não levou em conta que o que havia sido planejado para acontecer no Santa Marta não era um baile funk, mas sim um encontro entre artistas e moradores, à tarde, gratuito, sem fins lucrativos, numa praça e ao som de funk, mas também de rap e o que mais surgisse.
A proibição imposta no Santa Marta nos remete à pior face do Estado, a do autoritarismo e da discriminação. Como imaginar uma cidade diferente e a consolidação de novas sociabilidades quando a polícia proíbe manifestações da cultura popular? Como concretizar o exercício da cidadania se o próprio Estado promove ações que inviabilizam a superação de estereótipos?
Os acontecimentos no morro contradizem as afirmações de “promoção da cidadania” e “pacifismo” tão presentes no discurso que permeia as recentes incursões policiais no Rio de Janeiro. Cabe ao Estado repensar este tipo de atuação e a todo o resto da sociedade a tarefa de não admitir que fatos como esses se repitam. Se o desejo de todos é uma cidade una, de paz e transformada, apenas através da intervenção unificada dos sujeitos é que será possível construí-la, não por meio do medo ou da opressão.
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Bambas do samba sobem aos palcos cariocas

José Raphael Berrêdo
RIO - Os fãs de samba têm a difícil missão de escolher entre shows de três bambas nesta sexta-feira (10.07): Zeca Pagodinho, Beth Carvalho ou Paulinho Viola, que tocam respectivamente no Citibank Hall, no Circo Voador e no Canecão. O único que dá uma colher de chá e se apresenta novamente (outras cinco vezes) é Paulinho da Viola, em cartaz de sexta a domingo até o dia 19 de julho. Mais uma opção sem concorrência é Alcione, que recebe Emílio Santiago, Mat'nália e Nana Caymmi no palco do Canecão nesta quarta-feira (08.07), com arrecadação em prol das vítimas das enchentes no Maranhão.
Até Zeca Pagodinho ficaria em cima do muro na hora de escolher entre as apresentações que concorrem com a gravação do DVD de seu show "Uma prova de amor", esta sexta no Citibank:
- Eu iria me multiplicar e ir nos dois - esquiva-se.
Depois de turnê bem sucedida pelas principais cidades do país, o álbum do cantor vai virar DVD com participações da Velha Guarda e de Jorge Ben Jor.
- Com certeza é um presente daquele lá de cima. Junto com a banda Muleke (que acompanha Zeca) vamos "botar fogo" no Citibank - promete.
O show será dividido em blocos que irão representar as várias "provas de amor" feitas pelo artista por meio da música. O povo brasileiro, os mitos, a malandragem e a mulher estão entre os homenageados no show com direção musical de Paulão 7 Cordas e arranjos metais de Eduardo Neves. No total, serão 24 canções, entre inéditas e velhos sucessos.
Enquanto Zeca grava seu DVD, Paulinho da Viola apresenta para o público o show que deu origem ao premiado Acústico MTV, nas lojas e nas rádios desde 2007. O cantor fica no Canecão até dia 19, às sextas, sábados e domingos.
No Circo Voador, também esta sexta, Beth Carvalho faz show com repertório dedicado à Lapa, com participação da cantora e compositora Mariana Aydar. Juntas, as duas vão de "Desesperar Jamais" (de Ivan Lins e Vitor Martins) e "Maior é Deus" (de Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro), gravadas por ambas.
- Preparei um repertório especial para os fãs, com um pout-pourri de sambas-enredo, além de fazer homenagem a Ataulfo Alves, mestre mineiro que completaria 100 anos este ano - conta a cantora, que vai interpretar "Ai que saudades da Amélia" e "Leva meu samba", do compositor que completaria cem anos em 2 de maio deste ano.
Beth faz ainda outro pout-pourri, de marchinhas de carnaval, além de lembrar sucessos como "Coisinha do pai" (Jorge Aragão, Almir Guineto e Luiz Carlos), "O que é o que é" (Gonzaguinha), "Folhas secas" (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito) e "As rosas não falam" (Cartola). A apresentação faz parte do projeto TAM Paixão pelo Rio.
A primeira dos quatro bambas a se apresentar, nesta quarta, é Alcione, em um show beneficente para arrecadar fundos para as vítimas das enchentes no Maranhão, estado natal da artista. A Marrom recebe convidados ilustres como Emílio Santiago, Mat'nália e Nana Caymmi para cantar sucessos da carreira e mostra um pouco do repertório do disco "Acesa", que será lançado no fim do mês. ( Leia mais na coluna Café Impresso )