DE COMO JOÃO GILBERTO APRENDEU A TOCAR VIOLÃO COM DOROTHY LAMOUR
João Gilberto morou em Aracaju. Foi aluno do Jackson. Aprendeu a tocar violão com Carnera. João Gilberto é amigo de Carnera e de Ezequiel Monteiro. Ah! É amigo também de Bissextino. E de Aécio Dantas. João Gilberto no início da carreira veio se apresentar no Ateneu e foi vaiado quando cantou “o pato... vinha cantando alegremente, quém, quém...”.
Frases soltas que aracajuanos, desde meninotes, habituaram-se a escutar. Excêntrico e arredio, o mito se presta a lendas, aqui e acolá. Provincianismo incluído, é com açúcar e com afeto que os sergipanos a ele nos referimos, satisfeitos em de sua história fazer parte. Mesmo que a gente do sul a nós insista em reservar pálidas e inconsistentes linhas. Saboroso observar que quando diziam da vaia, percebia-se a reprovação ao público, despreparado para as invenções do João. E vaia mesmo não houve, assegura o contista Paulo Fernando Teles Morais, presente ao espetáculo, arredio a conversas fiadas. A iniciativa de convidá-lo para comemorar o primeiro aniversário da Rádio Cultura de Sergipe foi do locutor L Santos, o Luciano Alves que adiante faria sucesso na rádio Globo do Rio de Janeiro. O avião que trouxe João chegou antes da hora prevista e Clodoaldo Alencar, o Alencarzinho, diretor artístico da rádio, recebeu ligação telefônica: “aqui é o João, João Gilberto. Como ainda não sei onde fica a rádio, vim para a porta do Jackson, onde estudei. Estou aqui com D. Judith e com o professor Benedito”. À mestra atribui João o hábito de, em qualquer cidade do mundo, sempre andar pelo lado externo da calçada quando se faz acompanhar de mulher ou idoso. Luciano, fã ardoroso, foi ?nbsp;s pressas buscá-lo. Hospedou-se no Hotel Marozzi, no centro da cidade, e ?nbsp; noite, Paulo Fernando foi com o amigo Ezequiel Monteiro – que morara no Rio enquanto escrevia para o suplemento literário do Jornal do Brasil, e lá fizera sólida amizade com João – apanhá-lo. Deram uma passada na Gruta sergipana, um bar localizado no centro da cidade, antes de se dirigirem ao Ateneu. No auditório, houve, sim, certa inquietação do público, principalmente da parte de pessoas mais maduras, acostumadas a ouvir sambas-canções, boleros, guarânias etc. Admiradoras de Nelson Gonçalves, Sílvio Caldas, Dalva de Oliveira, e naturalmente despreparadas para o choque gilbertiano. Mas a falta de entusiasmo não descambou para o desrespeito. Do Ateneu, João se deslocou para a Associação Atlética, para nova apresentação. Lá, recusou-se a cantar enquanto não fossem buscar o amigo Bissextino; a plateia impacientou-se e houve problemas com o som (o microfone chiava muito). O cantor, que ainda não era esse sucesso todo naquele novembro de 1960, aqui ficou uns 15 dias.