4.28.2009

John Lennon, por Sean Lennon (e Philip Norman)

Sean conta que quando seu pai, John Lennon, morreu, não havia ninguém para consolá-lo. Sua mãe, Yoko Ono, parecia sempre cansada e passava a maior parte do tempo deitada na cama. Como, nas palavras dela, haviam “queimado muitas pontes” atrás de si, não cultivavam mais nenhuma relação com parentes ou familiares. Sean contava, então, cinco anos e, fora Yoko, havia, na casa, apenas empregados. Só quase uma década mais tarde, o filho de John Lennon conseguiu ouvir sua voz, nas canções, sem sentir que estava sendo apunhalado por uma faca. Era a mesma voz que lhe falava na infância, a primeira que ouviu e aquela que lhe ensinara as primeiras palavras. Por isso, até hoje, para ele é tão duro escutar obras – infelizmente tocadas à exaustão – como Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. Sean, ainda assim, lembra que John era bastante genioso, mesmo para com uma criança de tão pouca idade. O filho reconhece que o pai era bem inseguro e que, por causa disso, inventou um jeito todo próprio de escrever canções. “I'm a loooser...” Sean reconhece também que, embora reclamasse bastante dos Beatles, John Lennon foi “açucarado” por eles e, graças a isso, tornou-se “palatável” para as massas. Para Sean, no entanto, o melhor álbum da história do rock é Plastic Ono Band, quando John, justamente, virou as costas para Paul, George e Ringo. “É como se, nos anos 70, Elvis desistisse de Las Vegas e se juntasse aos punks”. Musicalmente, Sean não nega John, ainda que pareça, e inclusive considera que pratica esse ofício (de músico) por tê-lo herdado diretamente. Não participa, contudo, de homenagens musicais ao pai e nem, tampouco, entende aqueles que santificam John Lennon. Apesar de reconhecer que descobriu muito do pai pela imprensa, Sean não lê livros sobre John. Mesmo que sejam tão completos quanto a nova biografia de Philip Norman...

JOHN LENNON - A VIDA
Autor: NORMAN, PHILIP
Tradutor: MUGGIATI, ROBERTO
Editora: COMPANHIA DAS LETRAS
Assunto: BIOGRAFIAS, DIARIOS, MEMORIAS & CORRESPONDENCIAS

Disco de Milton Nascimento e irmãos Belmondo traz boas releituras

Milton Nascimento e os irmãos Belmondo. Foto Yann Orhan

João Pimentel

RIO - Certo dia, Milton Nascimento recebeu alguns CDs dos irmãos Lionel e Stéphane Belmondo, saxofonista e trompetista considerados dos melhores músicos franceses contemporâneos. Gostou do trabalho que eles fizeram junto a um coral lituano e de sua sonoridade. Pouco tempo depois, chegava o convite para um encontro, ocorrido meses depois em Paris. Sob a regência do maestro Christophe Mangou e acompanhados pela Orquestra Nacional da Île-de-France, Milton, os Belmondo e seus músicos fizeram um show e, em seguida, entraram em um estúdio para regravar oito canções do artista mineiro de forma bem intimista. O resultado de "Milton Nascimento & Belmondo" (Biscoito Fino), para o mineiro, sintetiza bem o sentimento que permeou o encontro.

" Foi o disco que eu gravei que mais teve choro, inclusive o meu. Situações emocionantes, momentos musicais sensíveis, encontros felizes "

- Foi o disco que eu gravei que mais teve choro, inclusive o meu. Situações emocionantes, momentos musicais sensíveis, encontros felizes - lembra Milton, que sonha em aproveitar o Ano da França no Brasil para realizar o mesmo show, com uma orquestra brasileira, por aqui.
Entre os momentos que emocionaram Milton, um está ligado a uma sanfoninha de oito baixos, presente de sua madrinha, a responsável pela sua iniciação musical. Milton, criança, brincava de acompanhar o canto de sua mãe, em Três Pontas. Como o instrumento não tinha bemóis e sustenidos, ele complementava as notas com seu canto.