4.06.2009
Solidariedade
Este é um comercial hindu que não vende nenhum produto.
Fala da diferença que faz ter iniciativa.
Fala da força que nasce da união.
Fala da solução pela colaboração de todos, não importa o tamanho do problema.
Fala de objetivos.
Fala de exemplos.
Algo que o mundo precisa bastante e, como mostra o filme, é tão
simples de conseguir.
Tudo começa com uma atitude...de um menino
Veja o Vídeo:
Fala da diferença que faz ter iniciativa.
Fala da força que nasce da união.
Fala da solução pela colaboração de todos, não importa o tamanho do problema.
Fala de objetivos.
Fala de exemplos.
Algo que o mundo precisa bastante e, como mostra o filme, é tão
simples de conseguir.
Tudo começa com uma atitude...de um menino
Veja o Vídeo:

Esta semana não responderei a uma pessoa somente, mas há várias que escreveram perguntando se existe alguma fórmula, algum exercício mental para mudar comportamentos e/ou sentimentos que se repetem e fazem sofrer.
O momento não poderia ser mais oportuno, já que estamos na semana da Páscoa, uma festa cristã que celebra a ressurreição de Jesus Cristo.
E o que é a ressurreição se não a restituição do morto à vida, a nova vida, o novo vigor.
A mudança de qualquer situação estabelecida implica em transformar, mudar a forma, revisar padrões. Ressurgir!
É simples, é fácil? Com certeza, não!Por isto ficamos tanto tempo “mortos” numa situação, paralisados, acomodados. Mesmo sofrendo já conhecemos o caminho das pedras, temos as nossas defesas e criamos estruturas em torno do “incômodo”.
Mas, e a mudança? Implica em movimento, em risco, em desbravar novos horizontes. Mudar traz consigo o desconhecido, o medo do novo. Tantas pessoas me perguntam: “já sei o que faço, como reajo, e não sei como mudar”. “E eu sempre respondo não existe mudança sem esforço, sem atenção ao que se repete”. Só repetimos porque esquecemos, apagamos temporariamente dos nossos registros conscientes aquilo que está trazendo dor.
Portanto, ATENÇÃO! Dois ingredientes são fundamentais para a transformação - a consciência do problema e a coragem para mudar.
A Páscoa cristã nos revela que somos capazes de mudar,
que existe esperança para superar a dor.
Páscoa é dizer sim ao amor e à vida.
É investir na fraternidade.
É lutar por um mundo melhor.
É vivenciar a solidariedade.
Páscoa é ajudar, é compartilhar, é ter compaixão pelo próximo.
É buscar a libertação, romper com o que nos aprisiona a alma.
É crer na vida que transcende a morte.
Páscoa é renascimento, é recomeço.
É uma nova chance pra gente melhorar.
FAÇA A SUA PÁSCOA! FELIZ RENOVAÇÃO!
Mande sua pergunta para conversandocomvocebotecos@gmail.com
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Conversando com você
Chega de Verdade

José Flávio Junior
Caetano Veloso fala de suas letras cheias de nomes, do futuro de seu “boteco virtual”, o blog obraemprogresso, pagode baiano, Lobão e seu gosto por shows. Confira a íntegra da entrevista que o artista, que lança Zii e Zie, concedeu a BRAVO! por e-mail ao editor de música José Flávio Junior
Bravo! - Por que você decidiu mudar o nome do disco de Transamba para Zii e Zie (ainda que o primeiro estivesse mais para um nome de trabalho provisório)?
Caetano - O título nunca foi Transamba. Lancei a palavra como uma sugestão de definição do que estávamos fazendo. Descobri depois que havia o disco de Marcos Moran e Samba Som Sete chamado Transamba. Achei legal. Mas sempre pensei em pôr um título em italiano, possivelmente com uma expressão em que um som se repetisse em duas palavras. Lembrei de "pian, piano", coisas assim, embora soubesse que não seria uma dessas. Fiquei maravilhado ao ler "zii e zie" em meio a uma frase de Istambul, de Orhan Pamuk, na tradução italiana (uma moça me deu o livro na Itália). Não tem nada a ver com Pamuk ou com Istambul. Era a língua italiana. A repetição do som "zi" condizia com o que eu buscava - e ser "tios e tias" tornava ainda mais profundo o sentido íntimo de saudade de São Paulo que venho sentindo na feitura de disco tão carioca.
Bravo! - Tenho notado que você se dedica bastante ao blog ordemeprogresso, a ponto de ler todos os muitos comentários que cada novo post seu desperta. Mas a experiência fascinante de ter um canto seu na web não pode se tornar prejudicial, principalmente agora que você lançará um disco? Se alguns jornais falarem mal do trabalho (como Folha e Estado falaram do show com o Roberto, iniciando uma das primeiras polêmicas do blog) você usará o espaço para se defender e/ou analisar as críticas?
Caetano - Como assim prejudicial? Não entendi. O show com Roberto não precisava de defesa. Eu, tendo um blog dedicado a este outro disco, não ia deixar de fazer o que sempre fiz. Antigamente eu comentava as críticas no palco do show. Era superengraçado. Mas o obraemprogresso foi criado para acabar quando o disco saísse. E assim será. Pode virar outra coisa ou simplesmente sumir. Depende do que Hermano combinar comigo. Continuar sendo o boteco virtual onde a gente conversa e discute é que não vai.
Bravo! - Você ficou intrigado quando um crítico americano disse que as letras de Cê eram as melhores que você havia concebido em muito tempo (opinião que compartilho). Em Cê, apesar da música para Wally Salomão, você não citava outros artistas nem soava como se estivesse mandando recados para outras pessoas públicas. Por que abandonar tão rápido esse estilo de composição, uma vez que Zii e Zie traz referências a Kassin, Lobão, Madonna, Guinga, Pedro Sá, Seu Jorge, Los Hermanos, Condoleezza Rice e tantos outros? Você chegou a declarar que havia se esforçado muito para alcançar a simplicidade lírica de Cê. Não quis se esforçar de novo?
Caetano - Tenho até um disco chamado Cores, Nomes. De Clever Boy Samba a Lapa, passando por Alegria, Alegria, Ele me Deu um Beijo na Boca, A Voz do Morto ou Fora da Ordem, minhas canções estão sempre cheias de nomes de pessoas (célebres ou não), de cidades, de países, de ruas, de filmes, de personagens. O importante na nova safra de canções era ter matéria prima para desenvolver levadas de samba com timbre elétrico forte. Em Cê havia a necessidade de soar urgente, sem referências, direto ao ponto. Fiz um esforço e consegui algo nesse sentido. Mas minha inclinação natural é assim: se eu não me proíbo de antemão, as letras vêm naturalmente cheias de nomes. Isso não quer dizer que eu desdenhe de Peter Gast ou de Lobão Tem Razão. Achei curioso que Ben Ratliff, o crítico no New York Times, tenha percebido a diferença mesmo sem saber português. Ressaltei essa ignorância dele, brincando, quando nos falamos em Nova Iorque. Mas sei que, de um certo ponto de vista, ele está certo. Mas Zii e Zie não precisa dessa característica.
Bravo! - Para Pedro Sá, Zii e Zie talvez seja até superior a Cê por ter um lado experimental mais nítido. Como você enxerga esse disco na sua discografia e no momento artístico que você está atravessando?
Caetano - Cê foi concebido quase como um disco de heterônimo. Foi pensado e realizado com o fito de criar uma banda de rock com som e repertório originais. É um lance só, de ponta a ponta. Agora o que aconteceu foi que fizemos um disco com essa banda já existente e amadurecida. Aí a banda vem com mais inventividade e soltura. A nova abordagem de aspectos do samba é sempre em torno do óbvio mas é radical. Experimento. Mas não tenho uma visão de conjunto tão nítida, já que fui escrevendo as canções e mostrando-as em shows semanais e pela internet.
Bravo! - Você escreveu, até como forma de provocação, que não há nada melhor do que pagode baiano. Ver o Psirico em cena reforça sua vontade de tirar do campo das idéias a tal antologia da axé music? Esse pode ser seu próximo álbum? Ricardo Dias Gomes e Marcelo Callado, que passeiam pelos ritmos urbanos da Bahia no Do Amor, estariam dentro do projeto?
Caetano - Tenho esse sonho. Mas não sei se chegou o tempo. Sim, eu tocaria com Ricardo e Marcelo. E com Pedro Sá, Moreno (Veloso) e Davi Moraes. Além de Du e Jó, os irmãos gêmeos percussionistas geniais de Salvador. Talvez também fizesse sozinho com meu violão.
Bravo! - Esse encontro com Chico para a capa de Bravo! levou você a pensar de alguma forma nos caminhos distintos que ambos seguiram? Por que o seu interesse na canção não morre, sua vontade de ir a shows não diminui e seu prazer por tocar com músicos novos não acaba, enquanto muitos artistas chegam aos sessenta desestimulados com a música pop ou mais empolgados com outras formas de arte?
Caetano - A tendência a ouvir menos música na velhice eu já registrei em texto. Mas gosto de canção sempre. E de ir a shows. Shows me deixam excitado e sempre idéias vêm à minha cabeça quando estou na platéia de um show de Bethânia, dos Racionais ou do Radiohead. Não sei se Frank Sinatra ou Louis Armstrong, Roberto Silva ou Riachão tinham menos prazer em tocar quando chegaram aos 60: todos esses passaram dos 70 tocando com entusiasmo. Mesmo em minha geração há muitos. Gosto de tocar com esses músicos com quem toco porque todo o projeto nasceu de minhas conversas com Pedro Sá quando fazíamos (os discos) Noites do Norte e A Foreign Sound. Nossas inteligências convergem. Ele sugeriu Ricardo e Marcelo. Vi que não podia ter feito escolha melhor.
Bravo! - Após Lobão lançar Para o Mano Caetano, sua obra coincidentemente passou a ficar mais interessante para muita gente. Você gravou o disco com Jorge Mautner, soltou o quase unânime Cê e mostrou as canções de Zii e Zie antes que elas ficassem prontas na turnê Obra em Progresso, premiada por Bravo!. Exercitou até seu lado stand-up comedy (ou sit-down comedy) nessa temporada de shows, inclusive comentando uma entrevista de Lobão para o Jornal do Brasil. Você acha que deu um tempo com as verdades e viveu alguns enganos nesse período, como diz a música de Lobão?
Caetano - Amo a frase de Lobão para mim: "Chega de verdade". Toda hora me vejo precisando repeti-la para mim mesmo. Em Jeito de Corpo (do álbum Outras Palavras, que, aliás tem os nomes de todos os Trapalhões) eu digo: "Falta aprender a mentir/ Entro até numas por ti". Continuo tentando.

Um café com notícias muito interessantes!O ensaio de Josi entrou no ar no Paparazzo neste sábado, 4.
Café com creme: Violão, piano, várias referências musicais... o cenário escolhido para o ensaio sensual de Josi para o Paparazzo não podia ter mais a ver com a cantora, que deixou a casa do BBB no domingo, 29. Mas desde que se deparou com os instrumentos, a loirinha não sossegou!
E ela não resistiu. Entre uma foto e outra, a ex-BBB sentou-se ao piano da casa que serve de locação para o ensaio, na Zona Sul do Rio, e deu um show. "
Enquanto o namorado é radical em sua opinião, Ana comenta que não tem pudores em ficar nua e que dependendo da proposta, pode sim aceitar posar como veio ao mundo: “Não tenho pudores de ficar pelada. Para eu ficar nua, a proposta precisa ser boa. No momento, não tenho idéia do que seria uma proposta boa", comentou Ana .
Café quente: No que depender de Walter Eduardo, namorado da ex-BBB Ana, eliminada na noite deste domingo, 5, com 58% dos votos, as revistas masculinas podem perder as esperanças em ter a loira estampada em suas páginas.
Pinga com mel: Susana Vieira aproveitou esta quarta-feira, 25, para curtir um passeio solitário.. De vestidinho, (num estilo balão, meio equivocado, pois achatou sua silhueta) a atriz foi clicada em uma lanchonete do Leblon. Simpática, ela ainda parou para conversar com uma fã e depois seguiu pelas ruas do bairro sem se importar com os fotógrafos.
Café frio: Márcio Garcia "desmunhecando"?... O ator Márcio Garcia foi clicado em um momento curioso durante partida de futevôlei na Praia do Pepê, Rio, neste sábado, 28. A foto, tirada no exato momento em que Márcio se preparava para matar uma bola no peito, faz parecer que o ator estava "desmunhecando".
Fotos: reprodução
Fonte: Ego - Notícias
Para um cafezinho fashion, leia sobre moda em: V Vitrine
Para um café poético clique em: V Vitrine Literária
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Café com Pimenta

5 perguntas para ...
Hérica Marmo
A admiração pelo grupo Titãs marcou a parceria entre os jornalistas Hérica Marmo e Luiz André Alzer, com a produção do livro "A vida até parece uma festa - Toda a história dos Titãs", pela Editora Record, em 2002. Mais uma vez voltada para a música, a atual editora de cultura do jornal Extra escreveu, em 2006, "A canção do Mago - A trajetória musical de Paulo Coelho", pela Editora Futuro. Sem considerar-se uma escritora e sim uma jornalista que escreve livros, Hérica admite que sua maior alegria na carreira literária é contribuir com suas pesquisas para o registro da música brasileira. Ela estimula quem quer escrever a batalhar em busca desse sonho.
1 - Quando e como teve início sua carreira de escritora?
Nada foi planejado. O fato de eu, desde os 12 anos colecionar tudo o que saia sobre os Titãs, chamou a atenção do meu amigo Luiz André Alzer, que é muito mais empreendedor e visionário do que eu. Foi dele a ideia de escrever a biografia do grupo. Bolamos uma estratégia para chegar até a banda e convencê-los do projeto. Depois de muitas noites sem dormir e da dupla jornada em frente ao computador, ficamos muito felizes com o resultado final. Peguei o gostinho da coisa e, quatro anos depois, encontrei um novo tema para, dessa vez, mergulhar sozinha. Decidida a escrever sempre sobre música, pesquisei sobre a carreira de compositor do Paulo Coelho. O fato de ter publicado dois livros sobre o tema que mais me motiva a pesquisar, porém, não faz me sentir uma escritora. Sou uma jornalista que escreve livros.
2 - Em seus livros você aborda a vida de pessoas reais e conhecidas do público. Como é lidar com esses temas?
Tratar da vida de pessoas reais e famosas é saboroso porque você lida com um tema que desperta a curiosidade de um maior número de pessoas. Mas, ao mesmo tempo, também é bastante delicado porque há o compromisso com a fidelidade dos fatos e, consequentemente, o grande o risco de ferir suscetibilidades. Em ambos os casos, contei com a colaboração dos personagens - no primeiro livro mais efetivamente do que no segundo -, mas sempre deixando claro que o valor do livro estaria em contar a verdade e não apenas o lado bonito da história. Se não houvesse esse acordo, desistiria dos projetos.
3 – Escrever livros certamente lhe traz muitas alegrias, mas qual você destaca?
A maior alegria que os meus livros me trazem, e o que me estimula a encarar a maratona que é escrever um livro e ao mesmo tempo trabalhar em redação, é a possibilidade de contribuir para a documentação da música brasileira. Ver o seu trabalho reconhecido por ídolos da profissão e elogiado pelos leitores em geral é outra satisfação que faz valer qualquer sacrifício.
4 - O que a atrai como autora? E o que não a atrai? Pretende publicar outros trabalhos?
O prazer de descobrir uma história inédita, que poderia ficar perdida para sempre, caso ninguém se interesse em mergulhar com profundidade no tema específico, é algo que me atrai no processo de escrever um livro. Junte-se a isso a gana de ir atrás de outros detalhes para montar o quebra-cabeça e transformar tudo num texto agradável de se ler. O que não me atrai, no momento, é me transformar numa escritora profissional, que lida com encomendas, e correr o risco de fazer isso não por paixão mas apenas para pagar as minhas contas. Sim, pretendo publicar outros trabalhos. Assim que me encantar por um novo tema, volto à maratona.
5 – Se tivesse que orientar novos autores, o que diria a eles?
Escrevam sobre o que despertar prazer, se entreguem ao projeto com paixão, sejam obcecados pela melhor frase e foquem na realização pessoal. O foco no sucesso comercial é um passo para a frustração.
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Entrevista: Por Zilda Ferreira

Segundo a Organização Mundial da Saúde, 80% a 90% das pessoas que morrem de doença coronariana têm um ou mais fatores de risco diretamente associados a estilo de vida, hábitos alimentares, atividade física e outros passíveis de modificação.
As gorduras trans estão envolvidas diretamente a uma alimentação saudável do ponto de vista cardiovascular. Esse tipo de gordura desperta o interesse da indústria alimentícia por permitir maior prazo de validade, pela sua estabilidade durante a fritura e, por ser uma gordura semi-sólida, poder melhorar a palatabilidade de doces e manufaturados assados. Assim, esse assunto envolve interesses econômicos volumosos, representados pelas empresas de alimentação e pelas cadeias de fast-food. No Brasil, a utilização de gorduras hidrogenadas é ampla, e tem como objetivo melhorar as características físicas e sensoriais dos produtos. Esta gordura está presente na produção de margarina, sorvetes, pastéis, pães, biscoitos, batata frita, massas, cremes vegetais, bolos, tortas entre outros alimentos, sendo estes amplamente consumidos por crianças e adolescentes.
Os ácidos graxos trans foram, recentemente, incluídos entre os lipídios dietéticos que atuam como fatores de risco para doença arterial coronariana, modulando a síntese do colesterol e suas frações. O alto consumo de alimentos ricos em gorduras trans eleva o colesterol “ruim” LDL-colesterol e diminui o colesterol “bom” HDL-colesterol conferindo pré-disposição a doenças cardiovasculares e sobrepeso / obesidade.
Podemos evitar doenças coronarianas moderando o consumo de alimentos industrializados como salgadinhos de pacotes, biscoitos recheados, massas de bolos, tortas, sorvetes, margarinas e tudo que leva gordura hidrogenada, pipoca de microondas, além de vários itens de alimentos de fast food como batata frita, tortinhas doces, etc. Além disso, é importante que as pessoas fiquem atentas às informações nutricionais contidas nos rótulos e façam exercícios físicos regularmente.
Fonte: Schen, Ribeiro, 2008
Chiara, Schieri, Carvalho, 2003
Sociedade Brasileira de Cardiologia
Sandra Helena Mathias Motta
Nutricionista
Centro - 3322- 3715
Vila Nova – 3326-5487
Celular – 8813-4072
sandranutti@yahoo.com.br
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Nutrição
4.04.2009
A Palavra e o Som

O novo romance de Chico Buarque, o novo CD de Caetano Veloso e as trajetórias parelelas dos dois grandes artistas brasileiros
Por Heitor Ferraz, José Flávio Júnior e João Gabriel de Lima
Numa cena do filme Invasões Bárbaras, um dos clássicos da primeira década do século 21, um grupo de professores de história elabora a teoria da "quantidade de inteligência". Segundo eles, por razões aleatórias, existem determinados momentos e lugares com alta concentração de gente talentosa, e essas pessoas fazem a diferença em suas épocas. São citadas no filme a Florença de Dante e Boccaccio e a Filadélfia dos "pais fundadores" da revolução americana. Aplicando a teoria à vida cultural brasileira, pode-se dizer que o país viveu uma espécie de auge nos anos 60 e 70, explosão criativa da música popular (e, por mais que se cunhem teorias pretensamente sociológicas — a mais famosa e absurda diz que a arte floresce em períodos de ditadura —, nada explica isso além da sorte). Primeiro veio a bossa nova de Tom Jobim e João Gilberto. Depois, a MPB surgida nos festivais, com Chico Buarque, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Tom Zé e Gilberto Gil. Esses músicos têm em comum, além do talento, a carreira extremamente longa, que dura até os dias de hoje. Numa coincidência digna da teoria da inteligência aleatória de Invasões Bárbaras, dois desses artistas darão à luz novas criações neste mês de abril. Saem o novo CD de Caetano Veloso, Zii e Zie, e o novo romance de Chico Buarque, Leite Derramado. Disco e livro são pontos de chegada de trajetórias paralelas — e o lançamento simultâneo provoca reflexões sobre a cultura brasileira e sobre o caminho que ambos percorreram para chegar até aqui.
Não existem mais artistas como Chico Buarque e Caetano Veloso — os ícones de geração, os compositores que são chamados a opinar sobre todos os assuntos. Nos anos 90, o poeta carioca Bruno Tolentino (1940-2007) observou, numa entrevista famosa, que no Brasil eram os cantores populares, e não os escritores ou intelectuais da academia, que pautavam o debate cultural. Tolentino emitiu sua observação em tom de crítica — ele via isso como um sintoma de decadência. O que faltou em seu raciocínio foi observar que acontecia o mesmo no resto do mundo. Se os anos 40 e 50 foram dos escritores e filósofos, em que nomes como Norman Mailer e Jean-Paul Sartre pontificavam sobre todos os assuntos, os 60 e 70 foram dos astros da música pop. Artistas como John Lennon, Paul McCartney, Bob Dylan e David Bowie, entre outros, eram considerados as "antenas" de um período de intensa mudança cultural e de costumes. É um pouco espírito de época, mas também mérito de uma geração excepcionalmente talentosa — é só pensar que apenas no ano de 1966 foram lançados pelo menos três álbuns clássicos da música de todos os tempos, Blonde on Blonde (Bob Dylan), Pet Sounds (Beach Boys) e Revolver (Beatles). Cantores como Chico Buarque e Caetano Veloso eram as versões brasileiras desse fenômeno. É uma simplificação, no entanto, entender tudo isso apenas como marca de um tempo, ignorando as peculiaridades e contribuições particulares de cada artista.
Numa comparação redutora porém ilustrativa, Chico e Caetano estão para a MPB assim como Bob Dylan e David Bowie para o pop internacional. Dylan e Chico se destacam mais pela qualidade de suas letras do que por suas performances, em geral discretas, em shows. Mais do que bons compositores, letristas e intérpretes fulgurantes, Bowie e Caetano são famosos pelas diversas reviravoltas que deram em suas carreiras, captando diferentes espíritos de época. Bowie usou sintetizadores para falar de viagens espaciais nos anos 60, foi andrógino nos 70 (era o principal nome do glitter, o velho e colorido rock-lantejoula) e voltou a ser roqueiro nos 80. Caetano surgiu no tropicalismo dos anos 60, escreveu o "hino do desbunde" nos anos 70 (a música Odara), foi pioneiro na utilização de sonoridades do pop na MPB da década de 1980 (o marco é o memorável álbum Velô) e ainda promoveu o relançamento de clássicos da música latina nos 90. Tudo isso enquanto Chico Buarque lapidava seu estilo de composição calcado nas raízes da MPB — e Bob Dylan se aprimorava cada vez mais em sua peculiar fusão de blues e música country engajada.
Neste mês em que Caetano e Chico lançam seus novos CD e romance, é interessante comparar os pontos de chegada das duas trajetórias. Chico, o compositor que fazia incursões no teatro e criava personagens em suas letras (Pedro Pedreiro, Ana de Amsterdam, Bárbara), se tornou escritor. Continuou fazendo música embora tenha declarado, em entrevistas, que considerava a canção uma "arte de juventude", em contraposição à literatura, que seria uma forma de criação mais madura (leia texto ao lado). Enquanto isso, Caetano dava nova reviravolta em sua carreira ao se aproximar de músicos jovens e lançar um álbum antológico, Cê. Não parou por aí: criou um blog, lançou músicas na internet, testou-as no show e as reuniu no novo álbum, Zii e Zie, tornando-se talvez o artista brasileiro da área musical que melhor entendeu a interatividade dos novos tempos (leia texto a partir da página 32). Tempos estes em que a multiplicidade de criadores de todas as áreas explode na internet. Em que não existe mais o que se chamava antigamente de mainstream. Em que, no Brasil ou lá fora, se observa o fim dos ícones de geração — e não se espera mais que cantores sejam "antenas da raça" ou falem sobre todos os assuntos. Nestes tempos de cauda longa, Caetano Veloso e Chico Buarque encontraram, cada um a seu modo, suas vozes. Chico na literatura. Caetano nos sites de música, no blog, no show, no CD...
Revista BRAVO! Abril/2009
THE NEW BOSSA Luciana Souza

A nova bossa anunciada já no título do sétimo CD de Luciana Souza - ótima cantora paulista radicada nos Estados Unidos - não é exatamente nova. Para quem conhece álbuns magistrais de Luciana, como o recente Duos II (2006), The New Bossa é, de certa forma, decepcionante. Mesmo sendo um bom disco. A idéia de trazer músicas de compositores como Sting (When We Dance) e Leonard Cohen (Here It Is, parceria com Sharon Robinson) para o universo da velha bossa não é original e dá até ao disco um caráter previsível que todos os trabalhos anteriores da artista não tinham. Mesmo porque a música de alguns dos autores, como a canadense Joni Mitchell (Down to You), já nasce em atmosfera de intimismo confessional que pouco se altera no transporte para a bossa. O que torna o álbum de fato interessante é o alto padrão de qualidade da produção de Larry Klein (marido da artista) e, sim, o refinamento do canto cool de Luciana Souza, que consegue prender a atenção do ouvinte num dueto com James Taylor (em Never Die Young), num cover de Michael McDonald (I Can Let Go Now) e num belo registro da já batida Waters of March, de Antonio Carlos Jobim, um dos pilares dessa bossa que já não consegue ser renovada com facilidade. Pela voz de Luciana Souza, vale ouvir The New Bossa.
Título: The New Bossa
Artista: Luciana Souza
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * *
4.02.2009
Canções de Chico inspiram escritores
Enviado por Miguel Conde -28/3/2009
Exemplo obrigatório sempre que alguém resolve discutir (mais uma vez) se afinal letra de música é ou não poesia, o cancioneiro de Chico Buarque (ao lado, em foto de Sérgio Barzaghi/Diário de S. Paulo, num show em 30-08-2006) serve agora de inspiração para dez escritores reunidos num livro de contos que será lançado no final do ano pela Companhia das Letras (registre-se, a propósito, que em seu depoimento no documentário “Palavra encantada”, de Helena Solberg, Chico diz que letras e poemas até podem se aproximar, mas uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, como diria o filósofo).
Quem teve a ideia foi o produtor cultural Rodrigo Teixeira, também responsável pelo projeto Amores Expressos.
— Foi num dia em que eu estava ouvindo a Monica Salmaso cantar “O velho Francisco” num show. Gosto muito do Chico, mas nesse dia específico a voz dela conversou comigo mais do que de costume. Comecei a prestar atenção na letra e a ver um filme nela — lembra.
Com aval de Chico para tocar o livro, ele chamou o jornalista e escritor Ronaldo Bressane, que ficou encarregado de reunir os autores.
— Foi muito divertido, tipo montar equipe de botão — diz Bressane. — A gente queria craques, revelações e jogadores polivalentes. Outro eixo para a escolha do escrete foi a variedade não só de registro literário como de “descarioquice”: pensamos em caras que não teriam nada a ver com o universo carioca buarqueano, para exaltar sua brasilidade e até universalidade.
Entre os autores, há quatro estrangeiros: os argentinos Alan Pauls (“Ela faz cinema”) e Rodrigo Fresan (“Outros sonhos”), o moçambicano Mia Couto (“Olhos nos olhos”) e o mexicano Mario Bellatin (“Construção”). Os brasileiros são André Sant’Anna (“Brejo da Cruz”), Cadão Volpato (“Carioca”), Carola Saavedra (“Mil perdões”), João Gilberto Noll (“As vitrines”), Luis Fernando Verissimo (“Feijoada completa”) e Xico Sá (“Folhetim”).
Responsável pela edição da obra, Thyago Nogueira diz que os autores escolheram formas variadas de diálogo com as canções, alguns inserindo trechos da letra em diálogos, outros fazendo referências mais indiretas. João Gilberto Noll diz que seu conto tem elementos autobiográficos:
— Sempre que ouvia “As vitrines”, eu imaginava o ambiente da Galeria Menescal, em Copacabana. Transpus esse cenário para o conto, me estendendo um pouco para a galeria onde ficava o cinema Condor, poucos passos adiante. Esse lugar de multidões e muito trânsito me deu a nota inicial. Talvez tenha escolhido essa canção por me remeter para a rua, para os espaços públicos. Grande parte dos meus livros tem nas ruas um forte estímulo para a ação. É o que acontece nesse conto, que é uma homenagem ao Rio da minha juventude. O protagonista é um gaúcho recém-chegado na cidade. Como seria o meu quadro nos inícios dos anos 70.
Já Carola Saavedra desenvolveu dramaticamente a situação de traição e ciúme apresentada em “Mil perdões”, explorando a ambiguidade da música de Chico:
— A letra de “Mil perdões” é bastante direta, e ao mesmo tempo muito sutil. Nela, a mulher perdoa o homem por havê-lo traído, dando a entender que se ela o traiu, a culpa foi dele, que o seu ciúmes contribuiu para que ela o fizesse. Por outro lado, sugere outra alternativa, a de que a mulher tire da traição um prazer sádico, um prazer que surge da humilhação que ela impõe ao homem. Essa impossibilidade de classificar certo e errado num relacionamento amoroso é o que mais me interessou. Gosto da ambiguidade, da ideia de que todos somos inocentes e todos somos culpados nesses casos

Quem teve a ideia foi o produtor cultural Rodrigo Teixeira, também responsável pelo projeto Amores Expressos.
— Foi num dia em que eu estava ouvindo a Monica Salmaso cantar “O velho Francisco” num show. Gosto muito do Chico, mas nesse dia específico a voz dela conversou comigo mais do que de costume. Comecei a prestar atenção na letra e a ver um filme nela — lembra.
Com aval de Chico para tocar o livro, ele chamou o jornalista e escritor Ronaldo Bressane, que ficou encarregado de reunir os autores.
— Foi muito divertido, tipo montar equipe de botão — diz Bressane. — A gente queria craques, revelações e jogadores polivalentes. Outro eixo para a escolha do escrete foi a variedade não só de registro literário como de “descarioquice”: pensamos em caras que não teriam nada a ver com o universo carioca buarqueano, para exaltar sua brasilidade e até universalidade.
Entre os autores, há quatro estrangeiros: os argentinos Alan Pauls (“Ela faz cinema”) e Rodrigo Fresan (“Outros sonhos”), o moçambicano Mia Couto (“Olhos nos olhos”) e o mexicano Mario Bellatin (“Construção”). Os brasileiros são André Sant’Anna (“Brejo da Cruz”), Cadão Volpato (“Carioca”), Carola Saavedra (“Mil perdões”), João Gilberto Noll (“As vitrines”), Luis Fernando Verissimo (“Feijoada completa”) e Xico Sá (“Folhetim”).
Responsável pela edição da obra, Thyago Nogueira diz que os autores escolheram formas variadas de diálogo com as canções, alguns inserindo trechos da letra em diálogos, outros fazendo referências mais indiretas. João Gilberto Noll diz que seu conto tem elementos autobiográficos:
— Sempre que ouvia “As vitrines”, eu imaginava o ambiente da Galeria Menescal, em Copacabana. Transpus esse cenário para o conto, me estendendo um pouco para a galeria onde ficava o cinema Condor, poucos passos adiante. Esse lugar de multidões e muito trânsito me deu a nota inicial. Talvez tenha escolhido essa canção por me remeter para a rua, para os espaços públicos. Grande parte dos meus livros tem nas ruas um forte estímulo para a ação. É o que acontece nesse conto, que é uma homenagem ao Rio da minha juventude. O protagonista é um gaúcho recém-chegado na cidade. Como seria o meu quadro nos inícios dos anos 70.
Já Carola Saavedra desenvolveu dramaticamente a situação de traição e ciúme apresentada em “Mil perdões”, explorando a ambiguidade da música de Chico:
— A letra de “Mil perdões” é bastante direta, e ao mesmo tempo muito sutil. Nela, a mulher perdoa o homem por havê-lo traído, dando a entender que se ela o traiu, a culpa foi dele, que o seu ciúmes contribuiu para que ela o fizesse. Por outro lado, sugere outra alternativa, a de que a mulher tire da traição um prazer sádico, um prazer que surge da humilhação que ela impõe ao homem. Essa impossibilidade de classificar certo e errado num relacionamento amoroso é o que mais me interessou. Gosto da ambiguidade, da ideia de que todos somos inocentes e todos somos culpados nesses casos
"Para Lennon & McCartney"
Milton canta acompanhado do grande Hélio Delmiro (guitarra) e Wagner Tiso (piano) em 1983
Para Lennon e McCartney
Composição: Marcio Borges / Fernando Brant / Lô Borges
Por que vocês não sabem do lixo ocidental?
Não precisam mais temer
Não precisam da solidão
Todo dia é dia de viver
Por que você não verá meu lado ocidental?
Não precisa medo não
Não precisa da timidez
Todo dia é dia de viver
Eu sou da América do Sul
Eu sei, vocês não vão saber
Mas agora sou cowboy
Sou do ouro, eu sou vocês
Sou do mundo, sou Minas Gerais
Por que vocês não sabem do lixo ocidental?
Não precisam mais temer
Não precisam da solidão
Todo dia é dia de viver
Eu sou da América do Sul
Eu sei, vocês não vão saber
Mas agora sou cowboy
Sou do ouro, eu sou vocês
Para Lennon e McCartney
Composição: Marcio Borges / Fernando Brant / Lô Borges
Por que vocês não sabem do lixo ocidental?
Não precisam mais temer
Não precisam da solidão
Todo dia é dia de viver
Por que você não verá meu lado ocidental?
Não precisa medo não
Não precisa da timidez
Todo dia é dia de viver
Eu sou da América do Sul
Eu sei, vocês não vão saber
Mas agora sou cowboy
Sou do ouro, eu sou vocês
Sou do mundo, sou Minas Gerais
Por que vocês não sabem do lixo ocidental?
Não precisam mais temer
Não precisam da solidão
Todo dia é dia de viver
Eu sou da América do Sul
Eu sei, vocês não vão saber
Mas agora sou cowboy
Sou do ouro, eu sou vocês