6.22.2009

Tecnomacumba – A Tempo e ao Vivo”

Participações Especiais:
MARIA BETHÂNIA & Tambor de Crioula As Três Marias

Só agora, depois de uma carreira de 20 anos que inclui muitos shows, quatro discos (Rita Ribeiro; Pérolas aos Povos; Comigo; e Tecnomacumba) e participações em coletâneas e em projetos especiais, a cantora e compositora Rita Ribeiro decidiu gravar seu primeiro DVD. E, em meio ao variado acervo musical que marca sua trajetória do Maranhão para o mundo, ela optou por registrar o bem-sucedido e popular show Tecnomacumba. O espetáculo acontece no próximo dia três de Julho, a partir das 21h, no Vivo Rio (Aterro do Flamengo), com as participações especialíssimas da cantora Maria Bethânia, do Tambor de Crioula As Três Marias e daos bailarinos Kiussan de Oliveira e Cridemar Aquino.
O registro do show que vai resultar no DVD Tecnomacumba – A Tempo e ao vivo está a cargo do Canal Brasil, que o transformará também em programa de tevê que será veiculado como especial na emissora. Assim como o CD Tecnomacumba, o DVD é fruto da intervenção cultural criada por Rita Ribeiro há seis anos para nomear a fusão entre batuques dos terreiros e beats eletrônicos, e que despertou paixão em diferentes públicos. O show rodou quase todo Brasil e já foi visto por mais de cem mil Pessoas:
- O tempo transformou Tecnomacumba num sucesso de público e, ao mesmo tempo, a intervenção cultural e o disco aumentaram a minha popularidade. Ele é um produto de meu tempo de trabalho, perseverança e paciência. O DVD chega, portanto, a tempo de coroar a vitória de um projeto para o qual nem todas as portas se abriram. Não por acaso, batizei-o de A Tempo e ao vivo” - explica Rita, considerada pela crítica uma das melhores cantoras da safra surgida nos anos 90. “Sendo Tecnomacumba tão importante em minha carreira, eu não poderia escolher outro show para servir de base para meu primeiro DVD”, acrescenta.
Mais uma vez, a bela voz e as interpretações de Rita Ribeiro serão emolduradas por seus Cavaleiros de Aruanda – banda composta pelos músicos Israel Dantas (direção musical,guitarra e vocal), Alexandre Katatau (baixo e vocal), Paulo Heman e Garnizé (percussão), Pedro Millmans (teclado e vocal) e Wallace Cardozo (bateria e programação eletrônica).
Musicamente, Tecnomacumba se caracteriza por fusões sutis ou expressas de MPB, sons eletrônicos e pontos e rezas das religiões afro-brasileiras. Com elas, Rita Ribeiro busca mostrar que o alicerce da MPB e da eletrônica é a musicalidade ancestral dos tambores, dos terreiros de candomblé, centros de umbanda, batuques e xangôs espalhados pelo país. Por isso, ela selecionou um repertório exemplar nesse sentido: Domingo 23 (Jorge Benjor), Babá Alapalá (Gilberto Gil), Oração do Tempo e Iansã (ambas de Caetano Veloso), Coisa da Antiga (Wilson Moreira e Ney Lopes), É D’ Oxum (Gerônimo e Vevé Calazans), Rainha do Mar (Dorival Caymmi) e Cocada (Antonio Vieira), entre outras pérolas.
Dia 3 de julho, no Vivo Rio
Wagner Vieira assina a direção do DVD e Cássio Brasil é o diretor artísitco.

Paul McCartney fará dois shows no Brasil em 2010


RIO - O ex-beatle Paul McCartney virá ao Brasil em 2010 para duas apresentações. De acordo com a revista "Veja", o empresário Luiz Oscar Niemeyer praticamente acertou a vinda de McCartney ao país. Ele fará dois shows em abril de 2010, um em São Paulo e outro em Brasília, este último em comemoração aos 50 anos da capital.
McCartney, que completou 67 anos na última quinta-feira, já esteve outras vezes no Brasil. Em 1990, ele se apresentou no Maracanã. Três anos depois, esteve em São Paulo e Curitiba. Os shows que o músico trará ao Brasil fazem parte de sua anunciada derradeira turnê mundial, que tem mais de 100 cidades em seu roteiro e previsão de durar dois anos.

Olá amigos,

estamos aqui para apresentar a mais nova coluna do blog Botecos do Vale do Café, que pretende ser um espaço aberto para o debate político e crítica do direito. Isso mesmo, um espaço para comentários de Política e Direito no blog, pois pensamos que com essa singela atitude estaremos contribuindo para o processo de aprimoramento democrático de nosso país. Pois este necessita exatamente disso, da interação entre as pessoas, ou seja, de um debate de idéias mediante a articulação de argumentos lógicos, que seja acessível a todos em pé de igualdade (portanto, em nosso espaço, desde que solicitado, publicaremos as idéias de qualquer um que entre em contato conosco). E achamos que a internet, ou mais especificamente o blog, qualquer que seja, é um instrumento importantíssimo de introdução a esse processo, pois é necessário atingir o maior número de pessoas com a finalidade de trazê-las para o discurso. Portanto, estaremos sempre abertos às críticas e, na verdade, esperamos ansiosamente por elas. Também, não temos receio por um só segundo de reconhecer erros e inconsistências em nossas idéias.

Desde já, avisamos que não temos a pretensão de criar algo novo. Queremos sim, é trazer à tona questões teóricas e práticas que têm influência direta no dia a dia do cidadão, pois tocam diretamente em sua vida, liberdade, igualdade, propriedade, etc. Nosso objetivo maior é denunciar os interesses ocultos e mecanismos de dominação que estão imperando atualmente em nossa sociedade, e no mundo como um todo, e que estão em rota de colisão direta com os interesses das massas. Então, para cumprir seu papel de integração do maior número de pessoas no discurso, a linguagem utilizada nessa coluna será a do dia a dia, descontraída e acessível a todos. Não estamos aqui para fazer comentários jurídicos, nem tampouco filosóficos ou científicos, mas não nos furtaremos desses quando acharmos que são convenientes e, principalmente, quando acreditarmos piamente que temos capacidade para tal, de modo conciso, simples e direto.

Cabe aqui uma explicação, o “porquê” do título da coluna, Levando os direitos a sério. Na verdade é uma homenagem ao Filósofo do Direito Ronald Dworkin, que com sua obra Taking Rights Seriously (traduzindo: levando os direitos a sério!), muito tem colaborado por uma nova concepção de Direito. Ah!! Não podemos nos esquecer de dizer que não nos privaremos de tecer comentários sobre outras áreas de nosso interesse, como, por exemplo, e principalmente, a música eletrônica! Manifestação cultural de vanguarda que vem sendo propositadamente bombardeada pela classe política e setores da mídia, bem como sendo descaracterizada pelos próprios encarregados de promovê-las (basta atentar para a existência de área vip nos eventos open-air).

Ademais, a título de conhecimento, ao final de cada artigo acrescentaremos trechos das obras mais relevantes de nossos filósofos, teóricos e cientistas preferidos, que guardem uma linha de coerência com o tema do artigo. Pois acreditamos que essa atitude ajuda a despertar o interesse do “internauta” pela leitura das grandes obras da história. Já é hora de terminar essas linhas de apresentação e, sinceramente e com muita humildade, ficaremos satisfeitos se conseguirmos suscitar o pensamento crítico nos leitores que tenham acesso aos artigos que passaremos a veicular neste importante canal de comunicação. E para finalizar, lá vai um trecho de uma das obras do maior filósofo de todos os tempos.

“É certo que a arma da crítica não pode substituir a crítica das armas, que o poder material tem de ser derrubado pelo poder material, mas a teoria converte-se em poder material quando penetra nas massas.”

(Karl Marx)


Um abraço,

Diogo Araújo Modesto.


Quinta, 18/06/2009, 01h50min da madrugada.

Metallica no Brasil em 2010

Turnê 2010 para divulgar o álbum Death Magnetic

Uma das principais bandas de metal do mundo, o grupo Metallica vai estar no Brasil em janeiro de 2010. A gravadora Universal ainda não se posicionou oficialmente sobre cidades e locais das possíveis apresentações.

Novo Álbum
A banda Metallica lançou no fim do ano passado o disco Death Magnetic. Produzido por Rick Rubin, o álbum foi considerado pelos críticos uma volta às raízes da banda. Segundo fãs mais antigos, Death Magnetic é o melhor álbum da banda formada por James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammet e Robert Trujillo desde o disco Metallica, de1991.

Último Show no Brasil
Essa será a quarta vez que a banda se apresenta no Brasil. A primeira foi em 1989, com a turnê Damaged Justice, do álbum And Justice for All, seguida pelos shows de divulgação do Black Album, em 1993.

Próximo Show Metallica no Brasil em 2010
Os shows devem acontecer em São Paulo e no Rio de Janeiro. As datas ainda não foram confirmadas. Em São Paulo provavelmente o Show ocorra no Estádio do Pacaembu.

Capital Inicial, Jeito Moleque e Daniela Mercury na Expo Itaguai 2009

A Expo Itaguaí 2009 acontece nos dias 1 ao dia 7 de Julho, no Parque de Eventos da Cidade em Itaguaí, zona da Costa Verde do Estado do Rio de Janeiro. A tradicional festa já faz parte do calendário oficial da cidade e é esperada por moradores de todo o Estado do Rio de Janeiro e por diversos visitantes de fora do Rio.

Shows com área para camarotes


O espaço para Shows vai ganhar uma área com camarotes, para quem quiser assistir as apresentações dos artistas de um lugar privilegiado. Os camarotes estão à venda na Secretaria de Indústria, Turismo e Esporte. Maiores informações pelo telefone (21) 2688 1884.

Programação Expo Itaguaí 2009 –

Shows
Dia 01, Show Gospel e a presença de Trazendo a Arca
Dia 02, Capital Inicial
Dia 03, a cantora Elba Ramalho e o Forró Arriba Saia
Dia 04, é dia de muito pagode com Jeito Moleque
Dia 05, domingo, encerrando as comemorações, o furacão Daniela Mercury é a atração da noite.
Local: Parque de Eventos da Cidade em Itaguaí
Shows Gratuitos

Spyro Gyra no Bourbon Street

Recebemos e-mail do leitor Sergio Ferreira, (Serjão) de Volta Redonda,Rj no qual publicamos o seu vídeo.
Feito na casa de Jazz Bourbon Street em São Paulo na última terça feira

Leitores do Boteco,

Frio em Sampa, no palco o grupo de smooth jazz Spyro Gyra, com mais de 30 anos de estrada, na tradicional casa de jazz Bourbon Street. Showzaço !!!!!!! Jay Bekenstein nos tradicionais solos de sax e sua banda dão o recado como sempre, destaque para o baterista novato na banda, Bonny B que faz os scat vocais com um solo de bateria de arrepiar na música Make It Mine, a última do show antes do bis, do CD novo do SG, Down the Wire e com participação interativa da galera paulistana e dos viajantes.
Serjão






Nutrição e Esporte

O rendimento dos atletas vem aumentando gradativamente. Os sucessivos recordes alcançados por esportistas de todas as áreas mostram claramente maior preparo físico.

A alimentação deve ser equilibrada e diversificada, contendo todos os grupos alimentares, priorizando sempre os carboidratos. A dieta é realizada, na medida do possível, respeitando os hábitos alimentares do atleta. Há necessidade de uma investigação, anamnese, avaliação corporal e exames laboratoriais e, se for necessário, pode ser aplicada uma dieta para tentar corrigir algum desvio alimentar existente ou que possa futuramente levar a alguma patologia. O objetivo primeiro deve ser a saúde do atleta e depois a performance.

A alimentação está relacionada não somente ao tipo de esporte, mas também à intensidade e duração da atividade, levando em consideração variáveis como a necessidade nutricional do indivíduo, de acordo com composição corporal e com o gasto energético do esporte praticado.

O organismo utiliza diferentes fontes de energia – glicose, ácidos graxos e aminoácidos. Nos exercícios mais intensos e rápidos, como corrida de velocidade ou levantamento de peso, o organismo usa basicamente a glicose como combustível para os músculos, proveniente do armazenamento de glicogênio. Nos esportes intermitentes e de menor intensidade, como basquete, futebol e corrida, o organismo também solicita a glicose como fonte de energia, porém a gordura é predominantemente oxidada como fonte de energia.

Nas práticas esportivas o organismo terá diferentes demandas por vitaminas e sais minerais que regulam o metabolismo. Assim, deve-se considerar a função antioxidante de alguns alimentos e também outras substâncias capazes de melhorar a performance.

Para os atletas o principal objetivo em ter uma alimentação adequada consiste em: proporcionar quantidades ideais de energia ao corpo.

Os alimentos ricos em Carboidratos como cereais, massas, pães, batata e mandioca, arroz e frutas; fornecem a principal fonte de energia para o organismo.

Os alimentos ricos em Proteínas como as carnes, o leite e seus derivados (queijos e iogurtes) e os ovos; promovem o reparo e a construção dos tecidos

As frutas e verduras são fontes de Vitaminas e Minerais, que desempenham papéis importantes facilitando a transferência de energia e a síntese dos tecidos, além de serem anti-oxidantes prevenindo o envelhecimento das células.

Sandra Helena Mathias Motta
Nutricionista
Centro - (24) 3322-3715
Vila Nova - (24) 3326-5487
Celular - (24) 8813-4072
sandranutti@yahoo.com.br

Afrossambas de Baden Powell ganham embalagem 'jazzy' e orquestral


Antônio Carlos Miguel

RIO - É uma equação simples, mas de sofisticada execução, e com resultado infalível. A influente série dos afrossambas, criada por Baden Powell (e Vinicius de Moraes), embalada por arranjos e instrumentação à la Moacir Santos, com predominância de sopros e forte apelo rítmico. O projeto, elaborado pelos arranjadores Mario Adnet e Philippe Baden Powell, pode ser ouvido no disco "Afro samba jazz", editado pela Biscoito Fino.
- Queria homenagear meu pai de uma forma diferente, mostrando o grande compositor que foi, e que, de certa forma, tem sido encoberto pelo grande violonista - explica o pianista Philippe, de 31 anos, filho mais velho de Baden, radicado em Paris, que encontrou em Adnet o parceiro para essa empreitada. - Eu me lembro de Baden falando: "Essa cara aqui é da pesada", após uma entrevista que fez com Adnet para o GLOBO. Uma das partituras de Baden trazia, manuscritos por ele, o nome e o número de Mario, que eu conhecia dos discos "Ouro Negro", "Jobim sinfônico" e "Pra Gershwin e Jobim".
Ouça 'Ritmo afro', com Mario Adnet e Philippe Baden Powell
Adnet confirma que conheceu Baden durante a reportagem que fez, em 2000, para o Segundo Caderno. Quatro anos depois, foi procurado por Philippe e sua mãe, Sílvia.
- O projeto realmente começou quando Philippe lançou essa expressão, "afro samba jazz". A gente nunca viu Baden interpretado por uma banda e a ponte com a formação que usei em "Ouro Negro" era natural, já que Baden estudava com Moacir Santos na época em que começou a criar com Vinicius os afrossambas - conta Adnet, ressaltando o papel que os dois exerceram para a valorização da música africana. - Eles fortaleceram o batuque, que, até então, não era explícito na música brasileira.
Há cerca de dois anos, a produtora Mariza Adnet, mulher de Mario, inscreveu o projeto "Afro samba jazz" no edital da Natura, após inscrevê-lo na Lei de Incentivo. E, em novembro do ano passado, com a aprovação, eles começaram a tocá-lo. A orquestra tinha a mesma formação da usada em "Ouro Negro", com muitos dos instrumentistas que tocaram no tributo a Moacir Santos: entre outros, Vittor Santos (trombone), Teco Cardoso (saxofone e flauta), Andrea Ernest Dias (flauta), Jessé Sadoc (trompete), Jorge Helder (baixo), Ricardo Silveira (guitarra), Marcos Nimrichter (piano e acordeom), Jurim Moreira (bateria), Armando Marçal (percussão). Também participaram das sessões Philippe, seu irmão, quatro anos mais moço, o violonista Marcel, Antonia Adnet (violão de 7 cordas), Mônica Salmaso (voz), Carlos Negreiros (voz) e Joana Adnet (clarinete).
No repertório estão cinco clássicos lançados no LP "Os afro-sambas", de 1966, da dupla Baden e Vinicius; sete temas inéditos (alguns compostos por Baden na mesma época, quando estudava orquestração com Moacir Santos); e três composições pouco conhecidas mas dentro do espírito dos afrossambas, "Olodé", "Sermão" e "Introdução ao canto de Yansan" (as duas últimas, da parceria com Paulo César Pinheiro).
- Um tempo após a morte de Baden (em 26 de setembro de 2000), comecei a pesquisar seus papéis e descobri muitos temas inéditos, partituras com arranjos. As composições traziam só a melodia, sem a harmonia, mas percebi que era um material muito rico. Alguns dos temas tinham a atmosfera dos afrossambas, já com títulos que faziam referência a isso. E muitos deles nasceram durante as aulas de Baden com Moacir - conta Philippe, que também divide uma parceria com o pai no disco. - "Ritmo afro" foi um exercício que ele me passou, um ritmo a partir da linha de baixo inicial. É uma música antiga, na qual fui mexendo aos poucos.
Adnet, que também teve acesso ao arquivo de Baden Powell, dá mais detalhes.
- Pelo aspecto antigo dos papéis, acredito que cubram as décadas de 1960 e 70. Eles não traziam datas, mas alguns descreviam o clima das músicas, com pequenos textos sobre os títulos, o que significavam - explica Adnet, contando que três temas foram reunidos numa única faixa. - A "Suíte Yansan" traz três composições, "Introdução ao canto de Yansan", "Canto de Yansan" e "Ladainha de Yansan".
Disco lançado, após os concertos no Rio e em São Paulo, eles estão fechando um em Belo Horizonte, em agosto, e sonham com a Europa, no ano que vem. A grande e influente música de Baden Powell, que rodou o mundo, merece essa nova e generosa dose.

6.21.2009

Transcaetano À vontade aos 66 anos, Caetano fala de drogas e velhice

À vontade aos 66 anos, Caetano fala de drogas e velhice: “Mulher é adulto, homem é criança”

Caetano fala de sexo, dro­gas, Bra­sil, feminismo, casa­men­to, separação, ve­lhice, pai, filhos, loucura, baladas, mor­­te e do craque de futebol que o país perdeu para a música

Texto por Fernando Luna e Nina Lemos Fotos Fernando Young

Caetano Veloso fala. Quando era adolescente, chegava a passar 40 horas seguidas tagarelando. Ele ri da própria verborragia. Aos 66 anos, ainda tem o que dizer. E continua gostando de uma conversa.
Não é diferente quando recebe a reportagem da Tpm, em um hotel no Rio de Janeiro. Mas, depois de uma hora de entrevista (a quinta do dia, e a esta altura o dia já virou noite), começa a se mexer. “Estou preocupado com o Zeca, ele não está se sentindo bem”, explica.
Antes mesmo de a conversa ter começado, em plena troca de turno de jornalistas e fotógrafos, um assistente soprara para Caetano: “Zeca ligou perguntando se tinha um substituto para água de coco, e eu disse que não”. Tsc, tsc, tsc. “Mas claro que existe, fala pra ele tomar Pedialyte”, receita o baiano, evocando o santo remédio protetor das crianças desidratadas.
É, ninguém é pai de três filhos à toa. Além de Zeca, 17 anos, e Tom, 12, do casamento com Paula Lavigne (de quem está separado desde 2004), Caetano tem ainda Moreno, 36, de sua união com Dedé Gadelha. Moreno, aliás, funciona como uma espécie de água de coco para o pai, um tipo de, vá lá, Pedialyte artística, capaz de reidratar a música de Caetano.
Para começar, foram seus amigos Pedro Sá, Marcelo Callado e Ricardo Dias Gomes que, desde o disco Cê, em 2006, deram street cred às ambições mais roqueiras de Caetano. Depois, o próprio Moreno faz a direção de produção deste Zii e Zie – sim, como você leu em todos os jornais, o título quer dizer “tios e tias” em italiano.
Mas Caetano não paga de tiozinho, não. Nem junto à turma do filho, agora Banda Cê, todos ali nos 30. “Quem foi jovem nos anos 60 e continua produtivo em geral tem algo como eu tenho”, arrisca. Esse algo pode ser definido como inquietação.

Revolução permanente
Pensando bem, isso não é tão comum assim. Mas, como define o amigo e parceiro Jorge Mautner no documentário Palavra (En)cantada: “Tropicalismo é a revolução permanente”. Pois Caetano é o tropicalista. E desde que cantou “Alegria, Alegria”, no III Festival da MPB, em 1967, tenta-se explicar o que, afinal, isso significa.

De volta ao Brasil, em 1972, desembarcando no aeroporto do Galeão, no Rio, depois de três anos de exílio em Londres

Talvez a melhor resposta tenha sido formulada por ele mesmo, ao reagir às vaias, no ano seguinte, quando cantou “É Proibido Proibir”. “Nós tivemos coragem de entrar em todas as es­truturas e sair de todas”, vociferou Caetano, dividindo méritos com Gil.
Entrar e sair de todas as estruturas resume a trajetória de Caetano. Quando acreditaram que ele só queria saber de banquinho e violão, sacou as guitarras. Quando imaginaram que música de protesto era a única saída num país sob ditadura, ficou “Odara”. Quando reconheceram que era chique, mandou “Um Tapinha Não Dói”. Quando queriam confinar o cantor à música, opinou sobre o Brasil. Quando todo mundo entendeu que ele era neguinha, engrossou a voz para dizer: “Eu sou homem/ pelo grosso no nariz”. Quando emendou discos elegantes com standards em espanhol e em inglês, logo quebrou tudo com uma banda de garotos. Quando Radiohead parecia moderno ao permitir que internautas decidissem o preço de In Rainbows, inventou o blog Obra em Progresso, em que os internautas acompanhavam e opinavam no disco Zii e Zie propriamente dito.
E, quando parecia que a entrevista havia acabado antes de terminar (a doença do Zeca, lembra?), Caetano sugere continuar o papo no dia seguinte. Ainda faltava falar de muita coisa. Caetano Veloso fala.

Tpm. Por que gravar agora “Lobão Tem Razão”, oito anos depois de ele dizer para você “chega de verdade”, na música “Mano Caetano”?
Caetano. A música do Lobão me toca como um todo. Mas esse “chega de verdade” é forte demais para mim. Fiquei admoestado, senti que alguma coisa teria que mudar em mim. É uma mania de verdade. A questão não é de ser verdade, é de precisar tanto dizer. A frase ainda tem a mesma repercussão na minha cabeça. Ele tem razão porque não consegui melhorar em nada quanto a isso.

Gil e Caetano, em 1967, ano em que suas canções se classificaram no Festival da Record. Gil com “Domingo no Parque” e Caetano com “Alegria,Alegria"

velhice deixa você mais inflexível? A velhice traz uma espécie de teimosia. Mas em mim percebo mais um descompromisso. Quando se é mais jovem, se toma cuidado para não ser desaprovado. Está se colocando na vida, no mundo. Tem um esforço instintivo para não estragar essa inserção.

O quanto era importante para você a aprovação dos outros? Era importante, ainda é. Porém, na velhice, é aquele paradigma de A Velha Dama Indigna, do [Bertolt] Brecht: uma senhora direita, com filhos e netos, que resolve não ter limitação e começa a fazer o que quer. Já vivi tudo, não devo mais nada a ninguém, o que vou esconder agora? Nada.
Como está sendo a entrada na velhice? Há muitas coisas objetivas. Não usava óculos e agora ando de óculos, senão fica tudo fora de foco. Se tomar um talho, na minha idade demora a cicatrizar. Meus cabelos, que eram cacheados e pretos, não têm mais o cachinho e ficaram brancos.

Com Paula Lavigne e o filho Zeca, em Salvador, 1993

Se a mulher deixa o cabelo branco, todo mundo acha horrível. É verdade. Pessoalmente, gosto de mulheres com cabelo grisalho, acho bonito. Mas uma vantagem da mulher é que ela pode pintar o cabelo. Homem de cabelo pintado fica com cara de político babaca. Tem várias vantagens e desvantagens em ser homem e ser mulher, mas prefiro ter nascido homem.

Por quê? Não sei. Cresci no fim dos anos 40, anos 50, quando as mulheres não tinham mobilidade social nenhuma. Não podiam ir ao bar, sair sozinhas, sair à noite. Era chato para mulher. Eu tinha um pouco de pena das mulheres, era feminista quando criança. Mais do que sou hoje.

Por que ficou menos feminista? Porque também cresci, amadureci, aprendi as coisas da vida [risos].
E as mulheres continuam sem poder envelhecer. Ainda é comum se achar que a mulher deve ser objeto de apreciação, que não pode ter rugas e precisa ser jovem. Isso também está atrelado à biologia, porque os sinais para reprodução são os da mulher jovem. A mulher, depois de uma certa idade, não se reproduz mais. Então, do ponto de vista animal, não precisaria mais produzir excitação sexual. Já o homem não. O homem vai até o fim. Não é mera tolice homens procurarem moças jovens, é uma coisa um pouco hormonal. Não gosto de ser preso a biologia, mas é assim. Gosto muito de mulheres jovens, mas também de mulheres velhas e mulheres de meia-idade.

Você escreveu uma música sobre velhice logo depois que seu pai morreu, “O Homem Velho”, em que definia: “O homem velho é o rei dos animais”. Eu estava ficando maduro, ficando velho. Mas muito menos ­do que hoje [risos]. Achei bonito dizer aquilo como uma lembrança de meu pai. Ele era um homem muito altivo, mas suave e elegante. Muito bom, muito equilibrado, muito respeitado na cidade inteira. Então, era um entusiasmo afirmativo diante dessa figura patriarcal benigna.
Existe alguma cena que resuma a relação de vocês? Tem uma muito forte que sintetiza tudo. No dia em que saí da prisão [em 1969], a soltura não foi bem uma soltura. Quando Gil e eu chegamos a Salvador no avião da FAB, acompanhados do chefe da polícia federal do Rio de Janeiro, tinha uma ordem de prisão antiga. Aí fomos jogados numa cela de novo. Só soltaram a gente à noite. Saímos sem dinheiro, meio apavorados. Quando chegamos à minha casa, só tinha Nicinha, minha irmã de criação mais velha. Meus pais e meus irmãos tinham ido para o aeroporto e não sabiam que a gente tinha sido detido de novo [por mais algumas horas]. Quando vi a casa toda vazia, fiquei louco. Louco, louco, uma coisa terrível. O mesmo negócio que senti quando tomei ayahuasca, uma coisa que não dava na cabeça. Corria de um cômodo para o outro, gritava, chorava. Pensei: “Pronto, não existo mais”. Aí chegaram as pessoas, meu pai na frente. Quando ele me viu, falou assim: “O que é isso? Não me diga que você deixou esses filhos da puta te botarem nervoso?”. Fiquei bom. Na hora! Abracei ele e comecei a chorar. Foi uma ordem. Se meu pai não tivesse chegado, estava louco até hoje.
Seu pai sempre passou essa segurança? É. Ele falou “filhos da puta”, e não era de xingar, nada, nunca. Mas naquela hora ele falou mesmo. Aquilo foi tão forte. Como ele tinha desprezo pela ditadura militar, sentia orgulho por eu ser definido como inimigo.

E você, é muito diferente ser pai aos 30 e aos 55 anos? Basicamente, não. Filho é a coisa mais intensa que há. Eu não queria ter filho. Dedé [Gadelha, primeira mulher de Caetano, mãe de Moreno] e eu tínhamos decidido não ter filhos. De repente me veio uma vontade, justamente no fim do exílio, pensando que voltaria ao Brasil. Dedé ficou alegre depois que chegamos e topou. Moreno nasceu, e aí mudou tudo.

Moreno é filho da geração hippie, filho de hippies. Ele podia tudo? Não. Vi muita gente confusa, permissiva, em relação a isso. Não foi meu caso.

É aquela história de saber o que dizer e o que não dizer na frente das crianças. Justamente. Lembro que Moreno entrou numa escola que era muito aberta. Na primeira reunião de pais e mestres, o diretor e os professores falavam como a escola tinha que ser atraente, agradável e interessante. Pedi a palavra: “Olha, acho que a escola deve ser chata. Tem um aspecto que a escola deve admitir de ser uma instância chata na vida da gente, e que isso é fundamental para as crianças”. Moreno depois veio me dizer: “Pai, tá todo mundo falando que você é o maior careta” [risos].

Sua escola era chata? Escola é chato. Mas gostava também, porque a gente encontra outras pessoas. E você tem umas tarefas a cumprir, tem que mostrar que aprendeu.

Ainda com cachinhos, em 1967, interpretando “Alegria, Alegria”, canção classificada em quarto lugar no Festival da Música Popular Brasileira, na TV Record

E você não gostava de futebol, o que deixa a escola mais difícil para os meninos. Hoje é um paraíso, comparado com o que era nos anos 50, 40. Moreno e Zeca nunca jogaram futebol, e nunca ninguém achou que eles eram veados por causa disso. Tom joga lá no Zico [CFZ, Centro de Futebol Zico]. No meu tempo, não existia você não jogar futebol. Era a mesma coisa que chegar de vestido franzido cor-de-rosa.

Você tentava jogar? Tentei. Peguei uma bola e fiquei treinando, assim, na parede. Tentei fazer um pouco de embaixadinha, levantar a bola e bater sem ser bicudo. Ficava jogando na rua, em Santo Amaro, e também no quintal enorme da casa. E pensei, sozinho comigo mesmo, que se quisesse jogar futebol seria um dos melhores jogadores que há. Mas não tinha a menor vontade.

Numa entrevista à Trip, você disse que poderia ser um gênio se tivesse se dedicado a isso. É a mesma coisa, né? Sabe que penso assim? É um absurdo isso [risos].

O mundo perdeu um Pelé e ganhou um Caetano. Aí vocês vão dizer que sou modesto, mas não tem comparação. Pelé é muito maior. Ele fez o negócio que tinha que fazer. Eu não.

Você não fez o que deveria fazer? Todo mundo tem um pouco essa sensação, eu tenho bastante.

­­E o que deveria ter feito? Alguma coisa para a qual tivesse uma vocação. Até tenho vocação para o que faço, mas ter o talento definido. Tenho talento definido para outras coisas que não fiz. Eu seria melhor para desenhar ou pintar, para fazer cinema ou para escrever.

Além do futebol. Para futebol não tenho talento. Deixei falar de Pelé, mas pensei assim: “Poderia jogar muito bem”. Vi que podia, mas não tinha interesse. Achava chato ficar trombando nos outros meninos. Eu era muito feminino. Subia no araçá [goiabeira] e ficava cantando a tarde inteira.

Os outros meninos achavam você muito esquisito? Me achavam meio assim, pouco masculino. Demonstravam às vezes, mas eu era muito amigo, muito inteligente para conversar, tinha muitos amigos na escola. Só uns meninos mais grosseiros que às vezes comentavam alguma coisa como “não é homem, não? Não joga futebol?”.

Em seu livro Verdade Tropical, você fala de hétero, homo e bissexualidade. Hoje essas definições são menos importantes? Pode ser sim. Também pode haver um grande retrocesso, existem muitos movimentos religiosos que apontam na direção oposta. Mas, no Ocidente moderno, houve uma ampliação do entendimento da sexualidade. Somos sexuais, e não heterossexuais ou homossexuais.

Este Zii e Zie é bem sexual, embora nem tanto quanto o anterior, Cê. Como está a sexualidade nesta chegada à velhice? Olha, para mim tem a mesma importância que sempre teve. Sou do time que acha sexo a coisa mais importante que há. Tipo Freud [risos]. Uma manifestação essencial de tudo.

Voltando ao que você deveria ter feito, por que você foi fazer música, então? Passividade total diante do que aconteceu. Tinha interesse em música, um conhecimento muito grande. O Alvinho Guimarães, que era um diretor de teatro de Salvador, ficou muito impressionado. Eu tinha uma capacidade de articulação bem parecida com a que tenho hoje. E ele me chamou para fazer a música da peça. Eu disse: “Não sei fazer música, eu falo sobre música”. Ele falou: “Tem que ser você, não tá tocando violão?”. Fiz, e todo mundo achou maravilhoso. Aí me apresentaram a Gil, que eu via na televisão e achava o máximo. Gil me adorou, achou que eu tinha que fazer música, que aquelas bobagens eram maravilhosas. Duas vezes quis deixar de fazer música e Gil não deixou.
Quando? No fim do período da Bahia, quando a gente ainda era novo. E, mais tarde, depois do fim do tropicalismo, antes da prisão. Queria comprar uma Kombi e sair fazendo uns espetáculos pelo Brasil. E depois deixar tudo, ir fazer filme, escrever. Gil falou nitidamente: “Se você deixar de fazer música, também deixo”.

Jogou pesado. Muito pesado. Então fui ficando, e depois fui preso. Aí teve o negócio de quase ficar louco, o exílio, e perdi um pouco daquela determinação. Fiquei mais acuado para mudar. A música era a única coisa que tinha, era real. Estava me agarrando à realidade. E gosto muito de música.

Então vamos falar de uma música nova. Em “Lapa”, você canta que “Pelourinho Vezes Rio é Lapa”. Essa equação de algum jeito resolve o Brasil? Logo os primeiros versos dão todo o histórico de como é esse negócio para mim: “Samba Canal 100 no meio dos 60/ E nos 70 era o largo da Ordem”. Quando eu era menino, não existia Canal 100 [cinejornal sobre futebol]. Tocava fox quando passava futebol, resquício de que era um esporte britânico. Não havia vinculação entre futebol e samba. Eu pensava que, se colocassem samba no futebol, o Brasil iria se afirmar. Aí apareceu o Canal 100 com aquele samba “Que bonito é.”, uma coisa maravilhosa. Isso é de uma importância enorme, era o Brasil vindo.

O trio musical da Banda Cê, que acompanha Caetano: da esq. para a dir., Pedro Sá, Ricardo Dias Gomes e Marcelo Callado, que estão no lançamento de Zii e Zie

E o largo da Ordem? Quando voltei de Londres, Curitiba se tornou minha cidade favorita. O Jaime Lerner tinha recuperado o largo da Ordem, que tinha a arquitetura mais tradicional da cidade. Mas Curitiba não tem relíquia arquitetônica. Zero, se comparar a Salvador, São Luís, Rio de Janeiro. Olhei para aquilo e disse: “Não posso nem sonhar, mas se isso fosse feito na Bahia ou em São Luís ou no Recife.”.

Seria como juntar samba e futebol. Entendeu? Não deu outra. Uma década depois, Antônio Carlos Magalhães fez a recuperação do Pelourinho. Quando aconteceu, nem queria ouvir reclamação do pessoal de esquerda, que dizia “mas as pessoas foram removidas.”. Conversa chata, demagógica. Aquela própria gente se beneficiaria tão mais de aquilo ter acontecido. Eu via aquilo como uma afirmação [do Brasil]. E era, e é. Depois, isso foi acontecendo na Lapa, de um jeito menos oficial que na Bahia. Fiquei muito emocionado. No Rio, esse efeito se multiplica, é muito maior. Levei uma amiga americana lá, e ela ficou impressionada como a Lapa era vital, elegante e popular.

Você continua saindo à noite? Ah, sim. Gosto de ir aos lugares, de estar com as pessoas. Sou animado. Agora, a resistência é menor. Envelhecimento é isso. Demora para se recuperar de uma noite de cansaço, de uma balada. Eu emendava todo fim de semana na Bahia. Bebia muita cerveja e cachaça, e quando chegava segunda-feira estava novo. Depois foi ficando difícil. Já com 30 anos as ressacas eram insuportáveis. Foi ficando pior. Tô cheio de beber.

Não bebe mais nada? Bebo só na terça de Carnaval. Este ano, bebi à beça.

Na Quarta-feira de Cinzas você deve ficar com a pior ressaca do mundo. Mas todo mundo está, então fico mais ou menos. Tem pessoas que estão bebendo desde quinta, e eu só bebi na terça.

Em “Falso Leblon”, você fala de uma balada com ecstasy, que é uma droga da sua geração. Não tem uma incompatibilidade com essa turma mais nova? Não tenho incompatibilidade com nenhuma geração boêmia. Com alguns caretas sim. Mas não gosto de droga, não tomo nada.

Nunca experimentou ecstasy? Nunca. Já sofri demais com negócio de droga, não suporto. Nunca fui viciado nem me acostumei. Cheirei lança-perfume aos 14 anos e tive pavor. Fumei maconha com 23 e tive horas de pânico absoluto. Tomei ayahuasca e passei dias de horror e um ano de angústia. Agora, convivo com todo mundo.

O medo das drogas passa pelo medo de ficar louco? Totalmente.

Ainda tem medo de ficar louco? Tenho. Não gosto de perder a consciência nem a razão.

O que você achou do FHC defendendo a descriminação da maconha? Gostei muito. Também gostei quando o Chico Buarque se manifestou a favor da legalização das drogas. Deveriam ser todas legais. Não gosto de pensar que as pessoas só não tomam droga porque é proibido. O álcool não é proibido, mas não é que a maioria da população seja alcoólatra.

Você saiu de um casamento longo, como está a vida de solteiro? A princípio, senti dificuldade, mas ao mesmo tempo sentia a animação da novidade. Nunca tinha sido solteiro. Saí de dois casamentos longos, minha tendência se provou ser para casamentos longos. Vivi na casa de minha mãe até sair com Dedé, e ainda estava com Dedé quando comecei com Paulinha [Lavigne]. Não pude viver solteiro, ter uma casa minha. Depois melhorei, fui melhorando, hoje gosto muito. Moro com meu filho Zeca, e é muito bacana uma casa com dois caras.

Você casaria de novo? Não pensei em casar nem da primeira vez.

Se pensar, não casa. Existe um folclore generalizado de que os homens não querem casar. Acho que o homem depende mais do casamento do que a mulher, ficam mais desamparados quando se separam. Mulher é adulto, homem é criança.

Você ficou surpreso, como diz a música “Sem Cais”, ao se dar conta de que “ainda posso me apaixonar”? Isso tem a ver com certas experiências minhas. Pensei que não fosse mais capaz, mas já faz tempo que descobri que talvez seja. Às vezes, você vê uma pessoa e percebe que poderia [se apaixonar], e nisso você sente tudo. Em geral, você se apaixona antes de encontrar alguém. Quando encontra, pode preencher e aquilo se potencializa, se materializa.

Já que você citou Freud antes, vamos falar da pulsão de morte. Como você lida com a morte? Sempre tive medo da morte, desde menino. Acho que sou menos angustiado hoje do que quando era novo.

Não devia ser o contrário? Claro que, sendo velho, vou viver muito menos do que já vivi. Acho que não é tão frequente os mais jovens terem menos medo da morte que os velhos. Não estou certo, mas acho que não é.

Sua insônia tem a ver com angústia? Tem. Mas tem a ver também com uma animação. Dormir nunca foi fácil para mim. Desde criança, não queria dormir. Preferia acompanhar as conversas dos adultos, os programas de rádio. Não gosto de apagar, de parar de conversar, de viver, de ver filmes, pessoas, fazer coisas. Agora, isso também pode ser uma face da angústia, talvez você confunda sono com morte, ou uma coisa assim.

Com 20 e poucos anos, você escreveu que seu coração “não se cansa de ter esperança de um dia ser tudo o que quer”. Aos 66 anos, chegou lá? Ainda não. Mas reitero que meu coração não se cansa.

6.20.2009

MENSAGEM AO AMIGO CARYBÉ

Monumento à Cidade da Bahia, por Mário Cravo Jr - Foto: Fernando Vivas / Agência A Tarde

No ontem hoje amanhã eterno

MÁRIO CRAVO JR

Cobrimo-nos com o pó das estradas e com a lama entranhada nos poros a arrecadar ex-votos, esculturas vivas dos sertões, juntos, irmão Caryba, enchemos os corações com o mistério do sol escaldante da infindável caatinga.

Vimos, amigo, a mensagem nos olhos baços do cego andarilho aos pés de Monte Santo. Do Conselheiro Cruz em Canudos,


Antonio Conselheiro, escultura de Mário Cravo Jr, MAM-BA - Foto: Fernando Vivas / Agência A Tarde

rolamos por vezes até as catadupas de Paulo Afonso inda virgem na poderosa magnificência de suas quedas.

Viste, Carybé, na procura do cerne de nosso caboclo, as barrentas águas do São Francisco, e nas carrancas estáticas namoramos o cântico que o homem dedica ao rio.

Cortamos os canaviais de Pernambuco e raspamos por miríades de capelinhas quietas e adormecidas… Sergipe, Alagoas, Piauí, Pernambuco e Bahia.

Os santos povoam a trajetória do homem na sua procura.

Percebo, parceiro velho, sua presença inconfundível no meio dos capoeiristas, nas deferências aos Pais e Mães-de-Santo dos terreiros da Bahia; assim estás, como poucos, nas águas de Janaína e por dentro das palhas do velho Omolu.

Trouxeste, amigo Carybé, o sangue de homem e nos servistes em taça feita de folha de fruta-pão. No cântico de amor e vida, praticas, colega dos colegas, oblação de Oxalá na Ribeira que viu nascer e que em noites de lua cheia oferece véus de espuma à praia noiva, e deixou em tua alma, irmão, o sinal negro do Abaeté, por isto, desenhas poemas.

Morre Bugalho, crucificado em berimbau, enquanto Onça Preta salta numa perna só, qual saci redivivo, herói da liberdade.

Todas as imagens vêm a mim, quando com palavras tento situar o que não tem tempo e que já existia antes e depois de nós.

Ao despontar brancos e risonhos cabelos sobre os sucos acentuados que marcam anos de paixão colhemos frutos sazonados, maduros, a marcarem a compreensão dos homens; nossos amigos e irmãos são agradáveis, a aragem é benfazeja, mesmo fosse ela gerada por lágrimas e noites insones.

Na terra, na madeira, na água, no sal, na noite, no sol e nos homens estás, Carybé, como homem inseparável desta Cidade de Salvador, para agora e sempre.


Mário Cravo Jr - Foto: Elói Corrêa/ Ag. A Tarde


(Texto escrito pelo artista plástico/escultor baiano Mário Cravo e lido pelo artista no seminário ‘Encontro com Carybé’ realizado no MAM-Museu de Arte Moderna da Bahia, em 22 de maio de 2009, evento paralelo à exposição em comemoração aos 70 anos da chegada primeira de Carybé à Bahia. Participaram do seminário, além de Mário Cravo, Dona Nancy Bernabó – mulher do argentino/baiano, Ramiro e Solange – filhos, Dr. Gilberto Sá – presidente da Fundação Pierre Verger, a escritora Myriam Fraga – diretora da Fundação Casa de Jorge Amado e o jornalista/escritor José de Jesus Barreto)