( AFP) - Filmado em preto e branco, com uma narrativa ascética e um rigor fotográfico que corresponde perfeitamente à aspereza da história contada, "A fita branca" nos transporta a um povoado do norte da Alemanha no ano que precede o início da Primeira Guerra Mundial.
Na pequena cidade, onde a vida é regida pelos rigorosos princípios morais do puritanismo protestante, autoritarismo e submissão formam o eixo de todas as relações: entre os nobres proprietários de terras e camponeses, entre homens e mulheres, entre pais e filhos.
É verão e época da colheita quando começam a acontecer no povoado uma série de agressões inexplicáveis, cujos autores nunca são descobertos: um cabo estendido quando passava o cavalo do médico local, duas crianças brutalmente espancadas, o incêndio de um celeiro e outros.
O mistério faz surgirem rumores - e, com eles, o medo.
Ao mesmo tempo, o professor do povoado vai percebendo comportamentos estranhos em seus alunos, as crianças da pequena cidade, educadas na reverência e na obediência cega aos pais e submetidas a castigos físicos e a humilhações públicas em reprimenda à mais leve falha, em famílias onde gestos de ternura não existem.
"A faixa branca" poderia também se chamar "O ovo da serpente", como a obra do mestre sueco Ingman Bergman, cuja sombra aparece projetada sobre muitas das cenas do filme.
No entanto, Bergman revisitado pela crueza de Haneke é uma mistura explosiva. A lucidez da pintura dessa sociedade, que anos depois produziria o nazismo, é assustadora.
O diretor austríaco, porém, declarou em Cannes que, apesar da história alemã, não quis que seu filme seja considerado uma obra sobre as origens do nazismo. "O que eu mostro poderia ser transportado para qualquer país", afirmou.
"Além da reconstituição de época, eu quis contar a história de um grupo de crianças que são a construção dos princípios de seus pais. (...) Quando alguém acredita possuir a verdade sobre tudo o que é justo, se torna rapidamente inumano: essa é a raíz de qualquer terrorismo político", estimou o diretor.
5.26.2009
Rita Lee dá entrevista ao vivo pela primeira vez em 12 anos e fala sobre sexo, drogas e rock'n roll

Márcia Abos
SÃO PAULO - Rita Lee resolveu quebrar um jejum de 12 anos sem dar entrevistas pessoalmente. A deixa foi o lançamento do DVD "Multishowao vivo", pela gravadora Biscoito Fino. Apesar de estar com uma fortegripe, a compositora e cantora recebeu a reportagem do GLOBO no estúdio que tem anexo à sua casa em São Paulo.
Vestida com uma calça multicolorida, camiseta preta e, por cima, para se aquecer no frio paulistano, uma camisa larga de flanela, ela estava bem-disposta e teve paciência para responder a perguntas por mais de uma hora, sempre solícita. Falou de sexo, drogas e rock 'n' roll sem pudores e com seu peculiar senso de humor. Mas não deu sinais de pretender abandonar seu meio de comunicação favorito com a imprensa, o e-mail.
" Sou alcoólatra, então bebeu o primeiro, f... "
Como foi selecionado o repertório do DVD "Multishow ao vivo"?
RITA LEE: A gente estreou a turnê "Pic nic" em janeiro de 2008. De lá para cá, para não ficar aquela coisa retinha, certinha, começamos a tirar e a pôr músicas, também acompanhando pedidos do público. Para o especial, fizemos um esqueleto dos hits que todo mundo quer ouvir e que a gente não sai do palco sem tocar, como "Ovelha negra", "Doce vampiro", "Lança-perfume". As outras, a gente tirava e punha, como "Mutante" e "Cor de rosa choque", que fazia tempo que não cantava.
Uma das inéditas é "Insônia". Você sofre de insônia?
RITA: Sofria. Pastei demais. Na época do "Saia justa" (de 2002 a 2004, Rita foi uma das apresentadoras do programa do GNT) era uma coisa... Tentei de tudo, menos remédios, porque não posso tomar, acabo tomando a farmácia inteira, não sei quando parar. A mesma coisa com bebida, com tudo. Ou fico careta ou caio de boca. Na época da insônia eu já tava careta. Estou careta há três anos e meio, desde que nasceu minha neta. O nascimento dela foi um marco zero, pensei: "Onde estou? Esse filme, eu já vi muito". Mas a tomação tem um preço. Quando você para, é insônia total. Aí comecei a perceber que a insônia era uma namorada. Tinha um lado de rolar na cama, e ela está lá.
" No começo, tinha aquela coisa de ciúme, aquela trepação de coelhinho. Agora é menos quantidade e mais qualidade "
Você está totalmente careta, nem um vinho de vez em quando?
RITA: Não posso nada. Sou alcoólatra, então bebeu o primeiro, f... Meu pai e meu avô eram alcoólatras, minha irmã morreu de alcoolismo, overdose. Quando comecei a fazer a turnê do "Bossa 'n' roll", baixou um Vinicius de Moraes, e eu estava ali com um uisquinho. Álcool é a droga mais pesada que já experimentei. E tem essa hipocrisia de ser liberado, "Se beber, não dirija". Isso tudo é cínico. Ou libera tudo ou proíbe tudo. Quando nasceu minha neta, eu tava em um hospício. Porque rehab para mim é hospício, lugar de gente louca, que tem compulsão a tudo: comida, sexo, jogo, álcool, drogas. Mas não me arrependo de ter feito tudo o que fiz, de ter tomado tudo o que tomei, de ter passado pelas esquinas por onde andei. Não tenho discurso de madalena arrependida. Teve um lado bom de alcançar um arquivo que eu jamais alcançaria careta. Mas é perigoso. Você consegue coisas maravilhosas, música, letra, a ousadia. Mas você abre a guarda e, nessa, vem o outro lado da moeda, que é o escuro. Era uma coisa Luke Skywalker, agora é Darth Vader.
Como é trabalhar em família, com seu filho Beto Lee e o marido, Roberto de Carvalho?
RITA: É o pai, o filho e a espírita santa (risos). É muito bom. Antes de o Beto ser meu filho, ele é um grande guitarrista. Vê-lo ao meu lado é muito louco. Lembro-me do Beto na coxia em um show há anos, no Maracanãzinho, com uma guitarrinha de plástico. Ele atravessava o palco na maior. É normal ele estar do lado. Adoro os solos dele, fico babando, como mãe coruja e colega de trabalho que aprecia. E, do outro lado, o pai dele, nossa, é tão bom. Porque eles me dão uma segurança bacana, de "vamos nessa, mãe".
Em suas composições recentes "Tão", "Se manca" e "Insônia" há algo de reclamação, de resmungo. Você está numa fase reclamona?
RITA: É coisa de idade. Sabe velho rabugento? A gente fica reclamão, implicante pra caramba. Reclamo de sair da minha casa. Aí eu falo, "putz, vou pegar avião". Tenho medo, pavor. Quando eu enchia a cara, tudo bem. Mas agora, careta, tenho pânico, não acredito em avião. Acredito em disco voador, já vi, até. No hotel, olho para o travesseiro e falo: "Está cheio de ácaro de alguém, de outras pessoas, não os meus". O barulho da geladeira no hotel... Vou reclamando até pisar no palco. No palco, acaba tudo. É muito louco. Palco é realmente outro planeta.
Como é viver um casamento de 33 anos?
RITA: Não tem receita. Tem mudanças, fases. Como naqueles joguinhos em que a gente passa de uma fase para outra. No começo, tinha aquela coisa de ciúme, aquela trepação de coelhinho. Agora é menos quantidade e mais qualidade. É uma coisa mais sutil. Ele é muito romântico, manda flores toda semana. A gente combina. Eu escrevo uma letra, e ele vem com uma música. É uma aventura morar, compor, ter tido filhos com ele.
" Toma chocolate e no paga lo que debes. Porque chocolate é de graça agora "
E essa sua carioquice recente?
RITA: Meu amor pelo Rio vem desde criança. As primeiras lembranças que tenho, ainda vivas, são um filme em branco e preto. A calçada de Copacabana, a Guanabara, a Nara (Leão), que rima com Guanabara, a bossa nova, concurso de miss no Maracanãzinho, bailes de carnaval no Municipal, com aquelas estrelas de Hollywood, e, de repente, chegava Luz Del Fuego, abria o casaco, estava pelada e roubava a cena de todo mundo. Isso só acontecia no Rio quando era capital. Depois que a capital passou a ser Brasília, o Rio de Janeiro foi absolutamente abandonado. Isso é terrível. O Rio é o cartão-postal do Brasil, a capital do país de verdade. Tinha que voltar a ser capital federal, seria engraçado, leve, a cara do Brasil.
A relação com gravadoras é complicada?
RITA: Com a Biscoito Fino, não. Em gravadora sempre tem aquele produtor que tem um cunhado compositor, ele quer enfiar uma música dele no CD. É o fim da picada, mas eu sempre tirava isso de letra. Agora a Biscoito não é uma major, é uma coisa de amigo. São todos meio chegados, a gente pode dizer o que quer, e não se metem. Sempre fiz o que eu quis e briguei muito em gravadoras porque eram incompetentes. Não entendiam, não investiam nas pessoas certas, que mereciam. Depois, com o tempo, virou aquela clonagem. Ivete Sangalo deu certo, maravilhosa, vieram os clones. O mesmo com dupla sertaneja. Então as gravadoras ficaram clonando em vez de ver os alternativos, a meninada. Aí apareceu a internet, e eles se f...
O que você acha de pirataria, downloads na rede?
RITA: Adoro. Eu faço e pode fazer das minhas coisas tranquilo. É uma vitrine, tá ali. É assim que está, é muderno. Toma chocolate e no paga lo que debes. Porque chocolate é de graça agora. Acho simpático, democrático. Agora você ganha grana em show, porque disco não vende, é só baixar. Em show você ganha, porque não tem uma Rita Lee pirata cantando.
Quais são seus novos projetos?
RITA: Quero fazer um trabalho de inéditas e retomar aquela ideia de bossanoviar. Queria bossanoviar músicas de cinema brasileiro, italiano, americano. Isso é um projeto paralelo. Outro é fazer música instrumental, como é só isso que ouço, tenho vontade. Para o disco de inéditas, já temos o material, o negócio agora é parar entre um show e outro, garimpar as melhores e gravar.
A gravação do DVD, no Vivo Rio, apresentou um problema que tem sido rotina, da repetição de algumas músicas. O que você acha disso?
RITA: Isso é insuportável, brocha pra caramba. Mas não tem outro jeito. As pessoas que estão assistindo são avisadas de que é gravação, mas para nós, que estamos no palco, é uma brochada legal.
Há mais de dez anos você não fala pessoalmente com jornalistas. Por quê?
RITA: Faz 12 anos que não falo com repórteres. Falo por e-mail, acho tão mais confortável. É mais prático, é moderno, você não sai daí do seu lugar, eu não saio do meu, não tenho que passar batom, você não tem que enfrentar trânsito. Mas muita gente se queixa: "Ah, eu queria olhar cara a cara". Mas para que olhar cara a cara? Para ver minhas rugas? E eu olhar para você para quê? Para sentir o bafo? Não é legal, desconcentra. Escrevo muito melhor que que falo, e, se na primeira rodada de perguntas não deu, fazemos outras, até esgotar. Sua palavra não é distorcida. E eu odeio telefone.
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Entrevistas
5.25.2009
LENINE - Canta no Jardim Botânico

Na próxima quinta (28), o Teatro Tom Jobim recebe o cantor Lenine como parte do projeto Concertos de Outono, que traz um grande nome da MPB a cada semana. O músico pernambucano, em voz e violão, apresenta sucessos e seu mais recente trabalho, Labiata.
O repertório é centrado nas canções de Labiata, que ganham uma sonoridade própria quando formatadas ao vivo. Lenine interpreta músicas de sua carreira e novidades como Magra, Martelo Bigorna, Samba e Leveza, Lá Vem a Cidade e É Fogo. Sucessos como O Homem dos Olhos de Raio-X, A Rede, O Atirador e Hoje Eu Quero Sair Só também estão presentes no setlist.
Teatro Espaço Tom Jobim - Rua Jardim Botânico, 1008, Jardim Botânico, tel.: 2274-7012. Quinta (28), 20h30.
Bilheteria: 14h/18h (seg. a qua.); a partir das 14h (qui.). R$ 50,00. Estac. grátis a partir das 17h.
Um trecho do show PHONO 73 realizado no Anhembi, em São Paulo. A música Cálice foi considerada subversiva pelos orgãos da ditadura militar. Mas mesmo sendo cantada com a letra modificada, o microfone do Chico Buarque foi desligado.
Cálice
*Composição: Chico Buarque/Gilberto Gil
.Pai, afasta de mim este cálice
Pai, afasta de mim este cálice
De vinho tinto de sangue
Como beber dessa bebida amarga?
Tragar a dor engolir a labuta?
Mesma calada a boca resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa?
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira tanta força bruta
Pai, afasta de mim este cálice
Pai, afasta de mim este cálice
De vinho tinto de sangue
Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa
Pai, afasta de mim este cálice
Pai, afasta de mim este cálice
De vinho tinto de sangue
De muito gorda a porca já não anda
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, pai, abrir a porta
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade
Pai, afasta de mim este cálice
Pai, afasta de mim este cálice
De vinho tinto de sangue
Talvez o mundo não seja pequeno
Nem seja a vida um fato consumado
Quero inventar o meu próprio pecado
Quero morrer do meu próprio veneno
Quero perder de vez tua cabeça
Minha cabeça perder teu juízo
Quero cheirar fumaça de óleo diesel
Me embriagar até que alguém me esqueça
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Achados
Festival Multiplicidade completa cinco anos e volta à cena com sua fórmula de reunir músicos, cineastas, DJs e artistas

Fátima Sá
RIO - Batman Zavareze tinha mil ideias na cabeça e um Fiat Uno na garagem quando foi convidado a ocupar o palco do Oi Futuro (na época Centro Cultural Telemar). Designer, videomaker, egresso da MTV e da Fabrica - o laboratório de criação da Benetton na Itália -, Batman deveria bolar um espetáculo misturando arte e tecnologia. Fez mais. Vendeu o carro, tirou as ideias da cabeça e criou o festival Multiplicidade, um espaço para encontros únicos e experimentais entre músicos e artistas. O que era uma aventura cresceu, ganhou moral, teve até o cineasta inglês Peter Greenaway como atração, e volta agora à cena com mais uma rodada de experiências. Na próxima quinta-feira, o Multiplicidade inaugura sua quinta edição com um encontro de mineiros: o cineasta e artista plástico Cao Guimarães, que já foi visto na Tate Modern, no MoMA e em Cannes, e o grupo instrumental O Grivo, que expôs suas instalações sonoras na Bienal de São Paulo. Juntos, eles farão um espetáculo multisensorial de 40 minutos no Oi Futuro, misturando filmes de Cao com a trilha sonora do Grivo, executada ao vivo em copos de cristal, latas velhas e outros "instrumentos".
Assista a trechos das apresentações com Chelpa Ferro & Jaques Morelenbaum, Peter Greenaway, entre outros
- Normalmente, quando nos reunimos com os artistas e os músicos, eles vêm com uma pergunta viciada: "O que você me oferece?" E eu inverto a pergunta: "O que você quer?". A ideia não é a atração se adaptar ao festival, mas o contrário. A gente espera dar os meios para que eles inventem, façam coisas que nunca fizeram, arrisquem - explica Batman, que além de idealizador é o curador do Multiplicidade.
Agora, é bem verdade, ficou mais fácil. Com o sucesso da experiência, no ano passado mil projetos bateram à porta do curador. Mas no primeiro ano do festival, foi preciso correr atrás das atrações, explicar muito bem do que se tratava. Quando falaram de música, arte e tecnologia com Tom Zé, por exemplo, o compositor baiano devolveu:
- Enceradeira é tecnologia?
No Multiplicidade é. E Tom Zé fez um show antológico em 2006. Tanto quanto Peter Greenaway e sua interface de alta definição touch screen, que ele usou para finalizar seu filme na hora, fazendo o que chama de "cinema vivo", ano passado.
Assista a trechos das apresentações de Duplexx, Arnaldo Antunes, Tato Taborda, entre outros
- Talvez nosso grande diferencial seja a capacidade de produzir uma coisa única para cada artista - lembra Batman. - É esse espírito de laboratório que a gente procura manter.
De agora até o fim do ano estão previstas dez atrações - sete no Oi Futuro e três no Oi Casa Grande (duas delas ainda não confirmadas). No Oi Futuro, além de Cao e O Grivo, tem o designer Muti Randolph se apresentando com a mãe, a pianista Clara Sverner, no dia 25 de junho. Um mês depois, no dia 23 de julho, tem Cine Macalé, uma parceria entre Jards Macalé e o videoartista Samir Abujamra.
- Ainda estamos pensando no que fazer, mas a ideia é ter o Macalé tocando e várias projeções de Super 8, misturadas a suportes modernos - conta Samir. - O Macalé tem um arquivo sensacional de filmes que ele fez em Londres, um clima de nostalgia legal.
Em setembro, haverá duas apresentações do Multiplicidade. No dia 3, a equipe por trás da festa Moo vai inventar uma experiência sensorial especialmente para o festival. E, no dia 24, será a vez da dupla Nina & Nuno, com a cantora-estilista Nina Becker e o artista-compositor Nuno Ramos.
- Foi o Raul Mourão (atração do Multiplicidade em 2006) quem sugeriu o encontro. Adorei. Sempre me interessei pelo trabalho dele - lembra Nina, que já gravou músicas de Nuno.
As duas últimas noites no Oi Futuro terão o percussionista pernambucano Jam da Silva e o coletivo carioca de designers OEstudio, juntos, no dia 29 de outubro, e o guitarrista Arto Lindsay, em 26 de novembro. Já o Oi Casa Grande recebe, no dia 13 de outubro, o Blind Date, dupla formada pelo percussionista Naná Vasconcelos e pelo DJ Dolores, que nunca tocaram juntos no Rio. O resto é suspense.
uma balada pra lá de romântica...,

Enviado por Antônio Carlos Miguel
"O melhor do amor", está entre as surpresas de "Não se apague esta noite", DVD de Flávio Venturini que aguardava na fila e, hoje, finalmente rodou no iMac (com problemas, monitor acometido por aquelas linhas verticais, ou dead lines, como a própria Apple assume mas não banca). A música, do cantor e tecladista com Ronaldo Bastos, rodou bem, ao lado de outras belas provas da musicalidade de Venturini: "Pierrot", sambalada dele com Murilo Antunes, aqui em dueto com Mart'nália; mais duas da parceria com Ronaldo, "Noites com sol", com Marina Machado, e "Recomeçar", esta até então inédita. Já " O melhor do amor", como o autor das palavras me contou, fora gravada em disco recente de Venturini, "Porque não tínhamos bicicleta", em 2003, mas eu tinha passado batido, em parte por ali estar algo encoberta pela roupagem loungeletro.
há momentos nos quais o pop progressivo (ecos de Terço e 14 Bis) me incomodam - incluindo, como também fiquei sabendo no telefonema, mais uma nova que não me capturou, "Mantra da criação" - mas Venturini é um melodista de pegada.
entre as faixas bônus, outra que pretendo ter mais doses, a instrumental com vocalises de forte sabor "Clube da Esquina", aquela onda bossa pop: "Morro branco" (com participação de um músico que eu desconhecia, Nando Lauria).
@@@@@
no momento, ao fundo, segue bem "Tea for the tillerman live", em 1971, num estúdio em Los Angeles com platéia de convidados - de relance, em "On the road to find out", identifiquei o hoje esquecido Arlo Guthrie. Cat Stevens estava então em seu auge criativo, ele que largou a música na virada para os anos 1980, quando adotou o islamismo e o nome Yusuf Islam, para só retornar no século XXI.
@@@@@
antes, finalmente assisti ao de Vanessa da Mata, gravado em Paraty (e retocado em estúdio), que tem seus momentos, mas passa aquela frieza habitual.

NUTRIÇÃO E MENOPAUSA
A menopausa é um evento natural, que toda mulher, após certa idade, experimentará. Tem como característica principal a parada das menstruações e o aparecimento dos sintomas vasomotores, como os fogachos ou ondas de calor definido como uma sensação súbita e breve de calor, que se espalha pela região do tórax, do pescoço e da face, de intensidade e freqüência variáveis. Pode acontecer após palpitação, sensação de pressão na cabeça e ansiedade. São acompanhados, por vezes, de suores e sensação de frio. Por diminuição da produção de hormônios femininos pelos ovários.
Devido a isso, alimentos ricos em beta caroteno (Cenoura, abóbora, folhas verde escuras), (peixes e carnes vermelhas magras), vitamina C ( Frutas cítricas), Vitamina E (Nozes, castanhas e óleos vegetais), Zinco (leite e cereais interais), Manganês (nozes, castanhas, amêndoas), selênio ( Peixes, frutos do mar, cereais integrais), Cálcio (leite e derivados) devem ser inseridos no cardápio e ajudam a mulher passa por essa fase tranquilamente. Como também, a soja por ser rica em isoflavona.
A isoflavona é um composto da soja, também chamado de fitoestrogênio, que atua na prevenção de doenças crônico-degenerativas, como o câncer de mama, de colo de útero e de próstata. Sua estrutura química é semelhante ao estrógeno (hormônio feminino) e, por isso, é uma substância capaz de aliviar os efeitos da menopausa.
A isoflavona da soja constitui-se uma alternativa para a mulher com sintomas da menopausa. Seu uso não altera o peso corporal ou a pressão arterial. Não se observam efeitos sobre a mama ou o útero, não provoca sangramentos.
A isoflavona da soja apresenta boa tolerabilidade, com poucos efeitos adversos. Entretanto, deve ser evitada por mulheres que apresentam contra-indicações ao uso de hormônios, por tratar-se de um fitohormônio. É importante também conhecer a procedência do produto, que deve apresentar aprovação pela ANVISA.
Bebidas alcoólicas, refrigerantes, doces, frituras, cafeína, enlatados, devem ser evitados para diminuir as chances de gordura abdominal e os riscos de doenças cardiovasculares.
Exercícios físicos, abolição do tabagismo, e claro! Alimentação saudável são os segredos para envelhecer com qualidade e respeito pelo corpo e com muita saúde!
Sandra Helena Mathias Motta
Nutricionista
Centro – 3322-3715
Vila Nova – 3326-5487
Celular – 8813-4072
sandranutti@yahoo.com.br
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Nutrição
Johnny Alf comemora no palco seus 80 anos

Márcia Abos
SÃO PAULO - Um encontro de velhos amigos. Este foi o clima do ensaio de Johnny Alf, Alaíde Costa e Emílio Santiango no Sesc Pinheiros em São Paulo na tarde desta sexta-feira. O trio se preparava para os shows deste fim de semana no mesmo teatro em comemoração aos 80 anos de vida de Johnny, completados em 19 de maio.
A emoção deu o tom do ensaio, abrilhantado pela recuperação de Johnny, que tocou piano, cantou e se locomeveu sem cadeira de rodas, com o apoio carinhoso de Emílio, que ao chegar no ensaio abraçou e beijou o amigo. É o segundo show que o pianista, cantor e compositor faz desde sua recuperação. O primeiro foi em janeiro, também na companhia de Alaíde Costa e de Leny Andrade. Johnny passou dois anos recluso, tratando-se de um câncer de próstata.
" A mudança da música brasileira não começou na bossa nova, começou com Johnny Alf "
- Estava louco para ver ele voltar. Acompanhei-o no reestabelecimento. Conheço Johnny desde que comecei a cantar nos anos 70. Ele é um irmão mais velho que eu, Alaíne e Leny temos. A volta dele é como se a gente tivesse também se recuperando - declarou Emílio Santiago, deixando rolar uma lágrima.
Johnny estava entusiasmado, mas poupou forças para o show. Brincou com Alaíde Costa e Emílio Santiago, ameaçando mudar na hora o repertório previsto, que inclui "Eu e a brisa", "Rapaz de bem", "Olhos negros", "Ilusão à toa" e "Céu de estrelas".
- Músicos da noite não têm essa, eles conseguem acompanhar qualquer coisa - disse Johnny, que para se aquecer no ensaio tocou no piano "Ligia" (Tom Jobim/Chico Buarque), canção que não está no repertório.
Disse que faria Alaíde cantar todas a músicas que gravou de Vinicius de Moraes.
- De repente ele muda todo o roteiro previsto. A gente combina um repertório, na hora ele faz a introdução e só olha pra mim. Ele gosta de inventar - diz Alaíde.
Emílio Santiago respondeu, zombeteiro:
- Desse jeito, vamos fazer um show de três horas.
Alaíde lembrou que foi uma das primeiras cantoras a cantar as composições de Johnny.
- Fui a segunda cantora a cantar Johnny. A primeira foi Mary Gonçalves. Tinha uns 16 anos, cantava ainda em programas de calouros, quando tomei conhecimento das canções de Johnny Alf. Fiquei apaixonada. Ele já fazia uma música completamente diferente de tudo que existia na época e isso era tudo o que eu queria pra mim. Ao longo da minha carreira, da minha vida, ele esteve presente sempre - lembrou Alaíde.
Junto com Johnny, uma das canções que Alaíde vai cantar é "Meu sonho".
- Um dia Johnny chegou com uma letra em um papelzinho dobrado e pôs na minha mão. Eu abri, li, e falei: "Johnny, que linda!". Aí ele falou: "É para você musicar". Respondi: "eu musicar pra você?". Não tinha título e eu chamei de "Meu sonho" - contou com orgulho a cantora.
Johnny Alf foi esquecido pelas comemorações dos 80 anos da bossa nova. Emílio Santiago espera que seja feita justiça à importância do compositor para música brasileira.
- A mudança da música brasileira não começou na bossa nova, começou com Johnny Alf em Copacabana, na boate Plaza, onde ele cantava suas músicas e onde todos iam chupar um pouco das harmonias e composições dele. Aí foram para o Carnegie Hall e esqueceram ele aí. Johnny tem uma obra belíssima, que vamos cantar até morrer - conclui Emílio.
Johnny Alf, Alaíde Costa e Emílio Santiago
Sábado 21h, e domingo 18h,
Sesc Pinheiros.
Rua Paes Leme, 195, Pinheiros.
Tel: 11 3095-9400 .
INGRESSO:R$ 30
5.24.2009
PARIS a mais de 200 km/h
Leia a história abaixo, deixe de lado a crítica moral e aproveite este extraordinário filme.
Em agosto de 1978, o cineasta francês Claude Lelouch montou uma câmera estabilizada na frente de uma Ferrari 275 GTB e convidou um amigo, piloto profissional de Formula 1, para fazer um trajeto no coração de Paris à maior velocidade que ele pudesse. A hora seria logo que o dia clareasse.
O filme só dava para 10 minutos e o trajeto era de Porte Dauphine, através do Louvre até a basílica de Sacre Coeur. Lelouch não conseguiu permissão para interditar nenhuma rua no trajeto. O piloto completou o circuito em 9 minutos, chegando a 324 km por hora em certos momentos.
O filme mostra ele furando sinais vermelhos, quase atropelando pedestres e entrando em ruas de mão única na contra-mão. Quando mostrou o filme em publico pela primeira vez, Lelouch foi preso.
Ele nunca revelou o nome do piloto e o filme foi proibido, passando a circular só no underground. Se você não viu ainda o clássico, prenda a respiração e clique no link abaixo.
Se você já viu, veja de novo, vale a pena.
O ruido no motor nas reduzidas é maravilhoso!
Em agosto de 1978, o cineasta francês Claude Lelouch montou uma câmera estabilizada na frente de uma Ferrari 275 GTB e convidou um amigo, piloto profissional de Formula 1, para fazer um trajeto no coração de Paris à maior velocidade que ele pudesse. A hora seria logo que o dia clareasse.
O filme só dava para 10 minutos e o trajeto era de Porte Dauphine, através do Louvre até a basílica de Sacre Coeur. Lelouch não conseguiu permissão para interditar nenhuma rua no trajeto. O piloto completou o circuito em 9 minutos, chegando a 324 km por hora em certos momentos.
O filme mostra ele furando sinais vermelhos, quase atropelando pedestres e entrando em ruas de mão única na contra-mão. Quando mostrou o filme em publico pela primeira vez, Lelouch foi preso.
Ele nunca revelou o nome do piloto e o filme foi proibido, passando a circular só no underground. Se você não viu ainda o clássico, prenda a respiração e clique no link abaixo.
Se você já viu, veja de novo, vale a pena.
O ruido no motor nas reduzidas é maravilhoso!
5.23.2009
Flip divulga programação: equilíbrio entre ficção e não ficção
Enviado por Márcia Abos, de São Paulo -
De 20 mil a 30 mil pessoas devem passar por Paraty entre os dias 1 e 5 de julho, quando acontece a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que tem entre os convidados autores como Chico Buarque, Richard Dawkins, Gay Talese e António Lobo Antunes, entre outros.
- Quando começamos, em 2003, esperávamos ter um público de 50 pessoas e imaginávamos que em cinco anos, chegaríamos a receber 500 pessoas. Não foi assim. Já no primeiro ano foi uma loucura. O público que esperamos é o limite da capacidade da cidade – disse na manhã desta quinta-feira o diretor geral da Flip, Mauro Munhoz.
Para Flávio Moura, que pelo segundo ano consecutivo faz a curadoria da programação da Flip, a programação de 2009, divulgada hoje, confirma a identidade da Flip.
- A programação traz nomes de destaque incontestável na suas áreas de atuação. Há o equilíbrio entre ficção e não ficção – explicou Flávio Moura.
É a primeira vez que a programação inclui ciência, representada pelo renomado darwinista Richard Dawkins, autor de “Deus, um delírio”. Também é inédita a presença de uma artista plástica, Sophie Calle, cuja obra tem forte ligação com a literatura, e de autores chineses no evento (Xin Ran e Ma Jian). Eles vêm ao Brasil quando se recordam os 20 anos do massacre na Praça da Paz Celestial, tema abordado na obra de Ma Jian.
- É um orgulho ter uma personalidade tão requisitada como Dawkins na Flip, ainda mais quando comemoramos 200 anos de Charles Darwin, assim como personalidades avessas à badalação, como Lobo Antunes e Gay Talese, cuja presença é fruto de anos de negociação. Isto mostra que a cada ano a Flip se consolida como um dos mais importantes eventos literários do mundo – conclui Moura.
Outra novidade anunciada por Moura é a Flip Casa de Cultura, novo nome da Flip Etc.
- Como o nome gerava uma certa confusão, com muita gente achando que se tratava de um evento paralelo, resolvemos mudar para mostrar que a Flip Casa de Cultura é também parte da programação oficial, com a mesma curadoria da Flip.
O autor homenageado pela sétima edição da Flip é o poeta Manuel Bandeira (1886-1968).
- Não queremos só homenagear autores por causa de alguma efeméride, como aconteceu ano passado com Machado de Assis em seu centenário de morte. Com a efeméride, o escritor vira assunto. Optamos por lançar luz a um autor que não está em pauta - explica Moura, destacando a mesa literária do dia 5, domingo, às 15h, que reúne Edson Nery da Fonseca, amigo pessoal e um dos maiores especialistas em Manuel Bandeira, e Zuenir Ventura, que foi aluno do poeta. - Será uma mesa de memórias afetivas.
Com um orçamento de R$ 5,980 milhões, valor 8,2% maior que no ano anterior, a Flip não deixará transparecer ao público os efeitos da crise financeira mundial, garante Mauro Munhoz, diretor geral da Flip. A inflação entre ano passado e este foi de 10%. Portanto, segundo Munhoz, houve redução de recursos, quando o natural seria haver aumento a cada ano.
- Para o público a Flip estará perfeita, maravilhosa e ainda melhor que a do ano passado. Estamos aumentando nosso rigor administrativo e eficiência – diz Mauro Munhoz, completando que foram grandes as dificuldades para captar recursos. – Mas estamos muito otimistas e acreditamos que não será necessário fazer cortes nos projetos permanentes.
FLIP NA REDE
Twitter, blog e um canal no YouTube são as maneiras de acompanhar a programação da Flip na internet. No Twitter, há informações sobre escritores convidados, autor homenageado e programação. O blog da Flip (www.flip.org.br/blog) terá atualizações em todos os dias do evento. Já no canal do YouTube (www.youtube.com/user/flipfestaliteraria), o internauta pode assistir a trechos de todas as mesas literárias.
