O carioca Otávio Castro, que é um jovem mestre da gaita, representou o Brasil na última edição da Society for the Preservation and Advancement of the Harmonica (SPAH), que aconteceu no mês passado na Califórnia. Com uma pequena gaita diatônica, dessas mais usadas no blues e no folk, ele esbanja técnica, tirando sons que normalmente só são conseguidos nas gaitas maiores. O vídeo que repasso abaixo flagra Otávio em ação no encontro da SPAH deste ano, utlizando uma Hering Golden Blow afinada em Dó.
9.22.2009
Otávio Castro usando Harmonica Hering Golden Blow
Enviado por Antônio Carlos Miguel -
O carioca Otávio Castro, que é um jovem mestre da gaita, representou o Brasil na última edição da Society for the Preservation and Advancement of the Harmonica (SPAH), que aconteceu no mês passado na Califórnia. Com uma pequena gaita diatônica, dessas mais usadas no blues e no folk, ele esbanja técnica, tirando sons que normalmente só são conseguidos nas gaitas maiores. O vídeo que repasso abaixo flagra Otávio em ação no encontro da SPAH deste ano, utlizando uma Hering Golden Blow afinada em Dó.
O carioca Otávio Castro, que é um jovem mestre da gaita, representou o Brasil na última edição da Society for the Preservation and Advancement of the Harmonica (SPAH), que aconteceu no mês passado na Califórnia. Com uma pequena gaita diatônica, dessas mais usadas no blues e no folk, ele esbanja técnica, tirando sons que normalmente só são conseguidos nas gaitas maiores. O vídeo que repasso abaixo flagra Otávio em ação no encontro da SPAH deste ano, utlizando uma Hering Golden Blow afinada em Dó.
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Vídeo

Composição: Chico Buarque / Edu Lobo
Súbito me encantou
A moça em contraluz
Arrisquei perguntar: quem és?
Mas fraquejou a voz
Sem jeito eu lhe pegava as mãos
Como quem desatasse um nó
Soprei seu rosto sem pensar
E o rosto se desfez em pó
Por encanto voltou
Cantando a meia voz
Súbito perguntei: quem és?
Mas oscilou a luz
Fugia devagar de mim
E quando a segurei, gemeu
O seu vestido se partiu
E o rosto já não era o seu
Há de haver algum lugar
Um confuso casarão
Onde os sonhos serão reais
E a vida não
Por ali reinaria meu bem
Com seus risos, seus ais, sua tez
E uma cama onde à noite
Sonhasse comigo
Talvez
Um lugar deve existir
Uma espécie de bazar
Onde os sonhos extraviados
Vão parar
Entre escadas que fogem dos pés
E relógios que rodam pra trás
Se eu pudesse encontrar meu amor
Não voltava
Jamais
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Achados
A resistência, de Ernesto Sabato
Rafael Rodrigues
Vivemos tempos instáveis. Há por todos os lados alguma ameaça, alguma preocupação que nos deixa em estado de alerta o tempo inteiro. A qualquer momento um conflito entre nações pode acontecer, ou uma epidemia se alastrar pelo mundo. A economia já deu sinais de que pode entrar em um colapso profundo; na política, o que vemos é um mar de corrupção e negligência. Tais sintomas terminam por contaminar a sociedade como um todo e, diante disso, os poucos que têm algum tempo para pensar e se dar conta do que está acontecendo ― e do que pode vir a acontecer ― se perguntam: o que podemos fazer? Ou, melhor dizendo: podemos fazer alguma coisa?
Através de seis cartas dirigidas a toda a humanidade, o escritor argentino Ernesto Sabato tenta responder a essas questões no singelo A resistência (Companhia das Letras, 2008, 112 págs.).
Sabato inicia o livro dizendo "Há certos dias em que acordo com uma esperança demencial, momentos em que sinto que as possibilidades de uma vida humana estão ao alcance de nossas mãos. Hoje é um desses dias". Mas essa esperança não dura mais que algumas linhas ― ela é logo minada pelo esboço de análise que ele faz da influência que tem a televisão na nossa sociedade.
Para Sabato, a televisão nos faz perder "a capacidade de olhar e ver o cotidiano". O autor costuma dizer, "alterando a famosa frase de Marx", que "a televisão é o ópio do povo". "Ela nos tira a vontade de trabalhar em algum artesanato, de ler um livro, de fazer um conserto na casa enquanto se escuta música ou se toma um mate." Publicado na Argentina em 2000, essa crítica à televisão talvez tenha ficado um tanto ultrapassada, porque hoje é a internet que exerce esse "poder" sobre uma quantidade cada vez maior de pessoas.
Mas Sabato não é um pessimista, e algumas páginas depois a esperança reaparece: "Sim, tenho uma esperança demencial, ligada, paradoxalmente, à nossa atual pobreza existencial e ao desejo, que descubro em muitos olhares, de que algo grande nos consagre a cuidar com empenho da terra em que vivemos".
Na segunda carta, o autor escreve sobre valores que foram "esquecidos" pelos homens: "Esses grandes valores, como a honestidade, a honra, o apreço pelas coisas bem-feitas, o respeito pelo outro, nada disso era excepcional, mas coisas que se encontravam na maioria das pessoas". Tais características caíram tão em desuso que, hoje, ser honesto, por exemplo, é algo quase absurdo, e muitas vezes quem é honesto é tido como bobo, ingênuo.
O tema da carta seguinte é o Bem e o Mal, mas o que mais chama a atenção nela é o depoimento muito pessoal, uma espécie de mea culpa, do escritor argentino, quando ele recorda uma visita que fez à sua mãe, "a última vez que eu veria minha mãe com saúde, de pé". Essa lembrança é a deixa para que Sabato faça uma severa autocrítica e, também, um alerta: "Enquanto escrevo a vocês, volta a imagem de minha mãe que deixei tão sozinha em seus últimos anos...". É uma confissão emocionante e corajosa de um filho arrependido por ter se afastado da mãe, e que nos serve de lição.
Mas como agir, como se preocupar com valores e emoções, se grande parte das pessoas não tem sequer tempo para si próprias? Como tentar "salvar o mundo" se não podemos salvar nem a nós mesmos? Sabato responde:
"Essa é uma grande tarefa para quem trabalha no rádio, na televisão ou escreve nos jornais; uma verdadeira proeza, possível de realizar quando é autêntica a dor que sentimos pelo sofrimento alheio."
Ou seja: se o mundo começar a melhorar para alguns, vai também melhorar para outros. As mudanças não acontecem de uma hora para outra, elas são lentas. Mas surtem efeito sobre milhares e milhares de pessoas. Se essas mudanças ― leia-se melhoras ― começarem a acontecer em mais lugares e em doses cada vez maiores, certamente o efeito cascata ― expressão muito utilizada em tempos de crise ― fará com que a vida de milhões de pessoas seja modificada para melhor. Exemplo de algo que pode trazer uma mudança radical no mundo, se controlada, é a corrupção, assunto abordado na quarta carta de Sabato:
"Milhares de homens perdem a vida trabalhando ― quando podem ―, acumulando amarguras e desilusões, mal conseguindo sustentar-se por mais um dia na mais precária situação, ao passo que quase todo indivíduo que chega a um cargo de poder em poucos meses troca seu modesto apartamentinho por uma luxuosa mansão com fabulosos automóveis na garagem. Como é que essa gente não tem vergonha?"
A quinta carta, que dá título ao livro, é aberta com a seguinte frase: "O pior é a velocidade vertiginosa". E ela é a tônica do texto, um dos mais emocionados e libertadores do livro. Esta carta é uma espécie de manifesto, um elogio à resistência. É como se Sabato dissesse "Acordem! Nós podemos vencer, a Humanidade pode vencer!". E ele de certa forma nos diz isso: "Neste caminho sem saída que hoje enfrentamos, a recriação do homem e seu mundo surge não como uma escolha entre outras, mas como um gesto tão impreterível quanto o nascimento de uma criança quando é chegada a hora".
Ernesto Sabato tinha 89 anos quando A resistência foi publicado. Então não chega a ser um espanto o fato que de a última carta do livro, um epílogo intitulado "A decisão e a morte", seja uma espécie de testamento que ele deixa a seus leitores. Fica a impressão de que Sabato se entrega à morte, de que ele está se resignando a ela, mas ele apenas a aceita, o que é totalmente diferente: "Resignar-se é uma covardia, é o sentimento que justifica o abandono daquilo pelo qual vale a pena lutar; de certo modo, é uma indignidade. A aceitação é o respeito pela vontade do outro, seja ele um ser humano ou o próprio destino. Não nasce do medo, como a resignação; é como um fruto".
Além de uma obra literária importantíssima, Ernesto Sabato nos deixa várias lições, sendo que resistir, mesmo sabendo que a hora de partir está cada vez mais perto, é talvez a maior de todas.
Vivemos tempos instáveis. Há por todos os lados alguma ameaça, alguma preocupação que nos deixa em estado de alerta o tempo inteiro. A qualquer momento um conflito entre nações pode acontecer, ou uma epidemia se alastrar pelo mundo. A economia já deu sinais de que pode entrar em um colapso profundo; na política, o que vemos é um mar de corrupção e negligência. Tais sintomas terminam por contaminar a sociedade como um todo e, diante disso, os poucos que têm algum tempo para pensar e se dar conta do que está acontecendo ― e do que pode vir a acontecer ― se perguntam: o que podemos fazer? Ou, melhor dizendo: podemos fazer alguma coisa?
Através de seis cartas dirigidas a toda a humanidade, o escritor argentino Ernesto Sabato tenta responder a essas questões no singelo A resistência (Companhia das Letras, 2008, 112 págs.).
Sabato inicia o livro dizendo "Há certos dias em que acordo com uma esperança demencial, momentos em que sinto que as possibilidades de uma vida humana estão ao alcance de nossas mãos. Hoje é um desses dias". Mas essa esperança não dura mais que algumas linhas ― ela é logo minada pelo esboço de análise que ele faz da influência que tem a televisão na nossa sociedade.
Para Sabato, a televisão nos faz perder "a capacidade de olhar e ver o cotidiano". O autor costuma dizer, "alterando a famosa frase de Marx", que "a televisão é o ópio do povo". "Ela nos tira a vontade de trabalhar em algum artesanato, de ler um livro, de fazer um conserto na casa enquanto se escuta música ou se toma um mate." Publicado na Argentina em 2000, essa crítica à televisão talvez tenha ficado um tanto ultrapassada, porque hoje é a internet que exerce esse "poder" sobre uma quantidade cada vez maior de pessoas.
Mas Sabato não é um pessimista, e algumas páginas depois a esperança reaparece: "Sim, tenho uma esperança demencial, ligada, paradoxalmente, à nossa atual pobreza existencial e ao desejo, que descubro em muitos olhares, de que algo grande nos consagre a cuidar com empenho da terra em que vivemos".
Na segunda carta, o autor escreve sobre valores que foram "esquecidos" pelos homens: "Esses grandes valores, como a honestidade, a honra, o apreço pelas coisas bem-feitas, o respeito pelo outro, nada disso era excepcional, mas coisas que se encontravam na maioria das pessoas". Tais características caíram tão em desuso que, hoje, ser honesto, por exemplo, é algo quase absurdo, e muitas vezes quem é honesto é tido como bobo, ingênuo.
O tema da carta seguinte é o Bem e o Mal, mas o que mais chama a atenção nela é o depoimento muito pessoal, uma espécie de mea culpa, do escritor argentino, quando ele recorda uma visita que fez à sua mãe, "a última vez que eu veria minha mãe com saúde, de pé". Essa lembrança é a deixa para que Sabato faça uma severa autocrítica e, também, um alerta: "Enquanto escrevo a vocês, volta a imagem de minha mãe que deixei tão sozinha em seus últimos anos...". É uma confissão emocionante e corajosa de um filho arrependido por ter se afastado da mãe, e que nos serve de lição.
Mas como agir, como se preocupar com valores e emoções, se grande parte das pessoas não tem sequer tempo para si próprias? Como tentar "salvar o mundo" se não podemos salvar nem a nós mesmos? Sabato responde:
"Essa é uma grande tarefa para quem trabalha no rádio, na televisão ou escreve nos jornais; uma verdadeira proeza, possível de realizar quando é autêntica a dor que sentimos pelo sofrimento alheio."
Ou seja: se o mundo começar a melhorar para alguns, vai também melhorar para outros. As mudanças não acontecem de uma hora para outra, elas são lentas. Mas surtem efeito sobre milhares e milhares de pessoas. Se essas mudanças ― leia-se melhoras ― começarem a acontecer em mais lugares e em doses cada vez maiores, certamente o efeito cascata ― expressão muito utilizada em tempos de crise ― fará com que a vida de milhões de pessoas seja modificada para melhor. Exemplo de algo que pode trazer uma mudança radical no mundo, se controlada, é a corrupção, assunto abordado na quarta carta de Sabato:
"Milhares de homens perdem a vida trabalhando ― quando podem ―, acumulando amarguras e desilusões, mal conseguindo sustentar-se por mais um dia na mais precária situação, ao passo que quase todo indivíduo que chega a um cargo de poder em poucos meses troca seu modesto apartamentinho por uma luxuosa mansão com fabulosos automóveis na garagem. Como é que essa gente não tem vergonha?"
A quinta carta, que dá título ao livro, é aberta com a seguinte frase: "O pior é a velocidade vertiginosa". E ela é a tônica do texto, um dos mais emocionados e libertadores do livro. Esta carta é uma espécie de manifesto, um elogio à resistência. É como se Sabato dissesse "Acordem! Nós podemos vencer, a Humanidade pode vencer!". E ele de certa forma nos diz isso: "Neste caminho sem saída que hoje enfrentamos, a recriação do homem e seu mundo surge não como uma escolha entre outras, mas como um gesto tão impreterível quanto o nascimento de uma criança quando é chegada a hora".
Ernesto Sabato tinha 89 anos quando A resistência foi publicado. Então não chega a ser um espanto o fato que de a última carta do livro, um epílogo intitulado "A decisão e a morte", seja uma espécie de testamento que ele deixa a seus leitores. Fica a impressão de que Sabato se entrega à morte, de que ele está se resignando a ela, mas ele apenas a aceita, o que é totalmente diferente: "Resignar-se é uma covardia, é o sentimento que justifica o abandono daquilo pelo qual vale a pena lutar; de certo modo, é uma indignidade. A aceitação é o respeito pela vontade do outro, seja ele um ser humano ou o próprio destino. Não nasce do medo, como a resignação; é como um fruto".
Além de uma obra literária importantíssima, Ernesto Sabato nos deixa várias lições, sendo que resistir, mesmo sabendo que a hora de partir está cada vez mais perto, é talvez a maior de todas.
9.21.2009
Festival de jazz traz outro tributo a Benny Goodman e atrai aqueles que ainda não conhecem o gênero
Antônio Carlos Miguel
RIO - Quem perceber alguma semelhança entre o Festival Internacional I Love Jazz, que acontece desta segunda (21.09) a quarta-feira, no Teatro Casa Grande, e o recente Jazz Festival Brasil, que teve sua quarta edição carioca no mês passado, no Teatro Sesc Ginástico, acertou em cheio. A programação de ambos foca o mesmo segmento do gênero, aquele produzido até o início dos anos 1940, incluindo também um tributo a Benny Goodman, que completaria 100 anos em 2009. E esse não é um lance do acaso. O mineiro Marcelo Teixeira, de 36 anos, curador do I Love Jazz, também esteve envolvido no outro evento.
- No ano passado, decidi seguir sozinho, mas, desde a sua estreia, em 2001, em Belo Horizonte, que eu vinha trabalhando naquele festival - conta Teixeira, que também leva o evento a São Paulo, Brasília e Belo Horizonte.
Do piano "stride" aoestilo dixieland
Ele ainda explica por que investe em estilos das primeiras décadas do século passado, como o piano stride de Judy Carmichael e o Rei do Swing, no tributo "Benny Goodman Centennial Band", com o grupo de Allan e Warren Vache.
- Há um pouco de gosto pessoal. Tinha 7 anos quando me apaixonei pelos discos de Louis Armstrong que minha avó botava para tocar. Meus pais começaram a comprar alguns discos, em viagens a Nova Orleans, e essa fixação no jazz virou uma doença, no bom sentido - conta Teixeira, lembrando que esses estilos não estavam presentes nos habituais festivais de jazz realizados no Brasil. - Esse é um nicho muito interessante, de grande apelo junto ao público em geral. Enquanto o jazz moderno, produzido a partir do bebop, é dirigido a um ouvinte mais especializado.
Para atrair ainda mais o público, neste fim de semana o grupo paulistano Dixie Five fez apresentações-supresa em alguns locais do Rio. Na programação dos shows no Casa Grande, a pianista Judy Carmichael já tinha participado em duas edições do Jazz Festival Brasil e, agora, também é conselheira do novo festival. Da cidade natal do jazz, o grupo The New Orleans Joymakers, liderado pelo clarinetista Orange Kellin, investe no estilo dixieland, um ingrediente também presente na Allan Vache Big Band, que fará o tributo a Benny Goodman.
RIO - Quem perceber alguma semelhança entre o Festival Internacional I Love Jazz, que acontece desta segunda (21.09) a quarta-feira, no Teatro Casa Grande, e o recente Jazz Festival Brasil, que teve sua quarta edição carioca no mês passado, no Teatro Sesc Ginástico, acertou em cheio. A programação de ambos foca o mesmo segmento do gênero, aquele produzido até o início dos anos 1940, incluindo também um tributo a Benny Goodman, que completaria 100 anos em 2009. E esse não é um lance do acaso. O mineiro Marcelo Teixeira, de 36 anos, curador do I Love Jazz, também esteve envolvido no outro evento.
- No ano passado, decidi seguir sozinho, mas, desde a sua estreia, em 2001, em Belo Horizonte, que eu vinha trabalhando naquele festival - conta Teixeira, que também leva o evento a São Paulo, Brasília e Belo Horizonte.
Do piano "stride" aoestilo dixieland
Ele ainda explica por que investe em estilos das primeiras décadas do século passado, como o piano stride de Judy Carmichael e o Rei do Swing, no tributo "Benny Goodman Centennial Band", com o grupo de Allan e Warren Vache.
- Há um pouco de gosto pessoal. Tinha 7 anos quando me apaixonei pelos discos de Louis Armstrong que minha avó botava para tocar. Meus pais começaram a comprar alguns discos, em viagens a Nova Orleans, e essa fixação no jazz virou uma doença, no bom sentido - conta Teixeira, lembrando que esses estilos não estavam presentes nos habituais festivais de jazz realizados no Brasil. - Esse é um nicho muito interessante, de grande apelo junto ao público em geral. Enquanto o jazz moderno, produzido a partir do bebop, é dirigido a um ouvinte mais especializado.
Para atrair ainda mais o público, neste fim de semana o grupo paulistano Dixie Five fez apresentações-supresa em alguns locais do Rio. Na programação dos shows no Casa Grande, a pianista Judy Carmichael já tinha participado em duas edições do Jazz Festival Brasil e, agora, também é conselheira do novo festival. Da cidade natal do jazz, o grupo The New Orleans Joymakers, liderado pelo clarinetista Orange Kellin, investe no estilo dixieland, um ingrediente também presente na Allan Vache Big Band, que fará o tributo a Benny Goodman.

Manhã De Carnaval / Baden Powel
Maravilhosa interpretação de um dos maiores nomes da MPB.
Banden Powel interpreta "MANHÃ DE CARNAVAL "(Luis Bonfá e Antônio Maria)
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9.20.2009
Medo de investigar a dívida pública
Enviado por Ivan Valente -
A Comissão Parlamentar de Inquérito da Dívida Pública iniciou suas atividades no mês passado e terá um grande trabalho pela frente. Seu primeiro grande desafio é superar as obstruções e ataques daqueles que não querem investigar nada, dos que não topam mexer com esse vespeiro, afinal, toca em interesses poderosos.
Está mais do que na hora de investigar o mecanismo que é o principal gargalo do desenvolvimento brasileiro. Uma investigação profunda, que não se restrinja ao período de apenas um governo. A vida mostrou como a política neoliberal no Brasil aprofundou um modelo dependente financeiramente, que tem como pedra angular a dívida pública.
Uma política que ainda prevalece. É por ela que o país sofre uma hemorragia brutal nas suas finanças, via recursos orçamentários e a emissão de títulos públicos – resultado de escolhas políticas de governantes.
Trata-se de um sistema que se retroalimenta e inviabiliza qualquer crescimento sustentável e com justiça social Só na cabeça de quem se abraçou com o pensamento único do liberalismo é possível pensar que não há outras vias e modo de pensar a economia e seus beneficiários.
Na CPI da Dívida, o PSOL, que propôs a abertura da Comissão, objetiva dinamizar o debate e trazer elementos substantivos para a discussão sobre a dívida pública.
O que não se pode é transformar o instrumento CPI numa sequência de audiências vazias, retirando seu poder de convocar, requerer documentos essenciais, investigar, de sugerir ao Ministério Público medidas punitivas ou corretivas e colocar a necessidade de governo assumir uma auditoria da dívida pública.
O que não se pode é promover uma movimentação de caráter francamente ideológico, orquestrada por alguns que não suportam sequer discutir os fundamentos da política neoliberal, questionar a infalibilidade do mercado e principalmente colocar a nu um mecanismo de endividamento responsável pela contínua sangria e transferência de recursos do povo brasileiro aos banqueiros e rentistas.
Apenas nos governos dos dois últimos presidentes, a dívida interna brasileira aumentou 28 vezes. No começo do governo FHC, era de R$ 61,8 bilhões. Em julho deste ano, no governo Lula, atingiu a cifra de R$ 1,76 trilhão.
De 1995 a 2008, o governo federal gastou R$ 906,6 bilhões com juros e R$ 879 bilhões com amortizações das dívidas interna e externa públicas.
Nesses extraordinários montantes não estão incluídos quase R$ 4 trilhões de rolagem da dívida através da emissão de títulos públicos.
Em 2008, considerando apenas os recursos da União, o país desembolsou 30% de seu orçamento somente com juros e amortizações. Se for computado o valor emitido em títulos públicos para a rolagem da dívida, o total de recursos em um ano é de 47% da arrecadação de impostos.
Mesmo assim, a dívida interna explodiu e a dívida externa continua crescendo. Esse quadro de crescimento contínuo é esclarecedor do impacto desta lógica na política econômica – de encolhimento de recursos para a área social, do sucateamento dos serviços e enxugamento da máquina pública. Isto aumenta a miséria e ainda mais a desigualdade social.
Nosso endividamento é absolutamente deletério para a Nação, pois transformou o país num centro especulativo e plataforma de exportação líquida de capitais.
Seguir sem questionamento com o pagamento da dívida pública, mesmo que ilegal, ilegítima e imoral, tornou-se algo insustentável.
Com os trabalhos da CPI, pretendemos mostrar que, enquanto a dívida pública ocupar o centro da política econômica brasileira, serão necessários superávits primários gigantes em detrimento do social e da infra-estrutura.
Enquanto vigorar este mecanismo cruel, o Brasil continuará pagando taxas de juros siderais, mesmo com uma inflação mais baixa – tudo isso em meio à maior crise econômica vivida pelo capitalismo.
A CPI da Dívida Pública constitui-se um poderoso instrumento para superar esse modelo perverso, rumo a um desenvolvimento sustentável e socialmente justo para o país.
Deputado Ivan Valente (PSOL/SP) é membro da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional e segundo vice-presidente da CPI da Dívida Pública.
A Comissão Parlamentar de Inquérito da Dívida Pública iniciou suas atividades no mês passado e terá um grande trabalho pela frente. Seu primeiro grande desafio é superar as obstruções e ataques daqueles que não querem investigar nada, dos que não topam mexer com esse vespeiro, afinal, toca em interesses poderosos.
Está mais do que na hora de investigar o mecanismo que é o principal gargalo do desenvolvimento brasileiro. Uma investigação profunda, que não se restrinja ao período de apenas um governo. A vida mostrou como a política neoliberal no Brasil aprofundou um modelo dependente financeiramente, que tem como pedra angular a dívida pública.
Uma política que ainda prevalece. É por ela que o país sofre uma hemorragia brutal nas suas finanças, via recursos orçamentários e a emissão de títulos públicos – resultado de escolhas políticas de governantes.
Trata-se de um sistema que se retroalimenta e inviabiliza qualquer crescimento sustentável e com justiça social Só na cabeça de quem se abraçou com o pensamento único do liberalismo é possível pensar que não há outras vias e modo de pensar a economia e seus beneficiários.
Na CPI da Dívida, o PSOL, que propôs a abertura da Comissão, objetiva dinamizar o debate e trazer elementos substantivos para a discussão sobre a dívida pública.
O que não se pode é transformar o instrumento CPI numa sequência de audiências vazias, retirando seu poder de convocar, requerer documentos essenciais, investigar, de sugerir ao Ministério Público medidas punitivas ou corretivas e colocar a necessidade de governo assumir uma auditoria da dívida pública.
O que não se pode é promover uma movimentação de caráter francamente ideológico, orquestrada por alguns que não suportam sequer discutir os fundamentos da política neoliberal, questionar a infalibilidade do mercado e principalmente colocar a nu um mecanismo de endividamento responsável pela contínua sangria e transferência de recursos do povo brasileiro aos banqueiros e rentistas.
Apenas nos governos dos dois últimos presidentes, a dívida interna brasileira aumentou 28 vezes. No começo do governo FHC, era de R$ 61,8 bilhões. Em julho deste ano, no governo Lula, atingiu a cifra de R$ 1,76 trilhão.
De 1995 a 2008, o governo federal gastou R$ 906,6 bilhões com juros e R$ 879 bilhões com amortizações das dívidas interna e externa públicas.
Nesses extraordinários montantes não estão incluídos quase R$ 4 trilhões de rolagem da dívida através da emissão de títulos públicos.
Em 2008, considerando apenas os recursos da União, o país desembolsou 30% de seu orçamento somente com juros e amortizações. Se for computado o valor emitido em títulos públicos para a rolagem da dívida, o total de recursos em um ano é de 47% da arrecadação de impostos.
Mesmo assim, a dívida interna explodiu e a dívida externa continua crescendo. Esse quadro de crescimento contínuo é esclarecedor do impacto desta lógica na política econômica – de encolhimento de recursos para a área social, do sucateamento dos serviços e enxugamento da máquina pública. Isto aumenta a miséria e ainda mais a desigualdade social.
Nosso endividamento é absolutamente deletério para a Nação, pois transformou o país num centro especulativo e plataforma de exportação líquida de capitais.
Seguir sem questionamento com o pagamento da dívida pública, mesmo que ilegal, ilegítima e imoral, tornou-se algo insustentável.
Com os trabalhos da CPI, pretendemos mostrar que, enquanto a dívida pública ocupar o centro da política econômica brasileira, serão necessários superávits primários gigantes em detrimento do social e da infra-estrutura.
Enquanto vigorar este mecanismo cruel, o Brasil continuará pagando taxas de juros siderais, mesmo com uma inflação mais baixa – tudo isso em meio à maior crise econômica vivida pelo capitalismo.
A CPI da Dívida Pública constitui-se um poderoso instrumento para superar esse modelo perverso, rumo a um desenvolvimento sustentável e socialmente justo para o país.
Deputado Ivan Valente (PSOL/SP) é membro da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional e segundo vice-presidente da CPI da Dívida Pública.
Texto de 'Despertar' é mais forte do que música

Mauro Ferreira
Escrito em 1891 pelo dramaturgo alemão Frank Wedeking, o texto original da peça O Despertar da Primavera atravessou com êxito gerações e países por abordar o tema atemporal e universal das descobertas angustiadas da adolescência. Em 2006, o texto chegou ao circuito off-Broadway (e logo depois à Broadway propriamente dita), adaptado e acrescido de canções na forma de musical. É essa versão musicada que ganha sua eficiente primeira montagem brasileira sob a ótica de Charles Möeller & Cláudio Botelho. A grife da dupla que tirou definitivamente o ranço amador dos musicais montados no Brasil - salvo algumas exceções como as encenações de Bibi Ferreira e o arrebatador Somos Irmãs - legitima e valoriza o espetáculo em cartaz no Teatro Villa-Lobos, no Rio de Janeiro (RJ), até 15 de novembro. Ainda assim, se o texto ainda resulta forte, a música em si (a cargo de Ducan Sheik) resulta quase sempre aquém da trama, sem ostentar aquele vigor juvenil que se espera de um score composto a partir de temas tão pungentes. Contudo, as letras (vertidas por Botelho com sua habitual habilidade para criar versos em português que soam plausíveis) cumprem a função de fazer a narrativa progredir.
Emoldurados pelo cenário intencionalmente opressor de Rogério Falcão, os atores da versão brasileira - selecionados através de testes - dão voz e vida a personagens bem intensos, pautados por conflitos dramáticos. O destaque maior do bom elenco nacional é Pierre Baitelli, intérprete do questionador Melchior Gabor, par romântico de Wendla (Malu Rodrigues, sem a expressão exigida pela personagem). Baitelli conduz com brilho as transformações de Melchior, em atuação emocionada e de forte empatia com o público. Merece registro também a atuação de Rodrigo Pandolfo, que encarna o trágico Moritz. Enfim, pelo apuro técnico e visual, O Despertar da Primavera resulta sedutor em sua montagem brasileira. Mas o fato é que a música de Ducan Sheik quase nunca está à altura da matéria-prima original. Apesar de os versos de temas como Mama Who Bore me, I Believe, The World of your Body e The Dark I Know Well traduzirem bem os anseios e dilemas juvenis que norteiam o texto e sustentam o interesse pelo musical.
Resenha de Musical
Título: O Despertar da Primavera
Texto original: Frank Wedekind
Música: Ducan Sheik
Letras: Steven Sater
Direção: Charles Möeller
Versão brasileira e supervisão musical: Cláudio Botelho
Elenco: Pierre Baitelli, Malu Rodrigues, Letícia Colin,
Rodrigo Pandolfo, Thiago Amaral, Débora Olivieri
e Carlos Gregório, entre outros atores
Cotação: * * * 1/2
Em cartaz no Teatro Villa-Lobos, no Rio de Janeiro (RJ)
De quinta-feira a domingo, até 15 de novembro de 2009
9.19.2009
Banda Sinfônica de Barra Mansa se apresenta com a maestrina Mônica Giardini

No próximo dia 24 de setembro, quinta-feira, a população de Barra Mansa terá mais uma vez a oportunidade de presenciar uma bela apresentação da Banda Sinfônica da cidade, composta por cerca de 90 alunos do projeto Música nas Escolas. O concerto acontece no Rotary Clube, no Ano Bom, às 20h, com entrada franca.
O grupo será regido pela maestrina Mônica Giardini, que atualmente é regente da Orquestra do Pólo de Osasco do Projeto Guri e regente titular da Banda Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo. Como solista a apresentação terá o clarinetista, Tiago José Teixeira, de apenas 18 anos.
Tiago atua como professor de clarineta do Projeto Música nas Escolas e como 1ª Clarineta da Orquestra Sinfônica de Barra Mansa. Cursa o bacharelado em clarineta na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) na classe do professor Cristiano Alves, sendo considerada uma das mais fortes da América Latina.
A banda apresentará as seguintes obras: “Overture 2000”, de Henk Van Lijnschooten, “Serenade” e “Suíte nº2”, de Alfred Reed, “Rhapsodic Concertante”, de Lennie Niehaus, “Cake-Walk Phantasy”, de Peter Milray, “An American in Paris”, de Gerge Gershwin e “Beauty and the Beast”, de Alan Menken.
O Projeto:
Voltado para as crianças e adolescentes, o Música nas Escolas cumpre um papel educativo e social, além de contribuir para a formação cultural de jovens da cidade. Desenvolvido pela Fundação de Cultura da prefeitura, o projeto atende, atualmente, todas as escolas da rede municipal de ensino: 22 mil crianças e adolescentes, em 72 escolas e recebe patrocínio das empresas Light, Votorantim Siderurgia, Saint-Gobain, White Martins e CCR/NovaDutra.

Estação das Artes Inaugura Exposição França Brasil

Com trabalhos do grande artista frances Loran Brunet,com o titulo vu dans la rue ( visão da rua). Brunet além de artista plástico também era autor,compositor e músico.Depois de Barra Mansa a exposição seguira para o Museu de Arte de Resende do dia 05/ a 26/11 e Volta Redonda (Fundação CSN) 10/12 a 15/01.A exposição fica em Barra Mansa até o dia 30 de Outubro
Encontros na Estação

A Estação das Artes fica no centro de Barra Mansa
Casa Rui Barbosa:Políticas Culturais: reflexões e ações

Políticas Culturais: reflexões e ações
A Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB) promove, nos dias 23, 24 e 25 de setembro, o 4º Seminário Políticas Culturais: reflexões e ações. O evento, organizado pelos pesquisadores Lia Calabre e Maurício Siqueira (FCRB), reunirá especialistas e estudiosos na área de políticas culturais na área de políticas culturais com o objetivo de divulgar trabalhos e promover debates no campo das ações políticas, dos planos de cultura, das informações, dos indicadores, da gestão cultural e do desenvolvimento. O encontro será composto por seções de conferências e palestras e aberto para o público em geral.
A participação é gratuita. Serão concedidos certificados a participantes com pelo menos 75% de freqüência. Informações e inscrições: por e-mail ou pelo telefone 21 3289-4636.
:: 23 de setembro
13h30 – Credenciamento
14h - Mesa de Abertura Fundação Casa de Rui Barbosa e Itaú Cultural
14h15 – Conferência - Formulação e Avaliação de Programas Públicos: conceitos, técnicas e indicadores - Paulo de Martino Jannuzzi (ENCE-IBGE)
16h30 – Mesa: Cultura e Desenvolvimento: índices e indicadores
Mediador: Antônio Alkmin (IBGE)
Indicações para construção de indicadores de desenvolvimento na área cultural
Frederico Barbosa da Silva (IPEA)
Índice de Gestão Municipal em Cultura
Rogério Boueri (IPEA-PUC/Brasília)
“Nordeste Criativo" e Desenvolvimento Regional: esboço de uma metodologia para o fomento da economia criativa no nordeste brasileiro
Cláudia Sousa Leitão (UEC – PPG Políticas Públicas)
Indicadores sociais e desenvolvimento sustentável
Maurício Siqueira (FCRB)
:: 24 de setembro
14h – Conferência - Dilemas en la formación de los gestores culturales. Una propuesta con cinco ejes formativos
Alfonso Hernandez Barba (ITESO, Universidad Jesuita en Guadalajara)
16h30 – Mesa: Gestão Cultural: processos formativos
Mediador: Maria Helena Cunha (DUO Informação e Cultura)
Do íntimo, do particular e do público: subsídios para a gestão em dança
Cássia Navas (UNICAMP)
Internacionalização da Gestão Cultural: novas configurações e desafios
Enrique Saravia (EBAPE/FGV)
Arte e imaginário social: o que cabe as políticas de cultura?
Marta Porto (X-Brasil)
Processos (trans) formativos e a gestão da diversidade cultural
José Marcio Barros (PUC/Minas e UEMG)
:: 25 de setembro
14h – Conferência - El Plan de Cultura de Colombia 2001-2010: - Hacia una ciudadanía democratica cultural- . Perspectivas para el nuevo plan 2010-2020
Marta Elena Bravo (Universidad Nacional de Colombia)
16h30 – Mesa: Processos participativos, planos e políticas
Mediador: Lia Calabre (FCRB)
Cultura, Democracia e Participação Social: um estudo da II Conferência Estadual de Cultura da Bahia
Daniele Canedo (UFBA)
Inovações em processos participativos - subsídios para novas culturas políticas
Eduardo Rombauer (Holon - Soluções Integrativas)
Processos participativos e cidadania cultural
Hamilton Faria (Instituto Polis – FAAP)
Participação da sociedade civil na gestão pública da Cultura em Minas Gerais
Sylvana de Castro Pessoa (Fundação João Pinheiro)