6.16.2009


Aceitar, essência da superação

"Somos insignificantes. Por mais que você programe sua vida, a qualquer momento tudo pode mudar." Ayrton Senna

Cada mudança, boa ou má, que atravessamos, nos leva a fazer uma escolha ou uma renúncia e costuma envolver o sentimento de perda.
As perdas nem sempre são negativas, entretanto, para serem bem elaboradas exigem de nós um sentimento especial: a capacidade de aceitação.
A aceitação é um comportamento que nos leva a perceber a realidade tal como ela é e, diante dela, desenvolver novas formas de vida. Quando aceitamos determinado acontecimento como um fato concreto conseguimos dar continuidade à nossa história.
Vale a pena frisar que aceitação e conformismo não têm o mesmo significado.
A aceitação, além de devolver ao indivíduo o livre arbítrio possibilita que, frente às perdas, ele se movimente e busque novos rumos. É o que faz alguém que reage e trabalha para reverter os efeitos de situações negativas.
O conformismo, ao contrário, mantém a pessoa sem qualquer iniciativa nesse sentido. Há pessoas que justificam sucessivas perdas como resultado da vontade divina e nada fazem para remover os fatores que as provocam.
A aceitação das perdas funciona como elemento do nosso crescimento e amadurecimento. Aceitando as mudanças ampliamos nossa capacidade de aprender, de nos emocionar e de nos relacionar. Evoluímos.
É verdade que muitas vezes sofremos perdas inevitáveis e de difícil aceitação, que nos levam a longos períodos de tristeza e dor, mas só com o exercício da aceitação, conseguiremos recuperar nossa condição natural.
Em outros textos conversamos sobre a felicidade e a coragem.
O indivíduo que usa a aceitação é um corajoso. E o corajoso é um candidato a felicidade.
Reflita agora:

Como você tem enfrentado suas perdas?
Quais foram as suas perdas mais sentidas?
Como você reagiu diante delas – lamentou, chorou, superou?
Como você era antes dessas perdas?
Como você é hoje?

O que mudou em sua maneira de encarar a vida?
Se suas respostas não forem animadoras, procure recomeçar. Aproveite para viver cada etapa de sua vida, pois nada dura para sempre. E leve na bagagem uma informação essencial: cada nova experiência pode nos levar a ser e fazer as pessoas felizes.

LULU SANTOS

Depois de mais de cinco milhões de discos vendidos em 25 anos de carreira, Lulu Santos, ícone do pop nativo, coloca o pé na estrada novamente para tocar em todo o Brasil. O músico se apresenta, pela primeira vez, no palco do Tijuca Tênis Clube, dia 20 de junho, sábado.

No repertório do show, um mix entre os inúmeros sucessos da carreira e músicas do ultimo CD LongPlay, como “Contatos”, “Deixa Isso Pra Lá”, “Seu Aniversário”; “Se Não Fosse o Funk”; “Propriedade Particular”, além dos hits “De repente Califórnia”, “Um Certo Alguém”, “Como uma Onda”, “Tudo Azul”, “Tempos Modernos”, “Assim Caminha a Humanidade” e “Sábado à Noite”, entre outros.

Acompanhando uma tendência mundial, Lulu se apresenta apoiado por uma moderna estrutura de imagem e luz, sem o peso de um cenário elaborado. Numa parede de LED serão exibidos vídeos concebidos exclusivamente para a apresentação. Estas imagens, em alguns momentos interativas, variam entre animação (grafismos, game-art) e vídeo-clipes.

Lulu Santos assina a direção musical do show e Césio Lima é o responsável pela iluminação. No palco, Lulu estará acompanhado por Milton Guedes nos sopros, Dunga no baixo, Christiaan Oyens na bateria e Hiroshi Mizutani nos teclados e programações.
18 anos.
Tijuca Tênis Clube. (2000 pessoas). Rua Conde de Bonfim, 451, Tijuca, Tel.: 3294-9300.
Sábado (20), 0h. R$ 50,00 a R$ 200,00. Bilheteria: 8h/21h. www.tijucatenis.com.br.



MULHERES DE CHICO


Um dos gênios da música brasileira, Chico Buarque recebe mais uma homenagem pelo aniversário. No dia em que completa 65 anos, o grupo de percussão feminino originado do bloco homônimo sobe ao palco do Clube dos Democráticos para batucar e cantar alguns sucessos do aniversariante. Os arranjos passeiam por ritmos variados, que vão do samba ao funk. No repertório, estão duas músicas próprias: Marchinha das Mulheres, de Flávia Costa, e Samba pra Chico, de Joe Viegas. 18 anos. Clube dos Democráticos (600 pessoas). Rua do Riachuelo, 91, Lapa, 2252-4611. Sexta (19), 0h. R$ 32,00.


BOSSA JAZZ TRIO

Formado pelo contrabaixista Paulo Russo, o pianista Alberto Chimelli e o saxofonista e flautista Mauro Senise, que iniciou a carreira nos anos 70, tocando e gravando com Egberto Gismonti, Hermeto Paschoal, Wagner Tiso e Luiz Eça, o grupo apresenta seleção de jazz e bossa instrumental. No repertório, Alone Together, Stella by Starlight, On Green Dolphin Street e My Favorite Things. Livre. Modern Sound (120 lugares). Rua Barata Ribeiro, 502-D, Copacabana, 2548-5005, Metrô Siqueira Campos. Quinta (18), 17h. Grátis. É necessário fazer reserva. Estac. c/manobr. (R$ 6,00 a primeira hora). www.modernsound.com.br.


PAULO MOURA


O maestro e clarinetista brasileiro, indicado ao Grammy Latino no ano passado com o álbum Para Cá e Para Lá, mostra um repertório que transita do erudito ao popular em canções como Falando de Amor, de Tom Jobim, e Ainda me Recordo, de Pixinguinha. Do repertório próprio, destaca-se Na Barão de Mesquita, uma parceria com João Donato que teve a primeira parte escrita em 1958 e foi concluída 50 anos depois. 18 anos. Mas Será o Benedito? (250 lugares). Rua Gomes Freire, 599, Lapa, 2232-9000. Quinta (18), 22h. R$ 15,00.


TURBILHÃO CARIOCA

Surgido de uma das oficinas de percussão do Monobloco, o grupo mostra que Carnaval pode ser o ano inteiro e sacode os foliões com versões em ritmo de samba para músicas como Isso Aqui Tá Bom Demais, de Dominguinhos, Frevo Mulher, de Zé Ramalho, e Festa do Interior, de Moraes Moreira, em arranjos do cavaquinista Pedro Buarque. O repertório também tem espaço para sambas-enredo clássicos da União da Ilha, do Salgueiro e da Imperatriz. É Hoje e Liberdade! Liberdade! costumam agitar a pista. 18 anos. Estrela da Lapa (400 pessoas). Avenida Mem de Sá, 69, Lapa, 2507-6866. Sexta (19), 23h. R$ 30,00. Cc.: M e V. Cd.: R e V. www.estreladalapa.com.br.


JAM DA SILVA

O disco Dia Santo, que sai pelo selo Estúdio 304, do produtor Chico Neves, marca o início da carreira-solo do percussionista e baterista pernambucano Jam da Silva. O músico é mais conhecido pelo trabalho com o DJ Dolores na formação da Orquestra Santa Massa. Dia Santo mereceu elogios do DJ Gilles Peterson, da Rádio 1, da BBC, e traz parcerias de Jam com Chico Neves e composições próprias, como Conga Chic e Ago. 18 anos. Cinematheque Música Contemporânea. (240 pessoas). Rua Voluntários da Pátria, 53, Botafogo, 2286-5731. Quarta (17), 21h. R$ 20,00. Bilheteria: a partir de 19h (ter.). Cc.: todos. Cd.: todos. www.matrizonline.com.br.

A NOITE DO AMOR, DO SORRISO E DA FLOR


Sobre a Noite do Sorriso,do Amor e da Flor

Em agosto de 1959, os estudantes de Direito da PUC resolveram organizar um show com os artistas da Bossa Nova. As principais atrações seriam as já consagradas Sylvia Telles e Alaíde Costa, além da vedete Norma Bengell, que mostraria além de seus dotes físicos os seus dotes de cantora. Os músicos convidados seriam Roberto Menescal, Luiz Carlos Vinhas, Carlos Lyra, Nara Leão, Normando Santos, Chico Feitosa e os irmãos Castro Neves, entre outros. Ronaldo Bôscoli, que seria o apresentador, prometera levar também Vinícius de Moraes, Tom Jobim, Billy Blanco e Dolores Duran.

Os padres da PUC autorizaram a realização do show, mas com uma condição: a saída de Norma Bengell, cuja presença na universidade católica havia sido vetada. Como os organizadores não queriam abrir mão da presença dela (“turma era turma...”) o show acabou sendo transferido para a Faculdade de Arquitetura, na Praia Vermelha.

O episódio do veto a Norma ganhou as páginas dos jornais, que o noticiaram com fartura. O resultado é que, no dia do espetáculo, 22 de setembro, centenas de pessoas se aglomeravam na porta da Arquitetura para assistir ao “show proibido”. Apesar do amadorismo gritante do espetáculo, a noite foi um sucesso. Norma Bengell apresentou-se toda de negro e foi aplaudida de pé, mostrando cinco canções do disco Ooooooh Norma! que ela gravara pela Odeon.

Alaíde Costa interpretou brilhantemente Chora Tua Tristeza, de Oscar Castro Neves e Luvercy Fiorini. Até Luiz Carlos Vinhas e Ronaldo Bôscoli cantaram. O primeiro entoou Desafinado e Chega de Saudade, enquanto o segundo mostrou Mamadeira Atonal, composição sua que nunca chegou a ser gravada.

Os prometidos Vinícius, Tom, Billy Blanco e Dolores compareceram para prestigiar, mas não subiram ao palco. Os jornalistas Ronaldo Bôscoli e Moysés Fuks encarregaram-se da repercussão do evento na imprensa, respectivamente na revista Manchete e no jornal Última Hora, Todos queriam saber o que era exatamente aquela música tocada ali, se era jazz, se era samba. Mas Tom Jobim e Newton Mendonça já haviam definido: aquilo era Bossa Nova.

A partir daí, todos queriam escutar Bossa Nova e os convites para shows e reuniões começaram a proliferar. O grupo fez espetáculos na Escola Naval (do qual participaram também Lúcio Alves, Sylvinha Telles, Alaíde Costa e Norma Bengell), no Colégio Santo Inácio, no Franco-Brasileiro, no auditório da Rádio Globo, este último transmitido ao vivo do auditório na Rua Irineu Marinho e do qual participaram Os Cariocas, já com a formação que virou oficial: Severino, Badeco, Quartera e Luís Roberto.

Naquela época, gravadores de som não eram muito comuns nas mãos de não-profissionais. Uma das poucas pessoas que possuíam gravador era Jorge Karam, amigo de toda a turma da Bossa Nova e um apaixonado por música. Graças ao hobby de Karam ficaram preservados importantíssimos momentos da vida do movimento e de seus participantes. Do show da Arquitetura e da Escola Naval, como tantos outros, o único record que existe são as preciosas gravações de Karam a quem a história da Bossa Nova muito deve.

Em breve, ter representantes da Bossa Nova numa reunião era sinônimo de status. A presença de João Gilberto numa festa, então, era disputadíssima. Todo mundo anunciava sua presença, mas era raro ele aparecer. Em compensação, quando o fazia, deixava seus ouvintes exaustos: muitas vezes tocava até o amanhecer.
Alguns locais do Rio passaram a ser sinônimos da Bossa Nova, sendo raras as noites em que os compositores do grupo e seus amigos não se encontrassem. Além da casa de Nara Leão, as casas de Lula Freire, Geraldo Casé, Chico Pereira e Jorge Karam eram verdadeiros templos do movimento. As reuniões em casa de Marilene Dabus e Bené Nunes eram outro ponto de encontro dos músicos e compositores. Um pouco mais tarde, as casas do advogado Nelson Motta, pai do compositor Nelsinho Motta, e do empresário Cícero Leuenroth, pai da cantora Olívia, que anos depois se casaria com o compositor Francis Hime, também eram refúgio seguro para a Bossa Nova.

O movimento tinha muitos simpatizantes e admiradores de primeira hora. Um dos mais freqüentes às reuniões do grupo era o jornalista João Luís Albuquerque. Íntimo dos músicos e compositores, João Luís foi um dos maiores divulgadores da Bossa Nova, e certamente um dos seus mais importantes incentivadores.

Nana Caymmi faz show na Ilha Grande dia 19

O 13º Festival de Música e Ecologia da Ilha Grande recebe Nana Caymmi, no dia 19 (sexta-feira). No repertório canções como “Não se esqueça de mim” e “Resposta ao tempo”. O show começa a partir das 23h, na Vila do Abraão, na Ilha Grande. A entrada é de graça.Classificação: livre


Barra do Piraí recebe Elymar Santos no sábado

No dia 20 de junho (sábado), o Clube Royal, em Barra do Piraí, recebe Elymar Santos. No repertório sucessos dos 29 anos de carreira. O grupo Quem de Nós (pagode) abre o show às 23h. Os convites antecipados são vendidos a R$ 15. Mesas custam R$ 60. Outras informações e reservas pelo telefone (24) 2443-2575.Classificação: 18 anos - Clube Royal Rua Luís Barbosa, 63, Centro - Telefone:(24) 2443-2575 - Barra do Piraí/RJ


Lui do Vale este fim de semana em Pirai


Quem estará se apresentando neste fim de semana no Rancho da Amizade em Pirai e Lui do Vale, um dos grandes violonista da nossa região. As apresentações serão nesta Sexta e Sábado,ás 20hs e no Domingo ás 12 hs.Vale a pena ir conferir.
O Rancho da Amizade fica localizado ás margens da Rod. Pres. Dutra,Km 246 no sentido Rio de Janeiro, no Varjão em Pirai


Ilha Grande recebe Geraldo Azevedo dia 20

Geraldo Azevedo encerra os shows do 13º Festival de Música e Ecologia da Ilha Grande, no sábado (20). No repertório sucessos como “Dia Branco” e “Moça Bonita”. O show será às 23h, na Vila do Abraão, na Ilha Grande.
A entrada é de graça.Classificação: livre


Resende recebe show em homenagem ao Dia dos Namorados

No dia 17 de junho (quarta-feira), Resende recebe diversos artistas da região para o show Românticos, em homenagem ao Dia dos Namorados (12 de junho). Ronald e Juan, Deborah Mendonça, Wilsinho Ramalho, Fábio Monteiro, Bruna Melina, Thiago Zaidan, Cowboys da Serra e outros cantores vão animar o público. No repertório músicas de Tom Jobim, Renato Russo, Elis Regina, Victor e Léo.
O evento será no Plenario da Câmara Municipal, no Centro Histórico, a partir das 19h. A entrada é de graça. Classificação: livre

Seu Jorge em Volta Redonda dia 27

No sábado, 27, Seu Jorge anima o Ginásio da Pet, em Volta Redonda. No repertório, sucessos como "Burguesinha" e "Seu olhar". O show começa meia-noite. O ingresso custa R$ 25 (pista), R$ 75 (camarote vip) e R$ 400 (mesa com quatro lugares). Mais informações pelo telefone (24) 3348-1949.Clube dos Funcionários - Rua 21, s/n, Vila Sta. Cecília - Telefone:(24) 3348.1908 - Volta Redonda/RJ

6.15.2009

Deu no New York Times!

Larry Rother, o repórter que quase foi expulso do Brasil por Lula, depois de chamar o Presidente de pinguço, veio a Salvador e traçou um perfil com suas impressões sobre a Soterópolis, baseado na História e nos romances do Amado Jorge. Confira...


A visão de Jorge Amado de sua cidade é encontrada em cada rua de Salvador

Em vários romances, o escritor brasileiro Jorge Amado deixou claro sua eterna paixão por Salvador, Bahia, a cidade que o acolheu na adolescência como estudante de internato e se tornou seu lar. Salvador, por sua vez, retribuiu o amor, e mesmo agora, mais de seis anos após sua morte, o espírito exuberante, a estética e os personagens de Jorge Amado parecem permear as ruas do lugar que ele descreveu tanto como "a mais misteriosa e bela das cidades do mundo" quanto "a mais lânguida das mulheres".

Para os turistas interessados em experimentar esses mistérios tropicais, Jorge Amado chegou até a sugerir um itinerário em seu romance "Tereza Batista Cansada de Guerra". Ele queria que os turistas visitassem não apenas "nossas praias, nossas igrejas adornadas com ouro, os azulejos azuis portugueses, o Barroco, os festivais populares pitorescos e as cerimônias fetichistas", mas também a "podridão dos barracos sobre palafitas e dos prostíbulos".

Este tipo de dicotomia era típica de Jorge Amado, que, especialmente nos primeiros anos, tendia a ver tudo como pares de opostos: bem e mal, preto e branco, sagrado e profano, rico e pobre. Ele até mesmo conseguiu impor sua visão maniqueísta à geografia de Salvador, zombando da Rua Chile, na época a principal rua comercial da cidade alta, e sua clientela abastada, em prol da cidade baixa e o porto, onde marinheiros, estivadores, mendigos, prostitutas e malandros se saturavam no "óleo negro do mistério da cidade de Salvador da Bahia".

Atualmente, o coração da cidade baixa foi restaurado e melhorado. A praia onde os meninos de rua de seu romance de 1937, "Capitães de Areia", lutavam para sobreviver desapareceu, substituída por um iate clube e um pequeno shopping que inclui galerias de arte e um restaurante, o Trapiche de Adelaide, que não apenas pode ser o melhor de Salvador, mas também oferece uma vista magnífica da baía.

Mas no barulhento e sufocante Mercado Municipal, descendo a rua, o sabor dos velhos tempos persiste. Lá dentro, bancas vendem não apenas camisetas, mas também ervas, poções mágicas, afrodisíacos e amuletos. Na praça em frente, malandros realizam truques de cartas, repentistas e cordelistas recitam ou cantam seus versos, e praticantes de capoeira exibem sua mistura graciosa de dança e arte marcial ao som do berimbau.

O elo entre a suja cidade baixa e a imponente "massa preta na montanha verde acima do mar", como Jorge Amado se referiu à cidade alta em "Os Pastores da Noite", é o Elevador Lacerda de 72 metros , que tem destaque em "Mar Morto", publicado em 1936. No terminal superior, o elevador se abre para um largo que fornece uma ampla vista da cidade e da baía.

Mas no seu terminal inferior, o elevador é cercado por bares movimentados que tocam axé, pagode e outros estilos de música apreciados pela classe operária brasileira. Toda vez que saio, eu penso em "A Morte e a Morte de Quincas Berro D'Água" e sua descrição do bar "cheio de grupos de jovens aborrecidos, marinheiros alegres, mulheres sem sorte e caminhoneiros com longas viagens marcadas".

Como grande parte de seu povo, as ruas e marcos de Salvador são personagens dos romances de Jorge Amado. Salvador sobrecarregou o autor com suas vistas, sons e odores. "Na Bahia, a cultura entra pelos olhos, ouvidos, boca (tão rica, colorida e saborosa é a arte culinária) e penetra por todos os sentidos", ele escreveu em "Bahia de Todos os Santos", um guia publicado pela primeira vez em 1945 e que infelizmente est> á fora de catálogo.

A própria presença de Jorge Amado talvez seja mais palpavelmente sentida no museu do Largo do Pelourinho que leva o seu nome. Lá dentro há inúmeras fotos do escritor, no trabalho e com a família, em casa em Salvador e no exterior, onde viveu um exílio relutante por alguns anos. A mostra permanente também exibe as capas das primeiras edições, em português e em traduções em mais de 40 línguas, de cada um de seus romances.

Ao se sentar nos degraus do museu, a cena mais famosa do romance mais conhecido de Jorge Amado, "Dona Flor e Seus Dois Maridos", que também aparece na versão cinematográfica dos anos 70, vem à mente. Mesmo com o largo pavimentado com paralelepípedo, lotado de aproveitadores tentando vender badulaques para os turistas bronzeados vestindo bermudas, a imagem de Flor caminhando com Teodoro, de um lado, e com o fantasma nu de Vadinho, do outro, parece uma parte indelével da paisagem.

Do outro lado do Largo do Pelourinho, no número 68, fica o internato onde Jorge Amado morou quando chegou para estudar em Salvador, vindo da cidade provincial de Ilhéus, em 1928, aos 16 anos. Não por acaso, um de seus primeiros romances, escrito em estilo realista socialista, "Suor", se situa no prédio, que atualmente está pintado de verde pastel e possui uma pequena placa que reconhece sua importância na formação intelectual de Jorge Amado.

A lenda diz que Salvador tem 365 igrejas, uma para cada dia do ano, e cada uma supostamente mais espetacular que a outra. A mais deslumbrante de todas provavelmente é a de São Francisco, uma igreja barroca a poucas quadras do Pelourinho que é revestida de arabescos em ouro e se liga a um mosteiro, cujas paredes são decoradas com lindos azulejos portugueses do século 18.

Mas Jorge Amado sempre sentiu uma afeição especial pela mais austera Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, por causa de sua ligação com o sofrimento histórico dos negros que compunham a maioria da população. A igreja fica no pé do Largo do Pelourinho, onde nos tempos coloniais os escravos eram açoitados, e Jorge Amado, às vezes injustamente acusado pelos críticos de preferir o exotismo e sentimentalismo em vez de substância, nunca se esqueceu disso.

"A igreja era toda azul no final da tarde, a igreja dos escravos na praça onde o pelourinho foi erguido", ele escreveu em "Tenda dos Milagres", publicado em 1969. "Isto é um reflexo do sol ou uma mancha de sangue no paralelepípedo? Tanto sangue correu por estas pedras, tantos gritos de dor subiram aos céus, tantas súplicas e maldições ressoaram pelas paredes daquela igreja azul."

A comida também era essencial ao mundo de Jorge Amado, como o título de "Gabriela, Cravo e Canela" claramente indica. As heroínas humildes de Jorge Amado freqüentemente acreditam que a melhor forma de chegar ao coração de um homem é por meio de seu estômago, e com grande freqüência elas estão certas. "Se após enfrentar todos os perigos e obstáculos que a vida oferece, você não comer bem, então qual é o sentido?" um personagem observa em "Terras do Sem-Fim".

Caminhando pela calçada inclinada do Largo do Pelourinho no ano passado, eu senti o cheiro inconfundível de dendê e creme de amendoim saindo de uma porta. Ela era a entrada do Museu da Gastronomia Baiana, inaugurado em 2006 e que oferece uma introdução sólida aos prazeres culinários dos romances de Jorge Amado. Descendo a escada de um restaurante operado pelo Senac, uma escola de treinamento para funcionários de hotel, garçons e chefs, o museu é dividido em três seções. A primeira exibe os ingredientes de pratos típicos baianos, juntamente com os utensílios necessários para prepará-los e fotos dos resultados finais, enquanto a segunda é uma loja que vende livros de culinária, doces e compotas.

A terceira, é claro, é o restaurante em si, que n> ão é apenas um tributo à culinária que inspirou Jorge Amado, mas também um convite à gula. Por R$ 28, os turistas podem comer tanto quanto puderem de cerca de 40 pratos dispostos em um bufê. As opções variam de vatapá, uma pasta saborosa feita de camarão, leite de coco, dendê, castanha de caju e amendoim, ao quindim, um doce amarelo que combina gema de ovo, açúcar e coco ralado. As bebidas são servidas por baianas, mulheres que usam turbantes e vestidos cheios de babados das sacerdotisas de candomblé.

Como Pedro Archanjo, o herói de seu romance "Tenda dos Milagres", Jorge Amado era um comunista lapso e um ateísta que acaba se envolvendo tanto com o candomblé, religião de origem africana que é o equivalente brasileiro do vodu, que se torna um obá, um alto sacerdote honorário no culto de Xangô, a deidade dos raios e trovões e da justiça. As crenças e práticas do candomblé impregnam os romances de Jorge Amado e motivam muitos de seus personagens, especialmente em "O Sumiço da Santa", o último de seus grande romances, publicado em 1988.

"Na terra da Bahia, santos e seres encantados realizam milagres e feitiçaria", escreveu Jorge Amado, "e nem mesmo um etnologista marxista ficaria surpreso em ver um entalhe em um altar católico se transformar em uma feiticeira mulata ao entardecer".

Os terreiros, os santuários ao ar livre do candomblé, que eram freqüentados por Jorge Amado quando eram ilegais e sujeitos a batidas policiais, agora prosperam e são abertos aos turistas. Alguns hotéis organizam visitas ao que anunciam como sendo cerimônias de candomblé. Mas elas tendem a ser falsas ou no mínimo bastante atenuadas.

Uma melhor opção é acertar com um dos terreiros estabelecidos para participar de um ritual e, como a maioria deles se encontra nos bairros pobres da periferia, tomar um táxi. Jorge Amado apreciava tanto o grupo Casa Branca, no bairro de Vasco da Gama, quanto o Ilê Axé Opô Afonjá, em Cabula, que o governo brasileiro transformou em patrimônio nacional em 2001.

Ambos são boas opções para os turistas. O Ilê Axé Opô Afonjá era "minha casa", escreveu Jorge Amado, onde "eu tenho minha cadeira ao lado da alta sacerdotisa e às vezes sou seu porta-voz". Ele também pedia aos visitantes que não deixassem de pedir ao seu próprio orixá, ou divindade, por proteção tão logo chegassem a Salvador.

"Os caminhos de Salvador são guardados por Exú, um dos orixás mais importantes na liturgia do candomblé", ele escreveu em "Bahia de Todos os Santos". Mas Exú é freqüentemente confundido com o diabo, então "ai daqueles que desembarcarem com intenções malévolas, com um coração de ódio e inveja, ou que pare aqui tomado por violência ou ressentimento".

Por grande parte das últimas décadas de sua vida, Jorge Amado viveu na Rua Alagoinhas, 33, no bairro do Rio Vermelho, longe tanto da cidade baixa quanto da cidade alta. A certa altura em "Dona Flor", um personagem se queixa de que "o pior endereço só pode ser o Rio Vermelho, com seu isolamento e impostores, um fim de mundo, um tipo de lugar quase suburbano, ordinário demais".

Mas na verdade o bairro é encantador, e a rua em que Jorge Amado viveu é tranqüila e conta com sombra de palmeiras. A casa em si é decorada com azulejos brancos e azuis com imagens de pássaros e frutas, e possui uma torre branca com uma estátua e um emblema de candomblé em homenagem a Xangô. Após a morte de Jorge Amado, em 6 de agosto de 2001, suas cinzas foram espalhadas pelo jardim da casa.

"Os anos de liberdade que passei na ruas de Salvador da Bahia, misturado às pessoas nas docas, nos mercados e feiras" e outros locais um tanto picarescos e de má reputação, foram "minha melhor universidade", disse Jorge Amado quando ingressou na Academia Brasileira de Letras, em 1961. Ou como pensa um dos personagens de "Capitães de Areia", "não há nada melhor no mundo do que caminhar assim, > à toa, pelas ruas da Bahia".

(Larry Rohter, o chefe da sucursal do 'The New York Times' no Rio de 1999 até agosto de 2007, está em licença, escrevendo um livro sobre o Brasil).

'Divã' é premiado no Festival de Cinema de Miami


RIO - O longa-metragem "Divã" foi o grande vencedor do 13º Festival de Cinema Brasileiro de Miami. A comédia dirigida por José Alvarenga Jr., com Lilia Cabral, levou sete prêmios, o Lente de Cristal, incluindo melhor filme, dos júris oficial e popular. "Loki - Arnaldo Baptista", sobre a vida do músico fundador dos Mutantes (que estreia no Brasil dia 19 de junho), ganhou o prêmio de melhor documentário.
A cerimônia de premiação aconteceu na noite de sábado, no Colony Theater. Lilia Cabral recebeu o prêmio de melhor atriz por "Divã". Cauã Raymond, que também estava presente ao evento, dividiu o prêmio de melhor ator com João Miguel pelo filme "Se nada mais der certo", longa do brasiliense José Belmonte. O filme estreia no Brasil em 14 de agosto.
O curta-metragem "Sildenafil", de Clovis Mello, foi o grande vencedor na categoria: levou as Lentes de Cristal de melhor filme dos júris popular e oficial, melhor direção, roteiro, além do prêmio aquisição entregue pelo Canal Brasil no valor de R$ 10 mil.
Os júris de longas e de curtas-metragens, ambos presididos pelo cineasta Bruno Barreto, são formados por profissionais da indústria audiovisual americana e latina.
Além de presidir o júri, Bruno Barreto foi homenageado pelo conjunto de sua obra. Durante a cerimônia, ele recebeu a Lente de Cristal das mãos do filho, Gabriel Barreto, que estuda cinema em Nova York, e das três diretoras do festival, Claudia Dutra, Adriana Dutra e Viviane Spinelli.
O Festival de Cinema Brasileiro de Miami é realizado desde 1997 e seu sucesso originou a criação do Circuito Inffinito de Festivais, que hoje conta com eventos em Buenos Aires, Madri, Roma, Nova York, Vancouver e Barcelona, além do Cine Fest Brasil-Canudos, na Bahia. Este ano, o evento também estará presente pela primeira vez nas cidades do Cairo, Londres e Istambul.
Veja a lista dos vencedores:
LONGAS-METRAGENS
Melhor Filme - "Divã", de José Alvarenga Jr.
Melhor Documentário - "Loki, Arnaldo Baptista", de Paulo Henrique Fontenelle
Melhor Filme Júri Popular - "Divã"
Melhor Diretor - João Alvarenga Jr. ("Divã")
Melhor Ator - Cauã Reymond e João Miguel ("Se nada mais der certo")
Melhor Atriz - Lilia Cabral ("Divã")
Roteiro - Claudio Marcelo Saback ("Divã")
Fotografia - Lula Carvalho ("Feliz Natal")
Direção de Arte - Claudio Domingo ("Divã")
Montagem - Diana Vasconcellos ("Divã")
Som Direto - "Favela On Blast", de Leandro HBL e Wesley Pentz
Edição de Som - "Favela On Blast", de Leandro HBL e Wesley Pentz
CURTAS-METRAGENS
Melhor Filme - "Sildenafil", de Clovis Mello
Melhor Filme Júri Popular - "Sildenafil", de Clovis Mello
Diretor - Clovis Mello ("Sildenafil")
Direção de Arte - Daniel Bruson ("Dossiê Rê Bordosa")
Fotografia - Rodrigo Monte ("Domingo de Páscoa")
Roteiro - Clovis Mello ("Sildenafil")
Prêmio Aquisição do Canal Brasil - "Sildenafil", de Clovis Mello
Fonte O Globo