
Encontramos o Fê, como o próprio se apresenta, na sede da sua recém-inaugurada produtora de publicidade e cinema, a Spray Filmes, localizada em um prédio moderno no bairro do Itaim-Bibi, em São Paulo. O rapazote parece ocupado, uma reunião atrás da outra, uma série de projetos rolando, clientes estrelados como Natura, Santander, Volkswagen, GreenPeace, Governo do Estado de São Paulo batendo à sua porta. Fê conta que sua trajetória com Caetano Veloso começou numa festa, onde foi apresentado por um amigo a Paula Lavigne, ex-mulher e empresária do cantor e compositor baiano. O primeiro encontro foi rápido. Na época, início dos anos 2000, Fê estava terminando administração de empresas na Fundação Getúlio Vargas e paquerava o cinema. Nas férias, ele se mandava para os Estados Unidos para fazer cursos na área e seu projeto de conclusão da faculdade era sobre direção e produção de um curta-metragem. Quando o curta - "De morango", segundo ele o primeiro feito em digital no Brasil, com Fernanda Rodrigues e Daniel Dantas - ficou pronto, Fê resolveu mandar uma cópia do DVD para várias pessoas. Entre elas, Paula Lavigne.
- A Paula foi uma das poucas pessoas que me responderam. Ela disse que achou engraçado, que tinha dado muita risada assistindo ao filme - lembra. - Então ela me chamou para dirigir o clipe de "Lisbela e o prisioneiro". Foi uma puta oportunidade. Era o Caetano cantando, com roteiro do Guel Arraes. Meus dois ídolos.
Fê mandou bem, tanto que, em 2003, Paula o convocou novamente. Dessa vez para fazer o DVD "A foreign sound". A missão era filmar dois shows de Caetano no bar Baretto, em São Paulo.
O menino era inexperiente, mas não era burro. Percebeu nesse momento a disponibilidade de Paula e Caetano no sentido de permitir que sua câmera chegasse bem perto. Daí em diante, Fê acompanhou o ídolo numa temporada de shows no Carnegie Hall, em Nova York, e, depois, numa turnê no Japão. Ao todo, foram 57 horas de material bruto. Nos Estados Unidos, o inesperado ajudou novamente. O Sindicato dos Trabalhadores do Carnegie Hall estava cobrando US$ 10 mil por minuto filmado. Sem patrocínio, o projeto de filmar os shows ficou inviável. Como não poderia registrar Caetano no palco, Fê passou a filmar suas conversas com ele.
Vídeo:
Trailer do documentário Coração Vagabundo de Fernando Grostein Andrade, produzido por Paula Lavigne e Raul Dórea. O filme mostra a intimidade do cantor e compositor Caetano Veloso durante turnê do disco "A Foreing Sound", quando o cantor fazia shows por São Paulo, Nova York, Tokyo e Kyoto.
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