4.13.2009


Quero agradecer a todos que escreveram comentando a respeito do texto sobre a Páscoa e aos que pediram para que mantivesse este formato de sempre desenvolver um tema.
Casamento, fidelidade, divórcio e tudo o mais que compõe este cenário são os assuntos preferidos de quem nos acompanha aqui.
Penso que o motivo de tanto interesse se dá pelo fato do casamento ser de fato uma relação de muita complexidade.
Duas pessoas apaixonadas (pelo menos na cultura ocidental funciona assim na maioria das vezes) resolvem viver juntas para sempre, “Até que a morte os separe”, e neste momento não levam em consideração as diferenças nas suas histórias, nas suas expectativas e acreditam que com o seu amor vão modificar o outro e transformá-lo naquele príncipe ou naquela princesa idealizada.
Casar é conjugar duas individualidades e neste jogo da conjugalidade os parceiros aprendem a fazer concessões, a relevar erros e diferenças, e em alguns casos, a se anular.
Duas pessoas, com seus desejos, com suas histórias, com suas visões da vida e do mundo, com seus sonhos e projetos, com suas identidades e características pessoais e um desafio - estabelecer a identidade conjugal, ter um mesmo desejo, criar uma história de vida conjugada, estabelecer um projeto de casal, caminhar com um só objetivo.
Que exercício de amadurecimento!
Neste encontro com o outro aparece a necessidade da redefinição de conceitos, da ampliação dos horizontes, da abertura para ouvir e interagir com as diferenças, a partir do diálogo e da troca de idéias o casal vai construindo sua história.
Sem dúvida a individualidade precisa ser preservada, entretanto, o culto excessivo a autonomia, ao eu sou mais importante, ao primeiro eu, acabou por fragilizar demais o casamento.
O compartilhar é o combustível desta relação.
As expectativas de um casamento feliz não mudaram, mas já existe uma maior consciência de que só o amor não basta para o sucesso da relação, além dele é necessário ter afinidades, saber construir a parceria.
Pesquisas recentes demonstram que nos Estados Unidos, 60% dos casamentos acabam em divórcio, na Inglaterra, são 40% e no Brasil a incidência continua subindo. Entretanto, esses números por aqui não são suficientes para influenciar quem quer casar. Todos acreditam que não dá certo o casamento dos outros, mas o seu será para sempre.
Acredito no casamento e nas muitas possibilidades de enriquecimento pessoal que ele traz.

Soneto de Fidelidade Vinicius de Moraes

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive)
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

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Um comentário:

Limara Lis - Editora disse...

Lindo! Perfeito! Um texto que reflete sensibilidade e a visão de muitas pessoas sobre esta instituição que é o casamento.

Sem contar a poesia de Vinícius de Moraes que complementa muito bem!

Parabéns!