6.11.2009


ORQUESTRA AFROJAZZSAMBA NA SALA CECILIA MEIRELES

Mario Adnet violão e voz Philippe Baden Powell piano e voz

Os afrosambas compostos por Baden Powell , entre meados dos anos 60 e início dos 80, formam um dos mais belos e impressionantes conjuntos de canções da música popular brasileira. Agora, quatro décadas depois da primeira gravação de alguns deles no clássico disco com Vinicius de Moraes, os arranjadores, instrumentistas e produtores Mario Adnet e Philippe Baden Powell retomam a série de composições do extraordinário músico, mesclando temas conhecidos e diversas obras inéditas. O resultado do trabalho de ambos é o CD Afrosambajazz (Biscoito Fino) que comprova que a música que saiu do violão e do talento de Baden Powell tem um inesgotável potencial de enovação.

Afrosambajazz (título criado por Philippe, filho mais velho de Baden) será interpretado no palco pela quase totalidade dos músicos que gravaram o cd. A banda, dirigida por Mario Adnet (violão e voz) e Philippe (piano e voz), é formada por: Marcos Nimrichter (piano elétrico e acordeom), Jorge Helder (baixo acústico), Jurim Moreira (bateria), Armando Marçal (percussão), Jessé Sadoc (trompete), Eduardo Prado (trompa), Everson Moraes (trombone), Joana Adnet (clarinete e voz), Henrique Band (sax alto e flautas), Edú Neves (sax tenor e flautas), Teco Cardoso (sax barítono e flautas) e a participação de Antonia Adnet (violão de 7 cordas).

O espetáculo no Rio, acontece em 16 de junho, terça-feira, às 20h30, na Sala Cecília Meireles com as participações especiais do violonista Marcel Powell (filho caçula de Baden) e da cantora Mônica Salmaso.

Programa
Canto de Xangô, Canto de Iemanjá, Canto de Ossanha, Berimbau, Lamento de Exú (Baden Powell e Vinícius de Moraes), Suíte Yansan (Baden Powell, Ildázio Tavares e Silvia Powell)), Pai, Sermão (B. Powell e Paulo C. Pinheiro), Alodé, Domingo de Ramos, Nhem Nhem Nhem, Lamento de Preto Velho (B. Powell)
Terça 16 jun Sala Cecilia Meireles (SCM) 20h30min
Preço: R$30,00 (platéia)
R$ 20,00 (platéia superior)
Sala Cecília Meireles - Largo da Lapa, 47 – Centro. CEP 20021-170 - Telefones: 2332-9160 / 2332-9176
www.salaceciliameireles.com.br
Fonte: SCM

Ricardo Rocha apresenta Elias, de Mendelssohn


Parceria inédita leva Cia Bachiana Brasileira e Orquestra Sinfônica Nacional à Sala Cecília Meireles, para a integral do oratório ELIAS, de Mendelssohn.

Num ano em que grandes montagens musicais ficam inviabilizadas por causa da reforma do Teatro Municipal, cabe à Cia. Bachiana Brasileira, em inédita parceria com a Orquestra Sinfônica Nacional e sob a direção do maestro Ricardo Rocha, a execução da obra de maior envergadura desta temporada no Rio de Janeiro: o grande e épico oratório Elias, a obra-prima do compositor Felix Mendelssohn Bartholdy.

A apresentação está marcada como ponto alto das comemorações em torno dos 200 anos de nascimento do compositor e dos 10 anos da própria Cia. Bachiana, que além de sua profícua produção de gravações em CDs, DVDs e programas para TV e rádio, teve montagens eleitas em 2007 e em 2008 entre as dez melhores destes anos pelo jornal O Globo, reconhecimento que a consagrou como um dos grupos mais importantes da cena musical carioca.

A Orquestra Sinfônica Nacional-UFF, por sua vez, inicia os preparativos para a comemoração, em 2011, do seu Jubileu de Ouro. São 50 anos de dedicação à difusão da música e cultura brasileiras e mais de 200 gravações (LPs, CDs e DVDs, Rádio e Televisão) que a colocam com destaque como uma das principais Orquestras do Brasil. Neste concerto, estréia sua nova fase no Rio de Janeiro, conduzida por uma Comissão Artística formada inteiramente por músicos que estão apostando numa reformulação total de seu antigo modelo de gestão, trabalhando no resgate de sua missão original e investindo na qualidade e na maior participação de seus músicos nos destinos do próprio conjunto.

Além da OSN, a montagem deste grande épico conta com as 42 vozes do coro da Cia. Bachiana, aí incluídas a participação especial das 9 vozes do Madrigal Vox in Vias (direção: Rigoberto Moraes) e nove solistas, sendo o quarteto principal formado pelo barítono Marcelo Coutinho no papel-título do Elias, Veruschka Mainhardt, soprano, Carolina Farias, contralto, e Ricardo Tuttmann, tenor. O quinteto solista do coro é formado por Ana Cecília Rebelo, soprano, Manuela Vieira, soprano, Rejane Ruas, contralto, Cyrano Sales, tenor, e Guido Rossmann, baixo.

Sem contar com patrocínio algum, a Cia. Bachiana Brasileira está confeccionando até os próprios figurinos para a montagem. A tradução do libreto original em alemão fica a cargo do próprio maestro, para que o público possa acompanhar a ação através das legendas projetadas em português.

Mais conhecido do grande público por obras como Sonho de uma Noite de verão, com a famosa marcha nupcial, ou a Sinfonia Escocesa, Mendelssohn já aos 27 anos de idade se deixou enlevar pela história do profeta que resistiu ao culto do ídolo Baal e às perseguições ordenadas pela rainha Jezabel. Foram necessários dez anos de trabalho para a realização deste seu Elias, sua mais importante composição. “Como o drama da vida humana se repete através das gerações, a temática é mais do que atual, se pensarmos no deus Baal dos mercadores fenícios, agora representado pelo deus "Mercado" de nossa contemporaneidade, impondo o modelo predatório das economias baseadas no consumo que devora o planeta, os valores do espírito e as relações pessoais, tornadas igualmente descartáveis”, reflete Ricardo Rocha.

Com suas quase duas horas e meia de duração divididas em duas partes, a obra é gigantesca também em termos de intensidade. O coro é exigido o tempo todo: participa da ação ora como povo de Israel, ora como a congregação de sacerdotes de Baal ou ainda como coro de anjos. Não é por menos que os cantores estão recebendo orientações de condicionamento físico para enfrentar os 140 minutos em pé nos estreitos praticáveis da Sala Cecília Meirelles.

Após algumas apresentações com enorme sucesso, a versão final da obra teve sua estréia em 16 de abril de 1847 em Londres, sob a regência do próprio Mendelssohn, que em 4 de novembro daquele mesmo ano veio a falecer de derrame aos 38 anos de idade.

Apesar de não se ter notícia de qualquer montagem completa desta monumental obra no Rio de Janeiro até hoje, sendo portanto inédita sua apresentação, haverá apenas uma única récita. “É uma pena que tenha de ser assim, mas quem estiver lá, entenderá porque é obra de tão rara montagem, no Brasil e no mundo”, finaliza Ricardo Rocha, alertando a todos para não perderem esta oportunidade.

SERVIÇO
Sala Cecília Meireles
Largo da Lapa, 47
Dia 27 de junho, às 19h30
Ingressos: R$ 40 (platéia) e R$ 30 (balcão)
(R$ 20 e R$ 15 para estudantes e pessoas acima de 60 anos)
Mais informações: 2245-0058 (Cia. Bachiana) e 2629-5259 (OSN)

6.10.2009

Festas e shows românticos abrem a programação do Dia dos Namorados

Talma de Freitas e Nina Becker, da Orquestra Imperial

RIO - O já tradicional Baile dos Namorados da Orquestra Imperial abre nesta quarta-feira, no Canecão, a programação romântica e festiva do Rio para a semana do Dia dos Namorados. O clima de romance continua até sábado, com shows e festas para embalar casais, sejam os já unidos ou os que ainda vão se formar.
Os músicos da Orquestra Imperial promovem o baile com repertório que passa por bolero, temas dos anos 60 e clássicos dos salões de antigamente, tudo com novos arranjos, dançantes, é claro. Nos intervalos, como de costume, o DJ Marlboro e equipe Big Mix tocam os clássicos do funk carioca.
Na sexta-feira, outros dois shows com veia romântica aflorada são opções para os casais aproveitarem o 12 de junho. Também no Canecão, o soulman da Filadélfia Billy Paul solta a voz para hits como "Let's stay together", "Your song" e "Me and Mrs. Jones". O cantor promete uma homenagem à bossa nova, intitulada "I wish you love".
Fonte: RioShow

O Choro e o Viradão Cultural

No recente Viradão Cultural, promovido pela Prefeitura do Rio de Janeiro, causou estranheza a forma com que o primeiro e mais autêntico gênero musical carioca, o Choro, foi tratado.

Nos cerca de 300 eventos culturais, chamou atenção a ausência de nomes tradicionais do gênero, dentre eles: Altamiro Carrilho, Hamilton de Holanda, Zé da Velha, Joel Nascimento, Déo Rian, Paulo Moura, Época de Ouro, Galo Preto, Maurício Carrilho, Henrique Cazes, Água de Moringa, Luciana Rabello, Luiz Otavio Braga, Eduardo Neves, Silvério Pontes, Paulo Sergio Santos, Nó em Pingo d’Água e paramos aqui, pois a lista é extensa. Em suma, as apresentações de choro corresponderam a cerca de 1% dos eventos musicais, isso em pleno Rio de Janeiro.

Estamos falando da cidade onde esse gênero centenário nasceu, e partir daqui se tornou internacional, e que teve como diletos construtores: Irineu de Almeida, Pixinguinha, Ernesto Nazareth, Jacob do Bandolim, Chiquinha Gonzaga e Waldir Azevedo, ilustres cariocas, que, certamente, não aprovariam esse tratamento.

Esse lastimável equívoco se dá, paradoxalmente, num momento de grande atividade, com a consolidação de experiências vitoriosas no campo do ensino musical como as desenvolvidas pela Escola Portátil de Música, a Escola de Música da Rocinha e a Associação de Compositores da Baixada Fluminense, que, somados, receberam nos dois últimos anos, mais de mil e quinhentos jovens alunos interessados no aprendizado desse gênero.

Regularmente, músicos de choro são convidados para se apresentar em palcos pelo país e no exterior, e os turistas que aqui chegam, vem com recomendação especial de conhecer o "... chorinho carioca..."

O choro representa hoje uma rede social organizada, que tem lutado para preservar seus acervos e divulgá-los, com resultados expressivos, como atestam os trabalhos realizados pelo Instituto Jacob do Bandolim, que numa parceria com o Museu da Imagem e do Som vem digitalizando o enorme acervo deixado por seu patrono, o que inclui 6.000 partituras e 400 horas de gravações, e pelo Instituto Casa do Choro, que promove o resgate de milhares de partituras dos pioneiros do Choro, no Séc. XIX, material disponibilizado à sociedade.

Enfim, se é louvável a iniciativa de se tentar dinamizar a cena musical por intermédio de um evento midiático, por outro lado, os gestores municipais devem ficar atentos para que, em função das pressões de mercado e patrocinadores, não se permita a redução do espaço que naturalmente pertence às manifestações culturais que contam com raízes sociais e que se mantêm em constante processo de crescimento e renovação, cujo principal exemplo é o Choro, que, por sinal, vai muito bem, sempre pujante e criativo.

Rio de Janeiro, 8 de junho de 2009
Instituto Casa do Choro e Instituto Jacob do Bandolim

Noir com cheiro de samba e chope*

Enviado por Telio Navega -

O bairro do Rio de Janeiro conhecido como Princesinha do Mar pode ser a estrela da história em quadrinhos "Copacabana" (Desiderata), escrita por Lobo e ilustrada por Odyr, ambos gaúchos, mas quem brilha são princesas como Diana e Suelen, prostitutas que ganham a vida nas calçadas da Zona Sul carioca. Assim como outra personagem, a travesti Princesa. Em um estilo próximo do noir, graças ao poderoso preto e branco de Odyr e à trama noturna de Lobo, o livro narra a roubada em que duas delas se metem após dar um golpe num gringo.


- A Copacabana noturna é difusa, sem mar, cheia de árvores retorcidas e pessoas caminhando pelas sombras - explica Lobo, que teve a ideia para a HQ enquanto andava à noite, insone, pelas ruas do bairro, em marcha acelerada para se cansar e dormir. - Mas é um noir tupiniquim, com cheiro de samba e chope.

Assim como o roteirista, que diz ter conhecido muitas Dianas e Suelens ao longo de sua pesquisa para o livro, o ilustrador Odyr comenta o processo:

- Nem acho que eu tenha feito justiça ao bairro, que é ainda mais poluído visualmente e noir do que está no papel. Até porque a visão noturna de Copacabana é mais pintura do que desenho. Acho que fiz mais justiça às putas do que à cidade e estou feliz com minha Diana, ela está viva ali no papel. E fazer uma travesti como Princesa também teve seus desafios, acho que ela se saiu bem.

Há tempos que o bairro mais autêntico do Rio de Janeiro merecia um retrato em quadrinhos assim: seco e poético na medida certa. Quem pensaria que Copacabana é noir? Depois deste livro de estreia da dupla, que se conheceu na produção da extinta revista independente "Mosh", fica a vontade de conferir mais, principalmente algo da Barba Negra, editora fundada por Lobo e Odyr após sairem da Desiderata. O primeiro era o responsável pelos quadrinhos da editora Carioca, e o segundo, pelo design.
- Desistimos de montar a Barba Negra como uma editora convencional - adianta Lobo por email ao Gibizada. - Agora vamos focar em criar conteúdo e vendê-lo para editoras específicas. Em vez de criarmos os nossos catálogos passamos a ter o catálogo de todas as editoras à disposição. O que nos pareceu bem interessante.

Como os jornais vão se salvar

Luiz Rebinski Junior

Um dos argumentos de quem defende a internet como o novo messias da comunicação é de que os blogs não precisam ser, necessariamente, jornalísticos, nem fazer jornalismo da maneira que conhecemos desde sempre. E é a mais pura verdade. Realmente, um blog não precisa ser jornalístico, pelo contrário, pode ser o que bem entender, falar sobre qualquer assunto da maneira que achar melhor, desdenhando ou aderindo aos dogmas do bom jornalismo. Esse tipo de argumento é apenas uma forma de desfigurar o debate e levar a discussão de maneira enviesada.

A grande discussão não é sobre o que é a internet, mas sim sobre o que ela pode ou não vir a ser em termos de comunicação de massa. Sendo mais claro, o que se discute é se a internet poderá ou não ser capaz de substituir a mídia impressa, principalmente os jornais diários. Ninguém está preocupado com os blogs que se dedicam às amenidades do dia a dia ou àqueles que publicam receitas de bolo. O que preocupa é saber quem ― e de que forma ― substituirá o velho jornalismo impresso (se ele se for, é claro).

Afinal de contas, a crise dos jornais não é nem uma novidade, está aí muito antes dos irmãos Lehman causarem caos na economia mundial. Da hipoteca da sede do New York Times ao fechamento de redações centenárias, o jornalismo diário impresso dos Estados Unidos, talvez o melhor do mundo e aquele que nos serve de base, parece ruir aos poucos, sem saber para onde ir.

Mas o problema é que o sistema está ruindo sem deixar herdeiros. É como se um mestre estivesse morrendo e seus seguidores não tivessem aprendido seus ensinamentos. O jornal impresso pode até estar morrendo, mas e depois? Das duas, uma: ou haverá uma revolução muito grande na forma de se produzir conteúdo noticioso, o que implica em pensar o jornalismo de forma diferente (com atores igualmente diferentes); ou simplesmente veremos os mesmos meios de comunicação, que hoje utilizam o papel, apenas migrar para a Web. Esse cenário, mais provável, simplesmente substituirá a plataforma em que os grandes jornais e empresas de comunicação exercem o seu domínio e influência. É pouco provável que o New York Times, caso encerre suas atividades impressas, não continue sendo igualmente influente na internet.

E se isso acontecer, certamente a internet não significará uma ruptura com o sistema atual, apenas uma nova maneira de os meios de comunicação se moldarem conforme as novas exigências do mercado. Ou seja, o Times continuará sendo o influente Times, o Journal seguirá sendo o paladino da opinião conservadora americana e o Financial Times uma fonte confiável sobre economia.

Isso sem falar, é claro, em outros mercados, como o japonês. Só o Asahi Shimbun, o mais influente jornal japonês e segundo em tiragem no país, vende em uma única edição diária mais do que a soma de todos os jornais brasileiros juntos. Com 12 milhões de exemplares diários (em duas edições, uma matutina e outra vespertina), o Asahi só perde, em tiragem, para o concorrente Yomiuri Shimbun, que imprime 2 milhões a mais de exemplares por dia. Com esses números, pelo menos no Japão, parece uma heresia falar em morte dos jornais. Mesmo sendo o mercado japonês uma exceção à regra. Esses números podem ser conferidos no excelente Os melhores jornais do mundo, livro em que Matías Molina mostra como os grandes jornais têm se moldado diante das transformações culturais e tecnológicas das últimas décadas.

E a credibilidade dos grandes jornais, que o livro de Molina endossa com todas as letras, talvez seja o mais valioso bem que lhes sobre quando ― e se ― a imprensa de papel morrer. É até meio ilógico pensar que uma redação qualificada, com mais de mil jornalistas, como a do New York Times, seja pulverizada por blogueiros que, ainda hoje, só sabem sugar conteúdo das grandes redes de comunicação.

O que não se pode esquecer é que sempre haverá público para o jornalismo de qualidade. E não se tem certeza de que o público leitor, cada vez mais exigente, vai aceitar receber, ainda que gratuitamente, um produto inferior àquele que está acostumado. Portanto, mesmo que as redações estejam cada vez menores e mais enxutas, terá que haver alguém que separe o joio do trigo, que vá atrás da notícia, que apure, perca tempo investigando, e traga um resumo ao leitor exatamente como há 100 ou 200 anos.

E, ao que tudo indica, pelo menos por aqui, não serão blogueiros descompromissados que vão assumir essa tarefa. Por mais que pareça tacanha e atrasada, a noção de credibilidade ainda paira fortemente na opinião pública. O chavão "deu no New York Times" não é só apenas um exemplo de nosso provincianismo, mas também uma demonstração ― merecida ou não ― de credibilidade da imprensa junto ao público. É o que encoraja o publisher do NYT, Arthur Sulzberger Junior, a dizer que o Times é único e pode ser distribuído por qualquer meio disponível, papel, televisão, telefone, digital ou a tela de um computador.

O resumo da ópera, portanto, é bem claro: por mais que a internet ganhe espaço em detrimento dos jornais impressos, o jornalismo, principalmente o bom jornalismo, não vai acabar. A notícia continuará sendo um produto valioso e que gera interesse. E se a notícia vai continuar sendo um produto rentável, haverá quem a produza e, como em qualquer ramo comercial, quem o fizer da melhor maneira se sobressairá. Quem era relevante no papel vai continuar sendo relevante na Web ou em qualquer outra plataforma.

Então, é pouco lógico imaginar que as empresas de comunicação vão acabar e que em seus lugares veremos blogueiros independentes com alto poder de empreendedorismo. Até porque há outro detalhe importante: notícia de qualidade custa dinheiro e não é feita com a bunda na cadeira. A internet pode fazer com que falte papel para embrulhar peixe na feira, mas dificilmente fará com que as pessoas deixem de ser fiéis aos meios de comunicação que conhecem e que, por hábito ou ideologia, acompanham desde sempre. E isso provavelmente vai salvar a grande mídia.

Luiz Rebinski Junior
Curitiba,


SPYRO GYRA NO POSTO OITO

O veterano grupo de jazz contemporâneo apresenta seu novo álbum Good To Go-Go, sucessor de Wrapped In a Dream, que em 2006, foi indicado ao Grammy na categoria de melhor álbum de música pop instrumental. A formação tem uma novidade: o baterista e percussionista Bonny B, que sobe ao palco ao lado do saxofonista Jay Beckenstein e os tecladistas Jeremy Wall e Tom Schuman. 18 anos. Posto 8 (200 lugares). Avenida Rainha Elizabeth, 769, Ipanema, 2523-1703. Sexta (12), 20h. IC Bilheteria: 16h/22h (seg. a sex. e dom.).

CHIMARRUTS NO CIRCO VOADOR

Mais conhecida na cena rock do Sul do país, a banda gaúcha tem passagens por duas edições do festival Planeta Atlântida, um dos maiores do Brasil. Pela primeira vez no palco do Circo Voador, o grupo apresenta seu reggae melódico que inclui hits como Saber Voar e Iemanjá, que tiveram clipes exibidos no Multishow, e Verso simples. 18 anos. Circo Voador (2 000 lugares). Arcos da Lapa, s/nº, Lapa, 2533-0354. Sexta (12), 22h. R$ 40,00. Bilheteria: 12h/18h (seg. a qui.); a partir de 20h (sex. e sáb.). IC. www.circovoador.com.br.

ELBA RAMALHO NO TEATRO TOM JOBIM

A paraibana comemora trinta anos de carreira com o disco Balaio de Amor, que reúne xotes e baiões inéditos de uma nova geração de compositores. É um retorno ao início da carreira, quando Elba ajudou a lançar nomes como Lenine, Geraldo Azevedo e Belchior. Riso Cristalino e Ilusão Nada Demais, de Dominguinhos, e É Só Você Querer, de Nando Cordel, representam a geração de antigos parceiros e estão no repertório do show. Livre. Teatro Tom Jobim (500 lugares). Rua Jardim Botânico, 1008, Jardim Botânico, 2274-7012. Quinta (11), 21h. Bilheteria: 14h/18h. R$ 50,00. Estac. grátis a partir de 17h.

FREJAT NO VIVO RIO

A vertente romântica assumida nos últimos discos da carreira pelo ex-líder do Barão Vermelho embala os casais no Dia dos Namorados. No palco, Frejat mostra composições com novos parceiros que estão no disco Intimidade entre Estranhos. Elas incluem Tua Laçada, com Zeca Baleiro, Nada Além, com Paulo Ricardo, e Eu Só Queria Entender, com Gustavo Black Alien. 16 anos. Vivo Rio (2 000 lugares). Rua Infante Dom Henrique, 85, Aterro do Flamengo, 2272-2900. Sexta (12), 22h. R$ 40,00 a R$ 100,00. Cc.: M e V. Cd.: R e V. Estac. c/manobr. (R$ 12,00). IR www.vivorio.com.br

LEILA PINHEIRO NO CENTRO CULTURAL LIGHT

A paraense, que teve aulas de iniciação musical com a tia Arlette, é a convidada do projeto MPB 12h30 em Ponto. A apresentação é precedida de um talk-show com a artista comandado pelo pesquisador Ricardo Cravo-Albin. No palco, Leila mostrará músicas de seu último disco Pra Iluminar e sucessos da carreira como Verde e Paulista. Livre. Centro Cultural Light (194 lugares). Avenida Marechal Floriano, 168, Centro, 2211-4515, Metrô Presidente Vargas. Quarta (10), 12h30. Grátis. Distribuição de senhas uma hora antes.

LENY ANDRADE NO TEATRO RIVAL PETROBRAS

A cantora está de volta ao palco da Cinelândia com o show Bossa Jazz para uma curta temporada. Leny canta Tema Feliz, Balanço Zona Sul e Maria Cheia de Raça e, em algumas canções do repertório, terá a companhia do músico Gilson Piranzetta que faz participação especial. 16 anos. Teatro Rival Petrobras (450 lugares). Rua Álvaro Alvim, 33, Cinelândia, 2240-4469, Metrô Cinelândia. Quinta (11) a sábado (13), 19h30. R$ 50,00 e R$ 40,00. Bilheteria: 13h30/19h30 (seg. a sex.); a partir das 15h (sáb.). TT. www.rivalbr.com.br.

MARCOS ARIEL & JEAN-PIERRE ZANELLA NA LAPA

A apresentação do duo formado por um instrumentista brasileiro e um saxofonista canadense contemplará os clássicos do jazz e da bossa nova, intercalando as articulações do bebop com o virtuosismo do choro. Marcos (foto) e Jean-Pierre também apresentam composições originais, gravadas no disco Diplomatie, lançado no Brasil pela Rob Digital. 18 anos. TribOz (80 lugares). Rua Conde de Lages, 19, Lapa, 2210-0366. Sexta (12), 21h. R$ 20,00. Estac. (R$ 5,00 na Rua Conde de Lages, 44). www.triboz-rio.com

6.09.2009

Simonal, a reabilitação

Wilson Simonal, alcaguete da ditadura

Urariano Mota

Com o filme Simonal - Ninguém sabe o duro que dei, começou a reabilitação de Wilson Simonal. Não se conclui outra coisa, quando se lêem os artigos publicados em todo o Brasil. Em todos os jornais, os críticos mais parecem uma orquestra afinada para uma só composição, para um só samba de uma nota só. Em toda a mídia se repetem as saudações ao documentário, à sua imparcialidade etc. etc.

Na Folha de S.Paulo, no texto com o título épico "Simonal refaz saga do cantor", entre outras coisas se escreve:

"Aconteceu no final de 1971. Por suspeitar que estivesse sendo roubado, o cantor teria mandado bater no contador de sua empresa. Só que o homem vai parar no Dops (Departamento de Ordem Política e Social, hoje extinto), onde é torturado. Não demora até que os jornais liguem as pontas - não necessariamente cobertos de verdade - e publiquem a manchete: 'O cantor Wilson Simonal é informante dos órgãos de segurança do Estado´...

Mais que biografar a ascensão e queda meteóricas de um ídolo - e isso é feito de maneira empolgante -, o documentário reescreve a saga de Simonal para que, conhecendo finalmente sua história, o Brasil possa absolvê-lo de coisas que talvez ele nem sequer tenha feito."

Preconceitos raciais e sociais

Observem que:

1. O cantor "teria mandado bater no contador". Teria mandado, em lugar de mandou.

2. "...o homem vai parar no Dops (Departamento de Ordem Política e Social, hoje extinto), onde é torturado". Por acidente, ele foi parar no Dops.

3. "...o documentário reescreve a saga de Simonal para que, conhecendo finalmente sua história, o Brasil possa absolvê-lo de coisas que talvez ele nem sequer tenha feito". Absolvê-lo... Não demora, a família entrará com processo na Anistia.

Por falar em anistia, artigo no Jornal do Comercio, do Recife, é mais explícito:

"A chance de anistia de Simonal - Filme conta história de cantor que morreu com fama de dedo-duro, mas foi mesmo uma vítima da intransigência."

No UAI, de Minas, a reabilitação continua:

"Nos dias de hoje, a maioria das pessoas que conhecem o assunto acredita na tese de que Wilson Simonal foi derrubado por uma rede de boatos, somada a preconceitos raciais e sociais que levavam, em muitos grupos, a um estado de desconforto frente ao sucesso do cantor. Simonal pende nitidamente para este lado."

Condenado ao ostracismo

No Jornal do Brasil, do Rio, o mesmo samba:

"Com um design e produção impecáveis, o trio de diretores Cláudio Manuel, Micael Langer e Calvito Leal tenta também trazer à tona a perseguição que o cantor sofreu, após a suspeita de que ele estava a serviço do Dops, na época da ditadura. Recheado de entrevistas, o filme tem o mérito de ser, em grande parte, imparcial. Mas faltam depoimentos e nomes de artistas que efetivamente promoveram o boicote... Numa montagem esperta, o papel de bicho-papão ficou só com os jornalistas do Pasquim que participam do filme: Sérgio Cabral, Ziraldo e Jaguar. Este último, em destaque, é colocado pela edição nos momentos antagônicos, em contraponto a considerações positivas sobre o cantor. Seria alguma forma de revanche? O público é quem decide."

Em O Globo, entre outras louvações, transcrevem-se as palavras de Nelson Motta, "Simonal virou um tabu, um leproso, um pária..." Mas o modo mais parcial vem do Guia da Semana, de São Paulo, em editorial (!):

"No início da década de 70, Simonal percebeu que estava sendo roubado por seu contador. De pavio curto, o cantor contratou um grupo para dar uma surra no traidor. Porém, o episódio envolveu agentes do Dops, e o obscuro fato fez com que se espalhasse a notícia de que o músico era informante do regime militar. Sem provas contra ou a favor do artista, Simonal foi condenado ao ostracismo, morrendo como um desconhecido em 2000."

Só falta absolver o cabo Anselmo

Parece ter desaparecido no espaço o texto de Mário Magalhães, quando era ombudsman na Folha de S.Paulo, em 30 de março de 2008:

"A verdade: em 1974, Simonal foi condenado por surra dada em um contador. No processo, levou como testemunha sua um detetive do Departamento de Ordem Política e Social do Estado da Guanabara. Ele assegurou que o cantor era informante do Dops. Outra testemunha de defesa, um oficial do 1º Exército, jurou que o réu colaborava com a unidade. O juiz sentenciou: Simonal era 'colaborador das Forças Armadas e informante do Dops´. Em 1976, acórdão do Tribunal de Justiça do RJ reafirmou a condição de 'colaborador do Dops´. Não foram inimigos que inventaram a parceria com o regime, exposta sem reservas pelos amigos de Simonal, que se dizia ameaçado por gente ligada 'a ações subversivas´."

Pelo andar da carruagem, não demora vão fazer um documentário que absolva o cabo Anselmo. Com a repercussão em uma só nota de toda a imprensa. Como agora, no filme desta semana: Simonal, a reabilitação.

Colaboração Angela Chaloub

Maria Bethânia e Caetano Veloso - Leãozinho (1978 )

Caetano Veloso canta em homenagem à irmã a música "Maria Bethânia", que foi sucesso na voz de Nelson Gonçalves. Depois, os dois cantam juntos "Leãozinho". 1978