5.25.2009


NUTRIÇÃO E MENOPAUSA

A menopausa é um evento natural, que toda mulher, após certa idade, experimentará. Tem como característica principal a parada das menstruações e o aparecimento dos sintomas vasomotores, como os fogachos ou ondas de calor definido como uma sensação súbita e breve de calor, que se espalha pela região do tórax, do pescoço e da face, de intensidade e freqüência variáveis. Pode acontecer após palpitação, sensação de pressão na cabeça e ansiedade. São acompanhados, por vezes, de suores e sensação de frio. Por diminuição da produção de hormônios femininos pelos ovários.

Devido a isso, alimentos ricos em beta caroteno (Cenoura, abóbora, folhas verde escuras), (peixes e carnes vermelhas magras), vitamina C ( Frutas cítricas), Vitamina E (Nozes, castanhas e óleos vegetais), Zinco (leite e cereais interais), Manganês (nozes, castanhas, amêndoas), selênio ( Peixes, frutos do mar, cereais integrais), Cálcio (leite e derivados) devem ser inseridos no cardápio e ajudam a mulher passa por essa fase tranquilamente. Como também, a soja por ser rica em isoflavona.
A isoflavona é um composto da soja, também chamado de fitoestrogênio, que atua na prevenção de doenças crônico-degenerativas, como o câncer de mama, de colo de útero e de próstata. Sua estrutura química é semelhante ao estrógeno (hormônio feminino) e, por isso, é uma substância capaz de aliviar os efeitos da menopausa.

A isoflavona da soja constitui-se uma alternativa para a mulher com sintomas da menopausa. Seu uso não altera o peso corporal ou a pressão arterial. Não se observam efeitos sobre a mama ou o útero, não provoca sangramentos.

A isoflavona da soja apresenta boa tolerabilidade, com poucos efeitos adversos. Entretanto, deve ser evitada por mulheres que apresentam contra-indicações ao uso de hormônios, por tratar-se de um fitohormônio. É importante também conhecer a procedência do produto, que deve apresentar aprovação pela ANVISA.

Bebidas alcoólicas, refrigerantes, doces, frituras, cafeína, enlatados, devem ser evitados para diminuir as chances de gordura abdominal e os riscos de doenças cardiovasculares.

Exercícios físicos, abolição do tabagismo, e claro! Alimentação saudável são os segredos para envelhecer com qualidade e respeito pelo corpo e com muita saúde!

Sandra Helena Mathias Motta
Nutricionista
Centro – 3322-3715
Vila Nova – 3326-5487
Celular – 8813-4072
sandranutti@yahoo.com.br

Johnny Alf comemora no palco seus 80 anos


Márcia Abos

SÃO PAULO - Um encontro de velhos amigos. Este foi o clima do ensaio de Johnny Alf, Alaíde Costa e Emílio Santiango no Sesc Pinheiros em São Paulo na tarde desta sexta-feira. O trio se preparava para os shows deste fim de semana no mesmo teatro em comemoração aos 80 anos de vida de Johnny, completados em 19 de maio.
A emoção deu o tom do ensaio, abrilhantado pela recuperação de Johnny, que tocou piano, cantou e se locomeveu sem cadeira de rodas, com o apoio carinhoso de Emílio, que ao chegar no ensaio abraçou e beijou o amigo. É o segundo show que o pianista, cantor e compositor faz desde sua recuperação. O primeiro foi em janeiro, também na companhia de Alaíde Costa e de Leny Andrade. Johnny passou dois anos recluso, tratando-se de um câncer de próstata.
" A mudança da música brasileira não começou na bossa nova, começou com Johnny Alf "
- Estava louco para ver ele voltar. Acompanhei-o no reestabelecimento. Conheço Johnny desde que comecei a cantar nos anos 70. Ele é um irmão mais velho que eu, Alaíne e Leny temos. A volta dele é como se a gente tivesse também se recuperando - declarou Emílio Santiago, deixando rolar uma lágrima.
Johnny estava entusiasmado, mas poupou forças para o show. Brincou com Alaíde Costa e Emílio Santiago, ameaçando mudar na hora o repertório previsto, que inclui "Eu e a brisa", "Rapaz de bem", "Olhos negros", "Ilusão à toa" e "Céu de estrelas".
- Músicos da noite não têm essa, eles conseguem acompanhar qualquer coisa - disse Johnny, que para se aquecer no ensaio tocou no piano "Ligia" (Tom Jobim/Chico Buarque), canção que não está no repertório.
Disse que faria Alaíde cantar todas a músicas que gravou de Vinicius de Moraes.
- De repente ele muda todo o roteiro previsto. A gente combina um repertório, na hora ele faz a introdução e só olha pra mim. Ele gosta de inventar - diz Alaíde.
Emílio Santiago respondeu, zombeteiro:
- Desse jeito, vamos fazer um show de três horas.
Alaíde lembrou que foi uma das primeiras cantoras a cantar as composições de Johnny.
- Fui a segunda cantora a cantar Johnny. A primeira foi Mary Gonçalves. Tinha uns 16 anos, cantava ainda em programas de calouros, quando tomei conhecimento das canções de Johnny Alf. Fiquei apaixonada. Ele já fazia uma música completamente diferente de tudo que existia na época e isso era tudo o que eu queria pra mim. Ao longo da minha carreira, da minha vida, ele esteve presente sempre - lembrou Alaíde.
Junto com Johnny, uma das canções que Alaíde vai cantar é "Meu sonho".
- Um dia Johnny chegou com uma letra em um papelzinho dobrado e pôs na minha mão. Eu abri, li, e falei: "Johnny, que linda!". Aí ele falou: "É para você musicar". Respondi: "eu musicar pra você?". Não tinha título e eu chamei de "Meu sonho" - contou com orgulho a cantora.
Johnny Alf foi esquecido pelas comemorações dos 80 anos da bossa nova. Emílio Santiago espera que seja feita justiça à importância do compositor para música brasileira.
- A mudança da música brasileira não começou na bossa nova, começou com Johnny Alf em Copacabana, na boate Plaza, onde ele cantava suas músicas e onde todos iam chupar um pouco das harmonias e composições dele. Aí foram para o Carnegie Hall e esqueceram ele aí. Johnny tem uma obra belíssima, que vamos cantar até morrer - conclui Emílio.

Johnny Alf, Alaíde Costa e Emílio Santiago
Sábado 21h, e domingo 18h,
Sesc Pinheiros.
Rua Paes Leme, 195, Pinheiros.
Tel: 11 3095-9400 .
INGRESSO:R$ 30

5.24.2009

PARIS a mais de 200 km/h

Leia a história abaixo, deixe de lado a crítica moral e aproveite este extraordinário filme.
Em agosto de 1978, o cineasta francês Claude Lelouch montou uma câmera estabilizada na frente de uma Ferrari 275 GTB e convidou um amigo, piloto profissional de Formula 1, para fazer um trajeto no coração de Paris à maior velocidade que ele pudesse. A hora seria logo que o dia clareasse.

O filme só dava para 10 minutos e o trajeto era de Porte Dauphine, através do Louvre até a basílica de Sacre Coeur. Lelouch não conseguiu permissão para interditar nenhuma rua no trajeto. O piloto completou o circuito em 9 minutos, chegando a 324 km por hora em certos momentos.

O filme mostra ele furando sinais vermelhos, quase atropelando pedestres e entrando em ruas de mão única na contra-mão. Quando mostrou o filme em publico pela primeira vez, Lelouch foi preso.

Ele nunca revelou o nome do piloto e o filme foi proibido, passando a circular só no underground. Se você não viu ainda o clássico, prenda a respiração e clique no link abaixo.

Se você já viu, veja de novo, vale a pena.

O ruido no motor nas reduzidas é maravilhoso!

5.23.2009

Flip divulga programação: equilíbrio entre ficção e não ficção



Enviado por Márcia Abos, de São Paulo -

De 20 mil a 30 mil pessoas devem passar por Paraty entre os dias 1 e 5 de julho, quando acontece a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que tem entre os convidados autores como Chico Buarque, Richard Dawkins, Gay Talese e António Lobo Antunes, entre outros.

- Quando começamos, em 2003, esperávamos ter um público de 50 pessoas e imaginávamos que em cinco anos, chegaríamos a receber 500 pessoas. Não foi assim. Já no primeiro ano foi uma loucura. O público que esperamos é o limite da capacidade da cidade – disse na manhã desta quinta-feira o diretor geral da Flip, Mauro Munhoz.

Para Flávio Moura, que pelo segundo ano consecutivo faz a curadoria da programação da Flip, a programação de 2009, divulgada hoje, confirma a identidade da Flip.

- A programação traz nomes de destaque incontestável na suas áreas de atuação. Há o equilíbrio entre ficção e não ficção – explicou Flávio Moura.


É a primeira vez que a programação inclui ciência, representada pelo renomado darwinista Richard Dawkins, autor de “Deus, um delírio”. Também é inédita a presença de uma artista plástica, Sophie Calle, cuja obra tem forte ligação com a literatura, e de autores chineses no evento (Xin Ran e Ma Jian). Eles vêm ao Brasil quando se recordam os 20 anos do massacre na Praça da Paz Celestial, tema abordado na obra de Ma Jian.

- É um orgulho ter uma personalidade tão requisitada como Dawkins na Flip, ainda mais quando comemoramos 200 anos de Charles Darwin, assim como personalidades avessas à badalação, como Lobo Antunes e Gay Talese, cuja presença é fruto de anos de negociação. Isto mostra que a cada ano a Flip se consolida como um dos mais importantes eventos literários do mundo – conclui Moura.

Outra novidade anunciada por Moura é a Flip Casa de Cultura, novo nome da Flip Etc.

- Como o nome gerava uma certa confusão, com muita gente achando que se tratava de um evento paralelo, resolvemos mudar para mostrar que a Flip Casa de Cultura é também parte da programação oficial, com a mesma curadoria da Flip.

O autor homenageado pela sétima edição da Flip é o poeta Manuel Bandeira (1886-1968).

- Não queremos só homenagear autores por causa de alguma efeméride, como aconteceu ano passado com Machado de Assis em seu centenário de morte. Com a efeméride, o escritor vira assunto. Optamos por lançar luz a um autor que não está em pauta - explica Moura, destacando a mesa literária do dia 5, domingo, às 15h, que reúne Edson Nery da Fonseca, amigo pessoal e um dos maiores especialistas em Manuel Bandeira, e Zuenir Ventura, que foi aluno do poeta. - Será uma mesa de memórias afetivas.
Com um orçamento de R$ 5,980 milhões, valor 8,2% maior que no ano anterior, a Flip não deixará transparecer ao público os efeitos da crise financeira mundial, garante Mauro Munhoz, diretor geral da Flip. A inflação entre ano passado e este foi de 10%. Portanto, segundo Munhoz, houve redução de recursos, quando o natural seria haver aumento a cada ano.

- Para o público a Flip estará perfeita, maravilhosa e ainda melhor que a do ano passado. Estamos aumentando nosso rigor administrativo e eficiência – diz Mauro Munhoz, completando que foram grandes as dificuldades para captar recursos. – Mas estamos muito otimistas e acreditamos que não será necessário fazer cortes nos projetos permanentes.

FLIP NA REDE
Twitter, blog e um canal no YouTube são as maneiras de acompanhar a programação da Flip na internet. No Twitter, há informações sobre escritores convidados, autor homenageado e programação. O blog da Flip (www.flip.org.br/blog) terá atualizações em todos os dias do evento. Já no canal do YouTube (www.youtube.com/user/flipfestaliteraria), o internauta pode assistir a trechos de todas as mesas literárias.

5.22.2009

Morre Zé Rodrix, compositor de "Casa no Campo"

O cantor e compositor Zé Rodrix,( a direita na foto ) 61 anos, morreu durante a madrugada desta sexta-feira (22).

Segundo Bárbara Rodrigues, uma das filhas do artista, ele estava bem de saúde, porém, começou a se sentir mal e sofreu uma forte convulsão. Foi levado às pressas para o Hospital das Clínicas em São Paulo, mas não resistiu.
Ainda não há informações sobre o velório e o enterro do artista.
José Rodrigues Trindade nasceu no Rio de Janeiro. Além de cantor e compositor ele era multiinstrumentista, escritor e publicitário. Durante sua carreia compôs canções como "Casa no Campo", que foi sucesso na voz de Elis Regina.
Ele também participou do trio Sá, Rodrix & Guarabyra, que foi o expoente do rock rural nos anos 70.
José Rodrigues deixa seis filhos.

ALCEU VALENÇA

ALCEU VALENÇA - Circo Voador (2 000 lugares) - Sábado (23), 22h

Pétalas, Deusa da Noite, Íris e Ciranda da Rosa Vermelha são as faixas do CD Ciranda Mourisca, o último lançado pelo compositor pernambucano, pinçadas para o show. A maior parte do repertório está guardada para os grandes hits de carreira, entre os quais se destacam Tropicana e La Belle de Jour.

Acompanhado pelos músicos: Paulo Rafael (guitarra), Hisachi Honda (violão), Mauricio Oliveira (baixo), Tovinho (teclados), Cássio Cunha (bateria), Jean Dumas e Edwin (percussão) acompanham o cantor. 18 anos. Circo Voador (2 000 lugares).
Arcos da Lapa, s/nº, Lapa, 2533-0354. Sábado (23), 22h. R$ 50,00. Bilheteria: 12h/18h (seg. a qui.); 12h/18h e a partir das 20h (sex.); a partir das 20h (sáb.). IC. www.circovoador.com.br

5.21.2009

Pilobolus Dance Theatre faz apresentações no Vivo Rio

RIO - A companhia norteamericana Pilobolus Dance Theatre se apresenta no Vivo Rio nesta sexta (22.05), sábado (23.05) e domingo (24.05). Criado há 38 anos, o grupo vai mostrar um programa de dança contemporânea que reúne cinco de suas principais coreografias, criadas em épocas diferentes - a mais antiga foi criada em 1973 e a mais nova é de 2008.
Depois do Rio, o Pilobolus parte para outras cidades do país. O grupo se apresenta em Brasília no dia 28 de maio, no Teatro Cláudio Santoro; nos dias 30 e 31 de maio no Via Funchal, em São Paulo; no dia 03 de junho no Teatro Castro Alves, em Salvador; no dia 05 de junho no Teatro Guaira, em Curitiba; e nos dias 06 e 07 de junho no Porto Alegre Bourbon, em Porto Alegre.
O Pilobolus é uma corporação isenta de taxas, não-lucrativa, parcialmente mantida por fundos da Comissão de Cultura e Turismo de Connecticut e por um prêmio do National Endowment for the Arts, além de donativos.

Pilobolus Dance Theatre - Vivo Rio. De 22 a 24 de maio. Sex e sab, 21h; Dom, 17h. Ingressos: camarote A, R$ 150; camarote B/Balcão, R$ 80; Frisas, R$ 50; Plateia VIP Premium, R$ 150; Plateia auditório VIP, R$ 100; Plateia superior 01, R$ 150; Plateia superior 02, R$ 100; Plateia superior 03, R$ 80. Vendas - Disque Dell`Arte: (021) 3235-8545 / 2568-8742

NINGUÉM SABE O DURO QUE DEI”: UM GRANDE DOCUMENTÁRIO. ASSISTAM!!!

Imperdível, caros leitores, por uma coleção de motivos, o filme Ninguém Sabe O Duro que Dei, dirigido por Claudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal, que relata a ascensão e queda — e que queda! — do cantor Wilson Simonal. Há muito mais ali do que o simples relato da trajetória de um ídolo brasileiro, de raro talento, que caiu em desgraça. O que se vê na tela é a exposição detalhada de como uma máquina de difamação ideológica pode destruir uma carreira, apagar uma história, eliminar um pedaço da memória cultural do país. E não posso deixar de pôr isto aqui, já no primeiro parágrafo: a fita traz depoimentos dos cartunistas Ziraldo e Jaguar, que eram do jornal O Pasquim, que ajudou a destruir Simonal. Levem suas crianças (acima de 10 anos), como fiz, para ver também esses dois senhores. É um bom pretexto para que digam: “O papai (ou mamãe) promete jamais falar tanta asneira mesmo que visitado por aquele velhinho alemão...” Se algumas pessoas são para nós um norte moral, essa dupla é o sul. Já chego lá.

Negro, filho de uma empregada doméstica, saído literalmente da pobreza, Simonal se tornou um dos mais populares cantores brasileiros. Até aí, vá lá, a estupidez também pode render aplauso. Acontece que ele era bom. Muito bom. Um dueto com Sarah Vaughan ou sua habilidade em reger um coro de 30 mil vozes no Maracanãzinho dão algumas pistas do seu talento. Fragmentos de entrevistas e shows, habilmente costurados no documentário, revelam um homem inteligente, chegado ao cinismo e à auto-ironia. E, vê-se ao longo do filme, não era do tipo chegado ao coitadismo, ao vitimismo, ao pobrismo, a mascarar deficiências técnicas com sua origem humilde, essa coisa tão asquerosa e corriqueira hoje em dia. Ao contrário: tinha plena consciência de seu gigantesco talento e ganhou a fama de arrogante — de “preto arrogante”. E vocês sabem o quanto isso podia e ainda pode ser indesculpável.

Cantor excepcional, criativo, capaz de transitar na fronteira de vários estilos, Simonal era uma das possibilidades do pop brasileiro, abortado por um conjunto de infaustos acontecimentos: da ditadura dos militares à ditadura dos “profundos”, que tomou conta da música. Outro, de estilo diferente, mas não menos marginalizado, era Tim Maia — leiam Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia, de Nelson Motta, que, diga-se, ilumina aquele período, neste documentário, com a lucidez habitual. Simonal não tinha grandes “mensagens” a passar, sabem? E sua música dispensava manual de instrução e guia para entendimento de metáforas.

Mas Simonal fez, sim, uma grande besteira. Em 1971, desconfiado de que seu contador, Raphael Viviani, que fala no filme, andava metendo a mão na sua grana, contratou dois seguranças, um deles ligado ao famigerado Dops, para "resolver" a questão. O homem foi raptado, torturado e obrigado a assinar uma confissão. A mulher de Viviani chamou a polícia. Simonal se complicou. Para tentar se safar, afirmou que tinha “contatos com os homens” — sim, os homens do regime...

Era o seu fim. Passou a ser tratado como dedo-duro e delator dos colegas — embora, como lembra Chico Anysio, não haja uma só pessoa que possa dizer ter sido prejudicada por Simonal — além de Viviani, é claro. A imprensa o tratava como agente dos órgãos de segurança, assim, como um aposto comum, desses que servem para identificar pessoas: “Simonal, ligado ao Dops...” Ele passou a ser a pessoa mais demonizada no Pasquim, de Ziraldo e Jaguar (o sul moral do Brasil; já volto ao caso). Num dos quadrinhos, aparece, acreditem, dando um tiro na cabeça!!!

Não, Simonal nunca foi agente do DOPS. Acontece que as esquerdas já se incomodavam com os seus hits muito pouco engajados. Foi ele quem transformou num sucesso estupendo País Tropical, de Jorge Benjor. Aquele trecho da música cantado só com as primeiras sílabas das palavras foi uma “bossa” sua: “Mó, num pa tro pi/ abençoá por De/ que boni por naturê/ mas que belê...” “Patropi” virou substantivo, às vezes adjetivo. Aquela parte da crítica que acreditava que boa música tinha de falar das nossas mazelas e, eventualmente, acenar com a “revô sociali dos oprimi” já estava na sua cola. Era considerado ufanista e instrumento da ditadura. Em 1970, havia acompanhado a Seleção Brasileira na Copa do México. Simonal, em suma, era o alienado do “patropi”.

O episódio truculento de 1971 — pelo qual ele tinha, de fato, de prestar contas, e ninguém está a dizer o contrário — era a fagulha que faltava num barril de vários preconceitos combinados: o “preto arrogante”, que chegou a se declarar “de direita” e que era tido como o cantor “do regime”, passou a ser considerado, também um dedo-duro. Os shows desapareceram. Artistas que antes faziam questão de dividir o palco com ele passaram a rejeitá-lo. O Pasquim o esmagava impiedosamente, difamando-o entre artistas e intelectuais. A grande imprensa não ficava atrás. Foi banido das televisões. Estabeleceu-se uma espécie de stalinismo midiático: Simonal foi apagado da história brasileira. O homem que fizera o dueto com Sarah Vaughan — é visível o encantamento da diva — era um proscrito. Depois de demonizado, decretou-se o silêncio. Seu nome foi apagado. Em 2000, morreu em razão do agravamento de uma cirrose hepática.

Ninguém Sabe o Duro que Dei, título do filme, é verso de um dos seus sucessos. Justamente uma música que ironizava o fato de que muitos criticavam ou invejavam a sua boa vida e a sua riqueza. E ele, então, respondia: “Ninguém sabe o duro que dei”. Pois é... O que é espantoso, mas muito próprio da indústria da difamação, é que não havia prova, evidência ou indício da ligação de Simonal com a “repressão”. Inútil!

O filme é equilibrado. Não há qualquer esforço para desculpar Simonal pela bobagem. O depoimento do contador é bastante longo, e não há a menor intenção de desacreditá-lo. Faço essa observação para deixar claro que Claudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal não maquiam a vida do artista, corrigindo com a simpatia o que há nela de condenável. Mas não há como não se deixar capturar pelo óbvio talento de Simonal. Talvez pudéssemos sair do cinema um tanto divididos: “Pô, também quem mandou fazer aquela tolice?” Mas Zirado e Jaguar nos tiram dessa sinuca.

VELHOS NA ALMA
Ziraldo comandava O Pasquim. E isso quer dizer que comandava, também, a difamação contra Simonal. Os diretores estão de parabéns por terem deixado o homem falar à vontade. Quando ele fala, o mundo se ilumina porque nos damos conta de quem ele é. O cara reconhece que parte do ódio que havia contra o artista decorria do fato de ele ser, vamos dizer, um preto bem-sucedido. Mais: admite que aqueles eram tempos em que um lado era o bem, e o outro, o mal. E Simonal estava do lado errado...

Ziraldo sabe, hoje em dia, que o cantor jamais fez parte dos órgãos de repressão. Se, à época, ainda podia alegar alguma ignorância, hoje não pode mais. Tem clareza de que o cantor caiu vítima da máquina de difamação ideológica não por aquilo que fez, mas por aquilo que não fez. Pensam que há nele alguma sombra de arrependimento ou, vá lá, de reconhecimento ao menos das injustiças cometidas? NADA!!!

O cartunista recorre a uma imagem canalha, asquerosa, nojenta mesmo, para se referir ao caso. Segundo diz, os confrontos ideológicos eram como lutas de capoeira, com pernadas para todos os lados. E alguns tinham a má sorte de estar na frente. Entenderam? Ziraldo e as esquerdas davam as pernadas, e o pobre Simonal tomou a sua. Para este senhor, isso é parte do jogo.

Jaguar, que continua a investir na personagem do bêbado profissional, vejam lá por quê, não fica atrás em grandeza moral. Faz um relato debochado da tragédia de sua vítima e diz: “Ele morreu de cirrose; poderia ter sido eu”. E cai na gargalhada. Ah, sim: ao falar sobre negros de sucesso, cita o nome de Pelé e diz: “Se bem que Pelé é branco...” Entenderam? Para Jaguar, um negro só é negro se exibir sinais explícitos de sofrimento e for engajado. A propósito: o depoimento de Pelé é um dos grandes momentos do filme. A dupla do Pasquim, mesmo sabendo que Simonal era inocente, não o anistia, não. Nem a anistia moral eles lhe concedem.

É que os dois não sabem o que é isso. Só conhecem o perdão traduzido em reais A Comissão de Anistia mandou pagar R$ 1.000.253,24 ao milionário Ziraldo e R$ 1.027.383,29 ao nem tão rico Jaguar (confessadamente, ele “bebeu” todo o dinheiro que o jornal lhe rendeu). Mais: ganharam também o direito a uma pensão mensal permanente de R$ 4.375,88. Por quê? Ora, porque eles foram considerados “perseguidos pelo regime militar” por conta de sua atuação no Pasquim, aquele que desenhou Simonal dando um tiro na cabeça...

Sensatas e até comoventes são as palavras dos cantores e compositores Simoninha e Max de Castro, filhos de Simonal. Tentam entender a personagem na lógica dos confrontos de um período e dizem ser necessário resgatar sua obra, sem qualquer viés de confronto. O ódio de que Simonal foi vítima (ainda presente nas falas irresponsáveis de Ziraldo e Jaguar) não turvou o pensamento dos filhos, a cujos shows o pai chegou a ir. Mas os via escondido, sem mostrar a cara. Não queria, como conta sua segunda mulher, “prejudicar os meninos”.

Não deixem de ver o filme. Vale como divertimento e também como advertência: a máquina de difamação, que dá pernada a três por quatro (e dane-se quem está na frente), continua ativa. e agora está no poder.

PS: O filme merece uma atenção bem maior do que a que vem recebendo. De certo modo, a maldição continua. Como NÃO diria Chico Buarque, as esquerdas inventaram o pecado, mas se esqueceram de inventar o perdão.

O Corpo Feminino

por Paulo Coelho

Não importa o quanto pesa. É fascinante tocar, abraçar e acariciar o
corpo de uma mulher. Saber seu peso não nos proporciona nenhuma
emoção.

Não temos a menor idéia de qual seja seu manequim. Nossa avaliação é
visual, isso quer dizer, se tem forma de guitarra... está bem. Não nos
importa quanto medem em centímetros - é uma questão de proporções, não de medidas.

As proporções ideais do corpo de uma mulher são: curvilíneas,
cheinhas, femininas... . Essa classe de corpo que, sem dúvida, se nota
numa fração de segundo. As magrinhas que desfilam nas passarelas,
seguem a tendência desenhada por estilistas que, diga-se de passagem,
são todos gays e odeiam as mulheres e com elas competem. Suas modas
são retas e sem formas e agridem o corpo que eles odeiam porque não
podem tê-los.

Não há beleza mais irresistível na mulher do que a feminilidade e a
doçura. A elegância e o bom trato, são equivalentes a mil viagras.

A maquiagem foi inventada para que as mulheres a usem. Usem! Para
andar de cara lavada, basta a nossa. Os cabelos, quanto mais tratados,
melhor.

As saias foram inventadas para mostrar suas magníficas pernas....
Porque razão as cobrem com calças longas? Para que as confundam
conosco? Uma onda é uma onda, as cadeiras são cadeiras e pronto. Se a
natureza lhes deu estas formas curvilíneas, foi por alguma razão e eu
reitero: nós gostamos assim. Ocultar essas formas, é como ter o melhor
sofá embalado no sótão.

É essa a lei da natureza... que todo aquele que se casa com uma modelo
magra, anoréxica, bulêmica e nervosa logo procura uma amante cheinha,
simpática, tranqüila e cheia de saúde.

Entendam de uma vez! Tratem de agradar a nós e não a vocês. porque,
nunca terão uma referência objetiva, do quanto são lindas, dita por
uma mulher. Nenhuma mulher vai reconhecer jamais, diante de um homem,com sinceridade, que outra mulher é linda.

As jovens são lindas.. mas as de 40 para cima, são verdadeiros pratos
fortes. Por tantas delas somos capazes de atravessar o atlântico a
nado. O corpo muda... cresce. Não podem pensar, sem ficarem psicóticas que podem entrar no mesmo vestido que usavam aos 18.. Entretanto uma mulher de 45, na qual entre na roupa que usou aos 18 anos, ou tem problemas de desenvolvimento ou está se auto-destruindo.

Nós gostamos das mulheres que sabem conduzir sua vida com equilíbrio e sabem controlar sua natural tendência a culpas. Ou seja, aquela que
quando tem que comer, come com vontade (a dieta virá em setembro, não antes; quando tem que fazer dieta, faz dieta com vontade (sem
sabotagem e sem sofrer); quando tem que ter intimidade com o parceiro,
tem com vontade; quando tem que comprar algo que goste, compra; quando tem que economizar, economiza.

Algumas linhas no rosto, algumas cicatrizes no ventre, algumas marcas
de estrias não lhes tira a beleza. São feridas de guerra, testemunhas
de que fizeram algo em suas vidas, não tiveram anos 'em formol' nem em spa... viveram! O corpo da mulher é a prova de que Deus existe. É o
sagrado recinto da gestação de todos os homens, onde foram
alimentados, embalados e nós, sem querer, as enchemos de estrias, de
cesarianas e demais coisas que tiveram que acontecer para estarmos
vivos..

Cuidem-no! Cuidem-se! Amem-se!

A beleza é tudo isto.

Paulo Coelho