1.27.2010

Cancelado show do The Original Wailers em São Paulo

The Original Wailers
O show da banda The Original Wailers em São Paulo foi cancelado. O grupo jamaicano se apresentaria nesta quarta-feira, 27, na Via Funchal. Segundo a organização do evento, o cancelamento foi motivado por ‘problemas técnicos’. Não foram divulgados detalhes sobre esses problemas.
A Via Funchal divulgou o procedimento sobre a evolução do valor do ingresso. O reembolso poderá ser feito a partir de hoje nas bilheterias da casa na Rua Funchal, 65, diariamente, entre 12h00 e 22h00. Esse procedimento é válido para ingressos comprados nas bilheterias, nos postos oficiais de venda, através do atendimento telefônico e pelo site da Via Funchal.
Quem comprou pelo site, mas ainda não retirou a entrada, terá a compra cancelada junto às administradoras de cartão de crédito. O prazo do cancelamento é de 10 dias úteis, em média.
Os fãs do estilo ainda têm a oportunidade de curtir clássicos do Reggae neste final de semana com a apresentação do ‘outro’ Wailers, liderado pelo baixista Aston ‘Familyman’ Barrett, integrante da formação original do grupo. A apresentação do Wailers de Barrett,junto com o Alpha Blondy, será no domingo, 31, no Credicard Hall, na capital paulista.

Metallica em Porto Alegre: informações e recomendações para o público


Nesta quinta-feira, 28, é o dia em que a capital do Rio Grande do Sul receberá uma das maiores bandas de Heavy Metal de todos os tempos, o Metallica. A produtora responsável pelo show em Porto Alegre emitiu uma nota com algumas informações e dicas para facilitar o acesso dos fãs ao local e ajudar todos a terem uma boa diversão.
O Metallica se apresenta no Brasil nesta quinta em Porto Alegre e depois desembarca em São Paulo para shows nos dias 30 e 31, no Estádio do Morumbi. A banda está em turnê divulgando o álbum “Death Magnetic”. Confira abaixo as informações da Opinião Produtora sobre o show na capital gaúcha:
28/01/2010 - Porto Alegre/RS
Parque Condor - Av. Severo Dullius, s/nº, em frente ao aeroporto.
Horário do show do Hibria: 20h00
Horário do show do Metallica: 21h30
Como chegar
Carris: T5 e T11
Conorte: 705 (Indústrias), B02 (Leopoldina/Aeroporto), B021 (Leopoldina/Aeroporto/Fapa), B022 (Fapa/Aeroporto/Leopoldina), B09 (Aeroporto/Iguatemi), B091 (Aeroporto/Iguatemi/Anchieta) e B56 (Passo das Pedras/Aeroporto).
Mais informações de itinerários e tabela horária: http://www.eptc.com.br/.
Àqueles que desembarcarem na rodoviária:
Valor de táxi: cerca de R$ 17,00 (fonte: http://www.taxi.com.br/).
Trensurb: desembarcar na Estação Aeroporto.
Onde estacionar
Aero Safe Park: ao lado do Pepsi On Stage.
N Park: dentro do Aeroporto Internacional Salgado Filho.
Estacionamento ao lado do Parque Condor: R$ 15,00.
Saída
- A Trensurb disponibilizará linhas extras para atender ao público. Serão sete linhas após a meia noite. Três delas sairão da estação Aeroporto em direção a São Leopoldo à 00h10min, à 01h10min e às 02h15min. No sentido Aeroporto-Centro, outros três carros partirão à 00h41min, à 01h41min e às 02h46min. A Trensurb ainda monitorará o movimento da estação do aeroporto e manterá dois trens com capacidade para 1.080 pessoas em alerta em caso de necessidades extras em qualquer sentido.
- A Carris também fornecerá carros em horários especiais. Um T11 articulado sairá do aeroporto às 00h30min e dois T5, também articulados sairão às 00h30min e às 00h45min, respectivamente. Além disso, quatro ônibus estarão de prontidão no aeroporto, caso sejam necessárias mais linhas.
Recomendações para o show
- Escolha roupas leves e confortáveis;
- Antes de sair de casa, alimente-se e hidrate-se bem. Os portões se abrirão às 17h; se você for ficar na fila, leve garrafas de água e protetor solar;
- Não consuma álcool em excesso antes do show;
- É proibida a entrada com objetos cortantes e grandes fivelas metálicas;
- Utilize transportes públicos para chegar ao evento como ônibus, táxi, lotação e trem.
- Chegue ao local com antecedência e localize sua entrada (Vip, Pista ou Arquibancadas Vip Cobertas); isso irá evitar confusões próximo ao início do evento;
- Colabore com a organização, evite tumultos dentro do recinto;
- Entre com cuidado no Parque Condor: evite correr e não empurre os demais;
- Ao entrar, localize as saídas de emergência, os banheiros, postos médicos e bares;
- Não atire objetos dentro do local;
- Seja paciente e compreensivo com os demais presentes;
- Em caso de emergência, acalme as pessoas ao seu redor, evite pânico e procure localizar saídas ou posto médico;
- Não será permitida a entrada com máquinas fotográficas semi-profissionais ou profissionais;
- Não será permitida a entrada com comidas, bebidas e garrafas;
- Se você tiver menos de 16 anos, não esqueça que precisa entrar acompanhado de um responsável. Não será permitida a entrada de menores de 12 anos.
Demais recomendações ao público
- Fique atendo às orientações dos agentes da EPTC. Eles estarão lá para organizar e orientar o trânsito, a fim de que todos possam circular com rapidez e segurança;
- Respeite a sinalização e o pedestre;
- Se beber, não dirija;
- Use o cinto de segurança;
- Não estacione em frente à entrada principal;
- Leve saquinhos plásticos para o lixo;
- Pedestre, atravesse sempre na faixa de segurança;
- Leve um único documento de identificação;
- Um celular pode ser muito útil nesta ocasião.
Deficientes físicos
Ao entrar no Parque Condor, identifique a sinalização para a área destinada aos deficientes físicos.

Adeus, Itaparica


A Ilha de Itaparica (BA) em dezembro de 1998, pela lente de Edu Simões. A fotografia integrou a exposição dos 10 anos dos "Cadernos de Literatura Brasileira", do Instituto Moreira Salles. Originalmente publicada no número dedicado à obra de João Ubaldo Ribeiro

João Ubaldo Ribeiro
Da Ilha de Itaparica (BA)
Como todos os anos, vim a Itaparica, para passar meu aniversário em minha terra, na casa onde nasci. Casa de meu avô, coronel Ubaldo Osório, que fez pouco mais na vida que amar e defender a ilha e seu povo. De lá para cá, muito se tem perpetrado para destruí-los física ou culturalmente e há nova tentativa em curso. Trata-se da anunciada construção de uma ponte de Salvador para cá. Isso é qualificado, por seus idealizadores, de progresso.
Conheço esse progresso. É o progresso que acabou com o comércio local; que extinguiu os saveiros que faziam cabotagem no Recôncavo; que ao fim dos saveiros juntou o desaparecimento dos marinheiros, dos carpinas, dos fabricantes de velas e toda a economia em torno deles; que vem transformando as cidades brasileiras, inclusive e marcadamente Salvador, em agregados modernosos de condomínios e shoppings acuados pela violência criminosa que se alastra por onde quer que estejamos enfurnados, ilhas das quais só se sai de automóvel, entre avenidas áridas e desertas de gente.
Também conheço os argumentos farisaicos dos proponentes da ponte, ávidos sacerdotes de Mamon, autoungidos como empresários socialmente responsáveis. Na verdade, sabem os menos ingênuos, eles se baseiam em premissas inaceitáveis, tais como uma visão imediatista, materialista e comprometida irrestritamente não só com o capital especulativo, que já está pondo as mangas de fora no Recôncavo, como aquele que investe aqui usando os mesmos padrões aplicados em Pago-Pago ou na Jamaica. A cultura e a especificidade locais são violentadas e prostituídas e o progresso chega através do abastardamento de toda a verdadeira riqueza das populações assim atingidas.
As estatísticas são outro instrumento desses filibusteiros do progresso que em nosso meio abundam, entre concorrências públicas fajutas, superfaturamentos, jogadas imobiliárias e desvios de verbas. Mas essas estatísticas, mesmo quando fiéis aos dados coligidos, também padecem de pressupostos questionáveis. Trazem à mente o que alguém já disse sobre a estatística, definindo-a como a arte de torturar números até que eles confessem qualquer coisa. E confessarão, é claro, pois Mamon é forte e sempre esteve na crista da onda.
Mas não mostrarão que esse progresso é na verdade uma face de nosso atraso. Atraso que transmutará Itaparica num ponto de autopista, entre resorts, campos de golfe e condomínios de veranistas, uma patética Miami de pobre. E que, em lugar de valorizar o nosso turismo, padroniza-o e esteriliza-o, matando ao mesmo tempo, por economicamente inviável, toda a riqueza de nossa cultura e nossa História. Quem não é atrasado sabe disso. Para não cometer esse tipo de atentado é que, em Paris, por exemplo, não se permite a abertura de shoppings onde isso possa ferir o comércio de rua tradicional.
Tampouco, em Veneza, as gôndolas foram substituídos por modernas lanchas. Num país não submetido a esse estupro sócio-econômico e cultural, os saveiros seriam subsidiados, as antigas profissões, o artesanato e o pequeno comércio também. Exercendo a vocação turística de toda a região, teríamos razão em nos mostrar com tanto orgulho quanto um europeu se mostra a nós. Mas nosso destino parece ser acentuar infinitamente a visão que enxerga em nós um país de drinques imitando jardins, danças primitivas, pouca roupa e nativas fáceis.
Adeus, Itaparica do meu coração, adeus, raízes que restarão somente num muro despencado ou outro, no gorgeio aflito de um sabiá sobrevivente, no adro de alguma igrejinha venerável por milagre preservada, na fala, daqui a pouco perdida, de meus conterrâneos da contracosta. Sei em que conta me terão os que querem a ponte e não têm como dizer que só estão mesmo é a fim de grana, venha ela de onde vier e como vier. Conheço os polissílabos altissonantes que empregam, sei da sintaxe americanalhada em que suas exposições são redigidas e provavelmente pensadas, como convém a bons colonizados, já ouvi todos os verbos terminados em "izar" com que julgam dar autoridade a seu discurso. É bem possível que a ponte seja mesmo construída, mas, pelo menos, não traio meu velho avô.

Paulo Ormindo Azevedo sobre a Ponte Salvador -Itaparica,em seu texto:"Salvemos Salvador, enquanto é tempo"

Não há planejamento nem qualificação dos projetos públicos, que são oferecidos pelas empreiteiras interessadas, vide a ponte de Itaparica e o parque da Vila Brandão. A Sedham funciona como uma Defesa Civil, mais que um órgão de planejamento. As licitações são feitas em função do menor preço, ou seja, do pior projeto e menor tempo.

1.26.2010



Sandra de Sá lança novo álbum nesta semana

Está programado para chegar às lojas na próxima sexta-feira, 29, um novo álbum de estúdio da cantora Sandra de Sá. Este novo disco foi batizado como “AfricaNatividade - Cheiro de Brasil” e chega às lojas seis anos após o lançamento do último trabalho, “Música Preta Brasileira ao Vivo”.
O álbum traz Sandra dividindo os vocais com alguns convidados especiais como o cantor Seu Jorge (“Baile do Asfalto”), o rapper angolano MC K (“Evoluir”) e a cantora cabo-verdiana Ana Firmino (“Fé”).
“AfricaNatividade - Cheiro de Brasil” marca os 30 anos de carreira de Sandra de Sá. A distribuição do álbum é da gravadora Universal Music.
 
Integrantes do Scorpions anunciam fim da banda

O Scorpions anunciou através do site oficial que vai encerrar a carreira após o lançamento do próximo álbum de estúdio e da turnê de divulgação. No comunicado o grupo agradece aos fãs pelo apóio de quatro décadas e afirma que pretende encerrar a carreira em grande estilo.
“Enquanto estávamos trabalhando em nosso álbum nesses últimos meses, podemos sentir literalmente o quanto nosso trabalho foi poderoso e criativo - e quanto nos divertimos com o processo. Mas há algo a mais: queremos encerrar a extraordinária carreira do Scorpions em grande estilo”, escreveu a banda.
“Estamos muito gratificados pelo fato de continuarmos com a mesma paixão pela música que sempre tivemos desde o início. Por isso, especialmente agora, decidimos que chegamos ao fim da estrada”.
O próximo e derradeiro álbum do Scorpions foi batizado como “Sting in the Tail”. O lançamento mundial está agendado para o dia 19 de março. A turnê de divulgação começa em maio, pela Alemanha, com abertura do Edguy, e deve seguir por dois ou três anos em diversos países.
Não existe nenhuma data ou previsão para a turnê chegar à América Latina, mas é bem provável que o grupo se despeça do público brasileiro, já que aqui no país o Scorpions teve seu maior público, no Rock in Rio I, e sempre fez turnês bem sucedidas, inclusive gravando um DVD em Manaus.

 Black Eyed Peas recebe prêmio errado na França

O grupo Black Eyed Peas recebeu o prêmio de Melhor Grupo Internacional durante a cerimônia de entrega do NRJ Awards, realizado no último sábado, 23, em Cannes, na França. Mas ao invés de comemoração o clima foi de constrangimento, já que os verdadeiros vencedores dessa categoria não foram os norte-americanos, mas sim a banda alemã Tokio Hotel.
O prêmio foi anunciado pelo coreógrafo francês Kamel Ouali, que apresentou a categoria com a cantora Ke$ha. “Em vez de marcarem só o nome do vencedor, escreveram os nomes de todos os candidatos. Eu só falei o primeiro nome que vi e não prestei atenção no que estava escrito”. O coreógrafo chegou a ser vaiado pelo público enquanto tentava se desculpar pela gafe.
Apesar do constrangimento, o Black Eyed Peas pôde levar para casa o prêmio de Melhor Canção Internacional pela música “I Gotta Feeling”, esse sim entregue corretamente.

U2 trabalha em novo álbum

O U2 está trabalhando no processo de composição do novo álbum, segundo informou o guitarrista The Edge em recente entrevista. O novo disco ainda não tem título definido nem previsão para o lançamento.
“Estamos trabalhando em um monte de músicas novas”, comentou o músico ao site EW.com. “Algumas delas são realmente muito felizes. Estamos convencidos de que temos algo muito especial”. Essas novas músicas foram compostas nos intervalos da turnê de divulgação do último disco de estúdio, “No Line on the Horizon”, lançado no ano passado.
Nós estamos experimentando com vários arranjos diferentes e o eletrônico é uma das coisas com que temos tocado. Mas há outras músicas que são bem tradicionais, quase folk. É isso que não sabemos ainda, onde este álbum vai dar”.
 
Hope for Haiti Now” arrecada mais de US$ 61 milhões
 
O programa especial “Hope for Haiti Now”, realizado na última sexta-feira, 22, arrecadou até ontem, 25, mais de US$ 61 milhões. O programa durou duas horas e foi assistido por cerca de 83 milhões de telespectadores somente nos Estados Unidos.
Diversos artistas subiram ao palco para se apresentar no evento. Alicia Keys cantou “Prelude to Kiss” e Beyoncé cantou “Halo” acompanhada ao piano por Chris Martin, do Coldplay. Jay-Z, The Edge e Bono, do U2, e Rihanna também apresentaram uma música inédita, composta especialmente para o evento, chamada “Stranded (Haiti Mon Amour)”.
A música “Stranded (Haiti Mon Amour)” se tornou a música com maior número de pré-venda em um dia na história do iTunes.
Madonna, Brad Pitt, Nicole Kidman e Bruce Springsteen foram alguns dos artistas que também compareceram para incentivar as doações ao projeto de ajuda ao Haiti.

A história da Bossa Nova - Parte 1


Foto:Flagrante de primeira noite da Bossa Nova, o show "A Noite do Amor, do Sorriso e da Flor", na faculdade de Arquitetura..

A história da Bossa Nova é a história de uma geração. Uma geração de jovens artistas brasileiros que acreditaram no futuro e conseguiram realizar o sonho de levar sua música aos quatro cantos do mundo.
As primeiras manifestações do que viria a ser conhecido como Bossa Nova ocorreram na década de 50, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Ali, compositores, instrumentistas e cantores intelectualizados, amantes do jazz americano e da música erudita, tiveram participação efetiva no surgimento do gênero, que conseguiu unir a alegria do ritmo brasileiro às sofisticadas harmonias do jazz americano.
Ao se falar de Bossa Nova não se pode deixar de citar Antonio Carlos Jobim, Vinicius de Moraes, Candinho, João Gilberto, Carlos Lyra, Roberto Menescal, Nara Leão, Ronaldo Bôscoli, Baden Powell, Luizinho Eça, os irmãos Castro Neves, Newton Mendonça, Chico Feitosa, Lula Freire, Durval Ferreira, Sylvia Telles, Normando Santos, Luís Carlos Vinhas e muitos outros.
Todos eles jovens músicos, compositores e intérpretes que, cansados do estilo operístico que dominava a música brasileira até então, buscavam algo realmente novo, que traduzisse seu estilo de vida e que combinasse mais com o seu apurado gosto musical.
Impossível precisar quando a Bossa Nova realmente começou. Mas é certo que o lançamento, em 1958, dos discos Canção do Amor Demais, com Elizeth Cardoso interpretando composições de Tom e Vinícius, e Chega de Saudade - 78 rpm, com o clássico de Tom e Vinicius de um lado e Bim-bom, de João Gilberto, do outro -, nos quais João surpreendeu a todos com a nova batida de violão, foi o resultado de vários anos de experiências musicais. Experiências empreendidas não só por João, mas por toda a turma que se encontrava nas famosas reuniões na casa de Nara Leão.
Após o lançamento, em 1959, do primeiro LP de João Gilberto, também chamado Chega de Saudade, a Bossa Nova rapidamente se transformou em mania nacional e em poucos anos conquistou o mundo.
Mas bem antes disso o Rio de Janeiro já vivia um raro momento de florescimento artístico, como poucas vezes se viu na história da cultura nacional. Não é à toa que os anos 50 são conhecidos como os "anos dourados". O Brasil vivia então um período de crescimento econômico que acabou se refletindo em todas as áreas. Em 1956, Juscelino Kubitschek tomou posse na Presidência da República com o slogan desenvolvimentista "50 anos em 5".
No mesmo ano, foram lançados os romances O Encontro Marcado, do mineiro Fernando Sabino, e Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, dois importantes marcos na história da literatura brasileira. Paralelamente, surgia na poesia um movimento inspirado no concretismo pictórico, cuja maior característica foi a valorização gráfica da palavra e do qual participaram nomes como os irmãos Augusto e Haroldo de Campos, Décio Pignatari e Ferreira Gullar, entre outros.
Em 1957, estreava o filme Rio Zona Norte, de Nelson Pereira dos Santos, um dos primeiros representantes do que viria a ser chamado Cinema Novo. Em 1958, a Seleção Brasileira de Futebol conquistava sua primeira Copa do Mundo, derrotando a seleção sueca por 5 a 2 e levando o povo brasileiro a cantar alegremente "A copa do mundo é nossa / Com brasileiro não há quem possa". Também em 1958, Jorge Amado lançava Gabriela Cravo e Canela e Gianfrancesco Guarnieri estreava no Teatro de Arena de São Paulo Eles Não Usam Black-tie, um marco na linguagem do teatro brasileiro.
Em 1959, era lançado o movimento neoconcreto nas artes plásticas, do qual fizeram parte Lygia Clark, Hélio Oiticica e Lígia Pape, entre outros. Em 1960, Juscelino Kubitschek inaugurava a nova capital do país, Brasília, que possivelmente teve a primeira música de Bossa Nova em sua homenagem, composta por Chico Feitosa. Billy Branco havia feito um sambinha jocoso, Não Vou, Não Vou Pra Brasília, e Chico musicou uma letra que falava da vida na nova cidade. O tema, chamado Paranoá, nunca foi gravado, mas encontra-se preservado numa gravação particular feita na época, com o próprio Chico Fim de Noite cantando. Foi neste contexto que surgiu o movimento que viria a revolucionar não só a música brasileira, mas toda a produção musical internacional.
Ainda nos anos 40, a grande novidade musical foi o lançamento, em 1946, de Copacabana um samba-canção de João de Barro e Alberto Ribeiro, gravado pelo cantor Dick Farney com claras influências da música americana. A composição foi a precursora do que se chamou samba moderno, cujos grandes intérpretes foram o próprio Dick Farney e Lúcio Alves.
A suposta rivalidade destes dois grandes cantores era alimentada pela imprensa e por seus fã-clubes. No início dos anos 50, eram eles, com suas vozes aveludadas, os maiores ídolos da juventude brasileira. Ao lado de Ary Barroso, Johnny Alf, Garoto, Dolores Duran, Luiz Bonfá e Tito Madi, entre outros, influenciaram decisivamente a formação da geração que se consagraria através da Bossa Nova.
Na área de composição, quem mais havia ousado era o romântico Custódio, morto precocemente aos 35 anos, em 1945, autor de Mulher, Velho Realejo e Saia do Caminho, seu maior sucesso, e Noturno, composição de harmonia muito elaborada, de bela linha melódica e considerada, na época, um verdadeiro teste de interpretação para qualquer cantor ou cantora.
Custódio, que compôs cerca de 700 canções, gravadas pelos grandes nomes da época, como Orlando Silva e Sílvio Caídas, já tentava misturar os recursos do jazz e da música erudita aos elementos da música brasileira.
Também era moderno gostar de conjuntos vocais como os Garotos da Lua, do qual João Gilberto foi crooner, e os Quitandinha Serenaders, que contavam com Luiz Bonfá ao violão. Ou ainda Os Cariocas, então em sua formação original: Ismael Neto, Severino Filho, Badeco, Quartera e Valdir. Todos eles também demonstravam uma sensível influência da música americana, mais elaborada e de certa forma mais elegante.
Dick Farney, nome artístico de Farnésio Dutra da Silva, chegou a ser apelidado de "o Frank Sinatra brasileiro", tal a qualidade de sua voz. Logo após o lançamento de Copacabana, Dick, um apaixonado pela música americana, especialmente por Sinatra, Mel Tormé e Dick Haymes, embarcou para os Estados Unidos a fim de tentar a carreira por lá, cantando também em inglês.
Em 1948, o cantor voltou ao Brasil, mas sua carreira já estava irremediavelmente influenciada pela música americana. Nos anos seguintes ele gravaria sucessos como Marina e Alguém Como Tu. No verão de 1949, foi fundado na Rua Dr. Moura Brito, na Tijuca, o primeiro fã-clube do Brasil: o Sinatra-Farney Fã-Clube, do qual faziam parte nomes como Johnny Alf, João Donato e Paulo Moura. Lá, além de ouvir fervorosamente sucessos de seus dois ídolos, eles também começavam a "arranhar" os seus instrumentos. Voltando para a América, Dick tornou-se amigo dos mais conhecidos instrumentistas do jazz como Dave Brubeck, uma de suas principais influências no piano.
Na década de 50, já amigo de diversos músicos americanos e com respeitado conceito entre eles, Dick Farney tocava no Peacock Alley, um requintado bar do hotel Waldorf Astoria, em Nova York. Como os freqüentadores do bar em sua maioria não falavam português, Dick apresentava a música Copacabana com uma versão em inglês. Na época, Ipanema ainda não era cantada em prosa e verso, sendo o bairro de Copacabana o verdadeiro cartão-postal do Rio de Janeiro, o que despertava a curiosidade, na letra em inglês, da canção que havia sido no Brasil um grande sucesso do cantor.
Numa viagem ao Rio, em 1958, Dick deu um memorável concerto de jazz no auditório do jornal O Globo, apresentando-se com o baixista Xu Viana e o baterista Rubinho. Entre os temas de jazz, tocou sua versão de Copacabana com a letra em português e inglês, o que foi o sucesso da noite. O concerto foi gravado ao vivo e virou um LP no qual curiosamente a faixa Copacabana não se encontra. Dick Farney foi um dos primeiros cantores a procurar uma nova maneira de interpretar o samba. "Por que não existe um samba que a gente possa cantarolar no ouvido da namorada?", perguntava ele.
Logo em seguida, uma turma de adolescentes do Flamengo resolveu criar o Dick Haymes-Lúcio Fan Club, para homenagear o fundador do grupo Namorados da Lua. Lúcio Ciribelli Alves, nascido em Cataguases, Minas Gerais, também era um amante da música americana, principalmente do jazz, que começou a ouvir ainda criança, na Tijuca. Estimulado pela família, Lúcio participou de um programa infantil na Rádio Mayrink Veiga, Bombonzinho. Deste, passou para o Picolino, na mesma rádio. De lá foi para a Rádio Nacional, onde, no programa Em Busca de Talentos, ganhou o primeiro prêmio. Daí em diante, Lúcio não parou mais de cantar. Fã de conjuntos vocais como Pied Pipers, Moderneer's e Starlighter's, aos 14 anos fundou o grupo Namorados da Lua, do qual era crooner, violonista e arranjador. Com o grupo vocal, inscreveu-se no programa de calouros de Ary Barroso, conseguindo o primeiro lugar. A partir daí, os Namorados gravaram mais de 40 discos em 78 rotações e apresentaram-se em cinemas e cassinos durante alguns anos.
Em 1947, Lúcio foi convidado para integrar, em Cuba, o grupo Anjos do Inferno. De lá, com o grupo, foi para os Estados Unidos, onde, assim como Dick Farney, também muito aprendeu. Logo Carmen Miranda convidava os Anjos para acompanhá-la. Lúcio, no entanto, preferiu abandonar o grupo e voltar para o Brasil, encantando seus fãs com sucessos como Foi a Noite, De Conversa em Conversa e Sábado em Copacabana.
Apesar das inovações na área de interpretação, trazidas principalmente das experiências de Lúcio Alves e Dick Farney no exterior, no início dos anos 50, as músicas consideradas modernas eram do tipo dor de cotovelo, embora com as harmonias já mais trabalhadas, como em Ninguém Me Ama, do lendário jornalista Antonio Maria. Muito ligada à natureza exuberante do Rio de Janeiro e à excelente música que se produzia na América e chegava através de discos e programas de rádio, como o notável Em Tempo de Jazz, apresentado por Paulo Santos na Rádio JB, a nova geração, alegre e irreverente, criada nas areias limpas das praias de Copacabana e Ipanema e sedenta por novidades, queria retratar sua própria experiência, seus sonhos e estilo de vida.
Naquela época, as boas famílias consideravam cantar e tocar violão atividades menores e desestimulavam qualquer tipo de iniciativa de seus filhos neste sentido. Roberto Menescal, filho de uma tradicional família de arquitetos, lembra que, quando começou tentar profissionalizar-se, foi tocar com seu conjunto num baile ao qual seus irmãos mais velhos também compareceram como convidados. Depois de muita dança, chegou a hora do jantar: os convidados foram para as mesas e os músicos, inclusive Menescal, recolheram-se à cozinha, que era o lugar reservado para eles. "Foi um escândalo na família", recorda Menescal.
Os rapazes normalmente eram direcionados a seguir carreiras como direito, engenharia ou arquitetura. As garotas podiam até tocar violão, enquanto esperavam um marido adequado. Mas os pais de Nara Leão, Jairo e Tinoca, eram uma exceção. Eles recebiam com prazer os amigos da filha para reuniões musicais em que se trocavam acordes e idéias, tudo regado a muito refrigerante e sucos de frutas. O apartamento em que moravam, na Avenida Atlântica, entrou para a História como o principal reduto da nova turma da Bossa Nova. Nara, que tinha 12 anos em 1954, aprendia violão com um professor chamado Patrício Teixeira. Roberto Menescal, seu amigo da turminha da rua, bicava as aulas, já que sua família não via com maior interesse suas tendências para a música. "A Nara era uma cabeça muito mais adiantada do que a gente", conta Menescal. E logo logo toda a turma começou a se interessar por música.
Nas famosas vitrolas Philips, escutavam juntos discos como Julie Is Her Name, da cantora americana Julie London (cuja maior atração era o violonista Barney Kessel), o violonista mexicano Arturo Castro, o trompetista americano Chet Baker, cujo estilo cool de cantar era muito inspirador, e os pianistas George Shearing. Errol Garner e André Prévin. Outro programa imperdível para eles era assistir aos musicais da Metro. Menescal lembra o dia em que foi assistir a Cantando na Chuva, com Nara. "Quando saímos do cinema estava chovendo, e foi a glória. Envolvido pelo clima e pela música do filme, estava em Copacabana me sentindo o próprio Gene Kelly e a Nara, a Debbie Reynolds".
Um episódio engraçado envolvendo o cinema Metro aconteceu com Menescal. Na época, os carros era um sonho quase inatingível para muitos adolescentes, principalmente os carros conversíveis. Um amigo de Menescal, Gustavo, comprou um Studebaker branco, com rodas cromadas e capota conversível azul-marinho, automática. Menescal, que já tocava um violãozinho, teve a idéia de irem os dois com carro e violão para a porta do Metro, a fim de esperar a saída da sessão das quatro e impressionar as garotas.
Estava tudo planejado: eles ficariam parados na porta do cinema, bem à vontade, como quem não quer nada. Assim que se abrissem as portas, Gustavo apertaria o botão da capota, que se abriria lentamente mostrando os dois com o violão no banco de trás. Seria difícil para qualquer garota resistir a tal espetáculo. E lá se foram os dois. Tudo teria corrido muito bem não fosse o fato de o violão ter sido deixado na parte traseira, perto do porta-malas do carro. Na hora H, Gustavo apertou o botão e, conforme a capota foi baixando, também foi esmagando lentamente o instrumento. Eles ainda tentaram impedir a catástrofe, mas era tarde demais: todo mundo realmente parou, mas para olhar o violão sendo destruído. "Foi a maior vergonha", lembra Menescal.
Carlos Lyra também morava em Copacabana, na Rua Bolívar, e começou a tocar violão aos 19 anos, por causa de uma perna quebrada quando servia no Exército. Sua mãe, com pena dos quatro meses de imobilidade receitados pelos médicos, resolveu presenteá-lo com um violão. Carlinhos começou a estudar com o método de Paraguassu e, mais tarde, quando saiu do Exército, teve aulas de violão clássico com um sargento da Aeronáutica chamado José Paiva. "Foi ele quem me ensinou a fazer arpejos, escalas e a tocar com uma postura correta, muito necessária na Bossa Nova", conta o compositor. Quando entrou para o Colégio Mallet Soares, Carlos Lyra conheceu Roberto Menescal e Luís Carlos Vinhas e com eles formou um trio estranhíssimo: dois violões e um piano. Mas ainda era tudo levado na brincadeira. O colégio Mallet Soares era a escola certa para eles: até os professores tocavam violão e alguns chegavam a estimular os alunos a matar aula para fazer um som. "Tínhamos um professor chamado César que tocava violão muito bem, e saía com a gente para tocar", conta Lyra. Foi no Mallet Soares que ele começou a compor. Maria Ninguém, clássico da Bossa Nova, foi criada durante as aulas de Francês de dona Iolanda.
Além das reuniões na casa de Nara Leão, a turma também freqüentava os bares e boates onde se apresentavam Dick Farney, Lúcia Alves, Johnny Alf, Tito Madi, João Donato e Dolores Duran. "Eles foram os precursores da Bossa Nova, prepararam o terreno para a gente" reconhece Lyra.
No meio da década de 50, algumas casas noturnas eram o esconderijo da boa música. Num pequeno barzinho numa rua atrás do cinema Rian, chamado Tudo Azul (pela cor dominante de sua decoração interior), Tom Jobim era o pianista efetivo, e figuras conhecidas da noite do Rio não deixavam de aparecer por lá.
Naquele local, Rubem Braga fez a célebre apresentação de Vinícius de Moraes a Lila Bôscoli, com a famosa introdução: "Vinícius de Moraes, apresento-lhe Lila Bôscoli. Lila Bôscoli, apresento-lhe Vinícius de Moraes. E seja o que Deus quiser". E foi. Os dois acabaram se casando.
Havia também o Clube Tatuís, em Ipanema, onde, além das atividades esportivas, a grande atração eram as jam sessions. O violonista Candinho sempre tocava ali e volta e meia Tom Jobim aparecia para uma "canja". Também as serenatas noturnas nos barquinhos do Posto 6 e os arrastões no Posto 5 eram programas obrigatórios para eles.
Nas tardes de domingo, um grupo de músicos, entre eles Gusmão, Freddy Falcão, Durval Ferreira, Maurício Einhorn e Pecegueiro tocavam música moderna no Hotel América, na Rua das Laranjeiras. Os fins de semana musicais no Clube Leblon, com Eumir Deodato, Pecegueiro, Jayme Peres, Waldemar Dumbo e Ed Lincoln, era outro local de encontro entre diversos músicos que viriam a ser importantes nomes da Bossa Nova.
Menescal conheceu seu futuro parceiro Ronaldo Bôscoli numa reunião musical na casa do veterano compositor Breno Ferreira, autor de Andorinha Preta. Menescal era amigo do filho de Breno. Sérgio Ferreira, às vezes ia à casa do colega para observar o que faziam Breno e seus amigos. Menescal ia, olhava, gostava e aprendia. "Mas ainda não era a música que eu queria. Na verdade eu queria uma coisa que ainda não sabia o que era", lembra. Numa dessas reuniões, cansado da rodinha que se formara na sala, Menescal resolveu sair para pegar uma cuba-libre - a famosa mistura de rum com refrigerante, a bebida da Bossa Nova -, quando em outro aposento escutou um som diferente. "Era a música com que eu sonhava exatamente o que eu queria ouvir. Só aqueles acordes já me abriram a cabeça."
A música vinha da varanda. Curioso, Menescal chegou mais perto. Quem tocava era o violonista Elton Borges, e o jornalista Ronaldo Bôscoli cantava Fim de Noite, uma de suas primeiras composições com Chico Feitosa. Menescal ficou ali escutando, maravilhado. No dia seguinte, na casa de Nara, não parava de falar sobre a música. Mas ele não sabia nem o nome de Ronaldo e somente um ano mais tarde voltariam a se encontrar. Bôscoli passava na praia e foi abordado por Menescal, que o convidou a conhecer a turma na casa de Nora. Ronaldo concordou e disse que ia aparecer com um amigo, Chico Feitosa.
Na noite marcada, todos esperaram alvoroçados escutar a novidade. Mas o tempo passava e ninguém chegava. Já tinham perdido as esperanças, quando finalmente, já no fim da noite, chegaram Chico e Elton, o que bastou para Chico ser definitivamente apelidado de Chico Fim de Noite. Eles começaram a tocar, enquanto Nara Leão anotava rapidamente todas as músicas. A partir dali, começaram a se reunir não apenas para escutar, mas para produzir música. Logo Ronaldo Bôscoli e Nara Leão se tornaram namorados e noivos, numa história de amor que terminaria poucos anos mais tarde, quando Ronaldo se apaixonou pela cantora Maysa.
Chico Feitosa e Ronaldo Bôscoli se conheceram em 1954 e logo se tornaram parceiros. Fim de Noite foi apenas uma da série de composições criadas pelos dois no primeiro apartamento que dividiam, na Rua Otaviano Hudson, em Copacabana, que também faz parte da história da Bossa Nova. Ali moravam oficialmente Chico e Ronaldo, mas sempre haviam hóspedes circunstanciais, como o compositor paulista Caetano Zama, o pianista Pedrinho Mattar e Luiz Carlos Miéle.
Um dos mais ilustres foi o próprio João Gilberto, que chegou para passar alguns dias e acabou ficando meses. Mas na verdade nenhum deles se incomodava muito com aquilo, uma vez que eram invariavelmente despertados pelo violão de João Gilberto, que voltava sempre para o apartamento quando o dia já estava nascendo depois de passar a noite por caminhos desconhecidos e misteriosos.
Apesar de tijucano, Antonio Carlos Jobim era um típico jovem de Ipanema, onde vivia desde criança. Gostava de pegar onda no mar limpo de Ipanema e de nadar na Lagoa Rodrigo de Freitas. Adolescente, no início dos anos 40, começou a estudar piano com o excelente professor alemão Hans Joachim Koelireutter. Tom e Newton Mendonça, seu amigo de infância e futuro parceiro em hinos da Bossa Nova, como Samba de Uma Nota Só e Desafinado, já formavam grupinhos musicais com os amigos, nos intervalos entre o colégio e a praia.
Em 1946, Tom entrou para a Faculdade de Arquitetura, onde não chegou a ficar nem um ano, resolvendo seguir definitivamente a carreira de músico. Seu gosto musical variava dos populares Ary Barroso, Dorival Caymmi, Pixinguinha, Garoto, Noel Rosa e Lamartine Babo aos eruditos Vila-Lobos, Debussy, Ravel, Chopin, Bach e Beethoven. passando pelas grandes orquestras americanas.
Em 1949, já casado com sua primeira mulher, Teresa, Tom ganhava a vida tocando piano em casas noturnas da zona sul, como a Tudo Azul, o Mocambo, o Clube da Chave, o Acapulco e o Carroussel, entre outras. O maestro passou alguns anos trocando a noite pelo dia, conseguindo em 1952 um emprego de arranjador na gravadora Continental, como assistente do maestro Radamós Gnatalli. O salário era baixo, mas certamente melhor do que o que ganhava como pianista. Uma de suas funções era passar para a pauta composições de quem não sabia escrever música.
Mas Tom não abandonou a noite. Agora que não precisava mais dela para sobreviver, tocar na noite tornara-se um prazer. Para ele e, claro, para quem tinha o privilégio de ouvi-lo.
Apesar de trabalhar na Continental, foi na gravadora Sinter que Tom fez sua estréia como compositor. Em 1953, a Sinter lançou dois discos com composições suas: no primeiro, Maurici Moura cantava o samba canção Incerteza, de Tom e Newton Mendonça. No segundo, Ernani Filho interpretava Pensando em Você e Faz Uma Semana (esta em parceria com o baterista Juca Stockler). Pouco depois, Tom se transferiu para a gravadora Odeon, que seria responsável, alguns anos mais tarde, pelo lançamento do histórico LP Chega de Saudade, com João Gilberto.
Em Copacabana ficava a casa do compositor Lula Freire, cujo pai era um influente político brasileiro. O apartamento, no mesmo prédio da Rua Tonelero 180, onde morava o famoso político e jornalista Carlos Lacerda, era uma mistura inusitada de política e música.
"Você abria a porta da casa e encontrava o Baden Powell com o Chico Fim de Noite. Aí, entrava na outra sala e estava meu pai com o presidente Kubitschek, o senador Gilberto Marinho e o poeta Augusto Frederico Schmidt", lembra Lula. Antes do advento da Bossa Nova, o apartamento era um ponto de encontro dos amantes do jazz, principalmente do jazz west coast, que passava por seu apogeu nos anos 50.
Alguns dos freqüentadores da casa de Lula Freire eram Alberto Castilho, Luizinho Eça, os também pianistas Kumbuco e Roberto Ebert, Pedro Paulo, Marcio Paranhos, Domingos Jabuti, Bebeto, Pedrinho Hecksher, a vocalista Tecla e Paulinho Magalhães. Alguns não-músicos, como José Octávio Castro Neves, Elfio Carvalho e Roberto Canto (Irmão do futuro baixista Ricardo Canto), também eram habitues das sessões de jazz. Maria Helena, mãe de Lula, conhecedora de jazz e música clássica não só permitia o som que invadia as madrugadas como participava ativamente das reuniões. Stan Kenton, Chet Baker, Gerry Mulligan, Dave Brubeck, Shorty Rogers, Mel Tormé, George Shearing e Errol Garner eram ouvidos pela vizinhança não raramente, até o sol nascer.
Cuba-libres e cafezinhos eram servidos seguidamente por Arlete e Teresa, empregadas da casa, que também se consideravam "da música" e vez por outra apareciam na sala com o pretexto de alimentar a reunião, mas o que queriam mesmo era ouvir a música do grupo."Elas sentavam, fechavam os olhos e ficavam só curtindo", lembra Lula. Muitos anos depois dessa época, por volta de 1965, em pleno regime de exceção, ocorreu um fato engraçado naquele apartamento da Rua Tonelero.
Numa noite de música, o violonista Candinho reparou que, pelo lado de fora da janela, quase na altura do teto, vindo de um andar superior, estava pendurado um microfone, obviamente destinado a gravar o que por ali se passava. Candinho chamou o senador Victorino, pai de Lula, homem de temperamento altamente explosivo, e apontou para o microfone. O senador mandou buscar uma vassoura e preparou-se para desferir uma violenta vassourada no microfone. "Vou estourar os ouvidos deste sujeito que está bisbilhotando minha casa."
Felizmente foi impedido por Lula, que avisou ao pai que o fio do microfone vinha do apartamento de um vizinho amigo, do 10º andar, o médico Dr. Otávio Dreux. O senador ligou imediatamente para a casa do Dr. Dreux, sendo atendido pelo filho mais moço do amigo, Chico, que muito sem jeito explicou que, como adorava Bossa Nova, resolvera gravar o som que saía pela janela do apartamento. Desfeita a suspeita da incômoda presença do SNI em sua casa, o senador riu muito e autorizou formalmente a gravação "externa" da noite, que correu tranqüila, cheia de música e com um inusitado microfone pendurado do lado de fora da janela.
Quando Lula foi morar em Ipanema, na Rua Joaquim Nabuco, a efervescência cultural continuou. Sérgio Porto, freqüentador assíduo do apartamento, dizia que ali era o último bar aberto do Rio. Naquele tempo, poucos bares, como o Sacha's e a Fiorentina, abriam até mais tarde, mas até estes fechavam a certa hora da madrugada. Vinicius de Moraes, notívago de nascença, pedia que Lula sempre guardasse para ele uma cerveja na geladeira. O compositor lembra que várias vezes, quando todos da casa já dormiam, Vinícius tocava a campainha, a empregada abria a porta e ele entrava, sentava, tomava sua cerveja, comia o que encontrava na geladeira e ia embora.
Neste apartamento aconteciam fatos bizarros que bem traduzem o espírito irreverente que dominava a época. Certa noite, Lula oferecia um jantar para alguns amigos. A porta do apartamento estava aberta e de repente entrou um sujeito baixinho e careca que, sem falar com ninguém, ignorando a presença de todos, foi direto para o piano e começou a tocar. Todos estranharam, mas Lula resolveu que deveriam igualmente ignorar a estranha figura e continuar a jantar normalmente, como se fosse a coisa mais natural do mundo alguém entrar pela casa adentro e, sem falar com ninguém, começar o tocar piano. Quatro músicas depois, ouviram uma gargalhada do lado de fora. Logo adentraram a caso o empresário paulista Olavo Fontoura, o compositor americano Jimmy Van Heusen e suas mulheres.
Ainda rindo muito, Olavo explicou: o baixinho careca era ninguém menos do que Sammy Cahn, grande compositor americano, responsável, entre outras coisas, por alguns dos maiores sucessos de Frank Sinatra, como All the Way, Three Coins In a Fountam, Be My Love, Call Me lrresponsable, Time After Time, Chicago, Come Fly With Me etc. Sammy tornou-se grande amigo de Lula e esteve diversas vezes no Rio, sendo grande divulgador da música brasileira nos Estados Unidos.
Enquanto isso, as parcerias se multiplicavam. Apresentados por Roberto Menescal, Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli logo começaram a compor juntos. Se é Tarde Me Perdoa e Lobo Bobo foram algumas de suas primeiras composições. Bôscoli continuava igualmente compondo com Chico Feitosa. São desta época Sente, Complicação e Sei. Os talentosos Irmãos Castro Neves, Mário (piano), Oscar (violão), Léo (bateria) e Iko (contrabaixo), formavam um conjunto, o American Jazz Combo.
Oscar compôs com Ronaldo Não Faz Assim, uma das primeiras canções da Bossa Nova, e depois marcou definitivamente sua presença através de diversas composições com o excelente letrista Lucercy Fiorini. Em 1957, Roberto Menescal estava em casa, comemorando as bodas de prata de seus pais. Um rapaz que ele não conhecia entrou no apartamento perguntando se ele não teria um violão para tocar. Apresentou-se como João Gilberto e disse que Edinho, do Trio Irakitan, tinha lhe dado o endereço de Menescal.
João tinha voltado há pouco tempo da Bahia e precisava mostrar a alguém o que havia criado. Menescal, que já tinha ouvido falar de João, imediatamente levou-o para seu quarto. João pegou o violão e mostrou Ô-ba-la-lá, composição sua e uma das primeiras que continham a famosa batida diferente. Impressionado, Menescal saiu na mesma hora com ele para mostrar a novidade aos amigos.
A primeira parada foi no apartamento de Bôscoli e Chico Feitosa, onde João, além de Ô-ba-la-lá, mostrou Bim-bom e tocou vários sambas. Da Rua Otaviano Hudson foram para a casa de Nara, já em caravana, onde mais uma vez João encantou a todos com seu jeito revolucionário de tocar violão, que libertava a todos do samba quadrado que até então era o que de melhor se produzia na música brasileira. A partir de então, João Gilberto passou não só a fazer parte da turma, mas também a liderar espiritualmente o movimento: todo mundo queria aprender a tocar como ele. Um dos poucos que conseguiu ter aulas com o próprio João Gilberto foi Chico Feitosa, na época em que João esteve hospedado em sua casa.
Os encontros musicais começaram a se multiplicar, tanto nas intermináveis reuniões para as quais eram chamados, e onde João Gilberto era sempre o grande mito (todas as festas prometiam a presença do violonista), quanto nos bares e boates. Nestes, normalmente, os músicos não ganhavam para tocar, a não ser doses gratuitas de bebida durante toda a noite.
Em 1954, um dos locais mais disputados na noite era a boate do Hotel Plaza, na Avenida Princesa Isabel, em Copacabana. Oficialmente, Johnny Alf era o pianista e já tocava suas próprias composições, como Rapaz de Bem e Céu e Mar. Os freqüentadores mais assíduos da boate eram Tom Jobim, João Donato, Baden Powell, Dolores Duran, Carlos Lyra e Sylvinha Teles, entre outros, e o fim da noite era recheado de intermináveis "canjas". Alf, um dos maiores precursores da Bossa Nova, mudou-se para São Paulo em 1955, deixando órfãos seus admiradores.
O pianista Luizinho Eça depois de passar uma época estudando piano clássico em Viena, juntamente com o pianista Ney Salgado, acabou indo tocar profissionalmente no Bar do Plaza, com o então baixista Lincoln e o violonista Paulo Ney. Como era menor de idade, Luizinho trabalhava garantido por um delegado que adorava música e permitia que o pianista se apresentasse na boate, desde que este concordasse em acompanhá-lo ao piano enquanto cantava uns sambas-canções. Luizinho, espertamente, não só atendia ao pedido como ensinava ao delegado novas canções, "mais recomendadas para sua voz".
Certa noite, Lula Freire e seus colegas de colégio, Carlos Augusto Vieira e Romualdo Pereira, todos também menores de idade, foram para o Bar do Plaza para ouvir Luizinho, que era amigo de Lula desde garoto. O leão de chácara do Plaza, o lutador Waldemar barrou os três, alegando estar na boate o tal delegado. Romualdo apresentou-se como sobrinho do delegado, e o segurança não só permitiu que os três entrassem como avisou ao delegado que os sobrinhos dele haviam chegado. O homem estava tão feliz vendo que a casa estava ainda com mais clientes para "ouvi-lo cantar" que recebeu os sobrinhos com sorrisos e abraços e ainda acabou pagando a conta das inocentes cuba-libres consumidas pelos três.
O encontro de João Gilberto e Tom Jobim foi sugestão do fotógrafo Chico Pereira, que aconselhou João a procurar o maestro. Eles já se conheciam superficialmente das noitadas em Copacabana e João resolveu bater na porta de Tom, na Rua Silva em Ipanema. Apresentou a ele Bim-Bom e Ôba-la-lá.
Bom, que como todos os outros também havia se impressionado com a nova batida de violão, mostrou a João algumas composições suas, entre elas Chega de Saudade, parceria com Vinícius e um dos temas escolhidos para o disco Canção do Amor Demais, que estava sendo preparado para Elizeth Cardoso.
Festejado como o disco que inaugurou a Bossa Nova, Canção do Amor Demais trazia belíssimas composições inéditas de Tom e Vinicius interpretadas pela "Divina". João Gilberto acompanhou Elizeth na gravação da faixa Outra Vez, deixando registrada pela primeira vez em disco sua batida inovadora.
Alguns meses depois, João já entrava em estúdio para gravar o histórico 78 rpm Chega de Saudade, com a música de Tom e Vinícius de um lado e a sua Bim-bom do outro.
A gravação de Chega de Saudade foi uma verdadeira novela. Cheio de exigências, como o pedido de um microfone para a voz e outro para o violão, inédito na época, João Gilberto conseguiu enlouquecer técnicos e músicos. Interrompia a todo instante a gravação, ora dizendo que os músicos haviam errado, ora que o som não estava bom. Mas o disco acabou saindo com arranjos de Tom Jobim, que também tocava o piano.
Ronaldo Bôscoli trabalhava como repórter esportivo na Última Hora, e sua irmã Lila era casada com Vinícius de Moraes. O já consagrado poeta ocupava o cargo de vice-cônsul na embaixada do Brasil em Paris.
Em 1956, Vinícius voltou de Paris com o rascunho do libreto de Orfeu da Conceição, uma tragédia de inspiração grega, toda em versos, que ele ambientara ao carnaval carioca e pretendia montar no Rio de Janeiro.
A chegada do poeta ao Rio é tida como um dos principais marcos da história da Bossa Nova. Libreto pronto, Vinícius começou a procurar um parceiro para as canções da peça. Ele já tivera a oportunidade de conhecer Tom Jobim no famoso Clube da Chave, em 1953, pouco antes de ir ocupar sua função na embaixada de Paris.
No Clube, cada um dos 50 sócios tinha uma chave que abria o armário onde ficava guardada sua própria garrafa de uísque. Foi lá que Vinícius ouviu Tom pela primeira vez, e ficou impressionado com o talento do jovem pianista. Chico Feitosa, que a esta altura já se transformara em secretário particular da poeta, e Ronaldo sugeriram que ele convidasse Tom para fazer as músicas da peça. Vinicius ficou de pensar.
No dia seguinte, na Villarino, uma uisqueria no centro do Rio, reduto de boêmios e intelectuais, como Paulo Mendes Campos, Antônio Maria, Sérgio Porto, Fernando Lobo, Dorival Caymmi, Reynaldo Dias Leme, Carlos Drummond de Andrade, Dolores Duran e Heitor Vila-Lobos, entre muitos outros, o jornalista Lúcio Rangel apresentou formalmente o poeta ao compositor, que seria um de seus grandes parceiros (Continua em: A história da Bossa Nova - Parte 2).
Fonte: Revista Caras - Edição Especial de Junho de 1996

1.25.2010


CASUARINA NO DEMOCRÁTICOS


                        Sexta, 29 de janeiro de 2010
CASUARINA aporta no Rio de Janeiro dia 29 de janeiro com o show de seu primeiro DVD e terceiro CD: o "MTV apresenta: CASUARINA" (Superlativa / Sony Music). O show mostra o repertório do novo trabalho, relembrando, também, os melhores momentos da roda de samba que deu origem ao projeto e que transformou o grupo num dos principais expoentes da nova geração sambista. No Democráticos a banda conta com participação especial de Alexandre Bittencourt, Diego Zangado, Nelci Pelé e Renato Albernaz.
No repertório, músicas como “Canto do Trabalhador”, de Paulo César Pinheiro e João Nogueira, “O Dia se Zangou”, de Mauro Diniz e Ratinho, “Senhora Liberdade”, do mestre e padrinho do grupo Wilson Moreira, entre outros gratos ‘achados’ no baú do samba. As autorais “Certidão”, de João Fernando e João Cavalcanti e “Vaso Ruim”, de Gabriel Azevedo e Diego Zangado, também estão garantidas, seguidas por pérolas como “Chiclete com Banana”, de Gordurinha e Almira Castilho, e "Canto de Ossanha", de Baden Powell e Vinícius de Moraes.
Criado em setembro de 2001, o CASUARINA é um dos principais grupos da nova cena brasileira de samba. Com oito anos de carreira, já lançou três CDs, dois pela gravadora Biscoito Fino (“Casuarina” e “Certidão”). O último trabalho, “MTV apresenta: Casuarina”, já com a Sony Music, foi lançado também em DVD / Blu-Ray. O sucesso da nova empreitada foi imediato e o projeto será lançado em 2010 pela Sony Music francesa.
Fundado por Daniel Montes (violão 7 cordas), Gabriel Azevedo (pandeiro e voz), João Cavalcanti (tan tan e voz), João Fernando (bandolim e vocais) e Rafael Freire (cavaquinho e vocais), o grupo faz parte de uma geração cujo alvo é pesquisar e ouvir os sambas que um dia construíram a identidade musical brasileira – mas que há muito tempo estavam desprestigiados. São músicos que não têm medo de contribuir para a renovação desse gênero tão representativo e o fazem através de arranjos inovadores, seleção criteriosa e criativa de repertório e, é claro, novas composições.
Local: Democráticos. Rua do Riachuelo, 93 – Lapa
Horário: Abertura da casa - 22:00hs / Show – 23h30h
Ingressos: Com filipeta até 22:30 – R$ 14,00 / Estudantes com carteirinha – R$ 16,00 / Promoção para os 200 primeiros – R$ 20,00 / Ingresso inteiro: 32,00
Informações e reservas: 21 9781 2451
Classificação: 18 anos

SHOWS RIO DE JANEIRO

DANIEL BOAVENTURA

Requisitado ator de musicais, o artista baiano lançou no ano passado seu primeiro disco, Songs 4 U, recheado de standards da música americana e sucessos pop. O repertório vai de Frank Sinatra a Maroon 5 - e funciona muito bem. 16 anos. Teatro Rival Petrobras (472 lugares). Rua Álvaro Alvim, 33, Cinelândia, 2240-4469, metrô Cinelândia. Sexta (29) e sábado (30), 20h. R$ 50,00 (setor B) e R$ 60,00 (setor A). Bilheteria: 13h30/19h30 (seg. a qui.); a partir das 13h30 (sex. e sáb.). TT.

FALCÃO E OS LOUCOMOTIVOS

Idealizada por Falcão, cantor do grupo O Rappa, a apresentação reúne velhos amigos como B Negão e o DJ Negralha, além do baixista Bino Farias, do Cidade Negra, e João Fera, tecladista que acompanha o Paralamas do Sucesso. No repertório, as músicas que os integrantes ouvem em casa: entre outros, Bob Marley, Planet Hemp, Tim Maia e Ultraje a Rigor. 18 anos. Circo Voador (2 600 pessoas). Arcos da Lapa, s/nº, Lapa, 2533-0354. Quarta (27), 23h. R$ 50,00. Bilheteria: 12h/18h (seg. e ter.); a partir das 12h (qua.). www.circovoador.com.br.

JAIME ALEM

Fiel escudeiro de Maria Bethânia há 25 anos, o maestro e arranjador lançou no ano passado seu primeiro trabalho solo. Dez Cordas do Brasil traz repertório inédito para viola e é a base da apresentação. Com participação das cantoras Rita Ribeiro e Nair de Cândia - que é mulher de Alem. 14 anos. Modern Sound (120 lugares). Rua Barata Ribeiro, 502, loja D, Copacabana, 2548-5005, metrô Siqueira Campos. Segunda (25), 19h. Grátis. É necessário fazer reserva. Estac. c/manobr. (R$ 6,00 a primeira hora). www.modernsound.com.br.

KARLA SABAH

De volta ao palco para apresentar Cala a Boca e Me Beija, lançado no ano passado, a cantora também exibe faixas de seus dois primeiros trabalhos. 16 anos. Teatro Rival Petrobras (472 lugares). Rua Álvaro Alvim, 33, Cinelândia, 2240-4469, metrô Cinelândia. Quinta (28), 19h30. R$ 30,00. Bilheteria: 13h30/19h30 (seg. a qua.); a partir das 13h30 (qui.). TT.

MARCIO FARACO

Radicado na França, o violonista e cantor visita o país para lançar Um Rio, disco de fortes cores bossa-novistas. A seu lado, o também violonista Daniel Santiago. 18 anos. Cinematheque Música Contemporânea (240 pessoas). Rua Voluntários da Pátria, 53, Botafogo, 2286-5731, metrô Botafogo. Quarta (27), 21h. R$ 20,00. Cc: todos. Cd: todos.

MARIA RITA E CASUARINA

Boa oportunidade para conferir numa só tacada grandes sucessos de público do ano passado: os discos Samba Meu, da filha de Elis Regina, e MTV Apresenta, dos sambistas da Lapa. Maria Rita abre a noite com Tá Perdoado, Num Corpo Só e Maria do Socorro, além de antigos sucessos. O Casuarina também revisita músicas que marcaram a carreira do grupo. 18 anos. Fundição Progresso (5 000 pessoas). Rua dos Arcos, 24, Lapa, 2220-5070. Sábado (30), 0h. R$ 70,00 (terceiro lote) e R$ 80,00 (quarto lote). Os dois primeiros lotes de ingressos estão esgotados. Bilheteria: 10h/13h30 e 14h/18h (seg. a sex.); a partir das 12h (sáb.). http://www.fundicaoprogresso.com.br/.
MESTRES ARRANJADORES BRASILEIROS

Nesta edição, a série homenageia o compositor, arranjador, regente e pianista paulista Lindolpho Gaya (1921-1987), adepto de um estilo minimalista que influenciou a bossa nova. Gaya, que foi arranjador e regente do antológico show de Maria Bethânia e Chico Buarque, em 1975, terá sua obra revisitada por Gilson Peranzzetta e o Ensemble Gaya. Livre. Teatro II do CCBB (155 lugares). Rua Primeiro de Março, 66 (Centro Cultural Banco do Brasil), Centro, 3808-2020. Terça (26), 12h30 e 19h. R$ 6,00. Bilheteria: A partir de 10h (ter.). www.bb.com.br/cultura.

PABLO LAPIDUSAS

Ao lado do baixista Rômulo Duarte e do baterista Roberto Rutigliano, o pianista argentino, que já tocou ao lado de Cesar Camargo Mariano e Victor Biglione, passeia por repertório erudito e popular. 18 anos. Santo Scenarium (120 lugares). Rua do Lavradio, 36, Centro, 3147-9007. Sábado (30), 21h30. R$ 10,00. Cc: todos. Cd: todos.

PEDRO MORAES

O violonista apresenta as canções do seu elogiado álbum de estreia, Claroescuro. Além do repertório autoral, traz versões instigantes para With a Little Help from My Friends, dos Beatles, e Caçada, de Chico Buarque e Edu Lobo. Moraes divide os trabalhos com um trio de baixo, guitarra e bateria. Livre. Teatro Café Pequeno (108 lugares). Avenida Ataulfo de Paiva, 269, Leblon, 2294-4480. Quarta (27) e quinta (28), 21h30. R$ 15,00. Bilheteria: 16h/21h (ter.); a partir das 16h (qua. e qui.).

QUARTETO EM CY

Formado pelas irmãs Cyva, Cybele, Cynara e Cylene, o grupo vocal celebra a obra de Tom Jobim. 16 anos. Teatro Rival Petrobras (472 lugares). Rua Álvaro Alvim, 33, Cinelândia, 2240-4469, metrô Cinelândia. Terça (26), 19h30. R$ 50,00. Bilheteria: 13h30/19h30 (seg.); a partir das 13h30 (ter.). TT.

SALOA FARAH

Com a participação ao vivo de Jorge Vercillo, Wilson das Neves e Paulo César Feital, a cantora lança seu novo disco, De Cartola e Tamanco. Além de caprichada seleção de clássicos da MPB, ela apresenta uma parceria sua com Feital, Deus Me Livre. 16 anos. Teatro Rival Petrobras (472 lugares). Rua Álvaro Alvim, 33, Cinelândia, 2240-4469, metrô Cinelândia. Quarta (27), 19h30. R$ 50,00. Bilheteria: 13h30/19h30 (seg. e ter.); a partir das 13h30 (qua.). TT.

SESC RIO NOITES CARIOCAS

De volta ao porto para mais um verão, o evento passou por mudanças de formato, mas os shows continuam sendo o prato principal. Na quinta (28), o AfroReggae se apresenta a preços populares e, na sexta (29), é a vez do Jota Quest. O inconfundível sambalanço de Jorge Ben Jor fecha a programação musical da semana, no sábado (30). 18 anos. Armazém 4 (2 800 pessoas). Avenida Rodrigues Alves, s/n°, Centro, 9875-7736 e 9875-5691. Quinta (28), 20h30. R$ 10,00. Sexta (29) e sábado (30), 23h30. R$ 80,00. TT. Estac. R$ 10,00 (no Píer Mauá, com serviço de van) e R$ 25,00 (no Armazém 3). www.noitescariocas2010.com.br.

SLOWHANDS

Atração da série Música no Museu, que neste ano abriu espaço para repertório de blues e jazz, o quarteto mostra composições de Jimmy Cox, Eric Clapton, Will Jennings e Tommy Sims, entre outros. Livre. Museu do Exército. Praça Eugênio Franco, 1, Copacabana (Forte de Copacabana), 2521-1032. Terça (26), 18h. Grátis.

TAVITO

Parceiro de Zé Rodrix na música Casa no Campo e integrante da banda Som Imaginário, que acompanhou Milton Nascimento na década de 70, o cantor e compositor apresenta as faixas de Tudo, seu último disco. 16 anos. Teatro Rival Petrobras (472 lugares). Rua Álvaro Alvim, 33, Cinelândia, 2240-4469, metrô Cinelândia. Segunda (25), 19h30. R$ 30,00. Bilheteria: a partir das 13h30 (seg.). TT.

THE CRANBERRIES

15 anos. Citibank Hall (8 430 pessoas). Avenida Ayrton Senna, 3000, Barra (Shopping Via Parque). Informações, 0300-7896846 (9h/21h). Quinta (28), 21h30. R$ 160,00 a R$ 300,00. Bilheteria: 12h/20h (seg. a qua.); a partir das 12h (qui.). Cc: todos. Cd: R e V. TM. Estac. (R$ 4,50). www.citibankhall.com.br.

TIRA POEIRA

Formado por Caio Márcio (violão), Samuel de Oliveira (sax), Fabio Nin (violão de sete cordas), Sergio Krakowski (percussão) e Henry Lentino (bandolim), o grupo encerra o projeto Música de Câmara. No repertório, composições de Tom Jobim, Baden Powell e Waldir Azevedo. Livre. Centro Cultural da Justiça Eleitoral (100 lugares). Rua Primeiro de Março, 42, Centro, 2253-7566. Quarta (27), 19h10. Grátis.

TWITTER FESTIVAL

Em sua segunda edição, o festival de forte apelo adolescente traz expoentes do pop rock nacional. As principais atrações da noite são o emocore do Fresno e o pop do Cine, banda revelação do último Video Music Brasil. Também sobem ao palco Hevo 84, Stevens, Hori, Gloria e Control Z. 15 anos. Citibank Hall (8 430 pessoas). Avenida Ayrton Senna, 3000, Barra (Shopping Via Parque). Informações, 0300 7896846 (9h/21h). Sábado (30), 19h. R$ 50,00 a R$ 180,00. Bilheteria: 12h/20h (seg. a sex.); a partir das 12h (sáb.). Cc: todos. Cd: R e V. TM. Estac. (R$ 4,50). www.citibankhall.com.br

TAP e o Aeroporto do Galeão de braços abertos

A TAP Portugal e a Infraero homenagearam de forma diferente a cidade do Rio de Janeiro e o Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, no dia 20 de janeiro



1.24.2010

O tenente-coronel e a universitária


Quando o PM do Distrito Federal jogou ao chão a universitária Ingrid Cartaxo, como se fosse uma boneca de pano, e fechou a grade gritando “O que que é? O que que é?”, pensei: “Esta é a imagem de um governo desmoralizado, truculento e autoritário”.
Desmoralizado pela corrupção e por manobras para garantir a impunidade. Truculento pela covardia contra jovens. Autoritário por não suportar contestação.
Identificado como tenente-coronel Cláudio Armond, comandante do 3o Batalhão, o policial militar perdeu o controle e empurrou fortemente a estudante de ciências sociais da Universidade de Brasília, que registrou queixa na Comissão de Direitos Humanos da Câmara contra a agressão. Havia suspeita de fratura no braço de Ingrid.
O mais preocupante é que essa cena começa a fazer parte da paisagem de Brasília.
A agressão ocorreu na quinta-feira. Estudantes depositaram 30 sacos de esterco na frente da Câmara Legislativa, em protesto contra as manobras para acabar com a CPI da corrupção.
A inabilidade da PM – um eufemismo – vem se repetindo desde o início de dezembro, com contornos mais e menos violentos. E ninguém faz nada. Porque encara tudo como normal.
É inacreditável e vergonhoso que um país democrático não saiba lidar com manifestações políticas. Especialmente um país que enfrentou uma ditadura militar.
Qualquer cidadão brasileiro que conheça Paris sabe que as manifs (apelido carinhoso de manifestations) bloqueiam avenidas da capital francesa quase todo fim de semana e são protegidas, não atacadas, pelas forças da ordem. O trânsito é desviado pela polícia. E o direito de expressão é garantido. A passeata transcorre sem problemas.
Dá arrepio pensar quantos jovens seriam feridos ou morreriam nas mãos da PM de Arruda se promovessem quebra-quebras como os protagonizados por universitários em Paris nos últimos anos.
A PM armada precisa aprender a agir com serenidade e só usar a força quando não há outra alternativa. Senão, é abuso de poder.
No dia 9 de dezembro de 2009, em Brasília, cavalos, gás lacrimogêneo, balas de borracha e cassetetes foram arremessados contra estudantes.
A tropa de choque convocada pelo governador José Roberto Arruda para reprimir o protesto contra o mensalão do DEM agiu com brutalidade extrema. Um coronel chegou ao corpo a corpo com um manifestante.
Qual é a opinião do coronel Alberto, chefe de Comunicações da PM de Arruda? “Os manifestantes perturbaram terceiros, afrontaram a população de Brasília, porque não atenderam a nossos apelos para desbloquear a via e dar fluidez ao trânsito.”
Sobre o confronto pessoal, Alberto disse em linguagem de código: “O coronel acabou entrando em vias de fato devido às circunstâncias”. Afirmou que “a PM de Brasília treina exaustivamente para evitar conflito” e que “vem demonstrando capacidade muito grande de negociação”.
Essa declaração soa como achincalhe. Quase como as risadas do “governador panetone” no fim do ano.
Quem afronta a população não são os universitários, coronel. O que afronta são as propinas distribuídas em cuecas, meias, barrigas, bolsos e malas.
O que perturba é a dissolução da CPI depois de a Justiça destituir da comissão os aliados corruptos de Arruda. O que ofende são as tentativas acrobáticas de sobrevida do governador do DF e dos deputados aliados.
Não há aqui nenhum desejo de incitar à desordem pública. Mas a desordem é inevitável e perigosa quando não se respeita o direito legítimo à manifestação.
Esses 30 estudantes (só me assombra o número não ser maior) faziam um protesto pacífico, acompanhados de um advogado. Diogo Ramalho, universitário, disse: “Este é um protesto simbólico. O esterco simboliza a sujeira aí na Câmara”.
Virou pancadaria. A PM disse que tinha informações de que os estudantes “iriam jogar estrume nos deputados”. Os jovens tentaram entrar na Câmara. E a PM os atacou, sem se sensibilizar com as palavras de ordem dos estudantes: “Policial pai de família, não defenda essa quadrilha”.
Alguém pode culpar jovens por depositar esterco ali em ato de ironia e deboche?
Ruth de Aquino é diretora da sucursal da ÉPOCA no Rio