10.21.2009


LIZA K e Banda

                      Quinta-feira 22, às 20h30

Liza K apresenta canções autorais que se desenham a partir de ritmos brasileiros e elementos da música pop. Fruto da vivência e sensibilidade da compositora, as letras revelam o carrossel da vida do ser humano na relação com o outro e com seus desafios íntimos. A menina fala de situações como a espera na pista e a senha perdida na busca pelo encontro, enquanto a mulher chama a si mesma: Tem alguém aí com dia contado, de boca entalada querendo nascer... Tem alguém aí na porta do mundo, num sono profundo, onde está você? O repertório é um convite a esse universo de descobertas. Desencanta, desafina, descobre o porquê.
Melodias e letras se aventuram por progressões harmônicas que muitas vezes surpreendem por não seguir a fórmula do pop. As músicas de Liza K em geral não têm refrão. A intuição da compositora aponta para uma riqueza que vai além de aspectos formais para valorizar a essência de ser como a luz penetrante do céu e cantar a paz que tem no ser.
Além do repertório autoral, Liza K faz releituras de compositores que influenciaram seu trabalho, como Rita Lee, Marina Lima e Lô Borges. Neste show a artista homenageia ainda o poeta Manuel Bandeira e recebe Rodrigo Santos, do Barão Vermelho, para uma canja junto à banda de peso formada por Vera de Andrade (violão e arranjos), Milton Vaz (guitarra), Luciana Requião (baixo), André Rios (percussão) e Georgia Camara (bateria).
Com sua voz suave e singular, Liza K apresenta boa música independente. O show é a celebração de uma conquista para essa artista que veio dar sua contribuição para a cena musical carioca.
SHOW de LANÇAMENTO: LIZA K e Banda
Quinta-feira 22, às 20h30
Espaço Cultural Sérgio Porto
Ingressos: R$10,00 (R$5,00 meia entrada)
para ouvir agora o som de Liza K: www.myspace.com/lizakebanda


RENEGADO E MARCELINHO DA LUA


Uma das atrações do Festival Música Minas, o rapper tenta aproximar o hip hop de gêneros genuinamente brasileiros e latino-americanos. O trabalho rendeu ao artista o prêmio Hutuz de artista revelação no ano passado. Ele mostra canções do disco de estreia, Do Oiapoque a Nova York, entre elas parcerias com Toninho Horta e Vander Lee. Depois do show, a vez é do DJ Marcelinho Da Lua. 18 anos. Cinematheque Música Contemporânea (240 lugares). Rua Voluntários da Pátria, 53, Botafogo, 2286-5731, metrô Botafogo. Quinta (22), 22h30. R$ 20,00. Cc: todos. Cd: todos. www.matrizonline.com.br.

MUSICA NA URNA



Comandado pelo músico sergipano Lula Ribeiro, que lança o álbum Palavras, o projeto vai trazer toda semana um convidado especial. Na estreia, a atração é a banda A Cor do Som. Centro Cultural da Justiça Eleitoral (100 lugares). Rua Primeiro de Março, 42, Centro, 2253-7566. Quinta (22), 19h. Grátis. Distribuição de senhas entre 12h e 14h

MARIA BETHANIA


Canecão (2 000 lugares). Avenida Venceslau Brás, 215, Botafogo, 2105-2000. Sexta (23) e sábado (24), 22h. Domingo (25), 20h30. R$ 20,00 (ingressos para poltronas numeradas vendidos apenas no dia) a R$ 160,00. Bilheteria: 12h/21h20 (seg. a qui.); a partir das 12h (sex., sáb. e dom.). Cd: todos. IC e TT. http://www.canecao.com.br/

 
  JORGE VERCILLO


O cantor encerra a turnê do disco Trem da Minha Vida. Da safra mais recente, Vercillo apresenta a faixa-título, uma mistura de reggae e xote, o single Toda Espera, além de Devaneio e Voo Cego. Também estão garantidos sucessos antigos, a exemplo de Fênix e Homem-Aranha. 16 anos. Vivo Rio (4 000 pessoas). Rua Infante Dom Henrique, 85, Aterro do Flamengo, 2272-2900. Sábado (24), 22h. Domingo (25), 20h. R$ 50,00 a R$ 150,00. Bilheteria: 12h/20h (seg. a sex.); a partir das 12h (sáb. e dom.). Cc: M e V. Cd: R e V. Estac. c/manobr. (R$ 12,00). IR. www.vivorio.com.br

GILBERTO GIL, JAQUES MORELENBAUM E BEM GIL


Prestes a sair em turnê pela Europa, em novembro, o trio aquece as cordas no Jardim Botânico. Ao lado de Jaques, no violoncelo, e do filho Bem, no violão e na percussão, Gil (voz e violão) desfia sucessos de carreira, a exemplo de Palco, Lamento Sertanejo, Andar com Fé e Drão. Livre. Espaço Tom Jobim (500 lugares). Rua Jardim Botânico, 1008, Jardim Botânico, 2274-7012. Sexta (23), 20h30. Bilheteria: 15h/18h (seg. a qui.); a partir das 15h (sex.). R$ 50,00. Estac. grátis a partir de 17h.

DOBRANDO A CARIOCA


Foi numa mesa do Bar Luiz que Guinga, Macalé, Moacyr Luz e Zé Renato tiveram a ideia do nome do quarteto: dali, precisavam apenas dobrar a Rua da Carioca para chegar ao local da apresentação, o Teatro João Caetano. Isso foi há dez anos, mas eles estão de volta com uma afiada apresentação de voz e violão. Abrem com Um a Zero, clássico de Pixinguinha e Benedito Lacerda que ganhou letra de Nelson Ângelo, e partem para composições próprias como Vapor Barato, Catavento e Girassol e Anjo da Velha Guarda. 16 anos. Teatro Rival Petrobras (472 lugares). Rua Álvaro Alvim, 33, Cinelândia, 2240-4469, metrô Cinelândia. Sexta (23) e sábado (24), 19h30. R$ 40,00. Bilheteria: 13h30/19h30 (seg. a qui.); a partir das 13h30 (sex. e sáb.). TT. http://www.rivalbr.com.br/

Show do U2 será transmitido gratuitamente via internet


Quem é fã do U2 e torce para que o grupo traga a nova turnê 360º para o Brasil poderá ter no próximo domingo, 25, um aperitivo do que o grupo apresenta para o público. O show que a banda realizará no estádio Rose Bowl, em Pasadena, nos Estados Unidos, será transmitido ao vivo através do site de vídeos YouTube, inclusive para o Brasil.
Fãs de 19 países poderão assistir ao show pela internet. “O grupo queria fazer este tipo de coisa há algum tempo”, comentou o empresário do U2, Paul McGuinness. “É a ocasião ideal para que a festa vá além do estádio. Os fãs percorrem longas distâncias para ver o U2, mas desta vez a banda irá até eles, ao mundo inteiro”.
O show tem início previsto para a 01h30 da manhã (horário de Brasília) e poderá ser assistido também nos seguintes países: Austrália, Canadá, Coréia do Sul, Reino Unido, Espanha, Estados Unidos, França, Índia, Irlanda, Israel, Itália, Japão, México, Nova Zelândia e Holanda.

Aos 70, Hime continua no tempo da inspiração

MAURO FERREIRA
Resenha de CD
Título: O Tempo das
Palavras... Imagem
Artista: Francis Hime
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * * * 1/2

O tempo da inspiração parece não passar para Francis Hime. Aos 70 anos, festejados em 31 de agosto de 2009, o compositor retorna ao mercado fonográfico com lindo álbum duplo, O Tempo das Palavras... Imagem. Na realidade, trata-se de dois discos distintos, mas acoplados em edição dupla. O primeiro, O Tempo das Palavras, é grandioso disco de inéditas, em que sobressai aos ouvidos a fartura melódica que norteia a obra de Francis. Ouça uma bela canção de clima camerístico como O Amor Perdido - criada por Francis a partir de poema de Geraldo Carneiro - e comprove que, aos 70 anos, o compositor continua inspirado como nos tempos de juventude. O segundo CD, Imagem, mira o passado, mas tem valor especial na discografia de Francis por seu primeiro trabalho instrumental de piano solo. E o pianista de mão cheia se volta para os temas que compôs para trilhas sonoras de filmes, em outra amostra de que a música de Francis Hime é mesmo coisa de cinema. Mas o que impressiona no confronto de um álbum com o outro é que a produção do presente não fica aquém da produção do passado - como se percebe, por exemplo, no cancioneiro de Chico Buarque, parceiro importante e já ausente da obra de Francis. Encerrado pela valsa-rancho que lhe dá nome, O Tempo das Palavras ostenta a citada fartura melódica - e também uma exuberância instrumental - já na primeira faixa, Adrenalina, esfuziante samba assinado por Francis com Joyce Moreno, parceira também da ligeiramente menos inspirada Rádio Cabeça. Em Maré, bela valsa letrada por Olivia Hime, a exuberância vem também do canto sublime de Mônica Salmaso, convidada da faixa adornada pela harpa de Cristina Braga (luxo bisado em Eterno Retorno, outra parceria de Francis com Geraldo Carneiro). De volta ao samba, Pra Baden e Vinicius honra o gênero e a dupla evocada já no título. Trata-se de parceria de Francis com Paulo César Pinheiro. E por falar em amigos novos e antigos, Francis Hime abre o leque de parceiros para agregar Moska, letrista de Há Controvérsias, faixa que leva o disco a transitar por uma poética menos lírica e mais contemporânea, embora esta não seja necessariamente superior àquela. Por fim, vale ressaltar que Francis Hime assina a direção musical e os arranjos que sempre valorizam as músicas. Com perfeito entendimento do que pede sua obra, o compositor se dá ao luxo de regravar dois temas em Tempo das Palavras. Um, Existe um Céu, é de lavra bem recente e já ganhou registro mais sedutor na voz aveludada de Simone. O outro, O Sim pelo Não, parceria bissexta do compositor com Edu Lobo, é (boa) coisa da antiga, embora o tempo seja conceito relativo neste excelente álbum de Francis Hime, compositor para o qual - vale repetir - os anos de inspiração áurea parecem não passar. Um dos CDs do ano.


Precisamos nos mobilizar,estamos perdendo nossos jovens Álcool e Trânsito
O uso abusivo de álcool interfere negativamente na vida do usuário, seja em termos individuais, seja em seu entorno social imediato ou na sociedade como um todo. As implicações sociais do abuso de álcool merecem atenção especial, uma vez que produz efeitos sobre a economia por gerar, por exemplo, grandes gastos aos cofres públicos ao requerer consideráveis investimentos do sistema de saúde, judiciário e de outras instituições sociais. Dentre os danos sociais decorrentes do uso abusivo de álcool, os acidentes automobilísticos merecem destaque. Em países desenvolvidos como os EUA e Canadá, esses acidentes são a conseqüência de saúde mais relevante associada ao consumo exagerado de álcool, com conseqüente impacto econômico uma vez que, ou as vítimas necessitam de algum tipo de assistência à saúde ou há o envolvimento de vítimas fatais.
Nos Estados Unidos, conforme dados epidemiológicos relacionados às conseqüências do consumo de álcool, no trânsito1, tem-se observado que: 1. De todos os acidentes de carro que tenham envolvido o uso de álcool, ocorridos no ano de 2002, 4% resultaram em morte e 42% em ferimentos graves. Dos acidentes de carro que não envolveram o uso de álcool, 0,6% resultaram em morte e 31% em ferimentos graves; 2. Indivíduos do sexo masculino têm uma chance maior de se envolver em acidentes fatais. Em 2002, 78% dos indivíduos que morreram em acidentes automobilísticos eram homens, sendo que 46% das mortes estavam relacionadas ao consumo de álcool; 3. A maioria das fatalidades, relacionadas ao consumo de álcool, acontece mais prevantemente entre adultos de faixa etária de 21 a 45 anos. O uso de álcool está relacionado a 23% das fatalidades entre menores de 16 anos, 37% entre indivíduos de 16-20 anos, 57% entre indivíduos de 21-29 anos, 53% entre indivíduos de 30-45 anos e, finalmente, 38% das fatalidades entre indivíduos de 46-64 anos; 4. Acidentes de trânsito fatais ocorrem com maior freqüência durante a noite ou nos finais de semana, dentre os quais 77% ocorreram entre as 18hs e 6hs; 5. Jovens com alcoolemia até 0,2 g/L tem 1,5 vezes a mais de chances de sofrer acidentes com vítimas fatais. A partir de 0,2 g/L o risco aumenta para 2,5 vezes, para todas as faixas etárias. Com 0,5 g/L, esse risco aumenta para 6 vezes a mais em comparação ao condutor sóbrio.2 No Brasil, constatou-se que 38,4% dos adultos (que têm carteira de habilitação e costumam beber) possuem o hábito de associar bebida à direção, sendo esse um grande motivo de preocupação. Estudos pontuais e regionais apontam que a ingestão de bebidas alcoólicas é uma das principais causas de mortes por causas externas. Um estudo retrospectivo de todas as autópsias dos casos de morte por acidentes de trânsito, ocorridas no ano de 1999, apontou que aproximadamente 50% dos óbitos estavam associados ao uso de álcool. Além disso, os acidentes de trânsito foram a segunda causa de morte mais freqüente . Em consonância com os dados norte-americanos, o comportamento de beber e dirigir parece ser mais comum entre os homens .



10.20.2009



Chega às lojas biografia de Erasmo Carlos

São quase cinco décadas de carreira em 68 anos de idade. Muitas histórias dessa jornada estão transcritas no livro “Minha Fama de Mau”, do cantor e compositor Erasmo Carlos. A biografia do artista chega às lojas com lançamento da Editora Objetiva.
No livro Erasmo fala sobre a infância humilde no Rio de Janeiro, conta sobre o relacionamento com amigos como Tim Maia e, claro, Roberto Carlos, e traça seu percurso até a consagração no cenário musical brasileiro. “Minha Fama de Mau” tem 368 páginas em formato 23 x 16 cm.
 
Franz Ferdinand no Brasil: confirmadas 4 datas
 
 
O Franz Ferdinand já tem quatro datas agendadas para trazer sua turnê para o Brasil. Mas os fãs ainda terão de esperar um pouco: os shows só acontecem em março de 2010.
A banda escocesa, que veio ao Brasil em setembro para se apresentar na cerimônia de entrega dos prêmios da MTV, está em turnê divulgando o mais recente álbum, "Tonight: Franz Ferdinand", lançado no início do ano.
Na ocasião, o grupo fez uma apresentação para mil pessoas no clube paulistano The Week. Apenas 500 ingressos foram postos à venda e eles se esgotaram em 15 minutos, de acordo com a produtora.

Confira o serviço dos shows que a banda faz no Brasil no próximo ano:

18/03/2010 - Porto Alegre/RS
Pepsi Onstage - Av. Severo Dullius, 1995
Horário: 22h00
Ingressos: R$ 80,00 (pista, 1º lote), R$ 100,00 (pista, 2º lote), R$ 120,00 (pista, 3º lote), R$ 150,00 (mezanino)
Vendas online: www.opiniaoingressos.com.br
Informações: 51 8401-0104 / www.pepsionstage.com.br
19/03/2010 - Rio de Janeiro/RJ
Fundição Progresso - Rua dos Arcos, 24
Ingressos: R$ 140,00 (inteira)
Informações: www.fundicaoprogresso.com.br
21/03/2010 - Brasília/DF
Informações: em breve
23/03/2010 - São Paulo/SP
Via Funchal - Rua Funchal, 65
Ingressos: de R$ 90,00 a R$ 300,00
Informações: www.viafunchal.com.br

Guerra no Rio de Janeiro

Enviado por Lucia Hippolito -

De novo a barbárie?

O Rio de Janeiro é, mesmo, uma cidade muito peculiar.
Aqui não existe, propriamente, o que conhecemos como “periferia”.
Acontecimentos mais, ou menos, intensos que se passam nas periferias das grandes cidades têm uma repercussão mais restrita, no máximo uma notinha na página 15, como costumavam dizer os velhos jornalistas.
No Rio não. Como os morros e as comunidades proliferam por toda a cidade, há um convívio muito próximo entre todas as classes sociais dentro do mesmo espaço urbano.
Assim, a Rocinha convive muito de perto com o IPTU mais caro da cidade, que é o de São Conrado. Convive também com mansões de classe alta na Gávea.
O mesmo acontece com o morro dos Macacos, em Vila Isabel, com o morro Dona Marta, em Botafogo (bem atrás da sede da Prefeitura), com os morros do Cantagalo e Pavão-Pavãozinho em Ipanema. Para ficar apenas nesses exemplos.
Esta topografia muito peculiar confere alto grau de democratização ao Rio. Pobres e ricos desfrutam da mesma vista do mar, do Pão de Açúcar e do Corcovado.
Muitas comunidades do Rio são dominadas por traficantes de drogas que, vez por outra, entram em guerra pelo controle de pontos de venda.
Há também constantes confrontos com a polícia.
Tudo isto acontece também em outras cidades brasileiras. Ou mesmo em outros países.
Mas no Rio de Janeiro a repercussão é infinitamente maior. Um conflito numa favela de São Paulo, com todo o respeito, não repercute na imprensa brasileira e mundial, porque não afeta os Jardins nem a avenida Paulista.
Mas um confronto numa favela de Copacabana, por exemplo, é manchete em todo o mundo, porque Copacabana é conhecida no mundo inteiro.
Nada do que foi dito acima justifica a situação a que chegou o Rio de Janeiro em matéria de poder dos traficantes e do crime organizado.
Mas explica a repercussão mundial. É triste e muito ruim para a imagem do Rio, com ou sem Copa do Mundo ou Olimpíadas.
O fato é que há mais de 20 anos o país inteiro perdeu tempo numa desconversa a respeito do enfrentamento do crime organizado.
Enquanto a direita considerava que “bandido bom é bandido morto”, a esquerda se perdia em devaneios tentando atribuir raízes sociais à criminalidade – o que é uma tremenda injusta com os milhões de pobres deste país que não roubam nem matam.
Só muito recentemente é que se chegou à convergência. É preciso, sim, enfrentar com coragem o poder do tráfico e do crime organizado – claro, respeitando os direitos humanos e sem brutalidade policial – e, ao mesmo tempo, realizar ações sociais para afastar os jovens da tentação do dinheiro fácil do crime e do tráfico.
O que precisa ser recuperado no Rio de Janeiro é o poder do Estado: territorialidade, monopólio do uso legal da força e justiça. Em suma, os elementos constitutivos do que se costuma chamar de Estado moderno.
No Rio de Janeiro – e em outras cidades brasileiras também, vamos ser justos – há territórios onde o poder público não entra.
E não se trata apenas da polícia, mas da ambulância, do carro de bombeiros, do carteiro, do agente de saúde, do recenseador do IBGE. A perda da territorialidade pelo Estado é terrível.
Além disso, o poder público precisa recuperar o monopólio do uso legal da força. Não é mais possível que comunidades inteiras sejam reféns dos traficantes ou das milícias.
Não se pode admitir que um helicóptero da polícia seja abatido por artilharia antiaérea.
Como essas armas entram nos morros? Por que não se fiscalizam as fronteiras terrestres e marítimas? O que fazem o Exército, a Marinha e a Polícia Federal para coibir a entrada de drogas e armas nos morros do Rio?
E finalmente, a questão da justiça. Como sabemos, a Justiça brasileira é lenta, não protege os menos favorecidos.
A Lei de Execuções Penais é obsoleta e romântica. Recentemente, um preso de altíssima periculosidade teve direito a progressão de pena para regime semiaberto. O que fez ele? Fugiu e não apareceu mais.
Justificativa do juiz que concedeu a progressão de pena: as informações do sistema penitenciário eram de que o comportamento do preso tinha sido “exemplar”. Em seguida ficamos sabendo que o tal “cidadão” era suspeito de quatro mortes dentro do presídio!
Em suma, há muito para ser discutido, além da corrupção na polícia, além dos baixos salários dos policiais.
São temas importantes, mas não esgotam o assunto.
Não dá mais para o governo federal alegar que, constitucionalmente, o problema é do governo do estado.
Não dá mais para os prefeitos assistirem, impotentes, às suas cidades se transformarem em praças de guerra.
Está mais do que na hora de se pensar em entregar o controle da polícia nas capitais aos seus prefeitos – como acontece em todas as grandes cidades do mundo.
Assim como a cidade de São Paulo não pode ser tratada como Votuporanga – como todo o respeito àquela simpática cidade –, a cidade do Rio de Janeiro não pode ser tratada como Varre-Sai, o menor município fluminense – com todo o respeito etc., etc.
Está aí um bom tema para a campanha eleitoral de 2010

"Os jogos olímpicos vão reprecificar o Rio"

Léo Lince
O governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, e o prefeito da capital fluminense, Eduardo Paes, acompanhados das respectivas esposas, viajaram juntos para Copenhagen, onde foram abrilhantar a festa que escolheu a sede das olimpíadas de 2016. A viagem transatlântica, embora longa, foi tranqüila e confortável. O empresário Eike Batista, sem custos imediatos para o erário, cedeu aos governantes o mais luxuoso dos aviões de sua frota pessoal. Não houve registro de turbulência durante o vôo e muito menos depois dele. O clima segue festivo em nossa sereníssima República.
Em outras eras, quando uma aura de sacralidade envolvia o poder público, tal tipo de intimidade invocava falcatruas e poderia até ser capitulada como crime. Agora não. Os governantes se intitulam mascates. Governar é definido como intermediar grandes negócios e agenciar espetáculos. O desaparecimento momentâneo da linha que antes separava com nitidez o público do privado produz uma nova gramática. O que era promiscuidade agora é sinergia. O que chamam de parceria entre o público e o privado, por conta da primazia incontrastável dos pontos fortes do poder econômico, resultou na completa privatização das principais alavancas do poder político. Os governantes trabalham para os poderosos com alegria e método.
O avião cedido e a condição de maior financiador individual da campanha publicitária Rio-2016 (R$ 23 milhões) colocam Eike Batista em lugar de destaque no contexto descrito acima. Contexto, aliás, que explica o extraordinário entusiasmo do empresário com o espírito olímpico. Está com a corda toda. Ele, que já comprara o charmoso Hotel Glória, adquiriu também a empresa concessionária da Marina da Glória, onde estaciona o seu gigantesco iate, Pink Fleet, usado para festas que os governantes freqüentam e, nas horas vagas, alugado para passeios nas águas da Guanabara. Agora, como informa matéria de "O Globo" (13/10), o empresário teria levado para seus amigos do governo a idéia de construir, passando pelo território tombado dos jardins de Burle Marx, um trem suspenso ligando o Aeroporto Santos Dumont (que ele ainda não comprou) ao Hotel de sua propriedade, o Glória. Tremendo cara de pau.
A proposta é absurda, ainda mais quando se faz acompanhar de um argumento ameaçador: "não adianta ter parques no Rio se ninguém os usa". O Parque do Flamengo, uma preciosa obra de arte que desenha o perfil da metrópole carioca, está mais uma vez sob ameaça. Aliás, por ocasião da efeméride esportiva anterior, os jogos pan-americanos, esta mesma empresa que explora a Marina da Gloria, agora adquirida pelo miliardário, já praticara outro atentado contra o Parque. Avançou seus muros sobre o espaço tombado e transformou o viveiro de reprodução de mudas em estacionamento de automóveis. Caso típico de apropriação indébita que, apesar da grita geral, até hoje se mantém inabalável.
Em matéria de dupla página, o caderno Dinheiro da "Folha de S.Paulo" (13/10) nos fornece um detalhado perfil de Eike Batista. Um espanto. É o "homem mais rico do Brasil", diz a matéria, que também o define, talvez por conta da intimidade explícita com os governantes locais, como o novo "Rei do Rio". Franciscano ao revés, seu santo padroeiro é Francisco Pizarro, admirado por ter saqueado o ouro dos incas. Olimpíada para ele é uma corrida ao ouro, metal do qual ele declara gostar muito. Não há lugar para os valores imateriais em seus projetos e sonhos, tudo lá, coisa ou gente, aparece na forma sumária do código de barras. Comprou, está comprando, vai comprar. Uma frase do novo Midas explica tudo, inclusive a euforia febril da máquina mercante: "os jogos olímpicos vão reprecificar o Rio".
Rio, outubro de 2009.
Léo Lince é sociólogo e mestre em ciência política

As três informações essenciais de Cuba

A blogueira cubana diz que as chamadas “conquistas da revolução”são um mito e que só quem nunca morou na ilha pode ter admiração por

A cubana Yoani Sánchez, 34 anos, foi convidada a falar no Senado brasileiro e a comparecer ao lançamento de seu livro De Cuba, com Carinho (Contexto), em São Paulo. A obra, que chega às livrarias neste fim de semana, é uma coletânea de textos publicados por ela no blog Generación Y, o primeiro a ser criado em Cuba. Na internet, Yoani discorre livremente sobre o cotidiano do povo cubano, a ausência de liberdade e a escassez de gêneros de primeira necessidade - mas, bloqueado pelo governo, seu blog desdecuba.com/generaciony,só pode ser acessado fora da ilha. Sua vinda ao Brasil, na segunda quinzena de outubro, depende de improvável permissão do governo cubano. Nos últimos doze meses, ela solicitou visto de saída em dez ocasiões para atender a convites no exterior. O visto foi negado em três delas. Nas demais, os trâmites burocráticos demoraram tanto que ela desistiu. Com 1,64 metro e 49 quilos, Yoani é formada em letras e vive em Havana com o filho e o marido. Ela conversou com VEJA pelo celular.
Em discurso a respeito do seu pedido de visto, o senador Eduardo Suplicy citou o que considera três conquistas da revolução cubana: a alfabetização, o aumento da expectativa de vida e a medicina de qualidade. Se pudesse, o que você diria sobre isso em Brasília?

Eu diria que os laços entre países não devem ocorrer apenas entre governantes ou diplomatas. Quando se trata de Cuba, as estatísticas oficiais divulgadas pelas nossas embaixadas não podem ser levadas a sério. Sou defensora da diplomacia popular, aquela que se inteira da realidade diretamente com o cidadão. Não sou uma analista política. Não sou especialista em nenhum tema. Não sou diplomata. Simplesmente vivo e conheço a realidade do meu país. Aqueles que roubam o estado, que recebem dinheiro enviado por parentes do exterior ou fazem trabalhos ilegais vivem melhor que os demais. Uma pessoa que escreve em um blog pode ser condenada sob a acusação de fazer propaganda inimiga. Os outros países não podem repercutir o clichê de que Cuba é uma ilha de música e rum. É preciso olhar para o cidadão. Aqui, nós vivemos e morremos todos os dias.

Mas é verdade que 99,8% da população cubana é alfabetizada?

Antes da revolução, nosso país já ostentava um dos menores índices de analfabetismo da América Latina. Uma das primeiras ações do governo autoritário de Fidel Castro foi ensinar o restante da população a ler e escrever. A questão principal hoje não é a taxa de alfabetização, e sim o que vamos ler depois que aprendemos. A censura controla totalmente o que passa diante de nossos olhos. E isso começa muito cedo. As cartilhas usadas na alfabetização só falam da guerrilha em Sierra Maestra ou do assalto ao quartel de Moncada pelos guerrilheiros barbudos. Meu filho tem 14 anos. Na sala de aula dele há seis fotos de Fidel Castro. Tudo o que se ensina nas escolas é o marxismo, o leninismo, essas coisas. Não se sabe o que acontece no resto do mundo. A primeira vez que vi imagens da queda do Muro de Berlim foi em 1999, dez anos depois de ela ter ocorrido. Foi num videocassete que um amigo trouxe clandestinamente. Para assistir às imagens do homem pisando na Lua, foi necessário esperar vinte anos.

A expectativa de vida realmente aumentou?

É uma estatística oficial, sem comprovação, que não resistiria a um questionamento mínimo feito por uma imprensa livre. Pelo que vejo nas ruas, é difícil acreditar que os cubanos possam sobreviver tantos anos. Os idosos estão em estado deplorável. Há uma avalanche de dados que poderiam ilustrar o que digo, mas estes nunca são divulgados. Jamais fomos informados sobre o número de pessoas que fogem da ilha a cada ano. Ninguém sabe qual é o índice de abortos, talvez o mais alto da América Latina. Os divórcios são inúmeros, motivados pelas carências habitacionais. Como há cinquenta anos quase não se constroem casas, é normal que três gerações de cubanos dividam uma mesma residência, o que acaba com a privacidade de qualquer casal. Também nunca se falou do número de suicídios, um dos mais altos do mundo.

Cuba tem mesmo uma medicina avançada?

O país construiu hospitais e formou médicos de boa qualidade na época em que recebia petróleo e subsídios soviéticos. Com o fim da União Soviética, tudo isso acabou. O salário mensal de um cirurgião não passa de 60 reais. A profissão de médico é hoje a que menos pode garantir uma vida decente e cômoda. A carência nos hospitais é trágica. Quando um doente é internado, todos os seus familiares migram para o hospital. Precisam levar tudo: roupa de cama, ventilador, balde para dar banho no paciente e descarregar a privada, travesseiro, toalha, desinfetante para limpar o banheiro e inseticida para as baratas. Eles não devem esquecer também os remédios, a gaze, o algodão e, dependendo do caso, a agulha e o fio de sutura.