6.05.2009

Grupo Nós do Morro revive no CCJF o histórico espetáculo 'Opinião'


Natália Soares

RIO - Política e sexo sempre rendem debates acalorados em qualquer mesa de bar. Há 45 anos, porém, falar sobre esses temas era um risco. Em cima de um palco, então, uma grande ousadia, assumida por uma trupe de corajosos encabeçada por Oduvaldo Viana Filho, Armando Costa e Paulo Pontes, que montaram o histórico show "Opinião", em 1964 (ano do golpe militar), com a direção de Augusto Boal, morto há um mês. Os tempos são outros, a realidade mudou, mas outras ditaduras repressoras surgiram. Esse é o mote de "Outra opinião", nova peça do grupo Nós do Morro, que estreia quinta-feira (04.06) no Centro Cultural da Justiça Federal, às 19h30m.
- O Boal mesmo dizia que é difícil remontar "Opinião", pois ele refletia os dramas daquela época. A ideia nasceu do debate para pensar em um novo espetáculo, e dele surgiram diversos comentários sobre as nossas muitas realidades - conta Paulo Gianini, que assume pela primeira vez a direção do grupo e também assina o roteiro. - Vivemos na ditadura da violência, da beleza, de um comportamento padrão. Daí a importância de se falar sobre todas essas questões.
Na década de 60, o recado era dado por Nara Leão, Maria Bethânia, João do Vale e Zé Kéti. Desta vez, são 30 atores que se revezam no palco. A música continua sendo o fio condutor entre os depoimentos, desta vez com canções de compositores contemporâneos como Pedro Luís, Arnaldo Antunes, Céu, Marisa Monte, Lirinha e outros.
- Assim como na época da ditadura, é preciso peitar hoje uma série de imposições que nos cerceiam, como é o caso da violência e do tráfico, muito presentes no Vidigal, de onde vem o grupo - acredita a atriz Fernanda Ferreira, que interpreta uma menina de 20 e poucos anos que engravida e, sem família, vai morar com uma amiga. A personagem de Fernanda quer abortar, mas a amiga é contra:

" é preciso peitar hoje uma série de imposições que nos cerceiam "

- É um dilema muito comum, mas a ideia não é levantar bandeiras, mas sim propor questionamentos. E, como os temas surgiram das nossas vivências, são todos bastante atuais.
Outro tema espinhoso é o que o ator Leonardo Imperador chama de "ditadura da religião". Ele interpreta um habilidoso pastor que leva a plateia a um grande culto.
- O pastor simboliza todas as religiões, mostrando ali como funciona esse jogo de sedução em que você tem de dar algo material para alcançar o Reino dos Céus - diz Leonardo.
Para ele, é preciso mexer com uma sociedade anestesiada e sem opinião:
- Nosso papel como atores cidadãos é instigar e provocar. Vai ser ótimo se colocarmos a galera para pensar.

'Outra opinião' - Centro Cultural Justiça Federal. Av. Rio Branco 241 - Centro. Quar e quin, às 19h30m. R$ 20 (inteira). Temporada de 04 de junho a 16 de julho.
Estreias e reestreias de espetáculos agitam a semana nos palcos cariocas

Atriz Denise Fraga no espetáculo 'A alma boa de Setsuan'

RIO - A temporada teatral está agitada esta semana nos palcos cariocas, com estreias e reestreias para todos os gostos. O elogiado espetáculo "A alma boa de Setsuan", que vem de terras paulistanas, é um dos destaques. A adaptação da obra de Bertold Brecht, com Denise Fraga e grande elenco, estreia nesta sexta (05.06) no Teatro dos Quatro. A atriz retorna aos palcos do Rio depois de 18 anos.

Neste primeiro fim de semana do Festival Internacional de Teatro do Centro Cultural Bando do Brasil, o espetáculo russo "Semianyki", do Teatro Lecedei da Rússia, será apresentado. Sempre às 19h30m, de sexta a domingo (07.06).
Na Casa de Cultura Laura Alvim, Camila Amado dirige "Quando as máquinas param", a partir de texto do polêmico Plinio Marcos.
Há também reestreias de peças que foram sucesso em temporadas anteriores. "Deznecessários" e "Acepipes" são exemplos e garantias de boas risadas no Vivo Rio e no Teatro Glaucio Gil. Outra que volta, quatro anos depois, é "Por que você não disse que me amava?", em cartaz na Caixa Cultural, com Cristina Pereira e Rafael Ponzi, sob direção de Paulo Betti, a partir desta sexta (05.06).

Confira as estreias e reestreias da semana:

ESTREIAS
De corpo presente @ Solar de Botafogo. Rua General Polidoro 180, Botafogo - 2543-5411. Terça e quarta, às 21h (até 30 de agosto)
A alma boa de Setsuan @ Teatro dos Quatro. Rua Marquês de São Vicente 52, 2º piso, Shopping da Gávea, Gávea - 2274-9895. Quinta a sábado, às 21h, e domingo, às 20h (até 2 de agosto)
Um estranho casal @ Teatro do Leblon - sala Fernanda Montenegro. Rua Conde Bernadotte 26, Leblon - 2529-7700. Quinta a sábado, às 21h30m, e domingo, às 20h (até 2 de agosto).
Outra opinião @ Centro Cultural da Justiça Federal. Av. Rio Branco 241, Centro - 3212-2565. Quarta e quinta, às 19h30m (até 16 de julho)
Semianyki - Festival Internacional de Teatro @ CCBB. Rua Primeiro de Março 66, Centro - 3808-2020. Sexta a domingo, às 19h30m. R$10 (inteira) e R$ 5 (meia)
Quando as máquinas param @ Casa de Cultura Laura Alvim. Av. Vieira Souto 176, Ipanema - 2332-2015. De quinta a sabado, às 21h, e domingo, às 20h. R$30 e R$15 (meia)
REESTREIAS
Por que você não disse que me amava? @ Caixa Cultural - Teatro Nelson Rodrigues. Av. Chile 230, Centro - 2262-8152. Quinta (estréia esta sexta, 05.06) a sábado, às 20h, e domingo, às 19h (até dia 28)
Espia uma mulher que se mata @ Teatro Maria Clara Machado (Planetário). Rua Padre Leonel Franca 240, Gávea - 2274-7722. Sexta e sábado, às 21hs, e Domingo, às 20hs (até 5 de julho). R$ 25 e R$ 12,50 (meia)
Deznecessários @ Vivo Rio. Avenida Infante Dom Henrique 85, Centro - 2272-2900. Sábado (06.06), às 21h30m, e domingo (07.06), às 20h
Acepipes @ Teatro Glaucio Gil. Praça Cardeal Arcoverde s/n, Copacabana - 2547-7004. Quintas, às 20h (até 30 de julho). R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia)
Stand Up Comedy - Marco Luque @ Oi Casa Grande. Av. Afrânio de Melo Franco 290, Leblon. Quintas (até 11.06), às 21h30m. R$ 50 e R$ 25 (meia)
Os monólogos da vagina @ Teatro Municipal de Niterói. Rua XV de Novembro 35, Centro, Niterói - 2620-1624. Sábado e domingo (somente 6 e 7 de junho). R$ 50 e R$ 25 (meia)
Fonte: O Globo

Erasmo Carlos lança disco com parcerias inéditas com Nando Reis e Nelson Motta e homenagem às mulheres

Christina Fuscaldo

RIO - Há tempos vinham cobrando que Erasmo Carlos fizesse um disco de rock. Pois bem. O músico reviveu seus tempos de Tremendão, fez parcerias inéditas com Nelson Motta ("Chuva ácida" e "Noturno carioca"), Nando Reis ("Um beijo é um tiro" e "Mar vermelho") e Chico Amaral ("Noite perfeita" e "A guitarra é uma mulher"), convidou Liminha para a produção e Dadi Carvalho para tocar e gravou "Rock'n'roll". O álbum chega às lojas nesta sexta-feira, dia do seu aniversário de 68 anos.
- Liminha e Dadi alternaram baixo e guitarra. O mais interessante é que eles nem se falavam. De acordo com a música, entravam no estúdio sabendo o que iam tocar. E os parceiros, são novas formas de linguagem. Nando é um músico que faz letra, e ele escreveu para mim. Chico Amaral, conheci através do empresário do Skank, e ele já havia feito uma música chamada "Erasmo Carlos de Rotterdam" - conta o músico.
Com 12 faixas, o CD lançado pela gravadora Coqueiro Verde traz melodias simples ("a harmonia é semelhante a de um monte de músicas, é rock'n'roll básico"), e letras criativas, ao estilo do Tremendão. Destaque para "Cover", na qual Erasmo se confessa um imitador de si mesmo. A ideia surgiu de repente, no dia em que ele se deu conta de que nunca havia visto um cover seu.
- Isso é surpreendente. Soube uma vez que havia um ator que me imitava no teatro, mas eu não vi. Tem pessoas que são boas para caricatura. Roberto Carlos é uma delas - diz.
Mas a grande homenagem do disco é para as mulheres. Lilith, Paula Toller, Luluzinha, Lady Di, Sharon Stone, Salomé, Mata Hari... Mesmo que algumas tenham ficado de fora, "Olhar de mangá" é dedicada àquelas que tem "olhar de pidona". Para ele, na verdade, todas tem.

" Toda mulher sempre terá um olhar de pidona mesmo que esteja fechado na hora da entrega "-

Ficaram de fora mais de um milhão de mulheres, que não couberam na música. Ao escrever esta letra, queria dizer que toda mulher sempre terá um olhar de pidona mesmo que esteja fechado na hora da entrega - romantiza.
Filho de Erasmo, Gil Eduardo gravou bateria em "Noite perfeita" e João Barone, do Paralamas do Sucesso, pegou nas baquetas em "Mar vermelho" e "Celebridade". Esta última é uma critica escrita por Liminha e pela atriz Patricia Travassos e musicada pelo Tremendão. Para dar um toque jovial a "Chuva ácida", "Um beijo é um tiro", "Noite perfeita" e "Encontro às escuras", Erasmo Carlos convidou para fazer os vocais os músicos Pedro Dias e Luiz Lopez, integrantes da banda Filhos de Judith:
- O Liminha indicou os meninos e, de cara, achei o nome da banda ótimo. Vocal não é uma coisa muito usada no Brasil e eu adoro. Eu vim de conjunto vocal.
Solteiro e feliz, Erasmo Carlos vive uma fase de muito trabalho. Além do lançamento do disco, ele tem se dedicado à finalização do livro que lançará em setembro.
- Está quase pronto. Estamos escolhendo fotos, pegando autorizações. Só não sei o título ainda. O livro tem casos biográficos, que aconteceram comigo, com artistas que conheço e com a família - adianta.
Mas, segundo ele, o importante não é o personagem, mas a piada.
- Escrevi à mão e meu filho passou para o computador - diz Erasmo, já arrancando gargalhadas

Vira-lata' com orgulho, Zeca Baleiro se apresenta no Canecão


José Raphael Berrêdo

RIO - O maranhense Zeca Baleiro, que se apresenta no Canecão neste sábado (06.06) e no domingo (07.06), considera o brasileiro um povo "vira-lata, mestiço, sem pureza". Mas se engana quem pensa que os adjetivos são pejorativos na opinião dele. Pelo contrário, o próprio músico se define como um autêntico vira-lata e as críticas, exposta em letras como a de "Vai de Madureira", faixa do álbum que dá nome à turnê "O coração do homem-bomba", são para os que se envergonham de sua miscigenação.

- O povo ainda tem aquilo que o Nelson Rodrigues chamou de "complexo de vira-lata", a triste mania de valorizar somente o que vem de fora. O brasileiro é mesmo vira-lata, mas é possível ser um vira-lata com orgulho, amor próprio, altivez - explica o músico, que já criticara o emprego de termos estrangeiros no português em "Samba do Approach", que Zeca Pagodinho ajudou a popularizar. - Palavras (desnecessárias) em inglês são como um crachá de subdesenvolvimento, de "espírito de cucaracha" - completa.

Tocar no Rio é um desafio superado por Zeca. O público carioca, segundo o cantor, "é difícil de conquistar, mas depois se torna fiel e cativo". Não à toa, este é o terceiro show baseado em "Coração do homem-bomba" no Rio, mas o público pode apostar em novidades, como canções ainda não gravadas ("Coco do trava-língua", por exemplo, da dupla Geraldo Mousinho e Cachimbinho). Há também participações especiais, virtuais, de Chico César, André Abujamra e Siba.

Pequenas surpresas cênicas e sonoras também estão no roteiro do show, classificado como festivo e rítmico. Skas, sambas-funks, reggaetons, rocks e boleros, além de releituras de canções famosas, compõem o set list. Já o título do CD que dá nome à turnê, além de combinar com o nome da banda Os Bombásticos, que acompanha Zeca, lembra o lado crítico e observador do compositor:
- O homem-bomba é o homem contemporâneo, sempre à beira de uma explosão. Esse é o ponto de partida pra apresentar canções que falam de consumo, da incomunicabilidade dos nossos tempos, de saudade, do amor, difícil de ser vivido hoje.

Zeca adia há anos, por falta de tempo, o projeto de gravar músicas para crianças. Seu início como compositor para teatro infantil, ainda em São Luís (MA) na década de 80, não foi esquecido e depois do nascimento de um casal de filhos a ideia se fortaleceu.
- Tenho material para dois discos, que pretendo realizar em breve.

Para os fãs, ele dá uma dica de onde o encontrar fora dos palcos cariocas:
- O que mais gosto no Rio é andar naquele calçadão milagroso, tomar uma água de coco, pensar na vida... Quando dá tempo, ando no Centro, na Lapa, adoro aquela atmosfera. Um programa? Comer um cabrito no restaurante (Nova) Capela e depois saborear uma sobremesa na Confeitaria Colombo.

Zeca Baleiro @ Canecão. Show "O coração do homem-bomba". Venceslau Brás 215, Botafogo - 2105-2000. Sab (06.06), às 22h, e dom (07.06), às 20h30m. De R$ 30 (meia) a R$120.

'Carioquinha' está de volta com descontos de até 100% para turismo local

A partir desta segunda-feira (01.06) até 5 de julho, o carioca e os moradores da Cidade Maravilhosa têm um bom incentivo para fazer turismo na cidade. É a 11ª edição do "Carioquinha", ação promocional que reúne 120 atrações, entre pontos e serviços turísticos, hotéis e restaurantes, com preços reduzidos - em até 100% como no caso do Museu de Arte Moderna - para quem comprovar residência ou nascimento no Rio e Grande Rio.

Este ano há algumas novidades, como o passeio ecológico "O outro lado do Rio", oferecido pela Cooperativa Vale Encantado. O preço cai de R$ 75 para R$ 60.
Os tradicionais pontos turísticos, como Pão de Açúcar e Corcovado continuam com seus 50% de desconto.

Quem é adepto de esportes radicais, tem dezenas de opções. Do mergulho ao voo livre, passando por escalada e salto de paraquedas, tem emoção para todos os gostos e preços.

A Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), outro sucesso no ano passado, repete a dose e se apresenta com ingressos pela metade do preço, nos dias 18 de junho e 3 de julho, na Sala Cecília Meireles.

É possível também se hospedar pagando bem menos, tanto na cidade do Rio, como na Regiões dos Lagos e Serrana. No total, 46 hotéis estão inscritos. Os restaurantes não ficam de fora, mas participam em menor número, com oito estabelecimentos.

Para ter direito aos descontos é preciso comprovar nascimento ou residência no Rio ou Grande Rio (Belford Roxo, Duque de Caxias, Guapimirim, Itaboraí, Itaguaí, Japeri, Magé, Mangaratiba, Maricá, Mesquita, Nilópolis, Niterói, Paracambi, Nova Iguaçu, Queimados, São Gonçalo, São João de Meriti, Seropédica e Tanguá).

Confira todas as informações sobre as 146 atrações do Carioquinha 2009 em

www.carioquinha.com.br/ .

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Rio Folle Journée começa com concerto em homenagem a Silvio Barbato

RIO - O clima no início do ensaio de segunda (01.06) para o concerto de abertura da 3ª edição da Rio Folle Journée não era bom. Os músicos da orquestra formada especialmente para o festival pelo maestro Roberto Tibiriçá estavam abalados pela notícia de que Silvio Barbato, que já regera muitos deles, estava a bordo do Airbus sumido no Atlântico. Mas, quando eles começaram a tocar obras de Mozart, tema do evento, a atmosfera triste se desanuviou um bocado.
- A música de Mozart tem esse poder. Sempre que eu estou triste, ponho para tocar a 'Sinfonia Haffner', e, na mesma hora, meu estado de espírito muda. É como se fosse um remédio ou uma droga química - compara a organizadora do festival Helena Floresta, que trabalha em parceria com o francês René Martin.
A sinfonia favorita de Helena, contudo, não está programada nos 38 concertos que se estenderão desde esta quarta-feira (03.06) a domingo (07.06). O espetáculo de abertura, às 20h, na Sala Cecília Meireles, trará outra sinfonia do compositor austríaco, a de nº 40, além do concerto para piano nº 20 (com a solista Sonia Goulart) e da abertura da ópera "Così fan tutte". O programa será dedicado a Barbato e será precedido de algumas palavras de Tibiriçá e de um minuto de silêncio.
Antes disso, às 18h, o auditório do BNDES acolherá uma espécie de pré-estreia do festival, com o Octeto Villa Lobos tocando a abertura da ópera "O rapto do serralho", um divertimento e a serenata nº 12.
- O festival é tanto para conhecedores de música clássica quanto para novatos.
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Confira a programação do Festival Rio Folle Journèe

SEXTA-FEIRA (05.06)
Sala Cecilia Meireles - 835 lugares
13h. Calíope. Julio Moretzsohn direção; Coro e órgão
solistas Helen Heinzle, Lina Santoro, Mona Vilardo e Raquel Antunes, sopranos. Ana Madalena Nery e Mac'la Nunes, altos. Luperci Henrique e Raoni Hübner, tenores. Leandro da Costa e Rafael Thomas, barítonos. Eduardo Biato, órgão. "Mozart e sua influência no Brasil"; Mozart : "Te Deum" K. 141; Mozart : "Ave verum corpus" K. 618; Mozart : Kyrie da "Missa da coroação "K. 317; J.M. Nunes Garcia : "Gloria" e "Agnus Dei da Missa de Nossa Senhora"; J.J. Emerico Lobo de Mesquita : "Credo da Missa" en fá Mozart : Alma Dei Creatoris K. 277; Mozart : "Regina Coeli" K. 276.
14h. Eduardo Monteiro flauta; Romain Guyot clarineta; Quatuor Ysae quarteto de cordas; Mozart : Quarteto para flauta, violino, viola, violoncelo n°1 em ré maior K 285. Mozart : Quinteto para clarineta e cordas "Stadler" em lá maior K. 581.
16h. Jean Claude Pennetier piano. Mozart : Sonata em lá maior "alla turca" K. 331. Mozart : Sonata em lá menor K. 310.
17h. Berenice Menegale piano. Mozart : Sonata em si bemol maior K. 281; Mozart : Rondó em lá menor K.511. Mozart : Sonata em fá maior K. 53.
19h. Quatuor Ysae quateto de cordas. (60'). Mozart : Quarteto n°14 em sol maior K. 387; Mozart : Quarteto n° 15 em ré menor K. 421;
20h. Anne Queffélec piano. Mozart : 9 Variações em ré maior sobre um tema de Duport K. 573; Mozart : Fantasia em dó menor K. 475; Mozart : Sonata em dó menor K. 457.
Teatro João Caetano
19h. Orquestra Rio Folle Journée. Roberto Tibiriçá direção; Romain Guyot clarineta; Pavel Sporcl violino; Mozart : Abertura "As bodas de Figaro" K. 492; Mozart : Concerto para violino e orquestra n° 3 em sol maior K216; Mozart : Concerto para clarineta e orquestra em lá maior K622
Igreja N.Sra. do Carmos da Lapa
17h. Quatuor Ysae quarteto de cordas (60'). Mozart : Quarteto n° 16 em mi bemol maior K. 428; Mozart : Quarteto n°17 em si bemol maior " A Caça " K. 458
SÁBADO (06.06)
Sala Cecilia Meireles
10h. Fany Solter piano. Mozart : Fantasia em dó menor K. 475; Mozart : Sonata em dó menor K. 457; Mozart : Variações em sol maior da ópera " Os peregrinos de Meca "de Gluck K.455
12h. Gérard Caussé viola. Quatuor Ysae quarteto de cordas; Mozart : Quinteto de cordas n° 4 em sol menor K. 516; Mozart : Duo para violino e viola em mi maior K. 423;
14h. Calíope. Orquestra de câmara. Julio Moretzsohn direção Solistas Lívia Dias, soprano, Paulo Mestre, contratenor, Raoni Hübner, tenor, Rafael Thomas, barítono, Mozart : Missa breve K. 258
Mozart : "Vesperae Solennes de Confessore" K. 339
15h. Eduardo Monteiro piano. Mozart : Fantasia em ré menor K. 397, Mozart : Sonata em ré maior K. 311
Mozart : Rondo em ré maior K.485, Mozart : Sonata em si bemol maior K. 333
17h. Pavel Sporcl violino. Romain Guyot clarineta, Gérard Caussé viola, Christian Ivaldi piano, Mozart : Sonata n°24 para violino e piano em fá maior K. 376
Mozart : Trio para piano, clarineta e viola "Kegelstatt" em mi bemol maior K. 498.
18h. Anne Queffélec piano. Gérard Caussé viola, Quatuor Ysae quarteto de cordas, Mozart : Sonata para piano n°4 em mi bemol maior K. 282, Mozart : Quarteto para piano, violino, viola, violoncelo em sol menor K. 478, Mozart : Quinteto para cordas n° 3 em dó maior K. 515.
21h. Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. Fabio Mechetti direção, Arnaldo Cohen piano, Mozart : Abertura de "Don Giovanni K. 527, Mozart : Serenata para orquestra n°6 "Serenata noturna" em ré maior K. 239
Mozart : Concerto para piano e orquestra n° 17 em sol maior K. 453
Salão Leopoldo Miguez
12h30. Sonia Goulart piano. Mozart - 9 variações sobre um Minueto de Duport em ré maior K.573, Mozart- Sonata em fá maior K.332, Mozart- Sonata em ré maior K.576
14h30. Christian Ivaldi piano. Jean Claude Pennetier piano. Mozart : Sonata para piano a quatro mãos em si bemol maior K. 358. Mozart : Fuga para teclado em sol maior K.401 [fragmento]. Mozart : Sonata em dó maior KV 19. Mozart : Sonata para piano a quatro mãos em fá maior K. 497.
17h30. Eliseu de Barros violino. Alexandre Barros - oboé. Dominic Desautels - clarineta, Catherine Carignan - fagote, Evgueni Gerassimov - trompa, Miguel Rosselini piano, Celina Szrvinski piano. Mozart :Sonata maior para piano e violino em dó maior K.296, Mozart : Quinteto para piano e sopros em mi bemol maior K.452
Auditório Guiomar Novaes
19h30. Marcelo Thys piano, Luciano Magalhães piano. Mozart : Sonata em dó maior para piano a 4 mãos, K 19. Mozart: Sonata em si bemol maior para piano a 4 mãos, K 358. Mozart : Sonata em fá maior para piano a 4 mãos, K 497.
Igreja N.Sra. do Carmos da Lapa
15h. Quatuor Ysae quarteto de cordas. (65') Mozart : Quarteto n°18 em lá maior K. 464; Mozart : Quarteto n° 19 em dó maior "Dissonâncias" K. 465
DOMINGO (07.05)
Sala Cecilia Meireles
11h. Jean-Claude Pennetier piano. Quatuor Ysae quarteto de cordas. Mozart : Fantasia para piano em dó menor K. 475. Mozart : Quarteto para piano, violino, viola, violoncelo em mi bemol maior K 493
12h. Celina Szrvinsk piano. Miguel Rosselini piano
Mozart : Andante e Cinco Variações para piano a quatro mãos em sol maior K.501. Mozart : Sonata para piano a 4 mãos em sol maior K.357. Mozart : Sonata para piano a quatro mãos em dó maior K.521.
14h. Pavel Sporcl violino. Christian Ivaldi piano. Mozart : Sonata n°27 para violino e piano em sol maior K. 379. Mozart : Sonata n°28 para violino e piano em mi bemol maior K. 380.
15h30. Anne Queffélec piano. Luis Carlos Justi - oboé. José Freitas - clarineta, Aloysio Fagerlande - fagote, Philip Doyle - trompa, Mozart : Sonata para piano n°10 em dó maior K. 330, Mozart : Quinteto para piano, oboé, clarineta, trompa e fagote, em mi bemol maior K. 452
17h. Christian Ivaldi piano. (65') Jean Claude Pennetier piano. Mozart : Sonata para piano a quatro mãos em ré maior K. 381. Mozart : Andante e 5 variações para piano a quatro mãos em sol maior K. 501. Mozart : Fantasia para orgão mecanico em fá menor K. 608. Moozart : Sonata para piano a quatro mãos em dó maior K. 521
19h. Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. Fabio Mechetti direção. Arnaldo Cohen Mozarrt : Sinfonia n° 36 "Linz" em dó maior K. 425, Mozart : Concerto para piano e orquestra n° 17 em sol M K 453
Auditório Guiomar Novaes.
13h. Iura Rezende - clarineta, Eliseu Barros -violino, Radmila Bocec - violino. Arvin Gopal- viola, Lina Radvanovic - violoncelo, Elisa Galeano - piano, Mozart: Trio para piano, clarineta e viola Mi bemol maior K-498 (Kegelstat), Mozart : Quinteto para clarineta e cordas K.581
Teatro João Caetano
14h. Calíope. Orquestra de câmara: Julio Moretzsohn direção, Solistas Lívia Dias, soprano, Paulo Mestre, contratenor Raoni Hübner, tenor, Rafael Thomas, barítono. Mozart : Missa breve K. 258, Mozart : "Vesperae Solennes de Confessore" K. 339

6.04.2009

Simonal, de alto a baixo

MARCELO COELHO

O equilíbrio entre "vir de baixo" e "estar por cima" transforma-se em tragédia individual

COM MUITA categoria, e sem espírito de pilantragem, o documentário "Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei" faz com o espectador aquilo que o cantor fazia com o público: leva-o de um lado para o outro, balançando para a esquerda ou para a direita, conforme a música.
Durante a primeira metade do filme, não há quem não se renda ao charme de Simonal. Mas a palavra "charme" não expressa bem suas qualidades.
Um cantor como Yves Montand, por exemplo, tem o maior charme do mundo. Seduz o público com uma mistura de gentileza com despreocupação, de muito magnetismo com certo desligamento também.
Mas Simonal parece "metido" demais para ser charmoso; está tão convicto do próprio sucesso que não se curva à necessidade de "seduzir" o público.
Age como se todo mundo já estivesse seduzido. Ele surge no palco como se desfrutasse de um privilégio -o de ser Simonal- que, generosamente, resolve então oferecer à admiração dos espectadores. As pessoas não ficam apenas encantadas com o cantor: parecem gratas a ele, simplesmente porque Simonal, como um príncipe, deu-se ao luxo de aparecer.
Mesmo nas cenas a que o passar do tempo confere uma aura de ridículo (Simonal dançando o cha-cha-cha, por exemplo), a superioridade do cantor não cede um milímetro. Uma espécie de soberania psicológica parece autorizá-lo a fazer qualquer bobagem.
Um silêncio de incredulidade e de admiração se impõe na sala do cinema quando se alcança o ponto alto dessa primeira metade do filme. Numa cena histórica, vemos Simonal cantando ao lado de ninguém menos que Sarah Vaughan.
E é a grande diva americana quem parece quase uma caloura encabulada, mal e mal ocupando o palco diante daquele brasileiro que, sem nunca ter aprendido inglês, conversa com ela com uma intimidade, com uma autoconfiança irresistíveis.
O lugar muito específico da "pilantragem" de Simonal, entre as décadas de 60 e 70, talvez se explique a partir desse encontro entre a jazzista americana e o mulato carioca.
O tropicalismo exacerbava, por assim dizer, o nosso próprio exotismo -fazendo da cultura brasileira, com suas bananas, carnavais e Chacrinhas, uma espécie de caricatura crítica daquilo que os americanos viam em nós, através de Carmen Miranda e do Zé Carioca.
No "patropi" de Simonal, o tropicalismo se inverte. Negro sem ser sambista, namorando loiras e passeando de carrão no Leblon, é como se ele fosse um grande "entertainer" americano "tropicalizado", "canibalizado" pelo ambiente carioca. Ele açucarou a imagem (que intimidava os brasileiros de 60) de um negro no topo da pirâmide social.
O que ele tinha de "metido" e arrogante, aos olhos da época, era contrabalançado por essa atitude de deboche, de não estar levando o papel a sério, que é tão clara nas suas apresentações. Não por acaso, ele cantava músicas tradicionais, como "Meu Limão, Meu Limoeiro", com ginga americana.
O equilíbrio entre "vir de baixo" e "estar por cima", obtido genialmente por Simonal em sua carreira, transforma-se em colapso ético e em tragédia individual depois.
A segunda metade do filme tem seu ponto mais impressionante no depoimento do antigo contador de Simonal. Torturado no Dops a mando do cantor, é hoje um homem velho e pobre; e o espectador, sensibilizado pelo implacável ostracismo de mais de 20 anos sofrido pelo astro, sensibiliza-se igualmente pelo destino desse cidadão anônimo, que os diretores do documentário tiveram o mérito e a sorte de redescobrir.
Julgar é fácil, ter pena é fácil, e sem dúvida é mais difícil perdoar alguém que, ao que parece, não teve o senso político ou a disposição de arrepender-se a tempo. Pensando nos inúmeros e muito calibrados depoimentos do filme, acho que Simonal associou o seu sucesso profissional a uma atitude de onipotência; andar de Mercedes era equivalente a se dizer favorável à ditadura, amigo dos homens do SNI... Não era isso, afinal, estar no alto da pirâmide?
Ensinaram-lhe que não. Uma pessoa mais equipada politicamente talvez tivesse meios de reconfigurar a própria imagem. Isso não aconteceu; depois de tanto sucesso, Simonal teve de voltar para o lugar de onde veio: o lugar de baixo. Mas não sem ter marcado, também, sua presença na história da música (e da sociedade) do Brasil.

A generosidade da mídia com os poderosos

"Sarney pede desculpas por informação errada sobre auxílio-moradia" foi o título na Folha de S.Paulo. "Sarney vai devolver auxílio-moradia" foi o título no O Globo. Bonito. Que íntegro homem público o presidente do Senado, ultimamente voltado a denunciar a "ditadura" na Venezuela, ele que se locupletou com duas décadas de absoluta servidão à ditadura consequente do golpe contra João Goulart, em 1964...

Deve ser íntegro, porque durante dois anos vinha recebendo, sem ter direito - principalmente nos últimos meses, quando, para além da própria residência em Brasilia, ainda contava com as mordomias infindáveis do palacete destinado ao presidente da Casa - R$ 3.800 reais a mais do que lhe confere o contracheque de Senador, "sem saber".

"Nunca requeri; a administração é que depositava na minha conta sem que eu soubesse."

Afirmação cínica e ofensiva à grande maioria do povo brasileiro. Sarney recebia, sem notar, uma overdose de R$ 3.800 reais em seu salário, e os jornalões tão preocupados com a "defesa da ética na política" publicam seus argumentos sem nenhum comentário constrangedor. Apenas registrando o pedido de desculpas, como a aceitar que nada de mais grave ocorrera com a primeira reação mentirosa, em que Sarney negava a informação divulgada pela primeira vez.

Mais ainda, a considerar, na ausência de comentários que vai jogar a informação no esquecimento. Essa diferença de cifras é desprezível, num país em que a Suprema Corte discute se deve ou não colocar em prisão quem rouba um sabonete em supermercado? Evidentemente que não. Sarney, a quem não se atribui nenhum passado profissional além dos mandatos parlamentares, construiu fortuna incalculável com seus vencimentos (vamos admitir que soube economizar). Mas nem por isso é possível admitir que nem olhe para seu contracheque, ao menos para manter controle contra imprevistos ou ""erros". Portanto, mentiu, e não pode ser absolvido por um simples pedido de desculpas ao negar a primeira versão. Mente, como mentiu ao se comportar como se nada soubesse das mazelas infindáveis que a Casa por ele presidida promoveu a partir de nomeações de Executivos em sua gestão anterior. Como se nada tivesse a ver com o passado recente dos diretores que operavam ações criminosas que ele tenta minimizar ao anunciar que limitaria as ações investigativas dos escândalos à Polícia Legislativa, em detrimento da Polícia Federal e dos demais órgãos federais a que estão sujeitos o restante dos brasileiros.

O senador José Sarney, numa democracia verdadeira, num Congresso minimamente digno, não poderia, por essa sequência de eventos, escapar a uma Comissão de Ética. E era isso que os grandes jornais deveriam ter registrado, a despeito da desculpa esfarrapado, quando pego na mentira