9.20.2010

'Gal total'

Gal Costa ressurge em caixa com 12 de seus CDs e em disco novo com Caetano

Leonardo Lichote
À beira dos 65 anos (que completa no próximo domingo), a Gal Costa de hoje carrega a imagem de uma grande dama do canto brasileiro - pelo domínio de sua voz límpida, pelo repertório coalhado de clássicos e pela pouca (ou irregular) ousadia que marca seus últimos trabalhos. Mas quando fita a jovem e explosiva tropicalista de "Gal Costa" (1969), a mulher bossanovística e moderna de "Cantar" (1974) ou a madura hitmaker de "Fantasia" (1981) - reunidos ao lado de outros 12 discos da artista na caixa "Gal total" (Universal), que traz também um CD duplo de raridades -, a senhora de 2010 se vê ali, naturalmente:

- Fui verdadeira em todas as fases, me reconheço em todos esses discos. Porque minha essência é o canto cristalino - diz a artista, por telefone, durante uns dias off em Nova York. - Teve o momento em que usei o grito, até como forma de protesto, mas a minha essência sempre se manteve. As fases diferentes são uma marca do meu temperamento. Gosto de arriscar, de inventar.

À primeira vista, os verbos "inventar" e "arriscar" no presente não soam adequados à voz da Gal dos últimos anos - apesar da investida na obra de novos compositores e arranjos com sabor contemporâneo de "Hoje" (2005) e do frescor de "Aquele frevo axé" (1998). Mas a cantora, que prepara um disco com produção de Caetano e Moreno Veloso, esquiva-se dessa percepção ao dar seu olhar maduro sobre os conceitos de risco e invenção.

" Tudo é perigoso. Tudo é divino, maravilhoso. Quando falo em se arriscar, falo de fazer o que se quer sem ter medo "

- Fazer disco novo é se arriscar, sair de casa é se arriscar - diz, quase citando involuntariamente o Los Hermanos de "Último romance" ("Sair de casa já é se aventurar", diz a canção) e antes de citar para valer a canção-ícone para o tropicalismo e sobretudo para sua carreira, por marcar a passagem do canto bossanovístico para uma agressividade experimental, "Divino, maravilhoso". - Tudo é perigoso. Tudo é divino, maravilhoso. Quando falo em se arriscar, falo de fazer o que se quer sem ter medo. Posso querer gravar um disco de bossa nova, e você dizer: "Ah, a Gal tá velha." Mas eu não vou ter medo dessa reação, vou fazer. Ou posso querer um disco de rock. Se é possível eu fazer algo assim hoje? Claro. Em se tratando de Gal Costa, tudo é possível.

Sob o olhar de Gal, portanto, as distâncias entre a cantora de hoje e a de ontem parecem pequenas - ou inexistentes. Se a intérprete do período dourado coberto pela caixa - dos discos entre 1967 e 1983, gravados pela antiga Philips (depois Polygram, hoje Universal) - é citada (e percebida) como a maior influência em nove entre dez cantoras brasileiras jovens e cool (de Céu a Roberta Sá), a artista de 2010 vê nisso um fruto de algo que passa além do apelo do experimentalismo ácido de "Fa-tal" (1971) ou da beleza tenra da voz de uma menina de 22 anos cantando músicas de um compositor de sua geração em "Domingo" (Gal e Caetano, de 1967).

- Sou moderna e vista assim por esses artistas por causa de João Gilberto, por ser herdeira dele. Meu canto é moderno porque a bossa nova também é. Sou e serei uma cantora contemporânea por toda a minha vida pela identificação que tive com o canto de João. A bossa nova também foi uma forma que encontrei de ser revolucionária - diz a cantora, que tem contato com seus jovens fãs via Twitter. - Essa garotada de 16, 18 anos conhece tudo da minha carreira, tem os vinis. Eles dizem que o canto brasileiro se divide entre antes e depois de Gal Costa. E sei que muitas das cantoras jovens do Brasil reconhecem minha influência. Me vejo no trabalho delas também, como reflexo.

A imodéstia presente em suas falas reúne uma consciência real de sua importância, doses de vaidade e um tanto de postura defensiva. Não é à toa. Desde a década de 80, Gal sofre acusações constantes da crítica - de ser "comercial", "conservadora" ou simplesmente "equivocada". Frequentemente, a excelência de discos que estão na caixa "Gal total" é lembrada como parâmetro de comparação.

- Muitas vezes a crítica não entende o trabalho. E, como o artista, ela passa por fases também. Tem hora que quer falar bem, depois quer falar mal. Por outro lado, todo artista tem safra e entressafra - pondera, antes de lembrar um exemplo da inconstância da crítica. - O show "Fantasia" (de 1981) foi criticado de uma forma muito violenta. Talvez por ser repleto de inéditas, por ter a presença de Lincoln Olivetti (responsável pelos arranjos), com quem a imprensa implicava... Mas levamos o show para o estúdio e fizemos um disco com o mesmo repertório, os mesmos arranjos. E ele foi escolhido um dos melhores do ano.

Seu cuidado ao falar com a imprensa também se deve a um episódio ocorrido em 2001, quando Gal foi bombardeada por ter dito - ela nega - que não existiam mais bons compositores na MPB, declaração similar a outras atribuídas à cantora em entrevistas dadas, por exemplo, em 1970 e 1979. Por isso, ela mede palavras ao comentar sua visão sobre a música hoje.

- Minha geração teve o privilégio de viver um sonho; hoje é tudo muito profissional. Não que ache melhor ou pior, só estou dizendo que foi esse o movimento do mundo. Em meu último disco, "Hoje", gravei gente maravilhosa dessa nova geração. Mas estou falando de algo que acontece mundialmente. Veja essas cantoras americanas, todas cantam muito bem, mas elas parecem feitas para o sucesso. Não que não haja quem sonhe, mas falo de algo generalizado, geracional. Não é mais assim - afirma Gal, que reconhece esse movimento, ou pistas dele, na própria discografia presente em sua caixa. - Isso pode ser percebido no meu trabalho e no de qualquer artista. Meus discos dos anos 80 são mais pop.

Na contramão do imediatismo que identifica no mundo contemporâneo - e talvez sob a percepção do tempo que a idade impõe ou que uma caixa como essa sugere -, Gal parece olhar a vida com a serenidade jovial de "Domingo".
- Não me sinto com a idade que tenho. A maternidade (Gal adotou Gabriel, hoje com 5 anos, em 2007) me rejuvenesceu. Nada é mais revolucionário do que ser mãe - afirma. - É isso que me move a cantar. Não é um assunto específico, não é política, não é comida. É a vida, a beleza de estar no mundo. Estou em Nova York, vou andando até Downtown, vendo as coisas, sinto que estou viva. Se estivesse enfurnada em casa, deprimida, talvez não quisesse cantar. Mas hoje sei que não há idade certa para nada. Se quiser aprender alemão aos 78 anos, farei isso. O tempo está dentro da sua cabeça.

"I'm alive vivo muito vivo", disse Caetano ao andar por Portobello Road, Londres, no início dos anos 70. É bom saber que Gal - a intérprete que, pelo que foi no passado coberto pela caixa, mas também pelo que é em 2010, precisa ser ouvida quando canta - se sente assim. E que retoma a parceria com Caetano, que esteve com ela em momentos como sua estreia, em "Domingo", e como produtor, em "Cantar".

- Está muito no começo, mas já estamos trabalhando - conta. - Será um CD de inéditas, nada de revisionismo.

Gal prepara disco, criam-se expectativas que retomam toda uma trajetória - da menina tropicalista à grande dama do canto brasileiro. E fazem pensar sobre como soarão hoje as sutis ou explosivas revoluções - da bossa nova, do experimentalismo, do grito, do sonho, do desejo pelo risco, da maternidade - que a cantora carrega em si.

9.17.2010

Vaiado, Restart é grande vencedor do VMB 2010

Na noite desta quinta-feira, 16, os fãs da banda “colorida” Restart mostraram que a união faz a força, como diz o ditado popular. O grupo foi o grande vencedor nas cinco categorias em que concorria no Video Music Brasil 2010, premiação promovida pela MTV. A festa de entrega dos prêmios foi realizada no Credicard Hall, em São Paulo e contou com diversos shows e convidados.
O Restart deu início à festa com um show surpresa realizado em uma praça da capital paulista, tocando “Recomeçar”. O quarteto ouviu algumas manifestações da platéia como “ei, Restart, vai tomar no c#” e chegou a ser vaiado ao receber o prêmios de Artista do Ano. “Obrigado a todos os que vaiaram. Vocês fazem a gente crescer”, respondeu o vocalista Pe Lanza.
A votação é popular, com isso fica óbvio que a mobilização de fãs faz diferença no resultado final da premiação, o que pode explicar o fato do Restart ter vencido em todas as categorias que concorria.
A festa teve como anfitrião o comediante Marcelo Adnet e contou com shows de Fresno, Capital Inicial e Otto, além de uma jam com integrantes das bandas Glória, Hevo 84, Replace e Fake Number tocando canções que foram destaque nos 20 anos de MTV no Brasil, inclusive “Mulher de Fases”, dos Raimundos.
Quem também foi destaque no evento foi a cantora Pitty, que agora figura como a maior vencedora de prêmios da história do VMB, ao lado da banda Os Paralamas do Sucesso. Ao total, são 15 troféus levados para casa.

Abaixo você confere a lista dos vencedores do VMB 2010:

Artista do ano: Restart
Clipe do ano: Restart
Artista internacional: Justin Bieber
Show do ano: NX Zero
Hit do Ano: Restart
Revelação: Restart
Aposta MTV: Thiago Petit
Webstar: Felipe Neto
Webhit: Galo Grito: "Justin Biba"
Pop: Restart
Rock: Pitty
MPB: Diogo Nogueira
Rap: MV Bill
Música Eletrônica: Boss in Drama
Game do Ano: “Super Mario Galaxy 2”
Aposta internacional: School of Seven Boys

9.16.2010

Bon Jovi no Brasil: confira outros detalhes

Após 15 anos desde o último show em território brasileiro, se aproxima a nova oportunidade para os fãs curtirem a banda Bon Jovi ao vivo no país. O grupo volta ao Brasil para shows nos dias 06 e 08 de novembro, em São Paulo e no Rio de Janeiro, respectivamente.
O primeiro show será realizado no Estádio do Morumbi e o segundo na Praça da Apoteose. Os ingressos para as duas apresentações continuam disponíveis através do site www.ticketsforfun.com.br ou pelo telefone 4003-0696 (válido para todo o país). Também há os postos oficiais de vendas.
Em São Paulo os ingressos estão à venda nas bilheterias do Credicard Hall e no Rio nas bilheterias do Citibank Hall. Outros endereços em todo o país podem ser consultados através do site de vendas de ingressos.
Nesta nova turnê mundial a banda norte-americana de Hard Rock divulga o álbum “The Circle”, mais recente trabalho com material inédito. Confira os valores dos ingressos para as duas cidades:

06/11/2010 - São Paulo/SP
Estádio do Morumbi - Praça Roberto Gomes Pedrosa, 1
Abertura dos portões: 16h00
Horário do show: 21h00
Classificação etária: Não será permitida a entrada de menores de 12 anos; 12 anos a 14 anos permitida a entrada (acompanhados dos pais ou responsáveis legais); a partir de 15 anos permitida a entrada (desacompanhados).
Acesso para deficientes
Ingressos: R$ 160,00 (arquibancada laranja), R$ 180,00 (arquibancada azul/vermelha), R$ 200,00 (arquibancada vermelha especial), R$ 250,00 (cadeira inferior A e B/pista), R$ 300,00 (cadeira superior laranja/vermelho/azul/premium) e R$ 600,00 (pista premium).
Informações e vendas: www.ticketsforfun.com.br / 4003-0696

08/11/2010 - Rio de Janeiro/RJ
Praça da Apoteose - Rua Marquês de Sapucaí, s/n
Abertura dos portões: 17h00
Horário do show: 21h00
Classificação etária: Não será permitida a entrada de menores de 12 anos; 12 anos a 14 anos permitida a entrada (acompanhados dos pais ou responsáveis legais); a partir de 15 anos permitida a entrada (desacompanhados).
Acesso para deficientes
Ingressos: R$ 250,00 (pista) e R$ 600,00 (pista premum).
Informações e vendas: www.ticketsforfun.com.br / 4003-0696

Planeta Terra 2010: divulgados horários dos shows

Os organizadores do festival Planeta Terra divulgaram detalhes sobre a programação do evento. Os shows serão realizados em dois palcos diferentes a partir das 16h00, no dia 20 de novembro.
O palco principal, chamado Sonora Mais Stage, terá como primeira atração a banda Mombojó, que deve tocar por uma hora. Na sequência sobem ao palco os Novos Paulistas, Of Montreal, Mika, Phoenix, Pavement e o Smashing Pumpkins, que encerra a noite por volta das 03h00.
O segundo palco, chamado Gillette Hands Up Indie Stage, terá início com a banda República e segue a programação com Hurtmold, Holger, Yeasayer, Passion Pit, Hot Chip, Empire of the Sun e Girl Talk 3rd band.
O Planeta Terra 2010 será realizado dentro do parque de diversões Playcenter, em São Paulo. Alguns dos brinquedos do parque continuarão funcionando durante toda a noite. O público esperado pela organização é de 20 mil pessoas.
Quem ainda não comprou ingresso provavelmente terá que esperar pela edição de 2011, já que os ingressos se esgotaram no início deste mês. Os shows serão transmitidos ao vivo pela Terra TV. Confira a seguir a programação das bandas:

Sonora Main Stage
16h00 / 17h00 - Mombojó
17h30 / 18h30 - Novos Paulistas
19h00 / 20h00 - Of Montreal
20h30 / 21h30 - Mika
22h00 / 23h00 - Phoenix
23h30 / 01h00 - Pavement
01h30 / 03h00 - Smashing Pumpkins

Gillette Hands Up Indie Stage
16h00 / 16h40 - República
17h00 / 18h00 - Hurtmold
18h30 / 19h30 - Holger
20h00 / 21h00 - Yeasayer
21h30 / 22h30 - Passion Pit
23h00 / 00h00 - Hot Chip
00h40 / 01h40 - Empire of the Sun
02h00 / 03h30 - Girl Talk

Gilberto Gil grava DVD de “Fé na Festa” em outubro

O novo álbum de estúdio do cantor e compositor Gilberto Gil vai ganhar uma edição em DVD. Gil agendou uma apresentação especial para a gravação de um novo trabalho audiovisual com o repertório do disco “Fé na Festa”.
A gravação do DVD será realizada no Horto, no Rio de Janeiro, no próximo dia 02 de outubro. O cineasta Andrucha Waddington assina a direção do trabalho. Não foram divulgadas informações sobre ingressos ou outros detalhes.
O álbum “Fé na Festa” foi lançado em junho e traz repertório baseado nas festas juninas. O disco foi lançado pelo selo Geléia Geral, do próprio Gil, com distribuição da Universal Music, que também vai distribuir o DVD.

Sarau literário-musical comemora aniversário de Resende

Um sarau literário-musical acontece amanhã (17), às 19h, no Plenário Jorge Miguel Jayme, da Câmara Municipal de Resende (foto). O evento será realizado em comemoração ao aniversário de 209 anos do município.
Textos, poesias e músicas alusivas à Resende irão marcar o sarau, no qual também serão prestadas homenagens ao Padre Clésio Vieira, à fotógrafa Sandra Masseti, ao jornalista Marcos Brito e ao funcionário público Jorge Olegário da Conceição, bem como à Rádio Agulhas Negras, que receberão a distinção cultural "Tymnuribá", em agradecimento aos serviços prestados à cidade.
O sarau literário-musical tem entrada gratuita. O Plenário fica na Rua Padre Couto, 10, Centro.
O evento é resultado de uma parceria entre o programa Câmara Cultural - desenvolvido pela Câmara de Vereadores - e o Grêmio Literário de Resende, além de contar com o apoio dos alunos da Escola Municipal de Música Maestro Aniceto de Senna. Com sete anos de existência, o Câmara Cultural oferece à população uma agenda cultural gratuita e variada, incluindo exposições de artes plásticas, exibição de filmes, apresentações teatrais, shows musicais, saraus de poesia e leituras dramatizadas.
Fonte: Diário do Vale