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8.24.2009


Considerações sobre o Perdão

"O perdão é a chave para a liberdade."
Sempre que se fala do ato de perdoar imediatamente surge a idéia de que esta atitude está relacionada à uma postura religiosa. De fato, é uma prática naturalmente esperada de uma pessoa que tem respeito e amor pelo próximo, mas perdoar não precisa ser uma experiência mística ou sobrenatural.Antes de mais nada perdoar é fazer uma escolha pela própria paz e pela recuperação da saúde física e mental.

Ø O QUE O PERDÃO NÃO É:·

Perdoar não é fechar os olhos para a ofensa recebida.
· Não é esquecer (ou passar uma borracha) sobre o que aconteceu e causou sofrimento.
· Não é desculpar, minimizar ou negar a afronta.
· Não significa se reconciliar com quem causou o dano.
· Não é fechar os olhos à mentira.

Ø PERDOAR É:·

Se liberar do passado.
· Reconhecer que não pode mudar os fatos ocorridos.
· Procurar novas maneiras de obter o que quer ao invés de reprisar mentalmente seu sofrimento.
· Só porque alguém o fez sofrer não significa que o sofrimento é para sempre.
· Levar a vida em frente depois de um abandono, traição ou outra situação que tenha provocado mágoa.
· Focar em novos objetivos.
· Mudar a história sobre a mágoa. O ato do perdão tira a pessoa da posição de vítima.
· Reconhecer que a principal angústia é resultado dos sentimentos feridos e pensamentos sobre o que o feriu há 10 minutos ou há 10 anos.
· Desistir de esperar das outras pessoas, ou da vida, o que elas não podem dar.
· Recuperar seu poder sobre a própria vida.
· Aprender a procurar amor, beleza e bondade ao seu redor.

Perdoar nada mais é do que deixar ficar no tempo o que causou dor e sofrimento.

LEMBRE-SE: O PERDÃO É BENEFÍCIO PARA QUEM DÁ.
Um abraço.

Márcia Modesto (Psicóloga/ Psicanalista/ Terapeuta Familiar Sistêmica) conversandocomvocebotecos@gmail.com

7.21.2009


"Casamento é o destino tradicionalmente oferecido às mulheres pela sociedade. Também é verdade que a maioria delas é casada, ou já foi, ou planeja ser, ou sofre por não ser." (Simone de Beauvoir)

Quero aproveitar esta citação de Simone Beauvoir para concluir a divulgação dos dados da Pesquisa/ Mulheres: Amor x Profissão.
O que mais chamou minha atenção no levantamento dos dados foi a enorme necessidade que, ainda hoje, a mulher tem de ter um companheiro que a sustente e seja seu protetor. Isto reforça a minha percepção constante de que grande parte da infelicidade feminina reside na expectativa do casamento. Portanto, hoje não quero escrever muito, apenas deixar um poema sobre o Amor. O mais fica para sua reflexão e elaboração.
Continuo aguardando seus comentários. conversandocomvocebotecos@gmail.com
Obrigada. Um abraço.
Márcia Modesto (Psicóloga/ Psicanalista/ Terapeuta Familiar Sistêmica)

Para Viver um Grande Amor
Carlos Drummond de Andrade

É preciso abrir todas as portas que fecham o coração.
Quebrar barreiras construídas ao longo do tempo,
Por amores do passado que foram em vão
É preciso muita renúncia em ser e mudança no pensar.
É preciso não esquecer que ninguém vem perfeito para nós!
É preciso ver o outro com os olhos da alma e se deixar cativar!
É preciso renunciar ao que não agrada ao seu amor...
Para que se moldem um ao outro como se molda uma escultura,
Aparando as arestas que podem machucar.
É como lapidar um diamante bruto para fazê-lo brilhar!
E quando decidir que chegou a sua hora de amar,
Lembre-se que é preciso haver identificação de almas!
De gostos, de gestos, de pele...
No modo de sentir e de pensar!
É preciso ver a luz iluminar a aura,
Dando uma chance para que o amor te encontre
Na suavidade morna de uma noite calma...
É preciso se entregar de corpo e alma!
É preciso ter dentro do coração um sonho
Que se acalenta no desejo de: amar e ser amada!
É preciso conhecer no outro o ser tão procurado!
É preciso conquistar e se deixar seduzir...
Entrar no jogo da sedução e deixar fluir!
Amar com emoção para se saber sentir
A sensação do momento em que o amor te devora!
E quando você estiver vivendo no clímax dessa paixão,
Que sinta que essa foi a melhor de suas escolhas!
Que foi seu grande desafio... e o passo mais acertado
De todos os caminhos de sua vida trilhados!
Mas se assim não for...
Que nunca te arrependas pelo amor dado!
Faz parte da vida arriscar-se por um sonho...
Porque se não fosse assim, nunca teríamos sonhado!
Mas, antes de tudo, que você saiba que tem aliado.
Ele se chama TEMPO... seu melhor amigo.
Só ele pode dar todas as certezas do amanhã...
A certeza que... realmente você amou.
A certeza que... realmente você foi amada

7.13.2009


"A mulher é o negro do mundo. A mulher é a escrava dos escravos. Se ela tenta ser livre, tu dizes que ela não te ama. Se ela pensa, tu dizes que ela quer ser homem." (John Lennon)

Estou publicando dados levantados em uma pequena pesquisa realizada, em maio deste ano, com 100 mulheres do Rio de Janeiro. O objetivo deste levantamento foi verificar as expectativas da mulher, no momento atual, no que diz respeito a sua vida amorosa e profissional.

Meu propósito, inicialmente, era o de enriquecer um trabalho que apresentei no RHDebates Mulher, no último mês de junho, na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro.

Hoje estou relatando apenas os resultados e na discussão deles quero sua participação. Poste aqui no blog seus comentários ou os envie para:

conversandocomvocebotecos@gmail.com

Obrigada. Um abraço.

Márcia Modesto (Psicóloga/ Psicanalista/ Terapeuta Familiar Sistêmica)


"Pesquisa/Mulheres: Amor X Profissão"

Classe Social
  • 10% classe média alta.
  • 80% classe média.
  • 10% classe pobre.
E Escolaridade
  • 90% com nível de escolaridade superior e pós-graduação. Trabalhando e/ou estudando.
  • 8% com nível médio de escolaridade. Trabalhando e/ou do lar.
  • 2% com nível primário de escolaridade. Trabalhando e/ou do lar.
E Estado Civil
  • 60% casadas ou em união estável.
  • 35% solteiras.
  • 5% viúvas, divorciadas.

Mulheres de 20 a 30 anos
-Fazem questão de ter uma profissão e trabalhar, entretanto, acham que o homem é que deve sustentar a casa e a família.
-Quando perguntada sobre o que é mais importante para uma mulher respondeu que é poder conciliar família e profissão.
-Ela acredita que o que um homem espera de uma mulher é:

Carinho e atenção
Que seja apaixonada.
Sexo.

- O que ela espera de um homem.

Proteção, apoio e muito amor.
Que seja forte diante da vida e saiba enfrentar problemas.
Que seja bem sucedido na profissão.

Mulheres de 30 a 40 anos
- Fazem questão de ter uma profissão e trabalhar e acham que uma mulher não deve depender financeiramente do marido.
- Quando perguntada sobre o que é mais importante para uma mulher respondeu que é estudar, trabalhar e ser independente.
- Ela acredita que o que um homem espera de uma mulher é:

Sexo
Que ela seja independente e pague suas próprias contas.
Companheirismo.

- O que ela espera de um homem.

Que não tenha vícios.
Proteção, apoio e muito amor.
Que seja forte diante da vida e saiba enfrentar problemas.
Que seja bem sucedido na profissão.
Que seja bom pai e marido.

Mulheres de 40 a 50 anos
-Dizem que não conseguem ficar só, sem um companheiro e que fazem questão de ter uma profissão e trabalhar.
-Quando perguntada sobre o que é mais importante para uma mulher respondeu que é conciliar família e profissão.
- Ela acredita que o que um homem espera de uma mulher é:

Sexo.
Companheirismo.
Que nunca o traia.
Carinho e atenção.
Que lhe dê filhos e seja boa mãe.
Que cuide bem dele e da casa.

- O que ela espera de um homem.

Proteção, apoio e muito amor.
Que nunca a traia.
Que seja romântico.
Que seja forte diante da vida e saiba enfrentar problemas.
Que seja bem sucedido na profissão.
Que seja responsável e pague todas as contas.

Mulheres de 50 a 60 anos
- Elas fazem questão de casar e ter filhos e também querem ter uma profissão e trabalhar.
- Quando perguntada sobre o que é mais importante para uma mulher respondeu que é conciliar família e profissão.
- Ela acredita que o que um homem espera de uma mulher é:

Sexo.
Que lhe dê filhos e seja boa mãe.
Companheirismo.
Que cuide bem dele e da casa.

- O que ela espera de um homem.

Proteção, apoio e muito amor.
Sexo.
Que seja responsável e pague todas as contas.
Que não tenha vícios.
Que nunca a traia.
Que seja forte diante da vida e saiba enfrentar problemas.
Que seja bem sucedido na profissão.

Mulheres de 60 a 70 anos
-Nesta faixa de idade consideram o casamento e cuidar da família o maior sonho e objetivo de uma mulher. Acreditam também que uma mulher sem filhos não é feliz. Apesar disso, acham que ter uma profissão e trabalhar é muito importante.
-Quando perguntada sobre o que é mais importante para uma mulher respondeu que é conciliar família e profissão.
- Ela acredita que o que um homem espera de uma mulher é:

Carinho e atenção.
Sexo.
Companheirismo.
Que cuide bem dele e da casa.
Que concorde sempre com ele.
Que nunca o traia.

- O que ela espera de um homem.

Proteção, apoio e muito amor.
Sexo.
Que seja responsável e pague todas as contas.
Que não tenha vícios.
Que seja bom pai e marido.
Que nunca a traia.
Que seja forte diante da vida e saiba enfrentar problemas.
Que seja bem sucedido na profissão.

Mulheres acima de 70 anos
-Elas também consideram o casamento e cuidar da família o maior sonho e objetivo de uma mulher. Acreditam também que uma mulher sem filhos não é feliz. Acham que o homem é que deve sustentar a casa e a família.
- Ela acredita que o que um homem espera de uma mulher é:

Carinho e atenção.
Sexo.
Que lhe dê filhos e seja boa mãe.
Que cuide bem dele e da casa.
Companheirismo.

- O que ela espera de um homem.

Proteção, apoio e muito amor.
Sexo.
Que seja responsável e pague todas as contas.
Que seja bom pai e marido.
Que nunca a traia.
Que seja forte diante da vida e saiba enfrentar problemas.
Que seja bem sucedido na profissão.


7.06.2009


As mulheres e suas expectativas amorosas.
Na vingança e no amor a mulher é mais bárbara do que o homem.

Friedrich Nietzsche

Nós mulheres nos expandimos, nos desenvolvemos em praticamente todas as áreas, desbravamos muitos caminhos, abrimos espaço na sociedade, passamos a ocupar novas funções e cargos, fizemos uma grande revolução nas nossas vidas. Porém, apesar destas conquistas o desejo do casamento, dos filhos, da família, não se modificou, ainda sonhamos com o “príncipe” e com a felicidade para sempre.
Desde pequena ouvimos através das histórias que um príncipe vai chegar. Vai despertar-nos com um beijo ou vai nos calçar um sapatinho de cristal. E assim viveremos em um castelo e seremos felizes para sempre. E se ele é um príncipe podemos esperar tudo dele. Ele vai atender todas as nossas expectativas e demandas de amor, atenção, cuidados, carinho e afeto.
Só que estas necessidades começaram lá trás, mas acreditamos que ele vai dar conta de todas elas, que será capaz de resolver tudo nas nossas vidas.
Porém ele não tem todos os recursos disponíveis para atender tantas expectativas, afinal, também tem as dele (é apenas outro ser humano), mas quando o escolhemos não percebemos isto, acreditamos que é muito forte, é quase um super-homem.
E porque nos frustramos o transformamos em um sapo, e como tal ele perde as qualidades, se torna safado, insensível, sacana, o que só nos iludiu, nos enganou.
Será mesmo? Ou fomos nós que nos iludimos e nos enganamos, projetando nele, como num espelho, tudo o que precisávamos?
Vejo este drama diariamente em meu consultório, tantas mulheres bonitas, bem sucedidas e infelizes porque só se sentem inteiras com o olhar e o amor do outro.
Tanto sofrimento por causa desta velha crença de que eles podem tudo, não sofrem por nada e que têm tudo à sua disposição. Quanto engano!
Como eles sofrem, choram, se fragilizam e se deprimem diante das perdas, das separações e diante de tantos outros motivos.
Aqui cabe um alerta: é preciso estar mais consciente de como você se lança nas águas do amor. Para usufruir ou para se afogar? Como seduz os homens? Você sabe? Já se apropriou de seus recursos? Os conhece bem? Sabe manejá-los?
É imprescindível que você se conheça para que possa encontrar um ponto de satisfação nas relações, não mais como a princesa, mas como a mulher que tem competência para cuidar de si, de seu trabalho, de seu prazer, compartilhando, interagindo, trocando, não mais como um ser deficiente, sem um ponto de apoio próprio.

Encontrar um bom parceiro e companheiro de percurso é completamente possível desde que possamos olhar e aceitar a limitação do outro.

Fiz uma pequena pesquisa com 100 mulheres do Rio de Janeiro para saber:

o que é mais importante para ela,
o que ela espera de um homem,
o que ela pensa que um homem espera dela.

As faixas de idade variaram de 20 até mais de 70 anos. Na próxima coluna comentarei os resultados desta pesquisa.

6.16.2009


Aceitar, essência da superação

"Somos insignificantes. Por mais que você programe sua vida, a qualquer momento tudo pode mudar." Ayrton Senna

Cada mudança, boa ou má, que atravessamos, nos leva a fazer uma escolha ou uma renúncia e costuma envolver o sentimento de perda.
As perdas nem sempre são negativas, entretanto, para serem bem elaboradas exigem de nós um sentimento especial: a capacidade de aceitação.
A aceitação é um comportamento que nos leva a perceber a realidade tal como ela é e, diante dela, desenvolver novas formas de vida. Quando aceitamos determinado acontecimento como um fato concreto conseguimos dar continuidade à nossa história.
Vale a pena frisar que aceitação e conformismo não têm o mesmo significado.
A aceitação, além de devolver ao indivíduo o livre arbítrio possibilita que, frente às perdas, ele se movimente e busque novos rumos. É o que faz alguém que reage e trabalha para reverter os efeitos de situações negativas.
O conformismo, ao contrário, mantém a pessoa sem qualquer iniciativa nesse sentido. Há pessoas que justificam sucessivas perdas como resultado da vontade divina e nada fazem para remover os fatores que as provocam.
A aceitação das perdas funciona como elemento do nosso crescimento e amadurecimento. Aceitando as mudanças ampliamos nossa capacidade de aprender, de nos emocionar e de nos relacionar. Evoluímos.
É verdade que muitas vezes sofremos perdas inevitáveis e de difícil aceitação, que nos levam a longos períodos de tristeza e dor, mas só com o exercício da aceitação, conseguiremos recuperar nossa condição natural.
Em outros textos conversamos sobre a felicidade e a coragem.
O indivíduo que usa a aceitação é um corajoso. E o corajoso é um candidato a felicidade.
Reflita agora:

Como você tem enfrentado suas perdas?
Quais foram as suas perdas mais sentidas?
Como você reagiu diante delas – lamentou, chorou, superou?
Como você era antes dessas perdas?
Como você é hoje?

O que mudou em sua maneira de encarar a vida?
Se suas respostas não forem animadoras, procure recomeçar. Aproveite para viver cada etapa de sua vida, pois nada dura para sempre. E leve na bagagem uma informação essencial: cada nova experiência pode nos levar a ser e fazer as pessoas felizes.

6.01.2009


Alegria é preciso.

"Clareza é a distribuição correta de sombras e luz.”
(Goethe)


O último tema abordado foi sobre a felicidade e exatamente por isto resolvi escrever sobre a alegria, afinal, as duas caminham juntas por uma mesma avenida. São sentimentos inseparáveis, um ajudando ao outro a se expressar.
Como praticamente tudo o que sentimos, a alegria está relacionada à vida que tivemos, ou temos, as vivências pessoais, as conquistas, aos prazeres do cotidiano. Dá para entender porque certas pessoas são naturalmente mais alegres do que outras, a gargalhada é gostosa, o riso é fácil. Essas com certeza encaram a vida com mais leveza, mesmo que a vida não seja tão leve assim. Os hábitos simples, os ganhos, são curtidos completamente. Simplesmente são alegres, felizes. Outras estão sempre vendo o lado mais cinza ou escuro de uma situação.
Atendi a uma moça que relatava que não gostava de comemorar seus aniversários, achava sempre triste, nem os cumprimentos, os abraços recebidos a deixava feliz. Dizia que sempre chovia nesta data, que o tempo estava sempre feio e cinzento. O curioso é que fazemos aniversário na mesma ocasião e nunca percebi, ou me importei, com o acinzentado do céu ou a chuva. Sempre tive muita alegria e disposição para festejar meu nascimento, mesmo que cada ano signifique um a menos nesta jornada. Ela, ao contrário, detestava comemorações. Sempre triste, procurando algo para preencher seu vazio interno, não encontrava motivos para sorrir ou festejar datas.
Vemos, com este exemplo, que a alegria precisa de motivos, internos ou externos, a motivação é a base deste sentimento.
A história de cada um vai direcionando, somada a predisposição genética, para este ou aquele comportamento e sentimento. Pessoas que nascem em momentos familiares de perdas e luto podem desenvolver uma atitude mais negativa e pessimista diante da vida, tornarem-se mais dependentes da aprovação e do carinho dos outros. Entretanto,mesmo tendo vivido em situações adversas é possível conquistar a alegria e a paz interior.
De tempos em tempos precisamos rever o que carregamos, não devemos sobrecarregar nossa bagagem, não agüentamos excesso de peso por mais fortes que sejamos.
Pessoas tristes naturalmente têm mais dificuldade para revisar a própria bagagem, se acomodam com o peso, se arrastam pela vida, pesadas, sem motivação para parar e se reciclar.
A alegria pode começar quando resolvemos nos livrar dos excessos, mexer no que está mofado no fundo da bagagem. Este pode ser um momento doloroso, mas necessário para nosso equilíbrio mental e emocional.
Alegria, é preciso para enfrentar as batalhas do cotidiano, é preciso para criar novas idéias, é preciso para viver!
Não é simples o que proponho, é difícil para qualquer um rever a própria vida, relembrar e modificar padrões, porém, não tem outra saída se o que se quer é viver melhor, ser mais leve, mais alegre.
Não existe mudança sem esforço, sem empenho, seja de que natureza for.
Tenha coragem, abra a bagagem, hoje pode ser o momento certo.
Para ajudá-lo tenho uma sugestão:
Ø Trabalhe a sua linha da vida. Repasse numa folha de papel a sua vida a cada 10 anos.
Ø Anote tudo, ano a ano, relembre os fatos, se veja nas situações, os seus sentimentos e comportamentos.
Ø A cada ciclo anote o que ainda carrega desta etapa.
Ø Anote o que quer mudar, o que precisa mudar.
Ø Assuma um compromisso com você.
Ø Se não se lembrar de algum destes ciclos de 10 anos pergunte aos familiares, as pessoas que o acompanharam.
Ø Ouça o que têm a dizer, não como crítica ou intromissão. Ouça como ajuda para seu processo de mudança.

A alegria, uma nova postura diante do mundo pode surgir daí, da autonomia para ser dono da própria história.

5.18.2009


Afinal, o que é a felicidade? Qual é o seu segredo?

"A luta ansiosa pela felicidade é o que dá infelicidade a muita gente” (Hermógenes)

Penso, com freqüência, no relato das pessoas atendidas no meu consultório. Todas, de uma maneira ou outra, expressam o desejo de encontrar o caminho da felicidade. Algumas têm como foco a realização amorosa, conjugal ou profissional. Outras procuram as vantagens que o dinheiro oferece, traduzidas por uma casa confortável, viagens, um corpo bem modelado, prestígio. Essas diferenças não importam. No final, todo ser humano manifesta a mesma necessidade: quer viver feliz!
Há quem fique paralisado diante da própria vida, e para eles a conquista de novas atitudes envolve maior investimento emocional. Mas há, também, aqueles que querem mover-se para frente, que não desistem de buscar solução para seus problemas.
Diversos fatores, no entanto, impedem que muitas pessoas, completamente dominadas por um estado de sofrimento, cheguem ao equilíbrio desejado. Capturados pela dor, seus sentidos, assim como suas capacidades mentais e o próprio organismo, enfraquecem e adoecem. Assim se fecha um círculo vicioso, em que dor, enfraquecimento- inércia- mais dor, impedem a visualização das causas e atitudes que conduzem à felicidade.
AH! A felicidade! Tantos já se dedicaram a falar sobre ela e a resposta parece sempre apontar na mesma direção: nós mesmos.
Quando nascemos, somos a principio, direcionados para a realização e a busca do objetivo de alcançá-la, que parece sempre algo muito difícil. Nessa procura aprendemos a valorizar o que possuímos, conquistas materiais, sucesso intelectual. Poucas vezes somos incentivados a valorizar um gesto de amizade ou de solidariedade.
É claro que a aquisição da casa, o carro novo, uma grande festa, também podem nos dar muita alegria e precisam ser vivenciados com gosto. Mas parece que tudo isto faz parte do ritual do viver, automático e naturalmente esperado. Não podemos esquecer que são conquistas, e para alguns, mais árduas do que para outros.
Muitas vezes vemos pessoas que já sofreram muito – ou sofrem ainda – com profunda alegria no delicioso balançar de uma rede. Para outras, uma simples caneca de café com leite ou um mingau quentinho podem representar aquecimento para o corpo e para alma...
É inegável que nossas expectativas nem sempre consideram os limites das possibilidades, e nos levam a frustrações e a cair no vazio. Nestas horas, a felicidade nos parece ainda mais difícil de alcançar. Além disso, há quem parece ter vindo ao mundo para sofrer, estado que poderia lhe tirar a possibilidade de reconhecer e desfrutar os bons momentos que a vida oferece, porém, nem sempre é assim, ao contrário. É comum encontrar gente muito sofrida com um sorriso nos lábios e verdadeiramente feliz porque conseguiu mandar um filho para a escola, ou porque comprou uma cama para descansar seu corpo.
Afinal, há pequenos e grandes motivos para que sejamos autores da nossa felicidade, basta experimentar e usufruir dos diversos sabores que a vida oferece.
Vale a pena descobri-los.

5.04.2009


A coragem é considerada a virtude dos heróis – e quem não admira os heróis?

"Quando você não está feliz, é preciso ser forte para mudar, resistir à tentação do retorno. O fraco não vai a lugar algum." Ayrton Senna

Tive a idéia de escrever sobre a coragem quando recordei, através da TV, da morte de Ayrton Senna, em um dia primeiro de maio, há 15 anos. Ele é ainda hoje considerado pelo povo brasileiro, e até de outros países, um verdadeiro herói.
Que falta ele nos faz nas manhãs de domingo! Trazia alegria e esperança com sua postura corajosa na busca da vitória, e como precisamos destes sentimentos!
Nossa vida é marcada por pontos críticos, previsíveis ou não.
Nestas horas, em que chegamos a sentir-nos no olho do furacão, precisamos de boas doses de coragem para enfrentar e conseguir superar o sofrimento, a dor e as crises.
A coragem é um dos sentimentos mais reconhecidos e admirados em todas as civilizações porque nos ajuda a reagir diante dos perigos que nos ameaçam. Enfrentar situações desafiadoras sempre requer uma atitude corajosa.
Nem sempre as pessoas percebem o quanto são corajosas para cumprir a rotina do viver, algumas pessoas costumam dizer: ”Preciso matar um leão por dia”. E é certo que todos nós precisamos encarar nossos leões, entretanto, não sei se precisamos exatamente matá-los, mas com certeza precisamos apaziguá-los e/ou amansá-los.

Quero nomear algumas situações que exigem coragem

Doenças graves
Mortes
Separações
Assumir uma posição ou ponto de vista
Lutar por um objetivo
Mudar padrões de comportamento
Mudar de estilo de vida (profissão, país, cidade, etc.)
Falar verdades (às vezes dói para quem fala e para quem ouve)
Reconhecer um erro
Buscar o autoconhecimento
Fazer escolhas
Socorrer uma vítima
Doação pessoal em prol de uma causa social
Perdoar uma traição, e muitas outras.
São tantas as situações que esta lista poderia não ter fim, o importante é que tenhamos a percepção do quanto precisamos ser resilientes para viver.
Ser resiliente é ter a capacidade de reagir e recuperar o equilíbrio mesmo diante de situações difíceis. Algumas pessoas desenvolvem mais esta aptidão do que outras e reagem melhor diante dos desafios. O resiliente é como uma árvore no meio de um vendaval, seus galhos flexíveis se dobram, mas não quebram.
O corajoso aprende com as crises e tem interesse por si mesmo. Sua principal característica é a capacidade de superação, que torna possível o enfrentamento dos medos e das limitações, muitas vezes à custa de sacrifícios e sofrimentos. Essa capacidade, aperfeiçoada no transcorrer da vida- especialmente durante a infância e a adolescência, é estreitamente ligada ao quanto de amor próprio cada um de nós desenvolve.
Situações do nosso cotidiano demonstram que a coragem pode ser uma grande companheira quando o destino, os preconceitos e outros elementos parecem torcer contra nós. Não são raros os casos de pessoas com os mais diferentes projetos de vida, que se viram diante de grandes obstáculos, cuja coragem foi fundamental.
Temos vários exemplos conhecidos – Herbert Viana, Lars Grael, Marcelo Yuka e outros.
Para suportar, superar e enfrentar os desafios é preciso fortalecer alguns aspectos de nossa personalidade:

·Auto - respeito – reconhecer os próprios limites. ”Até onde posso ir?”
·Autonomia – poder caminhar a seu modo, mesmo que este não seja o melhor aos olhos dos outros.
Flexibilidade – aceitar os próprios erros e acertos e os das demais pessoas.
Senso de humor – ajuda a aliviar o medo e a angústia, facilita a mudança de pontos de vista.
Empatia – desenvolver a capacidade de compreender, com respeito e tolerância, o sentimento e as vivências de outros.
Reflexão:
Você se sente corajoso (a)?
Você é visto (a) como corajoso (a)?
Que situação exige, ou exigiu, que você fosse corajoso (a)?

4.21.2009


Infidelidade: é o fim do casamento?

Fiquei magoado, não por me teres mentido, mas por não poder voltar a acreditar-te. Friedrich Nietzsche

Para iniciar este assunto delicado e tão doloroso para quem o vive ou viveu é necessário definir o que é infidelidade:
É o descumprimento de um compromisso de fidelidade, a desconsideração de acordos, regras e limites mutuamente combinados em um relacionamento.
O mais comum é relacionar a fidelidade à sexualidade, ao pacto de manter relações amorosas somente com um único parceiro.
A anulação do pacto de fidelidade, gerada pelo ato de trair, é uma das forças mais fragmentadoras de um casamento, depois da morte de pessoas queridas, a traição aparece em terceiro lugar nos estudos sobre as grandes dores. Mesmo assim, apesar deste caráter demolidor nem sempre ela leva à separação.
A crise emocional que se estabelece a partir da descoberta da infidelidade pode sacudir o casal e retirá-lo de um estado de apatia, onde várias questões estão encobertas e ignoradas na relação.
Sabemos que vários fatores interferem na vida do casal, o importante é que haja espaço para rever os pontos sensíveis, partilhar dúvidas e elaborar as decepções que vão aparecendo ao longo da vida a dois, se não há cuidado e investimento nesta sociedade pode acontecer que um dos parceiros procure como solução um caso extraconjugal.
Mirian Goldenberg, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pesquisa o tema há quase 20 anos e é autora dos livros A OUTRA e INFIEL (ambos da Editora Record), ela diz: “A ala masculina considera que a infidelidade faz parte de sua natureza poligâmica. Os homens podem amar a esposa e desejar outras mulheres sem grande conflito. Já as mulheres, tradicionalmente educadas para associar sexo e amor, consideram que traição só é possível quando não se ama mais o parceiro, e sim outra pessoa.
O traidor, para não ser descoberto, precisa se apoiar em segredos e mentiras, o que complica, e muito, a situação conjugal neste caso.
Quando ocorre a infidelidade muitos sentimentos e expectativas são feitos em pedaços, a dor é imensa, a raiva, a culpa, o medo da perda, tudo vem como um turbilhão, arrastando o amor e a confiança para longe.
A reconstrução do casamento depende da capacidade para falar honestamente sobre os sentimentos associados à relação extraconjugal. Só depois disso é possível negociar exigências, fazer planos e voltar a confiar.
Voltar a acreditar no outro e no casamento só poderá acontecer se o perdão entrar nesse cenário, ele é a condição fundamental para a recuperação da relação e, essencialmente, da confiança pessoal e conjugal.
Perdoar não é a negação dos sentimentos de mágoa, ira e rancor. Perdoar é analisar, lembrar do que aconteceu, não para punir ou massacrar o outro, mas para servir de marcador para um novo momento.
Perdoar não é desculpar o erro da pessoa, quem desculpa tira a culpa, no caso da traição a culpa é real. Perdoar não é esquecer a ofensa recebida.
Perdoar é deixar para trás, no seu devido lugar no tempo, o fato que o magoou.
A depressão, a tristeza, o sofrimento cultivado, muitas vezes, estão relacionados à quantidade de lixo emocional que carregamos na nossa bagagem.
A busca de ajuda de um especialista no assunto pode ser bastante importante para o casal que vive o processo da infidelidade.

Participe, envie suas sugestões e comentários para
conversandocomvocebotecos@gmail.com

4.13.2009


Quero agradecer a todos que escreveram comentando a respeito do texto sobre a Páscoa e aos que pediram para que mantivesse este formato de sempre desenvolver um tema.
Casamento, fidelidade, divórcio e tudo o mais que compõe este cenário são os assuntos preferidos de quem nos acompanha aqui.
Penso que o motivo de tanto interesse se dá pelo fato do casamento ser de fato uma relação de muita complexidade.
Duas pessoas apaixonadas (pelo menos na cultura ocidental funciona assim na maioria das vezes) resolvem viver juntas para sempre, “Até que a morte os separe”, e neste momento não levam em consideração as diferenças nas suas histórias, nas suas expectativas e acreditam que com o seu amor vão modificar o outro e transformá-lo naquele príncipe ou naquela princesa idealizada.
Casar é conjugar duas individualidades e neste jogo da conjugalidade os parceiros aprendem a fazer concessões, a relevar erros e diferenças, e em alguns casos, a se anular.
Duas pessoas, com seus desejos, com suas histórias, com suas visões da vida e do mundo, com seus sonhos e projetos, com suas identidades e características pessoais e um desafio - estabelecer a identidade conjugal, ter um mesmo desejo, criar uma história de vida conjugada, estabelecer um projeto de casal, caminhar com um só objetivo.
Que exercício de amadurecimento!
Neste encontro com o outro aparece a necessidade da redefinição de conceitos, da ampliação dos horizontes, da abertura para ouvir e interagir com as diferenças, a partir do diálogo e da troca de idéias o casal vai construindo sua história.
Sem dúvida a individualidade precisa ser preservada, entretanto, o culto excessivo a autonomia, ao eu sou mais importante, ao primeiro eu, acabou por fragilizar demais o casamento.
O compartilhar é o combustível desta relação.
As expectativas de um casamento feliz não mudaram, mas já existe uma maior consciência de que só o amor não basta para o sucesso da relação, além dele é necessário ter afinidades, saber construir a parceria.
Pesquisas recentes demonstram que nos Estados Unidos, 60% dos casamentos acabam em divórcio, na Inglaterra, são 40% e no Brasil a incidência continua subindo. Entretanto, esses números por aqui não são suficientes para influenciar quem quer casar. Todos acreditam que não dá certo o casamento dos outros, mas o seu será para sempre.
Acredito no casamento e nas muitas possibilidades de enriquecimento pessoal que ele traz.

Soneto de Fidelidade Vinicius de Moraes

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive)
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

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4.06.2009


Esta semana não responderei a uma pessoa somente, mas há várias que escreveram perguntando se existe alguma fórmula, algum exercício mental para mudar comportamentos e/ou sentimentos que se repetem e fazem sofrer.
O momento não poderia ser mais oportuno, já que estamos na semana da Páscoa, uma festa cristã que celebra a ressurreição de Jesus Cristo.

E o que é a ressurreição se não a restituição do morto à vida, a nova vida, o novo vigor.

A mudança de qualquer situação estabelecida implica em transformar, mudar a forma, revisar padrões. Ressurgir!
É simples, é fácil? Com certeza, não!Por isto ficamos tanto tempo “mortos” numa situação, paralisados, acomodados. Mesmo sofrendo já conhecemos o caminho das pedras, temos as nossas defesas e criamos estruturas em torno do “incômodo”.
Mas, e a mudança? Implica em movimento, em risco, em desbravar novos horizontes. Mudar traz consigo o desconhecido, o medo do novo. Tantas pessoas me perguntam: “já sei o que faço, como reajo, e não sei como mudar”. “E eu sempre respondo não existe mudança sem esforço, sem atenção ao que se repete”. Só repetimos porque esquecemos, apagamos temporariamente dos nossos registros conscientes aquilo que está trazendo dor.


Portanto, ATENÇÃO! Dois ingredientes são fundamentais para a transformação - a consciência do problema e a coragem para mudar.
A Páscoa cristã nos revela que somos capazes de mudar,
que existe esperança para superar a dor.
Páscoa é dizer sim ao amor e à vida.
É investir na fraternidade.
É lutar por um mundo melhor.
É vivenciar a solidariedade.
Páscoa é ajudar, é compartilhar, é ter compaixão pelo próximo.
É buscar a libertação, romper com o que nos aprisiona a alma.
É crer na vida que transcende a morte.
Páscoa é renascimento, é recomeço.
É uma nova chance pra gente melhorar.
FAÇA A SUA PÁSCOA! FELIZ RENOVAÇÃO!

Mande sua pergunta para conversandocomvocebotecos@gmail.com

3.30.2009


Oi Márcia,

Tenho acompanhado sua coluna e hoje tomei coragem para escrever. Tenho 35 anos, casada há 7 anos e com duas meninas, uma de 7 e a outra de 4 anos. Estou muito infeliz no casamento, acho que fiz a escolha errada, fico com medo de me separar por causa de minhas filhas. Qual será a melhor saída para resolver este conflito?
Nome fictício: Simone

Simone
Que bom que você decidiu compartilhar sua dúvida, com certeza quando dividimos nossos receios sempre um pouco de luz aparece no caminho.
Pelas poucas informações que enviou suponho que casou grávida, o que muitas vezes, pelo inesperado da situação, gera muita tensão no início da vida a dois. A chegada do primeiro filho inaugura a família, vocês passaram rapidamente da condição de casal à de família.
O casal precisa de um tempo para se estruturar e se organizar e no seu caso parece que esse tempo foi muito pequeno, já marcado pelo compromisso de um filho.
Além disso, quando casamos levamos na bagagem diversas influências que podem ajudar ou complicar a relação conjugal.
Costumo dizer aos casais que me procuram que um fator de dificuldade é conciliar as diferenças já que um vem da família A, o outro da família B, então o desafio é criar um novo sistema C, onde os valores, projetos, afinidades, interesses deverão ser trabalhados a dois para a constituição dessa nova família.
Vocês conversam sobre a relação? Conseguem discutir as diferenças e caminhar para o consenso? Mantêm um espaço para o casal, com saídas a dois?
Existem alguns aspectos no casamento que são extremamente sensíveis ao stress, tais como:
· A sexualidade do casal
· Interferência das famílias de origem
· Divergências na educação dos filhos
· Diferenças culturais, sociais e econômicas
· Projetos comuns
· Planejamento financeiro

Avalie, junto com ele, estes pontos. Com certeza a principal causa da dificuldade da separação não é as filhas, mas sim tudo o que os uniu e precisa ser revisto e renovado.
Se puder, busque uma terapia de casal.
Muita paz e harmonia para vocês!

3.23.2009



Márcia,

Tenho 25 anos e até hoje não decidi que profissão seguir, isto me deixa muito angustiada. Comecei o curso de Direito por causa do meu pai, não gostei e parei. Depois, por influência do meu avô materno, fui fazer Odontologia, também não me encontrei. Agora minha mãe tem insistido para que eu faça Psicologia, diz que tem tudo a ver comigo e também era o curso do sonho dela, mas não conseguiu fazer.
Você acha que tem alguma coisa que possa fazer para sair deste conflito?
Aguardo sua resposta ansiosa. Obrigada.

Nome fictício: Aline

Oi Aline,

O momento da escolha profissional, em geral, é muito angustiante.
O receio de errar, de perder tempo, de não ser bem sucedido, tudo isso aparece nessa hora.
Pelo que relatou a família tem tentado ajudar decidindo por você, o que de fato não resolve, só aumenta sua confusão.
Você pergunta se tem algo a fazer, claro que sim.
Buscar a psicoterapia para ajudá-la a entender e solucionar o que a aprisiona e a impede de caminhar em direção a vida adulta me parece de fundamental importância.


Uma das portas de acesso ao mundo adulto é a profissão e o trabalho.
Será que você está com receio de crescer, de enfrentar novas formas de viver? A independência a assusta? Reflita!
Quanto à escolha profissional três condições são fundamentais:
BUSCAR O CONHECIMENTO DE SI MESMA (quem você é, seus gostos, interesses, afinidades)
BUSCAR CONHECER AS PROFISSÕES
(saber o que faz, o que estuda, o mercado de trabalho, onde estudar) e por último,
INTEGRAR OS DOIS CONHECIMENTOS ANTERIORES
(quem eu sou combina com o perfil da profissão que penso escolher?)
Além disso, converse com as pessoas, discuta suas dúvidas, procure interagir com quem exerce a atividade que pretende, mas NA HORA DE DECIDIR, DECIDA SOZINHA!
Um bom trabalho de Orientação Vocacional e Profissional também está indicado.
Desejo que encontre o melhor caminho.

Psicóloga, Psicanalista, Terapeuta de Casais e Famílias, Orientadora Vocacional e Profissional.
Estabelecida há 30 anos na cidade do Rio de Janeiro.

O objetivo deste espaço é gerar a possibilidade de reflexão em torno do tema proposto e de maneira nenhuma poderá substituir o processo psicoterápico.
· A identidade de quem pergunta será sempre preservada.

3.16.2009


Márcia,
Estou com 37 anos, sou solteira, tenho meu apartamento e vivo só.
Moro no Rio de Janeiro, tenho estabilidade financeira e me sinto realizada no trabalho, enfim, uma vida boa.
Acontece que estou muito aflita, me apaixonei por um “garoto” de 20 anos, estagiário da empresa que trabalho, estou em pânico. Não sei se encaro ou se saio correndo.
Uma relação assim tem chance de dar certo? Me ajuda! Obrigada pela oportunidade.

Nome fictício: Suely

Suely,
Você não é a única que se apavora diante de uma situação assim. Vários fatores, principalmente os culturais e sociais, levam as pessoas a desistirem de viver este tipo de relação.
De fato, não é fácil ir contra padrões estabelecidos, além do que vocês vivem etapas de vidas diferentes, o que estabelece diferenças nas expectativas e demandas de cada um.
Tudo isso complica, mas não invalida e impossibilita a relação.
O mais importante é que os dois se preparem para enfrentar críticas, olhares, cobranças, etc. O fato de vocês se fortalecerem para enfrentar a sociedade pode contribuir para o fortalecimento da relação.
Como não a conheço, não sei de sua história familiar, porém, com certeza este apaixonamento está dentro do seu script de vida, moldado por padrões conhecidos e aprendidos na sua família.
É necessário que faça uma reflexão e analise o motivo dessa paixão agora.
Será que você precisa de alegria, de movimento, de renovação, de reviver sentimentos do início da juventude?
Você quer ir contra algo ou alguém?
Se sente emocionalmente despreparada para uma relação madura?
Está faltando o que? Será que ele tem tudo isto para oferecer ou é só um reflexo do seu desejo?
Amar pode dar certo independente de toda e qualquer diferença, mas para tanto tem de ser AMOR com maiúscula, o resto é ilusão!
De qualquer forma, como diz o velho ditado popular: “O coração tem razões que a própria razão desconhece”.
Reflita, se no final se sentir segura para arriscar, ARRISQUE!Seja feliz!

Psicóloga, Psicanalista, Terapeuta de Casais e Famílias, Orientadora Vocacional e Profissional.
Estabelecida há 30 anos na cidade do Rio de Janeiro.

O objetivo deste espaço é gerar a possibilidade de reflexão em torno do tema proposto e de maneira nenhuma poderá substituir o processo psicoterápico.
· A identidade de quem pergunta será sempre preservada.

3.09.2009

Conversando com você


Márcia,

Gostei muito da resposta da semana passada sobre pessoas e relações estressantes. Sua resposta me fez pensar sobre o porquê nos apaixonamos e escolhemos alguém? Tantas vezes sofremos nas relações amorosas e mesmo assim não conseguimos nos separar. Por que isto acontece?

Nome fictício: Flávio

Flávio,

Este seu questionamento intriga a maioria das pessoas. É comum em meu consultório receber pessoas em profundo sofrimento por causa de humilhações e maus tratos numa relação. Ficam paralisadas e impotentes, não conseguem reagir.
Existem diversas teorias para o fato de escolhermos uma e não outra pessoa para nos apaixonarmos, desde as explicações dadas pela neurociência até as espirituais.
Do ponto de vista psicológico considera-se que fazemos as escolhas amorosas baseadas nos modos das nossas relações familiares.

Aprendemos a amar com quem nos ama.

Se recebermos carinho, aprovação e apoio nossa tendência é buscar um amor deste tipo na vida adulta. Se ao contrário, formos criticados, abandonados, rejeitados, naturalmente reproduziremos este padrão. Mesmo sendo o outro ainda um desconhecido quando o encontramos pelas primeiras vezes há uma sintonia inconsciente que nos aproxima. Procuramos, muitas vezes, aquele que nos proteja, nos cuide, nos ampare ou alguém como sou ou como gostaria de ser.
Sei que não é fácil perceber e não cair na armadilha, mas é importante analisar sobre o padrão relacional familiar.
Como seus pais, avós, as gerações anteriores se relacionavam e cuidavam uns dos outros?Como e com quem você aprendeu sobre o amor e amar?
Muitas pessoas dizem: não dou sorte, sempre aparece o mesmo tipo de relação na minha vida! É a hora de prestar atenção, aquilo que se repete mostra, de alguma maneira, onde estamos presos.
É um grande desafio não cair na repetição, porém é possível. A psicoterapia como instrumento para o autoconhecimento pode ajudar bastante.
O tema é muito instigante, em outra ocasião poderemos falar um pouco mais sobre o assunto.
Boa escolha! Seja feliz!

O objetivo deste espaço é gerar a possibilidade de reflexão em torno do tema proposto e de maneira nenhuma poderá substituir o processo psicoterápico.
A identidade de quem pergunta será sempre preservada.

Psicóloga, Psicanalista, Terapeuta de Casais e Famílias, Orientadora Vocacional e Profissional.
Estabelecida há 30 anos na cidade do Rio de Janeiro.

3.02.2009

Conversando com você



Olá, Márcia!

Primeiro quero dizer que este site é excelente! Achei interessante esta coluna "Conversando com Você", pois será muito útil, especialmente para pessoas sem condições de arcar com custos de terapias em consultório.

Bem, o assunto que me traz aqui é o seguinte:

Como distinguir entre pessoas grosseiras e estressadas? E como sobreviver com saúde mental, ao convívio obrigatório em trabalhos ou em situações impostas por relacionamentos afetivos, como nos relacionamentos de casal, com pessoas estressadas e ao mesmo tempo estressantes?

Desde já agradeço pela atenção,

Nome fictício: Eliane

Eliane,

De fato o limiar entre um uma atitude grosseira e um comportamento motivado pelo stress, à primeira vista, parece ser bastante pequeno, porém é importante observar se é o padrão habitual de comportamento de quem se mostra grosseiro e estressado.

O stress é algo circunstancial e deve ser temporário, enquanto a “grosseria” e o mau humor podem ser um traço de personalidade.

No seu relato sugere o trabalho e o casamento como relações estressantes e impostas. Se você, em sua vida, está envolvida numa situação deste tipo, cabe lembrar que nenhuma dessas relações é realmente obrigatória, além disso, preste atenção se, sem perceber, tem provocado reações agressivas nas outras pessoas. Principalmente nas relações mais íntimas temos a tendência a repetir padrões viciados de comportamento.

Nas relações a responsabilidade é repartida, somos peças de uma engrenagem, onde o movimento de uma irá influenciar diretamente o movimento da outra.

Fazer mudanças é sempre difícil e certamente na situação em questão vai implicar em ter que se fazer escolhas e toda escolha inevitavelmente vai levar à vivência de perda.

Escolher é ter que abrir mão de algo.

Será que você está disposta a mudar estas situações estressantes e conflitivas?

Quem sabe, se for o caso, uma terapia de casal, ou até mesmo individual, pode te ajudar? Procure na sua cidade uma boa referência profissional.

Boa sorte!

Psicóloga, Psicanalista, Terapeuta de Casais e Famílias, Orientadora Vocacional e Profissional.
Estabelecida há 30 anos na cidade do Rio de Janeiro.

E-mail para conversandocomvocebotecos@gmail.com

2.26.2009

Conversando com você


Meu cotidiano profissional é marcado pela convivência com pessoas que falam de dúvidas, perdas, separações, conflitos, medos, angústias, tristezas e muitas outras emoções.

Todas procuram alguém que possa ouvi-las e compreender suas dificuldades. Isto acontece porque o simples, porém difícil ato de falar, atenua a dor e abre as portas para a busca de soluções.

Também aqui, neste espaço semanal, pretendo interagir com você. Minha proposta é ajudá-lo a renovar pontos de vista que o impedem de ver, com clareza, o caminho a seguir.

Para isso, basta que me envie sua pergunta,

Com certeza nada substitui o olhar, o calor do contato entre as pessoas e muito menos o processo individual do autoconhecimento que a psicoterapia estabelece.

Também é certo que não encontraremos soluções mágicas para seu problema e que não poderei resolvê-lo por você. Mas pretendo incentivá-lo a buscar as saídas.

Sem investimento, sem avaliação e sem esforço não existe mudança pessoal. Por isso, anime-se!

Aguardo você!

Márcia Modesto

Psicóloga, Psicanalista, Terapeuta de Casais e Famílias, Orientadora Vocacional e Profissional.
Estabelecida há 30 anos na cidade do Rio de Janeiro.

E-mail para conversandocomvocebotecos@gmail.com