7.26.2009

Cinema independente não existe, diz Herzog

Kimberly White/Reuters











Werner Herzog, que diz ver apenas dois filmes por ano

Por Fernanda Ezabella (em Los Angeles)

O diretor alemão Werner Herzog, 66, tem dois longas inéditos na manga e um curta que rodou na Etiópia, além de uma ópera montada na Espanha e um livro em inglês, tudo realizado nos últimos 11 meses.

A seguir, leia trechos inéditos da entrevista que o cineasta deu à Folha, em sua casa em Los Angeles, cidade onde mora há cerca de dez anos. Aqui, ele fala sobre Hollywood, reality shows, financiamento de filmes e a busca pelo “êxtase da verdade”.

Como é viver em Los Angeles, onde se concentra a indústria do cinema?
Ela existe, mas não me afeta. Não que eu vá dizer que é ridícula. É como deve ser. Eu amo alguns filmes de Hollywood, como os filmes de Fred Astaire, são alguns dos melhores que Hollywood já criou. Então, tem sua beleza. Mas só por coincidência eu vivo aqui. Não sou parte disso. Hollywood é uma definição cultural. Quando você vê “Transformers” ou “Transporters”, qual é mesmo o nome? Existe uma certa definição cultural ali. E a minha definição cultural é bavariana.

Mas também existem os filmes independentes em Hollywood.
Cinema independente não existe. É um mito. Cinema independente apenas existe nos filmes caseiros, que você faz nas férias, na praia no Havaí, para mostrar para sua família. Todo o resto é dependente, de finanças, sistema de distribuição, mídia, de tudo, dos sindicatos, sindicatos de atores, diretores, roteiritistas.

E quanto aos programas de TV americanos? Li que o senhor gostava dos reality shows.
Não, não vejo nada. Na época assisti ao [reality] da [ex-coelhinha da ‘Playboy’] Ann Nicole Smith. Claro que ela era um fenômeno interessante, porque você tem que pensar em novos ícones de “beleza”, e eu tenho que dizer isso entre aspas. É uma beleza disforme, como os bodybuilders. Quase grotesco. E por causa disso ela era um fenômeno interessante.

O que te faz dizer então que Los Angeles é a cidade com mais substância dos Estados Unidos?
Por exemplo, o Museum of Jurassic Technologies, que provavelmente você nunca conheceu. Foi um homem genial que o fundou, fica no Venice Boulevard e muito do conteúdo do museu é completamente fantástico. E a 30 minutes daqui, em Pasadena, tem um laboratório de aviões a jato, com um centro de controle de inúmeras missões e um arquivo da Nasa com milhões e milhões de coisas preservadas de explorações do nosso sistema solar, da Lua. Los Angeles é cheia de coisas assim. E você encontra aqui os melhores escritores, fotógrafos, músicos, as coisas realmente são feitas aqui. Mas você precisa olhar além da superfície. E eu vivo completamente além da superfície. Por isso as pessoas mal sabem que eu vivo aqui.

O senhor costuma ir com que frequência aos cinemas?
Eu raramente vejo filmes. Nunca vou a nenhuma première de cinema, vejo talvez dois filmes por ano.

Por quê?
Não sei. Não tenho muito tempo de ver filmes. Nos últimos 11 meses, eu fiz dois longas-metragens e um curta na Etiópia. Fiz uma ópera (Parsifal) em Valência, publiquei o livro “Conquest of the Useless” em inglês e trabalhei muito na sua tradução, e agora estou preparando outros projetos. Não sou um workaholic, eu trabalho muito focado e quieto e é isso. Eu nunca fui de ver muitos filmes. Nunca, nunca.

Nem quando era mais jovem e decidiu fazer cinema?
Não, eu não via muitos filmes.

O senhor gosta de dizer que o cinema verdade [vertente do documentário] não vai a fundo na verdade. Mas, ao mesmo tempo, diz que seus documentários não são documentários.
Isso me levaria 48 horas para explicar. Mas, para encurtar, digo que estou atrás de algo diferente do que o cinema verdade, simplesmente porque o cinema verdade é muito baseado em fatos, e fatos não signifcam necessariamente a verdade.

Mas, quando você faz um documentário, você encena, repete as cenas várias vezes. Como acha que está chegando mais perto da verdade assim?Estou chegando perto da poesia, perto da imaginação, de algo que nos ilumina. E daí temos outra qualidade de verdade nisso, é um êxtase da verdade.

E da onde vêm as ideias para tantos filmes?
Elas sempre vêm até mim, como uma invasão, como ladrões na calada da noite, invadindo uma casa. Agora, enquanto estamos sentados aqui, sete, oito novos projetos estão forçando a porta para entrar. Não é que eu fico planejando uma carreira, eu nunca tive uma carreira. Você vê, outros [diretores] vão atrás de livros best-sellers, recém-lançados, para ver o que dá para transformar em um filme. Eu nunca estive nisso. Mas você pode ficar tranquila, eu tenho muitas histórias boas ainda para contar.

Ficou mais fácil para financiar seus filmes hoje?
Nao. É mais difícil hoje.

Por quê?
Não vou falar da crise financeira, que claro que dificulta as coisas. Mas todos os distribuidores que existiam dos meus filmes, ou as distribuidoras dos meus filmes no Brasil e outros lugares, se extinguiram. E o público quase do mundo inteiro mudou sua atenção para filmes mais como “O Exterminador do Futuro” e menos para filmes como “Aguirre”. Então é uma grande mudança. E agora a atenção é mais para a internet. Mas eu nunca vou reclamar, porque sempre dou um jeito de fazer o meu próximo filme, e o próximo e o próximo.
Fonte Folha Online

Quando tudo parece já perdido na Cinelândia, surge o Ateliê Culinário do Odeon


Luciana Fróes

RIO - Transitar hoje pela Cinelândia é (quase) um pesadelo. Não fosse a beleza do Teatro Municipal, o desconforto seria completo. De dia - e posso imaginar à noite - a praça é um mar de mendigos, pivetes e (oh, céus) grupos evangélicos que soltam a voz em nome de Deus. Como se não bastasse o mix indigesto, a área abriga um corredor de bares que acenam com o pior da baixa gastronomia carioca (e que alguém socorra o Amarelinho, urgente!). Daí, bastou eu alcançar o Odeon e adentrar o Ateliê Culinário para que o alívio fosse imediato.
Além do charme das instalações da casa, o espaço conta com uma simpática livraria montada ao longo da escadaria que nos leva ao mezanino. E é justo ali que se almoça usufruindo a beleza da praça da melhor maneira (hoje) possível: de longe. E do alto.
Estive no Ateliê numa sexta-feira de temperatura amena, em que a maior atração do dia era a feijoada (R$ 22, com direito a uma dose de cachaça). Fui em frente: passei os olhos na seleção de sanduíches do cardápio. Apesar da simpática homenagem ao cinema nacional, não me pareceu animador comer um Lavoura Arcaica, muito menos um Madame Satã.
Então, me deixei fisgar pela tigelinha de moqueca de namorado (R$ 24), que chegou em um bowl branco e fundo, com arroz integral (dá para escolher), nacos de peixe, rodelas de banana-da-terra (que adoro) e lâminas de coco queimado salpicadas por cima. Fumegante. Delicioso. Acompanhei com uma taça de rosé nacional (R$ 10,50).
Só titubeei na sobremesa: tiramisù (R$ 7,50) ou cheesecake de cassis ou goiaba? Fui na certa, no de goiaba (R$ 8), clássico desde os tempos do Ateliê Culinário da Rua Dias Ferreira. A casa da Cinelândia não é nova, mas, talvez por conta da deterioração da área, a filial dessa rede de cafés (hoje restrita às antessalas de cinemas) nunca me pareceu tão gostosa, charmosa, bem cuidada e - ufa - bem localizada. Aleluia!

Ateliê Culinário Odeon: Rua Floriano Peixoto 7, Centro - 2240-2573. Seg a sex, do meio-dia às 22h. C.C.:

7.25.2009

Trio 3-63, de Andrea Ernest, Marcos Suzano e Paulo Braga

Assim como aprendemos a evitar os discos ruins, fugindo de artistas com trajetórias duvidosas, aprendemos a detectar as obras de indiscutível valor, pelos seus participantes, e pelo seu histórico de realizações importantes. Num tempo em que o rádio se prendeu à decaída indústria fonográfica e os meios de comunicação se renderam a press-releases e modismos forjados, vamos aprendendo a navegar no mar de lançamentos por conta própria, uma vez que as antigas referências foram por água abaixo e as novas, paulatinamente, se formam. Logo, seguindo o raciocínio, o que esperar de um álbum com Marcus Suzano, Andrea Ernest e Paulo Braga senão o melhor possível? Esperar de Suzano, porque tem um faro invejável para obras de envergadura, desde os primeiros de Lenine e Marcos Sacramento até os melhores momentos de artistas consagrados, como Gilberto Gil, em seu Acústico. De Andrea, porque tem o rigor de todo o grande instrumentista, não se deixando seduzir pelo que é fácil e desovando produções com selos de qualidade, como os da gravadora Biscoito Fino. E de Paulo Braga, especialmente, por se revelar um compositor ambicioso, neste Trio 3-63, ao lado de grandes como Joaquim Callado, Guerra-Peixe e Pixinguinha. Andrea (flauta), Suzano (percussão) e Braga (piano) abrem com Tom Jobim (a não-óbvia "Radamés e Pelé"), corajosamente encaram uma bela suíte de Luiz D'Anunciação, passam por Callado ("Lundu característico"), por um surpreendente Roberto Victorio ("Chronos II"), encerrando com Pixinguinha e Gastão Vianna ("Yaô/ Benguelê"), sem contar, claro, os já mencionados Guerra-Peixe ("A inúbia do caboclinho") e o próprio Braga ("Nhonhô da botica"). Trio 3-63 é interessante do começo ao fim, como um grande disco deve ser; sujeito a muitas audições, como um grande disco também deve ser. Ou seja, valeu a pena confiar em Andrea, Suzano e Braga. Podemos nos fiar neles

Banda baiana utiliza a boca como único instrumento

Quase toda matéria sobre bandas você é apresentado aos integrantes e aos nomes dos instrumentos que cada um toca, porém nessa vamos mudar um pouco, pois existe uma galera que deixou a bateria, guitarra, e o baixo de lado, para produzir músicas somente com a voz. Esse pessoal, um tanto quanto singular, são os integrantes da Banda de Boca, um quinteto baiano formado por Hiran Monteiro, Fábio Eça, Neto Moura, Poliana Monteiro e Arno Hubner. Com as gargantas afinadas, eles conseguem imitar perfeitamente os sons de vários instrumentos, e utilizam a criatividade para produzir suas músicas, ou para cantar sucessos já conhecidos, como Construção, de Chico Buarque, ou Eu só quero um Xodó, de Dominguinhos.
A banda existe há 10 anos, e tem particularidades interessantes, já que quase todos, com exceção de Neto, são músicos de formação, “Hiran é formado em composição e regência pela UFBA (Universidade Federal da Bahia), Poliana é formada em canto também pela UFBA. Eu e o Arno também cursamos a faculdade de música”, explica Fábio. Além disso, os cinco já cantaram em corais desde pequenos. E quem juntou essa turma toda foi o maestro Hiran Monteiro, que de acordo com Fábio, sempre teve a idéia de montar a banda “Ele sempre teve grande paixão por harmonias vocais, ouvia grupos como Boca Livre e Take 6. Mas não conhecia nenhum grupo no Brasil, que além de cantar à capela, imitasse sons de instrumentos e tivesse sonoridade de uma banda vocal. Foi justamente essa a sua idéia”. Além das influências citadas pelo maestro, eles também escutam outros músicos do mesmo gênero, como: The Singers Unlimited, The Hi-lo's, Bobby McFerrin, entre outros. Mas não é só a galera com performances vocais que influência a Banda de Boca, pois Tom Jobim, Hermeto Pascoal, Chico Buarque, Dorival Caymmi, Edu Lobo , Lenine e Beatles, também servem de referência ao quinteto. E é pegando as raízes da música tupiniquim que eles se diferenciam dos grupos americanos: “Queremos valorizar os elementos da música brasileira e nordestina. Em vez do beatbox, que até apreciamos, e dos melismas (técnica de alterar a nota (sensação de frequência) de uma sílaba de um texto enquanto ela está a ser cantada) exagerados, priorizamos o som do pandeiro, do zabumba, do canto brasileiro”, elucida Fábio. E parecem que têm obtido sucesso, pois nesta década da estrada, já gravaram dois cd’s homônimos e ganharam o Prêmio Caymmi, de Melhor CD de MPB em 2004, além disso, participaram de discos dos consagrados Caetano Veloso, Daniela Mercury e Carlinhos Brown. Isso sem contar, que já dividiram o palco com; Nando Reis, Tom Zé, Paulinho Moska, Edson Cordeiro e Margareth Menezes e apresentaram-se pra quatro mil pessoas em um show no anfiteatro do Parque da Cidade, em Salvador. Mas como toda banda, eles também já passaram situações constrangedoras: “Crises de risos no meio de uma música acontecem às vezes”, conta Fábio. “Uma vez o Hiran vestiu por engano a calça de uma ex-integrante (ou seja, uma calça feminina) e fez o show todo sem perceber. Neto é o desastrado do grupo, costuma derrubar garrafa d'água no palco, microfone e até na caixa de som. Certa vez, Arno caiu em meio aos bancos que estavam no palco ainda escuro, segundos antes de o show começar”, completa. E como formam uma banda de boca literalmente, eles têm um cuidado todo especial com a voz “Procuramos não forçar a voz, fazemos os aquecimentos vocais antes de cantar e evitamos tomar qualquer coisa gelada no dia em que cantamos”, diz Fábio. Sobre as imitações perfeitas dos instrumentos, ele garante que isso sai naturalmente, observando e ouvindo somente.
Centrada e crente de seu talento, a banda sonha alto, deixa a modéstia de lado e planeja bem o futuro: “Queremos aumentar nosso raio de atuação, desenvolvendo, levando e divulgando nosso trabalho e cantando em todos os lugares possíveis no Brasil e até no exterior”. Finaliza Fábio

Bares e restaurantes da Praça da Bandeira conquistam fãs de toda a cidade

RIO - Esqueça os restaurantes estrelados e os bares chiques da Zona Sul. Ou melhor, não esqueça. Mas dê uma chance à região da Praça da Bandeira: é ali que estão alguns dos endereços mais interessantes da cidade hoje. São lugares como o elegante Rampinha, os criativos Aconchego Carioca e Petit Paulette, o chinês "de raiz" (forte) Primeira Pá e o tradicional Galeto Bandeira. No mês que vem, Paulo Roberto Barbosa, o Paulette, inaugura o Capadócia, prometendo causar "impacto visual". Ele também vai dobrar o tamanho de seu restaurante, assim como já aconteceu com o Aconchego, que acaba de se mudar para um sobrado centenário. No lugar do "velho" Aconchego, abre nesta sexta-feira o Bar da Frente, com cardápio elaborado por várias mãos.
(Confira o roteiro com bares e restaurantes da região)
Se não chegam a formar um polo gastronômico, os bares e restaurantes da Praça da Bandeira, simpáticos e sem frescuras, já atraem gente de todos os cantos da cidade. Na semana passada, encontramos por lá a chef Roberta Sudbrack, o sócio do moderninho Meza Bar, Andre Koremblum, e o francês Christophe Lidy, do Garcia & Rodrigues, só para citarmos alguns.
- São os endereços mais originais e agradáveis do Rio, diferentes de tudo e de todos - resume o muito bem informado Lidy.

'Que tem feito a juventude?'

Artigo do leitor Matheus Thomaz

Quando tentaram vender o petróleo brasileiro, lá na década de 50, eles estavam lá. Lutaram e bravamente inscreveram na história o insígnia "O petróleo é nosso".
Quando em 1964 golpearam a democracia no Brasil, eles resistiram. Sonharam com a utopia de um mundo sem desigualdade, livre. Deram a própria vida por seus ideais. Ocuparam as universidades, foram tocados pelo conhecimento. Acreditaram que a rebeldia típica da juventude pode e deve ser o motor da construção do novo. Pegaram em armas.
Quando a sociedade foi às ruas em 1984 exigir eleições diretas, a juventude também o fez. Esteve lá como sempre impulsionando o movimento.
Quando em 1992 o jovem presidente "caçador de marajás" foi cassado, eles materializaram um sentimento nacional. Pintaram a cara, saíram às ruas. Voltaram a sonhar e derrubaram um presidente.
Assim a juventude brasileira existiu, lutou e transformou o país na última metade do século passado. Neste momento que iniciamos um novo século, o que tem feito e por onde tem andado a juventude?
Talvez bombardeada pela ideologia neoliberal durante os anos 1990, que estimulava a competição extremada, o individualismo e o egoísmo. Somando-se a isso a precarização das condições de vida, desemprego em massa, pauperização. Enfim, talvez a juventude tenha se alienado e se tornado rebelde sem causa.
Mas como um bom romântico, que acredita na humanidade, ainda vislumbro possibilidades neste início de século depois de ter dedicado muitos anos à militância política e estudantil. O meu balanço é: faria tudo novamente. Ainda acredito que outro mundo é possível. E também fui ao Fórum Social Mundial em Porto Alegre.
Mesmo assistindo a vulgarização da cultura através de um funk depreciativo e violento, surge a iniciativa da APAFUNK no Rio de Janeiro, que resgata a música de raiz que canta sua realidade e que reflete enquanto dança e se diverte.
Mesmo quando a histórica União Nacional dos Estudantes, a UNE, muda suas prioridades e finge que não vê o Sarney, finge que o Lula não abraçou o Collor dois dias antes de ir ao congresso da entidade.
Mesmo que os estudantes em sua grande massa deixaram de se reunir para grandes assembléias e manifestações, mas ainda se reúnem em grandes megachopadas para beber até cair, ainda existem os que lutam e resistem, e exemplos não faltam: a ocupação da USP e suas similares pelo Brasil. A ocupação da UnB que destronou o reitor corrupto.
A juventude no Brasil ainda tem capacidade de se movimentar e imprimir uma dinâmica na sociedade. Ela pode derrubar o símbolo do atraso. Enxotar Sarney do Senado e da vida pública é simbólico. Talvez seja o pontapé inicial de um novo momento da juventude e do movimento estudantil, sem esperar a UNE e tampouco a ANEL, que ainda carece de existir no mundo real.
Ao "Kapital" interessa que os jovens sejam idiotas, hiperssexualizados e bêbados, enquanto seus filhos se preparam para assumir a gerência do Estado. Sejamos nós conscientes!
Da juventude se espera mais uma vez o ímpeto, a disposição e o vigor na necessidade de lutar e voltar para ruas, se for o caso pintar novamente a cara (mas agora de vermelho...).
Que os jovens, saiam das periferias, das universidades, fechem as ruas e exerçam a forma que se fazem ouvidos! Chamem a atenção, queimem pneus! Organizados podem fazer qualquer coisa! Testem sua força exigindo "fora Sarney"!

7.24.2009

Em boca fechada não entra mosca

Villas Bôas Corrêa


A impressão, a cada dia mais nítida, de que o presidente Lula intimida os amigos, não gosta de críticas e escancara o riso solto com os elogios, salta da ampla cobertura política do escândalo do Senado, com repique na Câmara e o impacto das fotos às gargalhada, o abraço ao risonho senador Fernando Collor ou recostado na cadeira, de paletó aberto, ao lado do sisudo senador Renan Calheiros, que passa a impressão de constrangimento com a efusão do recente aliado.
Com a mania de distribuir conselhos a quem não pediu e no tom de iluminado que sabe tudo, Lula passou da conta e esbarra no exagero. Na entrevista à Rádio Globo, diante da atração irresistível dos microfones, Lula falou como profeta diante da platéia invisível. E o mestre-escola ensinou aos alunos do primeiro ano primário, as noções elementares sobre o que lhe veio à cabeça. As eternas verdades rejuvenescem nas lições da fluência presidencial: “Uma coisa é você matar, outra coisa é você roubar, outra coisa é você pedir um emprego, outra é a relação de influências, outra coisa é o lobby”. Para o retardado que não entendeu a preleção, o reforço explicitou que “nem todos os crimes são para a pena de morte, é preciso saber o tamanho do crime.”
Todo este relambório para encaminhar a defesa do presidente José Sarney, que teve gravada uma conversa telefônica com o filho Fernando Sarney sobre a urgência de um emprego no Senado para o namorado da neta. O namorado já está nomeado, empossado, trabalhando e recebendo os vencimentos, sob o fogo cerrado da oposição.
Lula não recua da solidariedade ao aliado: “O Sarney pediu para a Fundação Getúlio Vargas fazer uma nova estruturação para o Senado; o Sarney pediu que a Polícia Federal investigasse a questão do emprego para o seu neto.” E, na mesma linha, foi mais longe ao reafirmar que Sarney não deve renunciar sob pressão a presidência do Senado: “Não posso entender que cada pessoa que tem uma denúncia tem que renunciar ao seu cargo.”
Mexer em caixa de marimbondos sempre rende ferroadas que doem e incham.Num dia que esbanjou generosidade, Lula tirou da cova o escândalo do caixa dois do PT, que coletou milhões para a eleição de candidatos do partido. E que seria secundado pelo mensalão, para a recompensa aos que aderissem à base parlamentar do governo. A pesquisa relembrou a sentença de discutível moralidade: “O que o PT fez, do ponto de vista eleitoral, é o que é feito no Brasil sistematicamente”. Neste ponto, tem toda a razão. As fraudes eleitorais mais grosseiras elegeram mais senadores, deputados federais e estaduais, prefeitos e ate governadores do que as muambas do caixa dois.
Fui convocado à revelia para mesário na apuração dos votos da eleição de Getúlio Vargas, em 1950, para o mandato da desforra com a derrota do candidato do presidente Dutra e que, com a posse em 31 de janeiro de 1951, terminaria com o suicídio em 24 de agosto de l954. As cédulas eram impressas pelos partidos e candidatos em todos os formatos e tamanhos, com um irresistível convite à fraude: da violação de urnas as trampas da apuração, da contagem dos pacotes de cédulas e em todo o processo lento e tedioso.
Os candidatos que se despediam das esperanças do mandato, abandonavam a apuração, dissolvendo o esquema de controle de votos. Do meio para o fim, na estafa da madrugada, as mágicas no mapeamento, transferindo votos dos que bateram em retirada para os que precisavam desesperadamente de alguns votinhos para o desempate com o concorrente elegeram dezenas, centenas, talvez milhares de candidatos pelo interior do Brasil dominado pelos coronéis de araque.
Mas, os coronéis seriam superados nos 21 anos da ditadura militar do rodízio dos cinco generais-presidente. Nunca se fraudou tanto na marra, às escancaras, o processo eleitoral e a democracia com os recessos do Congresso, os atos adicionais, com destaque para o AI-5, a punga do mandato do vice-presidente Pedro Aleixo para a ocupação do governo pela Junta Militar, das prisões, torturas, mortes nas masmorras dos Doi-Codi.
Daí para cá, a ilusão da eleição indireta pelo Colégio Eleitoral do presidente Tancredo Neves, que não chegou a tomar posse; do governo do vice José Sarney, que tomou posse para cinco anos de mandato e a rotina da esperanças e frustrações com a eleição de Fernando Collor de Mello, que renunciou para não ser cassado, o correto e honrado governo do vice Itamar Franco, os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso e os dois mandatos de Lula da Silva, que terminam em 31 de dezembro de 2015, reacenderam esperanças que duraram pouco. E hoje arriscam a última ficha a reforma política.
Se ela não morrer na praia. Na forma do costume.

http://www.vbcorrea.com.br/

AQUARELA DO BRASIL

Parece um coral brasileiro, mas eles são da longínqua e fria ESLOVÊNIA!!!.Só assistindo ao vídeo para acreditar e reconhecer o esforço que esses meninos fizeram para falar corretamente a nossa língua.



E para quem gosta dos Bee Gees, vale a pena dar uma olhadinha nesse vídeo também

Morrissey homenageia em show o brasileiro Jean Charles de Menezes


RIO - O eletricista brasileiro Jean Charles de Menezes, morto durante falha operação da polícia britânica em 22 julho de 2005, foi homenageado Morrissey, ex-líder da banda The Smiths, durante show em Londres na quarta-feira.
De acordo com o semanário "New Musical Express", o cantor citou o brasileiro antes de tocar a canção "Irish blood, english heart".
"Jean Charles de Menezes, nós nunca esqueceremos, nós nunca esqueceremos", comentou o astro pop na O2 Brixton Academy.

Moraes Moreira comemora 40 anos de sucesso e a conquista de fãs de todas as idades, no Circo


José Raphael Berrêdo

RIO - Quando se apresentou na Feira de São Cristóvão para a gravação do DVD "A história dos Novos Baianos e outros versos", em junho do ano passado, o baiano Moraes Moreira se sentiu em casa, com nordestinos e cariocas cantando em coro a maioria das 17 músicas tocadas. Neste sábado (25.07), o show é praticamente o mesmo, com a inclusão apenas do parceiro Pepeu Gomes como mais uma participação especial, além de Davi Moraes, filho do músico. O público do Circo Voador, no entanto, é bem mais jovem, numa prova de que os 40 anos de carreira do artista não se perderam no tempo.

- É uma experiência maravilhosa ver jovens de 20 anos cantando "Preta pretinha", lançada em 1971. A plateia do Circo é mais garotada, mas está muito ligada nos Novos Baianos e no meu trabalho - comemora o cantor, compositor, poeta e instrumentista.
CAPA DO DVD
A viagem por essas quatro décadas foi registrada no DVD, que mescla músicas desde o primeiro disco dos Novos Baianos, "Acabou chorare", de 1979, até o último trabalho antes de "A história...", o álbum "De Repente" (2005). Entre uma canção e outra, o artista declama poesia de cordel com histórias marcantes e bem-humoradas da carreira. Numa delas, ao lembrar do apartamento no qual viveu em Botafogo, questiona: "Não me lembro bem (...) quem foi o louco do proprietário que topou alugar, para aquele bando de cabeludos, uma bela cobertura no bairro de Botafogo. Ali, instalamos a nossa comunidade". Em outra, narra episódio em que João Gilberto, alinhado como sempre, foi confundido com um policial por Dadi (baixista da banda A Cor do Som) quando tocou a campainha do "apê".

- É como uma prestação de contas de tudo o que eu fiz nesse período. Foram 40 discos, quase 500 músicas gravadas, inclusive por feras como Nana Caymmi, Ney Matogrosso, Maria Bethânia, Gal Costa, Marisa Monte, Cássia Eller... Estou festejando. Faço um balanço bem positivo, até dos desacertos - avalia.
A escolha pela Feira de São Cristóvão para a gravação do DVD foi ideia própria, imediatamente aprovada pelo diretor do show e do DVD, João Falcão. Aos 62 anos, baiano de Ituaçu, Moraes achou, com razão que se sentiria em casa na feira que compara a um "parque temático".

Moraes (à direita) considera o filho Davi, com quem toca neste sábado, 'uma benção' /

- Queria um público que não tivesse cara de convidado e lá a coisa é super espontânea, com um astral maravilhoso - explica, orgulhoso em poder compartilhar o palco e a carreira com o filho. - Queria passar a minha visão sobre os Novos Baianos e o Davi nasceu no sítio onde vivíamos. Desde 3 ou 4 anos subia no palco, brincava com a música. Depois começou a tocar mesmo. Com 40 anos de carreira, achei que seria bacana este encontro das duas gerações.
A julgar pela animação na Feira de São Cristóvão, o público pode se preparar para muita empolgação. O show começa com "Ferro na boneca", canção do primeiro disco e segue com outras 16 músicas. Da autoria de Moraes são: "Acabou chorare", "Pombo correio", "Preta pretinha" e "Festa do interior", e por aí vai. Entre as homenagens, estão "Brasil pandeiro" (Assis Valente), "Respeita Januário" (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira) e "Vassourinhas" (Matias da Rocha/Joana Batista Ramos).

@@@Moraes Moreira
@ Circo Voador.
@@@@ Show do DVD "As histórias dos Novos Baianos e outros versos",
@@@com participação de Pepeu Gomes e Davi Moraes. Abertura: Vulgo Qinho e Os Cara. Rua dos Arcos s/nº, Lapa - 2533-0354. Sábado, às 22h. R$ 40