5.28.2009

1º Viradão Carioca - 48 hs de muita música

Alceu Valença e um dos artistas confirmados

Chega ao Rio de Janeiro a primeira edição da Virada Cultural do Rio de Janeiro, evento cultural que já é tradicional em São Paulo. Entre os dias 5 e 7 de junho, a capital carioca contará com 48 horas de programação ininterruptas de Shows. Inspirado na Virada Cultural Paulista, o Viradão Carioca 2009 contará também com peças de teatro, concertos, exposições, leituras, atividades circenses e exibições de filmes. Criado e coordenado pela Prefeitura do Rio, através da Secretaria Municipal de Cultura, o Viradão Carioca terá a programação espalhada por diversos pontos da cidade, e com entrada gratuita ou a preços populares.

De acordo com a secretária municipal de Cultura, o Viradão Carioca é totalmente diferente da Virada Cultural Paulista, embora seja inspirado nela. Segundo a secretária, a Virada Carioca terá 48 horas, ao contrário das 12 horas de São Paulo, daí o nome do evento de “Viradão Carioca”

Algumas atrações e programação já confirmadas para o Viradão Carioca.
Martinália
Beth Carvalho
Alceu Valença
Elba Ramalho
Elza Soares
Dudu Nobre
Blitz
DJ Malboro
Marina Lima
Elza Soares
Gustavo Lins
Luiza Possi
Moska
Sandra de Sá
Zélia Duncan
Toni Garrido
Bangalafumenga
Rodrigo Maranhão
Eletrosamba
Edu Krieger
Marcos Sacramento
Farofa Carioca

Bateria da Mocidade
Quatro grandes palcos que serão montados na Praça Quinze, em Santa Cruz, na Cidade do Samba e na quadra da Portela, em Madureira, serão os pontos principais do Viradão Carioca.

Shows no Palco da Praça Quinze
Começa, no dia 5, sexta-feira, às 21h, com Show de Dudu Nobre, MartNália e “virada” com o Dj Marlboro e outros Djs. Palco temático com o tema ‘O Rio de Janeiro, fevereiro e março’, e receberá a típica música carioca, do samba ao funk, do pop à MPB.

Shows no Palco Santa Cruz
Serão homenageados grandes maestros da música brasileira, como Tom Jobim, Nelson Cavaquinho e Heitor Villa-Lobos.

Palco na Cidade do Samba
receberá atrações que não são unicamente ligadas ao Carnaval. Com o tema ‘Outros sambas’, o palco vai mostrar como o ritmo se misturou a outras invenções musicais.

Shows na Quadra da Portela
estão programados shows em homenagem ao rei do baião, Luiz Gonzaga. Show de Elba Ramalho, na sexta-feira à noite, e Show de Alceu Valença, no sábado à tarde.

A programação do Viradão Carioca também poderá ser conferida nas lonas culturais e nos palcos itinerantes, que irão passar por bairros como Campo Grande, Pavuna, Méier, Bangu e Leme.

Shows na Lona Cultural de Vista Alegre
está previsto um Show/Tributo à Simonal, com Elza Soares e o grupo Farofa Carioca.

Shows na Lona Santa Cruz
Está previsto um Show/Tributo a Tim Maia, com Sandra de Sá e Toni Garrido

Viradão Carioca no Twitter
Você pode seguir o que rola no twiter do Viradão aqui, ou se preferir pode seguir o twitter do Próximo Show

Entrevista com Caetano Veloso


por Giuliano Cedroni

É assim que Caetano Veloso se mostra do alto de seus 66 anos: como se tivesse acabado de nascer – de novo. Em turnê pelo país com Zii e Zie, seu novo álbum de rock, está otimista com o Brasil de Lula, FHC, Serra, Dilma, Aécio, Ciro...

Caetano Veloso morreu. Também sinto muito... Aquele do tropicalismo, aquele dos Doces Bárbaros, do Cinema Falado, de Transa e Joia, que já não era o mesmo de Verdade Tropical nem de Qualquer Coisa... Aquele Caetano morreu. O Caetano dos ternos bem cortados, da apresentação no Oscar, da Paula Lavigne... Kaput. Talvez ainda reste um pouco do Caetano de Sampa, de Fina Estampa e Cê... Se bem que também não. O Caetano de hoje, mesmo, já não é nem o Caetano da entrevista que você tem em mãos, feita no fim de abril. O Caetano de hoje é o novo, e o novo é para poucos.
Um dos artistas mais completos em atividade no Brasil, Caetano está, segundo o próprio, entrando na “infância da velhice”. E está muito à vontade com isso. Nada de lipo, botox ou tinta no cabelo. No lugar de camisas peroladas, uma jaqueta jeans rasgada. No lugar de sapato bico fino, tênis baixo. E o baiano nunca esteve tão bonito...

Aos 66 anos, avô duas vezes, Caetano Emanuel Vianna Telles Velloso acaba de lançar seu álbum de número 42, o Zii e Zie. Musicalmente é uma continuação do anterior Cê, com a mesma jovem banda intitulada... Cê. Mas as letras deste de nada lembram as daquele. Se em Cê ele registrava sua separação de Paula Lavigne, mãe de dois filhos seus, agora ele canta Guantánamo, Leblon, Lapa, Lula, FHC, canta também outras mulheres e sobretudo o acerto do rock. Em todos os sentidos.

Caetano recebeu PODER num estúdio de som onde ensaiava para a turnê que tinha sua estreia marcada pra dali uma semana. Rodeado por garotos – sua banda é formada por três jovens músicos, dentre eles o brilhante guitarrista Pedro Sá –, o tropicalista consegue a difícil façanha de transitar entre a juventude sem parecer ridículo. Ao contrário, Caetano tem no olhar o brilho de um menino faminto por novas aventuras, com a diferença de que agora é senhor de seu próprio destino. Falou com pressa, afinal precisava ensaiar, e nesse momento de sua vida nada é mais importante que sua música. Críticas, mídia, flashes, nada disso é relevante. Isso sim é poder. E para lhe adocicar a boca entre uma resposta e outra, a mesma Coca-Cola de sempre.

Veloso falou de Cê & FHC, de Lula & Obama, de Veja & Daslu, de Mangabeira & Gabeira e de como ele próprio “não seria ninguém sem o samba”. Ouvindo-o, me dei conta de que seu maior poder é o de se reinventar. Poderia fazer como a maioria e criar mais do mesmo, nadando nas águas tranquilas de quem domina um único estilo, um único discurso. Todos os seus colegas fazem isso, até mesmo seu mestre João Gilberto. Mas não. A cada novo movimento artístico lançado, Caetano se arrisca e chega junto. Foi assim com o rock dos anos 80, com o mangue, o rap, o funk carioca. Sem mencionar o baião, o forró, o folk, o axé, o sertanejo, o jazz, o coco.

Não tem jeito, Caetano não censura nem tem censura. Sofre da total falta de preconceitos, o que talvez explique o talento de se repensar de forma verdadeira e periódica. Poucos músicos de destaque no mundo conseguem tal proeza. Podemos contar nos dedos: Dylan, Madonna, David Bowie, Byrne. Talvez Bono, quando não está tentando salvar o mundo. No Brasil só mesmo Tom Zé. Zii e Zie vem para provar isso – mais uma vez. E prova também que o garoto de Santo Amaro da Purificação chegou num altar no qual não se trata tanto do resultado e sim do processo. His journey is the destination. Enquanto o camaleão estiver interessado em novos olhares, novos cortes de cabelo, novas gírias... estaremos salvos. Caetano é o satélite avançado que filtra o melhor do novo e nos devolve em ondas clássicas. É o surfista prateado do Brasil. Em um aforismo irresponsável, é o próprio Brasil.

“Acho melhor ser do que não ser.” A frase, que talvez resuma a si próprio, foi dita num jardim de bambus no Japão, quando Caetano excursionava com o álbum A Foreign Sound. A cena foi incluída no corte final de Coração Vagabundo, documentário de Fernando Grostein Andrade que segue o baiano por shows em São Paulo, Nova York, Tóquio e Osaka. Com estreia marcada para julho deste ano, o filme traz um retrato inédito do artista em um momento de profunda transição que, de certa forma, culminou em Zii e Zie. “Eu sou do sol, quero ser lúcido e feliz”, declara. E é assim que ele se mostrou na entrevista a seguir, lúcido e feliz.

PODER: No seu novo álbum, tem-se a impressão de que o som é mais calmo, mas, ao mesmo tempo, as letras são mais amplas e fortes que em Cê. É isso mesmo?
CAETANO: Não sei se as letras são mais fortes, mas seguramente são mais amplas. Cê é muito restrito, quase que um tema só. É uma letra, né? C...

PODER: Você já tocou com bandas grandes e músicos consagrados. Agora está com três garotos. Como tem sido a experiência?
C: Muito boa. Eles são muito, muito bons e nosso diálogo é muito claro. O gosto musical, a decisão a respeito de arranjos, a escolha de canções – qualquer coisa que um de nós diga, os outros três entendem logo. Não há nem tempo para pensar em como funcionam as diferenças, entendeu? É muito imediata nossa comunicação: fala, a gente sabe; toca, já entende.

PODER: Na canção “Falso Leblon”, você faz uma descrição interessante da cultura de baladas, ecstasy e maconha. Voltou a se interessar pela boemia jovem?
C: Eu nunca me desinteressei dela. Mas não gosto de drogas. Odeio cocaína. Tudo: odeio a maneira como as pessoas aspiram, odeio o fedor do corpo de quem cheira. Odeio a cultura de economia paralela ilegal que cresceu por causa do consumo da cocaína. Da boemia, me interessam as pessoas.

PODER: Com o aparecimento das drogas sintéticas, o consumo de cocaína teria diminuído. Mas, agora, os números indicam que voltou com tudo. Você sente isso nas suas andanças pela jovem boemia?
C: Eu ouvi falar isso que você está dizendo. E fico triste. Veja a cocaína em forma de crack, por exemplo. O crack é o único negócio que me balança. Seu efeito é muito rápido e destrói muita gente pobre e desavisada. Seu aparecimento abalou minha decisão de princípio, que é ser a favor da legalização das drogas.

PODER: Outro dia, você escreveu no seu blog: “Folha, Veja, Fasano, Daslu, Sala São Paulo, Museu da Língua Portuguesa. Tudo isso faz pensar o quanto Sampa é influente e interessante”. Não é novidade que você tem uma relação conflituosa com a Veja. Mesmo assim acha que a revista faz de São Paulo uma cidade mais interessante?
C: Não há dúvida e isso não depende de concordância. Mas não estava ali fazendo qualquer julgamento moral ou político. Muita gente ficou ofendida por eu incluir não a Veja, mas a Daslu e até o Fasano. Eu acho a Veja mais complicada do que a Daslu. Mas não estava preocupado com isso. É apenas uma lista de coisas que mostram a força da cidade.

PODER: Veja criticou duramente seu novo disco...
C: Eu não li. Até quero ler. Eu leio a Veja às vezes, sabia? Quando viajo de avião eu compro. Porque é uma revista boa, dá pra ler. A gente fica com raiva de umas coisas, ri de outras. Você tem a Veja que fala do nosso disco, Pedro [Sá, guitarrista da banda]?. Me empresta? Eu vi você falar um pouco mas não sei o conteúdo...

PODER: No release do álbum à imprensa, você diz que o disco saúda a era FHC-Lula e a ambição do Brasil de ter uma ascendência no cenário internacional. Ao mesmo tempo, estamos vivendo um período de descrença nos políticos...
C: Uma descrença nos nossos parlamentares, né? Por outro lado, nunca vi político tão bem aprovado e tão bem equilibrado quanto o Lula. FHC, enquanto foi bem avaliado pela população, também era assim. O aspecto ideológico, a ideia de melhorar a sociedade, isso veio com a esquerda – que sempre esteve muito descolada da prática real. O Lula faz bem essa jogada de representar os anseios da esquerda e ser superpragmático. Ele e FHC marcam um nível muito elevado entre governantes.

PODER: No passado, eram da mesma turma.
C: No conjunto, é muito bom que FHC tenha vencido as eleições por causa da criação do Plano Real, e que Lula tenha mantido isso. Acho muito cafona o José Dirceu falar em herança maldita, já que o governo Lula continuou a política econômica que foi instaurada antes. Henrique Meirelles é uma figura mais representativa daquilo que Lula combatia quando estava na oposição do que qualquer outra do governo FHC. O antagonismo PT-PSDB é superficial, eleitoral e fingido de ambas as partes. Tudo bem, política tem esses componentes também, mas não submeto minha observação a essa mascarada

PODER: Esses aspectos são mais importantes do que a discussão da lama no Congresso?
C: O Brasil produziu figuras políticas como Marina Silva e Fernando Gabeira. São figuras que, independentemente do que vem acontecendo no plano mais genérico, têm uma responsabilidade ética, têm ideias às quais devem lealdade. E são acompanhadas, conscientemente, por grandes grupos da sociedade. Isso é uma coisa nova, boa, diferentemente do acompanhamento meramente fisiológico e do acompanhamento ao estilo torcida ideológica, como a esquerda fazia antes.

PODER: Você parece otimista diante do nosso cenário político...
C: Estou dizendo que esses aspectos são melhores do que esses outros, horrendos, de que todo o mundo fala.

PODER: A farra das passagens aéreas no Senado acabou atingindo o próprio Gabeira. Acha que ele se saiu bem fazendo um mea-culpa?
C: Gabeira agiu como sempre age. É até muito notável que ele seja parlamentar há tanto tempo e tão pouco da cultura atrasada politicamente o tenha contaminado. Todos no Brasil sabem quem é o Gabeira. E a Marina Silva também – é um grande quadro. Depois, é importantíssimo que o Lula tenha finalmente convidado o Roberto Mangabeira [Unger] para o governo.

PODER: Você o apoiava antes, não é?
C: Desde os anos 80 que apoio o Mangabeira. A imprensa se recusava a botar minhas declarações. Por mais de dez anos cortaram o nome dele das minhas entrevistas. Você que é da imprensa deve dizer: não é inacreditável?

PODER: Se te dessem poder para mudar a estrutura política do país, você teria hoje alguma ideia aprumada do que fazer?
C: Não, mas o Roberto Mangabeira tem. Não estou dizendo que suas ideias se tornariam benéficas – mas ele tem ideias e elas são interessantes.

PODER: O que você achou da sugestão, um tanto irônica, do senador Cristovão Buarque de fazer um plebiscito para decidir se o Congresso deve ou não continuar existindo?
C: Não sou muito plebiscitarista não. Porque você não pode ficar fazendo plebiscito para tudo, senão vira a ditadura da maioria. Não é assim. Mas eu gosto de Cristovão, acho ele bacana, aquela ênfase na educação... É um velho negócio brasileiro, isso de que a educação vai resolver tudo. É importante mesmo. Se alguém pegar esse assunto com garra e disser que vai botar isso para funcionar, pode representar uma grande mudança para o Brasil. Agora, isso de plebiscito para ver se tem ou não Congresso, não acho interessante. Tem de mudar as regras a partir de como elas são. Congressista não tem de ter muita vantagem, tem de ter é desejo de contribuir. Sua atuação não deveria representar uma subida na escala social e econômica. Não deveria ter esse apelo. Você deveria querer ser deputado para contribuir na organização das coisas.

PODER: O cenário das próximas eleições para presidente apresenta até agora quatro candidatos: Serra, Aécio, Dilma e Ciro. Tem alguma preferência?
C: Não. Já votei no Ciro. Gosto dele desde que foi prefeito de Fortaleza. Mas, quanto mais se aproximou do poder central, mais apareceram nele características que me deixariam preocupado caso ele tivesse poderes mais amplos. Eu o achei um pouco destemperado e um pouco como se estivesse deslumbrado demais consigo mesmo. Sinto dizer isso, porque quero bem a ele demais. Eu o sinto de longe como um amigo. Estou dizendo isso com sinceridade. Agora, de alguma forma, Lula está certo: os candidatos são todos bons, todos de esquerda. Não acho que ser de esquerda é necessariamente bom, não. Mas, no caso dos quatro, são quatro bons candidatos de esquerda.

PODER: Vivemos hoje uma terrível crise financeira mundial e uma das grandes frases do Lula sobre o assunto foi aquela em que, ao lado do primeiro-ministro Gordon Brown, culpou os brancos de olhos azuis. O que achou da declaração?
C: Li um artigo da Maureen Dowd, do New York Times, que achei muito interessante. Até traduzi e botei no meu blog. Apesar de dizer que o Lula estava querendo competir com o papa em falar besteira (o papa tinha dito que a camisinha espalha a Aids), ela termina constatando que a sua fala tinha tocado em um nervo sensível e real. Lula tem isso, né? Ele está sempre correndo o perigo de passar do limite. Tem realmente uma intuição rica e profunda. A história dele, a personalidade, tudo contribui para que ele tenha isso.

PODER: Na semana seguinte Obama o encontra e diz que ele é o cara...
C: This is my man! E depois fala que ele é boa pinta. Não é, né?...

PODER: Qual o sentido de um sujeito como Obama assumir a Presidência dos EUA?
C: Tem um valor simbólico tal como o caso de Lula e, por outro lado, significa de fato a disposição da revolução americana, que é uma revolução em curso. Os EUA são um país revolucionário. E que permanece fiel aos princípios da sua revolução, na medida do possível. A eleição de Obama vai contra tudo o que Bush representou e que estava já demasiado longe dos ideais da revolução.

PODER: Com Obama, os EUA estão tentando se reinventar. O Brasil também tem essa capacidade?
C: O Brasil tem mostrado ao longo do tempo muita incompetência. Mas desenvolveu uma superação disso que aos meus olhos é consideravelmente rápida. Você devia ler – e recomendar a todos que lessem – uma entrevista recente do Mangabeira na Gazeta Mercantil. Ele fala sobre como uma crise pode ser uma oportunidade para o Brasil. Eu, de minha parte, observo que o Brasil partiu de situações bastante desvantajosas e convive com situações especialmente desvantajosas. O próprio fato de falarmos português é uma enorme desvantagem comparativa. No entanto, é também uma bênção. Se não tivessem sido os portugueses os colonizadores do Brasil, não haveria o samba. E eu não posso me imaginar sem o samba. Nem a mim, nem ao Oscar Niemeyer, nem a Marilena Chauí.

* O jornalista e roteirista Giuliano Cedroni é diretor de conteúdo da Prodigo Films. Ele assina o roteiro de Coração Vagabundo, documentário sobre Caetano Veloso com estreia marcada para julho.

5.27.2009

Tributo a Roberto Carlos reúne quatro gerações de cantoras no Teatro Municipal de São Paulo


50 anos de carreira

Márcia Abos e João Sorima

SÃO PAULO - "Nunca na minha vida imaginei que fosse viver uma noite como esta, com todas essas meninas maravilhosas, essas artistas incríveis, cantando aquilo que eu tenho cantado. Jamais pensei na minha vida em coisa igual". Foi assim que um emocionado Roberto Carlos agradeceu a homemagem de pelo menos quatro gerações de cantoras brasileiras - de Nana Caymmi a Sandy, de Wanderléa a Ana Carolina - aos seus 50 anos de carreira. O show aconteceu na noite desta terça-feira no Teatro Municipal de São Paulo. Será exibido pela TV Globo neste domingo, após o Fantástico. Depois vai virar CD e DVD.
A celebração pelos 50 anos de carreira do 'Rei' lotou os 1.500 lugares do Municipal e reuniu uma platéia eclética que incluiu desde o DJ Zé Pedro, passando pelo ministro dos Esportes, Orlando Silva, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, a dona da Daslu, Eliana Tranchesi, e a ex-modelo Luiza Brunet. As 20 divas da música popular fizeram uma releitura do repertório de Roberto, incluindo sucessos da Jovem Guarda - "As curvas da estrada de Santos", na linda voz de Paula Toller - até a fase romântica, com "Proposta", interpretada por Zizi Possi.
Foram mais de duas horas e meia de apresentação até que o homenageado da noite pisasse no palco. Roberto entrou aos acordes de "Emoções" com a platéia em pé para recebê-lo. Vestia um terno preto com acabamentos em azul e camisa azul claro. Entrou em cena e disse:
- Dramas, romances, paixões. Um entrar e sair de ilusões durante 50 anos. Tudo isso sem saber se é para rir ou chorar - para depois emendar com os versos "se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi".
A noite começou com Hebe Camargo, que com fôlego e afinação em seus 80 anos, cantou "Você não sabe". Uma a uma as divas foram se sucedendo no palco, acompanhadas por uma orquestra de cerca de 30 músicos e seis backing vocals. Zizi e Luiza Possi cantaram em italiano "Canzone per te". O vozeirão de Alcione incendiou o Municipal com "Sua estupidez", de Roberto e Erasmo. Fafá de Belém interpretou "Desabafo" e a soprano Celine Imbert cantou "A distância".
Wanderlea, a 'Ternurinha', foi aplaudida em cena aberta quando cantou "Você vai ser o meu escândalo", depois de fazer dueto com Daniela Mercury em "Esqueça". Com minissaia e uma bota de cano alto preta, bem ao seu estilo na Jovem Guarda, Wanderlea ganhou um buquê de flores vermelhas e rosas de um fã e o segurou nos braços em quase todo seu número. Daniela também cantou sozinha "Se você pensa". Entrou acompanhada de dois bailarinos com o microfone desligado e teve que repetir sua entrada. A Bahia foi representada também por Ivete Sangalo e Claudia Leitte.
Fernada Abreu deu suingue ao show com sua interpretação de "Todos estão surdos". Mart'nália fez um samba com "Só você não sabe" e Ana Carolina com sua potente voz foi aplaudida duas vezes em cena aberta com a intepretação de "Força estranha", de Caetano Veloso. Um dos pontos altos da noite foi a apresentação da atriz Marília Pera, que fez uma espécie de perfomance da música "120, 130, 150 por hora", de Roberto e Erasmo. Nana Caymmi fez uma bela interpretação de "Não se esqueça de mim" e Sandy cantou "As canções que você fez para mim".
Um dos melhores momentos do show aconteceu quase na apotesose, quando o 'Rei' terminou de cantar "Emoções". Em volta dele, as 20 cantoras entraram em cena para uma declaração coletiva de amor, cada uma cantando um trecho de "Como é grande o meu amor amor por você". O quase sempre tímido Roberto, ganhou beijos, afagos e carinhos. Cantava trechos da música e também retribuiu com muitos beijinhos e carinhos. Regidas por Hebe Camargo, as cantoras 'brigavam' pelo microfone para se declarar ao 'Rei'. Uma justa homenagem a um dos artistas mais importantes do país. O público adorou e cantou junto.

Confira abaixo o set list completo

Hebe Camargo - "Você não sabe" (Roberto e Erasmo Carlos)
Zizi e Luiza Possi - "Canzone per te" (Sergio Endrigo e Sergio Bartotti)
Zizi Possi - "Proposta" (Roberto e Erasmo Carlos)
Alcione - "Sua estupidez" (Roberto e Erasmo Carlos)
Fafá de Belém - "Desabafo" (Roberto e Erasmo Carlos)
Céline Imbert - "A distância" (Roberto e Erasmo Carlos)
Daniela Mercury - "Se você pensa" (Roberto e Erasmo Carlos)
Daniela Mercury e Wanderlea - "Esqueça" (Mark Anthony, versão de Roberto Côrte Leal)
Wanderlea - "Você vai ser o meu escândalo" (Roberto e Erasmo Carlos)
Rosemary - "Nossa canção" (Luiz Ayrão)
Fernanda Abreu - "Todos estão surdos" (Roberto e Erasmo Carlos)
Paula Toller - "As curvas da estrada de Santos" (Roberto e Erasmo Carlos)
Marília Pêra - "120,130,150 por hora" (Roberto e Erasmo Carlos)
Marina Lima - "Como dois e dois" (Caetano Veloso)
Sandy - "As canções que você fez pra mim" (Roberto e Erasmo Carlos)
Mart'nália - "Só você sabe" (Roberto e Erasmo Carlos)
Adriana Calcanhotto - "Do fundo do meu coração" (Roberto e Erasmo Carlos)
Nana Caymmi - "Não se esqueça de mim" (Roberto e Erasmo Carlos)
Ana Carolina - "Força estranha" (Caetano Veloso)
Ivete Sangalo - "Os seus botões" (Roberto e Erasmo Carlos)
Ivete Sangalo - "Olha" (Roberto e Erasmo Carlos)
Roberto Carlos - "Emoções" (Roberto e Erasmo Carlos)
Todos - "Como é grande o meu amor por você" (Roberto e Erasmo Carlos)

DELÍCIAS MEXICANAS EM RESENDE!

Você gosta da culinária mexicana? Gosta de Nachos, Tacos, Tortillas e Quejadilhas?
E você sabe que não precisa sair de Resende para saborear uma dessas delícias? Ou todas...

Onde? No Cosa Nostra, ali na Beira Rio. Isso mesmo. Agora o Cosa Nostra oferece mais uma opção no cardápio: delícias mexicanas! Tudo de bom, não é? O preço também é tudo de bom! O problema é escolher qual comer... Todas são deliciosas e fartas.

Agora, feche seus olhos e realize a cena: você, no deck do Cosa Nostra, saboreando uma das delícias mexicanas, bebendo um saboroso vinho (ou uma cerveja bem gelada, se preferir), tendo ao lado uma boa companhia (pode ser no plural também) e desfrutando de uma linda vista noturna da cidade...

Realizou a cena? O Cosa Nostra fica na Av. Saulo Rachid, nº 31. Prefere reservar? Quer mais informações? Então, anote o telefone: (24) 33552317.

Importante: o restaurante também oferece a opção Delivery, para os preguiçosos de plantão...rs. O telefone é o mesmo aí de cima, ok?

JÁ CHEGA, NÃO É? ISSO TEM FIM?

FALANDO DO MEU TIME

Mais um na mira do STJD. Depois do péssimo exemplo de Juan (no lance com o Maicosuel, lembram?), agora é a vez de Airton. O zagueiro rubronegro poderá pegar de 120 a 540 dias de suspensão pelo pisão na barriga de Nilmar. Gancho merecido, vamos combinar. Os jogadores do Flamengo estão fazendo um papelzinho miserável...Foi-se o tempo do futebol arte....

SEM NOÇÃO

Para que tanta violência em campo? Já não basta a violência que rola do lado de fora dos estádios, no dia a dia de todos nós? Esporte e agressão física? Fala sério! Todo mundo empenhado em fazer campanha contra a violência nos estádios e o péssimo exemplo vem justamente do gramado? Acredito que se os dirigentes de cada clube punissem rigorosamente seus jogadores a cada falta violenta, isso acabaria. Multa altíssima e banco. Dependendo da gravidade da falta, nem banco! Aff!!!

AINDA É TEMPO

E não me venham com argumentos. Não existe motivo nenhum que justifique tanta violência dentro de campo! Que contratem psicólogos, terapeutas, o que for preciso. Que tratem do mau humor e da falta de espírito esportivo desses jogadores que se acham e que perdem a noção do que é o esporte de verdade. Que aprendam a ser gente, e não continuem agindo como animais irracionais. Esses jogadores, calados já estão errados! Os dirigentes dos clubes precisam agir rapidamente, antes que seja tarde.

TRICOLORES ENLOUQUECIDOS

E alguns indivíduos da torcida do Fluminense surtaram de vez. A invasão na tarde de ontem, durante o treino da equipe, em Laranjeiras, foi um ato de extrema violência e falta de respeito. Invadiram o gramado, partiram pra cima dos jogadores e ainda agrediram Diguinho.

A mídia divulgou que o volante tricolor respondeu de forma grosseira à indagação de um “torcedor” (apontado como chefe da gangue), motivo que justificou um soco no estômago do jogador. Pode isso?


OS "ESCOLHIDOS"


Além de Diguinho, o apoiador Thiago Neves, o zagueiro Edcarlos e o lateral-direito Eduardo Ratinho foram os principais alvos do protesto. E Ratinho foi "homenageado" com a seguinte faixa: "Se Eduardo Ratinho é jogador, eu sou astronauta".

CONCLUSÃO

Entendo que a torcida tenha o direito de protestar contra os jogadores, a diretoria do clube, enfim. Entendo que os torcedores tenham o direito de protestar contra o mau desempenho do time. Mas, peraí! Existem maneiras e maneiras de protestar! Invadindo o campo? Agredindo os jogadores? Fala sério...Se essa galerinha do mal usasse o bom senso (?), a educação (??) e a inteligência (???), teriam talvez, quem sabe, alcançado seu objetivo...Aliás, qual era mesmo o objetivo do grupo? Tumultuar? Atrapalhar o treino? Mostrar que são agressivos e irracionais? Ah, sim. Objetivo alcançado. Sorry.

Pois é. Jogadores e torcedores estão virando caso de polícia...
Colaboração Angela Chaloub

A nossa maior violonista Rosinha de Valença interpreta "Consolação" de Baden Powell, acompanhada pelo J.T.Meirelles Trio. no festival do Foklore em Berlim

Baden Powell nos deixou aos 63 anos de idade , mas sua obra de violonista e compositor é imortal

A Música de Baden Powell da Som Livre está lançando é uma pequena prova disso. Apesar de trazer apenas uma canção interpretada por Baden (Berimbau), as demais reúnem um elenco interessante, fugindo quase sempre do óbvio. O disco abre com uma Elis Regina apoteótica gargalhando "quaquaraquaquá quem riu/ Quaquaraquaquá fui eu" em Vou Deitar e Rolar. Um clássico. Mas a partir daí, as canções de Baden aparecem em registros menos manjados. Os esquecidos Agostinho dos Santos e Rosana Toledo - afinadíssimos e suaves - se encontram no Samba em Prelúdio. A violonista Rosinha de Valença defende Consolação; a dupla Toquinho & Vinicius, Canto de Ossanha, e o primeiro, sozinho, ataca Deixa ("Ninguém vive mais do que uma vez").

Nós, os motoristas que bebem

Martha Medeiros

Eu adoro um bom vinho e,quando a ocasião convida,tomo champanhe com minhas amigas.Nem sempre em minha casa:às vezes na casa delas,às vezes em restaurantes.Um cálice,dois?Sim,mas se a animação for longa,pode se mais.E costumo me deslocar no meu carro,ou seja,volto para casa dirigindo.Nunca provoquei um acidente,jamais dirigi na contramão ou fiz alguma insanidade nas ruas.Do que se conclui que meu anjo da guarda está merecendo um aumento de salário.

Somos peritos em julgar mazelas sociais,em apontar o dedo para os que são desonestos,corruptos,grosseiros,sem poupar,claro,os irresponsáveis no trânsito.Lamentamos publicamente as 35 mil mortes anuais,geralmente de jovens.Só no feriado de Corpus Christi morreram 86 nas estradas e avenidas brasileiras,e os jornalistas se perguntam em seus editoriais,crônicas e reportagens:como solucionar?Com punição e consciência ,sabemos.O Congresso aprovou a lei (ainda não sancionada) que torna todo acidente causado por motorista alcoolizado um crime doloso,com intenção de matar.A sociedade aplaude,mas quem é a sociedade?Não é uma entidade abstrata.Não é aquele pessoal que mora no edifício da esquina.É você,sou eu,criaturas civilizadas e de bom caráter,que se reúnem em torno de uma mesa para celebrar a vida tomando alguns drinques e comendo uns tira-gostos,e que voltam pra casa ligeiramente mais alegres do que saíram,sem absolutamente nenhuma intenção de mata __ tanto que nunca matamos.

Não somos doidos.Somos pais de famílias e temos certo controle sobre nossas ações.Mas certo controle não é controle absoluto.A verdade é que muita gente bebe e dirige,quando deveria beber e pegar um táxi, ou beber e pegar uma carona, ou beber e voltar a pé, ou simplesmente não beber,se não lhe faz falta.A mim na hora do jantar faz falta.Não consigo me imaginar comendo uma bela refeição acompanhada de refrigerante ou água.Então se opto por um vinho quando estou fora de casa, tenho que igualmente optar por um táxi.Para mim ,será uma mudança de hábito e tanto.E estou me usando como exemplo justamente para não perpetuar a hipocrisia de levantarmos a voz contra os problemas , esquecendo de fazer nossa parte para combatê-los.

Poderia estar citando como praxe, os moleques que entornam um engradado de cerveja e depois voam a 120 km / h em vias urbanas só para se sentirem machos em seus possantes carros,essa coisa estúpida que a gente vê acontecer a toda hora.Mas não: desta vez estou virando o gatilho das palavras para mesma que tenho idade mais madura, uma consciência mais que formada, uma auto-estima bem resolvida,e que mesmo não tendo necessidades exibicionistas, mesmo desprezando exageros etílicos e respeitando meus limites,ainda assim já poderia ter provocado algum risco desnecessário num fim de festa.Bastaria uma única vez e babaus.

Então que essa crônica sirva de auto ajuda-ajuda e ajuda mútua:vamos parar de só julgar aquela turma chamada “eles”, aqueles lá fora que aparentemente fazem tudo errado, e passemos a olhar para “nós” , que somos ótimas pessoas e que nos sentimos abençoados pelo destino pela simples razão de termos as melhores intenções do mundo.

Bebeu,a intenção mudou.Acabou a inocência, acabou o “não tive culpa”.Eu não vivo sem um bom vinho, mas vou aprender a viver sem carro quando for preciso.Caso contrário, que credibilidade é essa que a gente se outorga?

5.26.2009


Projeto Cultura Para Todos - Toda terça no Cine Nove de Abril.

As terças-feiras, que antes estavam vazias em opções em lazer, agora contam com um projeto patrocinado pela Prefeitura, que visa promover a cultura na cidade de Volta Redonda. Estímulo e valorização da arte e do cidadão.
Os ingressos numerados devem ser trocados na bilheteria do cinema por um litro de leite longa vida, na segunda e terça-feira, a partir de 10 horas.

Confira as próximas atrações:
26/05 – Gustavo França; 19 e 21h – Yamandú Costa
02/06 – Ballet da educação; 19 e 21h – Nelson Freitas e Você
09/06 - Ballet do Gacemss; 19 e 21h – João Bosco
16/06 –Serginho Brother e Joe Sany; 19 e 21h – Luiz Melodia
23/06 – Blue 3; 19 e 21h – The Fevers
30/06 – Grupo de dança da Casa da Cultura; 19 e 21h – Wando;
07/07 - Ciron Silva ; 19 e 21h – Pais Criados Trabalhos Dobrados
14/07 – Reis e Regional; 19 e 21h – The Original´s
21/07 – Humberto Nascimento; 19 e 21h – Renato Teixeira
28/07 – Mariângela Leal; 19 e 21h – Terapia do Riso

Um exemplo à ser seguido por Barra Mansa - RJ, onde a Secretaria de Cultura não se mobiliza há muito tempo. O povo desta cidade está carente de eventos culturais de qualidade. Pessoas que buscam fontes de cultura e lazer não encontram em Barra Mansa. Para quem pode, a saída é ir para outras cidades...



Para quem gosta de folclore: Festa Junina do SESC Barra Mansa - RJ

Tradicional festa com apresentações de músicas populares, xote, baião, forró, barracas com comidas típicas, apresentação de quadrilhas, parque de diversões, correio do amor, rádio caipira e feirinha de artesanato.

Programação das quadrilhas:
11/6 - Quadrilha de escolas. 12/6 - Quadrilha do Zé Raimundo. 13/6 - Quadrilha do Zé Buscapé. 14/6 - Quadrilha da Ciça.

Para maiores de 16 anos e menores acompanhados. 18h. R$ 1 (comerciários, estudantes, idosos), R$ 2. SESC Barra Mansa


Arnaldo Jabor, enfim, após 20 anos de afastamento, retorna ao set de filmagem nacional.

RIO - Arnaldo Jabor passa a mão sobre a camisa Lacoste azul, esticando-a para baixo, e diz que, não fosse o raio da barriga, estaria completamente feliz agora. Ele está sentado em uma cadeira de lona preta, daquelas típicas de diretores de cinema, e lê umas anotações escritas a caneta em um pedaço de papel. À sua volta, diversos assistentes (de direção, de fotografia, de figurino, de produção, do diabo a quatro) correm de um lado para o outro com seus fones enfiados nos ouvidos e fitas crepe penduradas nos bolsos das calças. Há alguns anos, Jabor não imaginaria que pudesse ser novamente feliz em um set de filmagem. "A suprema felicidade" é sua volta ao cinema brasileiro depois de 23 anos, desde que rodou "Eu sei que vou te amar", em 1986. De lá para cá, o diretor escreveu colunas em jornais, falou na televisão e no rádio, lançou três livros, teve um filho, criou polêmicas, definiu o que é amor e o que é sexo, xingou gente, elogiou gente, gerou ódios e paixões e criou um caminhão de novos amigos e inimigos - além da tal barriga escondida embaixo da camisa azul. Foi feliz a maior parte do tempo. Agora, quando tudo parecia estar definitivamente nos eixos, Jabor volta a colocar sua felicidade em risco.

- Felicidade para mim é criar, é isso que me deixa feliz. Sou um criador - diz o diretor

Fonte: Revista - O Globo


Woody Allen pretende filmar no Rio

Secretaria Estadual de Cultura do Rio de Janeiro confirmou o convite feito ao cineasta, afastado de Nova York devido ao alto custo de se filmar na cidade.

Após filmes na Espanha (Vicky Cristina Barcelona) e na Inglaterra (Ponto Final - Match Point, O Grande Furo e O Sonho de Cassandra), o cineasta norte-americano vai para a França, em 2010.

Woody Allen disse à imprensa brasileira:“Recebi uma proposta de fazer um filme no país. São conversas ainda preliminares. É claro que precisaria estudar um pouco sobre o país para ver um roteiro que se adapte bem por lá”.

Fonte: Revista - O Globo

Ganhador do festival de Cannes mostra crueza da sociedade alemã de pré-guerra

( AFP) - Filmado em preto e branco, com uma narrativa ascética e um rigor fotográfico que corresponde perfeitamente à aspereza da história contada, "A fita branca" nos transporta a um povoado do norte da Alemanha no ano que precede o início da Primeira Guerra Mundial.
Na pequena cidade, onde a vida é regida pelos rigorosos princípios morais do puritanismo protestante, autoritarismo e submissão formam o eixo de todas as relações: entre os nobres proprietários de terras e camponeses, entre homens e mulheres, entre pais e filhos.
É verão e época da colheita quando começam a acontecer no povoado uma série de agressões inexplicáveis, cujos autores nunca são descobertos: um cabo estendido quando passava o cavalo do médico local, duas crianças brutalmente espancadas, o incêndio de um celeiro e outros.
O mistério faz surgirem rumores - e, com eles, o medo.
Ao mesmo tempo, o professor do povoado vai percebendo comportamentos estranhos em seus alunos, as crianças da pequena cidade, educadas na reverência e na obediência cega aos pais e submetidas a castigos físicos e a humilhações públicas em reprimenda à mais leve falha, em famílias onde gestos de ternura não existem.
"A faixa branca" poderia também se chamar "O ovo da serpente", como a obra do mestre sueco Ingman Bergman, cuja sombra aparece projetada sobre muitas das cenas do filme.
No entanto, Bergman revisitado pela crueza de Haneke é uma mistura explosiva. A lucidez da pintura dessa sociedade, que anos depois produziria o nazismo, é assustadora.
O diretor austríaco, porém, declarou em Cannes que, apesar da história alemã, não quis que seu filme seja considerado uma obra sobre as origens do nazismo. "O que eu mostro poderia ser transportado para qualquer país", afirmou.
"Além da reconstituição de época, eu quis contar a história de um grupo de crianças que são a construção dos princípios de seus pais. (...) Quando alguém acredita possuir a verdade sobre tudo o que é justo, se torna rapidamente inumano: essa é a raíz de qualquer terrorismo político", estimou o diretor.