2.20.2010

Roda Viva com Chico Buarque e o grupo MPB4 - TV Record em 1967

1_Roda Viva com Chico Buarque e o grupo MPB4 no Festival de Música Brasileira na TV Record em 1967. 2_Roda Viva com Fernanda Porto & Chico Buarque.Trilha sonora do filme Cabra-Cega de Toni Venturi. Alem de Chico Buarque e Fernanda Porto, participam Doug Wimbish e Will Calhoun do Living Colour. Montagem: Cassio Bossert e Paulo Prestes


Uma noite eterna

Texto por Carlos Nader * Fotos Divulgação / Record

Documentário revive o festival da Record de 1967, momento essencial da música brasileira

Com depoimentos de Roberto Carlos, Caetano, Gil e Chico, entre outros, documentário revive a experiência da final do festival da Record de 1967, um dos momentos essenciais da música brasileira
                Gil faz um chamego em Caetano nos ensaios
“Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia”, disse o imortal escritor russo Liev Tolstói. Transformada num clichê igualmente universal, a frase visitou a cabeça deste passageiro colunista enquanto eu assistia a Uma noite em 67, documentário dirigido por Renato Terra e Ricardo Calil (diretor de Redação da Trip), com estreia prevista para maio. A noite em questão é a final do III Festival da Música Brasileira, realizado pela TV Record em outubro de 1967. Entre os concorrentes mais memoráveis, apresentaram-se Edu Lobo com “Ponteio”, Gilberto Gil com “Domingo no parque”, Caetano Veloso com “Alegria, alegria”, Chico Buarque com “Roda viva”, Roberto Carlos com “Maria, Carnaval e cinzas” e Sergio Ricardo, cujo nome da música não importa porque ele concorreu num quesito híbrido, talvez mais esportivo do que musical, mas nem por isso menos importante no universo pop: o arremesso de violão quebrado em cima do público.
Uma noite em 67 gira em torno dessas apresentações. É um documentário sobre seis canções. Simples assim. O complexo, na história do filme e do Brasil, é que em torno dessas apresentações giraram e ainda giram as questões mais essenciais da nossa cultura popular. Popular ou pop? Engajada ou alienada? Enraizada ou antenada? As polaridades que desde sempre energizam nossas manifestações artísticas colocaram-se no palco da Record com uma clareza e uma vitalidade tão únicas que já levaram muita gente a rotular aquela noite como “a mais importante da MPB”.
Sergio Ricardo protagoniza um dos momentos mais emblemáticos de sua época no Festival da Record de 1967
O documentário sabe, felizmente, evitar esse tipo de mitificação que abafaria toda a complexidade orgânica e muitas vezes contraditória que ainda emana daquela noite. Feito um This is it reflexivo, o filme nos conduz sem firulas estéticas a reviver a experiência do festival, mostrando as canções na íntegra e complementando-as com depoimentos pensantes, mas sempre emocionalmente endógenos, nunca acadêmicos ou friamente analíticos. Assim, por exemplo, Zuza Homem de Mello, um dos maiores historiadores da MPB, é na tela a memória viva de um jovem microfonista do festival. Nelson Motta é um letrista concorrente que torcia pela vitória de sua música. Caetano Veloso, mesmo através das reflexões sofisticadas que sempre produz, é um artista começando a projetar uma carreira seminal. E Chico Buarque idem.
É de Gilberto Gil a participação que traduz mais inteiramente o clima milionário de contradições da época. Lá pelas tantas, o filme nos mostra que ele realiza a duvidosa proeza de participar de uma caduca passeata antiguitarra em SP pouco tempo antes de colocar Os Mutantes, com a guitarra de Sérgio Dias, ao seu lado no palco. Num depoimento emocionante, ele afirma essa e outras contradições, dizendo que a soma transcendente delas é, sempre foi e sempre será o signo de sua música. Nesse sentido, ele encarna com malemolente exatidão um Brasil não só daquela época, mas de todas. E dá sua contribuição ao documentário de Terra e Calil que, nesse diapasão, pinta uma só noite para ser eterno.
* Carlos Nader é cineasta, colunista da Trip e diretor do documentário Pan-Cinema Permanente

2.19.2010


Elton John acredita que Jesus era “um gay super inteligente”

O cantor e compositor Elton John disse em entrevista para a revista Parade que acredita que Jesus Cristo era um “gay super inteligente”. A declaração, como era de se imaginar, já gerou reação de religiosos ingleses.
“Acredito que Jesus era um gay super inteligente, cheio de compaixão, que entendia os problemas da humanidade”, declarou o cantor. “Na cruz ele perdoou as pessoas que o crucificaram. Jesus queria que fossemos amorosos e clementes.
Em entrevista para a BBC, um porta-voz da igreja inglesa disse que “os pensamentos de Elton John de que Jesus nos chama para amar e perdoar é compartilhado por todos os cristãos. Mas é melhor deixar idéias sobre aspectos da pessoa histórica de Jesus para os acadêmicos”.
Na mesma entrevista para a revista Parade, Elton John comentou que não o agrada ser famoso, já que isso atrai “lunáticos”. “Princesa Diana, Gianni Versace, John Lennon, Michael Jackson, todos estão mortos. Dois deles foram assassinados na porta de suas casas. Nada disto teria acontecido se não fossem famosos. Eu nunca tive um guarda-costas, nunca, até Gianni [Versace] morrer”, acrescentou o cantor.
 
Música inédita de Madonna circula na internet

Surgiu esta semana em um vídeo publicado na internet uma música inédita da cantora Madonna. A música tem o título de “I Can’t Forget” e teria sido gravada originalmente em 1995.
Esta seria uma das músicas gravadas para fazer parte da compilação “Something to Remember”, composta por músicas românticas do repertório de Madonna. A cantora não teria gostado do resultado final da música e preferiu deixá-la de fora do disco.
“I Can’t Forget” pode ser ouvida no YouTube, mas é bom os fãs se apressarem, antes que o arquivo seja tirado do ar.

Jimi Hendrix poderá estrelar “Rock Band”, mas Harmonix nega

O próximo título da série do jogo musical “Rock Band” poderá ser do lendário guitarrista norte-americano Jimi Hendrix. O anúncio foi feito pela irmã do músico, Janie Hendrix, em entrevista ao jornal Los Angeles Times. Porém, a empresa Harmonix, produtora da série Rock Band, disse que não há projetos para desenvolver um título específico do guitarrista.
A Harmonix se posicionou sobre o assunto após o anúncio feito pela irmã de Hendrix. Jamie Hendrix é a responsável pelo controle da obra do guitarrista desde 2002, quando o pai deles, Al Hendrix, faleceu.
“Não fizemos nenhum anúncio oficial envolvendo Jimi Hendrix e Rock Band, entretanto ficamos entusiasmados ao dizer que continuamente trabalhamos para trazer mais e mais músicas para o catálogo”, comentou um porta-voz da Harmonix.
Se o jogo será ou não produzido, os fãs terão que esperar para ver. Mas há outras novidades sobre o falecido ícone da guitarra.
Está agendado para o dia 09 de março o relançamento dos três primeiros discos de Hendrix em edições especiais. Os álbuns “Are You Experienced?”, “Axis: Bold as Love” e “Electric Ladyland” estarão disponíveis contendo material extra e um DVD bônus com documentários sobre a gravação de cada álbum.
O DVD também trará entrevista com os músicos que tocavam com Hendrix, Noel Redding, Mitch Mitchell e Billy Cox, além do engenheiro de som e produtor Eddie Kramer e do baixista do The Animals, Chas Chandler.
Os relançamentos fazem parte do novo contrato da empresa que administra a obra do guitarrista com a Sony Music.

QUIZOMBA NO CIRCO VOADOR

                      Sábado, dia 20 de Fevereiro 2010

No dia 20 de fevereiro, a Banda Quizomba gravará ao vivo, no palco do Circo Voador, seu primeiro CD e DVD. Este show terá as participações especiais da cantora Anna Ratto, ex-integrante do bloco agora em carreira solo, do percussionista baiano Ney de Oxosse e do DJ Marcelinho da Lua. No final da apresentação, o bloco entra com todos seus ritmistas para tocar sambas e marchinhas de carnaval.
A seleção musical passa por “São Gonça”, “Bebete Vambora”, “Índio Quer Apito”, “Sonífera Ilha”, “Aluga-se” e “Samba de Arerê”, além de “Smell Like Teen Spirit”, do Nirvana. Abrindo e fechando a noite, uma das mais badaladas festas paulistas, a Gambiarra.

A história do Quizomba:

O Quizomba foi criado em 2001 como oficina de percussão no extinto Teatro de Lona da Barra. O primeiro desfile foi na Avenida Sernambetiba, em fevereiro de 2002. Com a extinção do teatro em 2003, o bloco levou sua oficina para a Estácio de Sá da Barra e, no ano seguinte, passou a bloco residente do Circo Voador.
Com mais estrutura e experiência, o Quizomba passou a receber no palco do Circo ilustres convidados como Pedro Luis, Roberta Sá, Gabriel Moura e blocos como Empolga às 9 e Bangalafumenga, além de ter tocado no encerramento dos shows do grupo Cordel do Fogo Encantado e de Maria Rita e Leandro Sapucahy.
Considerado um dos melhores blocos carnavalescos por seu repertório, bateria, animação e, principalmente, pela irreverência de seus foliões fantasiados, o Quizomba vem conquistando a cada ano um público maior. Durante todo o ano às quartas-feiras, das 18 às 22h, o Quizomba realiza uma oficina permanente de percussão com instrumentos de samba no Circo Voador. Os alunos são preparados para tocar nos eventos de carnaval do bloco.
A banda Quizomba é: Regência e Direção Geral - André Schmidt
Vocais: Ângelo B. e Harley Vas
Cavaquinho: Shilon
Violão 7 Cordas: Chico Tâmega
Percussão: Carlos Carvalho , Roque Miguel, Rodrigo Moreira, Fábio Groove, Maurício Guimas, Pompeo Pelosi, Fernando Fishgold, Rodrigo Scofield e Emerson Mardhini
Sax Tenor: Rafael Velloso
Trompete: Eduardo Santana
18 anos. Circo Voador (2 600 pessoas). Arcos da Lapa, s/nº, Lapa, 2533-0354. Sábado, 20 às 23h. R$ 40,00. Bilheteria: 12h/18h (seg. a sex.); a partir das 12h (sáb.). http://www.circovoador.com.br/.

Festival reúne bandas de Folk e Viking Metal em Curitiba

No próximo dia 20 de março Curitiba se transforma na terra dos vikings e das lendas do povo nórdico. A cidade será palco para a primeira edição do festival “Spirit of the Forest” que será realizado no Moinho Eventos e contará com a apresentação dos finlandeses do Korpiklaani e outras bandas de Folk e Viking Metal.
Também estão confirmadas as apresentações das bandas Skiltron (Argentina), Skaldic Soul (SP), Lothloryen (MG), Guardians of Asgaard (PR), Delenda Arcana (SP) e HuginMunin (SP). Os mineiros do Tuatha de Danann também estão cotados para o festival, mas ainda não confirmaram a participação.
Além dos shows, o evento também terá encenações de batalhas campais. Os ingressos já estão à venda pela internet, no site www.ticketbrasil.com.br, e na loja Let’s Rock, em Curitiba.
Segundo a agenda do Korpiklaani, a banda também se apresentará em Campinas e São Paulo, nos dias 19 e 21 de março, respectivamente.
20/03/2010 - Curitiba/PR
Moinho Eventos - Av. Westphalen, 4.000
Classificação etária: 16 anos
Horário: 11h00 (abertura) e 1h00 (shows)
Ingressos: R$ 140,00 (1º lote - pista inteira) e R$ 300,00 (1º lote - camarote inteira)
Postos de venda: Let’s Rock - Praça Tiradentes, 106, Galeria Pinheiro Lima - lojas 3 e 4 / www.ticketbrasil.com.br.
Informações: www.moinhoeventos.com / h18p@hotmail.com

Sade ganha disco de ouro na primeira semana de lançamento

O álbum “Soldier of Love”, novo trabalho da cantora Sade Adu e da banda que leva seu nome, ganhou certificação de ouro com as vendas na primeira semana após o lançamento. O disco chegou ao topo da parada Billboard 200 e vendeu 501.665 cópias, segundo a Nielsen SoundScan, empresa que contabiliza as vendas nos Estados Unidos.
“Soldier of Love” é o segundo álbum de Sade a chegar ao topo das paradas. A primeira vez foi em 1986, quando lançou o disco “Promise”. As vendagens mostram que os fãs realmente estavam ansiosos por um novo trabalho da cantora, depois de um hiato de 10 anos. O último álbum lançado por Sade foi “Lovers Rock”, quem chegou às lojas em 2000.
A banda que acompanha Sade é formada por Stuart Matthewman (guitarra, saxofone), Andrew Hale (teclado), e Paul S. Denman (baixo), além de músicos convidados.

Madeleine Peyroux volta ao país em junho

A cantora Madeleine Peyroux volta ao Brasil em 2010 para uma série de shows que passa por São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Porto Alegre entre os dias 08 de 13 de junho.
Nascida nos EUA e criada na França, Madeleine iniciou sua carreira musical aos 15 anos, tocando nas ruas de Paris. Influenciada por Billie Holiday, Bessie Smith, Patsy Cline e Édith Piaf, a cantora logo chamou a atenção e, em 1996, lançou seu primeiro álbum, "Dreamland".
Entre a estréia e o segundo álbum se passaram 8 anos - a cantora teve problemas nas cordas vocais, voltou a se apresentar com músicos de rua e passou a fazer shows usando outros nomes. Em 2004, ela retomou a carreira profissional. Hoje a cantora mistura blues, música francesa, folk e jazz e lança álbuns regularmente, cativando o público com sua voz distinta, ainda que seja usualmente comparada a Billie Holiday.
Na atual turnê, Peyroux divulga seu mais recente álbum, "Bare Bones", lançado no ano passado. Confira as informações sobre a passagem da cantora pelo país confirmadas até o momento (mudanças em datas ou outras informações serão publicadas em notas posteriores):
08/06/2010 - São Paulo/SP
Teatro Bradesco - Shopping Bourbon São Paulo - Rua Turiassu
Horário: 21h00
Ingressos: R$ 250,00 (camarote), R$ 150,00 (frisa 2º andar), R$ 80,00 (frisa 3º andar), R$ 350,00 (platéia prime), R$ 300,00 (platéia VIP). Valores inteiros.
Classificação etária: 16 anos
10/06/2010 - Rio de Janeiro/RJ
Vivo Rio - Av. Infante Dom Henrique, 85
Horário: 21h30
Ingressos: R$ 250,00 (Setor Vip), R$ 90,00 (Setor 3), R$ 100,00 (Setor 2), R$ 150,00 (Setor 1), R$ 200,00 (Frisas), R$ 220,00 (Camarote B), R$ 300,00 (Camarote A).
Classificação etária: 16 anos (Menores de 16 anos somente acompanhados do responsável legal)
12/06/2010 - Brasília/DF
Teatro Nacional - Setor Cultural Norte
Informações: 61 3325-6240
13/06/2010 - Porto Alegre/RS
Teatro do Bourbon Country - Av. Tulio Rose, 100
Horário: 21h00
Classificação etária: 14 anos
Informações: www.teatrodobourboncountry.com.br

Caetano canta "Alegria Alegria

Caetano canta "Alegria Alegria" no Festival da Canção


Inscrições abertas para o Festival Sílvio Caldas

Seresteiros de todo o país já podem se inscrever para o 12º Festival de Seresta Sílvio Caldas (27 de março - sábado). Neste ano os músicos vão interpretar valsas e modinhas. No ato da inscrição, o concorrente deverá escolher a canção que fará parte do seu repertório.
As inscrições são de graça e podem ser feitas até o dia 17 de março (quarta-feira) pelo telefone (21) 2672-7781 ou na UnigranRio.
Festival: serão três etapas eliminatórias e a grande final. As duas primeiras eliminatórias serão no Rio de Janeiro (27 de março e 10 de abril), a terceira em Ipiabas, distrito de Barra do Piraí, dia 14 de abril (quarta-feira), e a grande final em Conservatória, distrito de Valença, dia 24 de abril (sábado).
Premiação - Os três primeiros colocados terão direito ao troféu Sílvio Caldas e um final de semana, com direito a acompanhante, em um dos hotéis tradicionais de Conservatória, como Rochedo Hotel Fazenda, Hotel Acalanto e Pousada Serras Verdes. Para os outros participantes haverá entrega de certificados.
João Roberto Kelly e Ataulpho Alves Jr farão parte do júri - João Roberto Kelly (autor de inúmeros sucessos de Carnaval, como ‘Cabeleira do Zezé’ ‘Mulata iê, iê, iê’, ‘Joga a chave meu amor’, ‘Mulata Bossa Nova’, ‘Bota a camisinha’, ‘Maria sapatão’ entre tantas inesquecíveis), Carlos Monte (compositor e pai da Marisa Monte); Nilton Leal (comunicador da Rádio Rio de Janeiro), Míriam Caldas (viúva de Sílvio Caldas); Ataulpho Alves Jr (cantor e compositor) e Osmar Frazão (comunicador da Rádio Nacional).

2.18.2010

Os Cariocas voltam a cantar em disco com alma

Mauro Ferreira


Resenha de CD
Título: Nossa Alma
Canta
Artista: Os Cariocas
Gravadora: Guanabara
Records

Em texto escrito para encarte deste 18º álbum do quarteto Os Cariocas, Nossa Alma Canta, Ruy Castro afirma se tratar do melhor disco do conjunto desde os trabalhos dos anos 60 - período áureo da discografia iniciada em 1948, paralisada em 1966 e retomada em 1990. Castro não exagera. Já na primeira das 15 faixas - Rio que Corre (João Donato, Lysias Ênio e Beth Carvalho), ode ao agito interminável da cidade foliã que é de janeiro e de todos os meses - fica evidente que os Cariocas parecem ter recuperado sua alma fonográfica após série de discos corretos, mas quase burocráticos. A bossa continua lá - a exemplo do que pode ser ouvido em Samba do Carioca (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes), faixa que agrega a voz do ex-integrante Badeco ao canto harmonioso de Severino Filho (único remenescente da formação clássica do conjunto), Hernane Castro (voz e bateria), Neil Teixeira (voz e contrabaixo) e Eloi Vicente (voz e violão). Capitaneada por João Samuel, a produção de Nossa Alma Canta é luxuosa, agregando músicos como Eumir Deodato (que toca piano Rhodes no seu Baiãozinho, cuja letra foi turbinada com trecho novo), João Donato (piano na já citada Rio que Corre) e Marcos Valle (que pilota teclados no seu tema Jet Samba). Alias, a intro vocal criada pelos Cariocas para Jet Samba reafirma a habilidade rara do grupo de harmonizar vozes em acordes perfeitos. Não por acaso, a Intro Jet Samba virou com justiça uma faixa à parte no CD. Aliás, muito do brilho do disco vem também do acerto do fino repertório. Os Cariocas renovaram não somente a alma, mas também seu cancioneiro. Entre um ou outro clássico bossa-novista, como Você (faixa que agrega o canto de Hortênsia Silva, única voz feminina que integrou o grupo, de 1956 a 1959), o grupo encara a capella os acordes sinuosos de Delírio Carioca (Guinga e Aldir Blanc, 1991), dá sua harmoniosa visão para Futuros Amantes (um dos últimos reais clássicos do cancioneiro de Chico Buarque), percorre sem pressa a trilha melódica de Estrada do Sol (Tom Jobim e Dolores Duran) e recebe Milton Nascimento, com quem se entrosa no refinado jogo vocal que abre novas portas harmônicas no Clube da Esquina 2. Enfim, um grande disco, que ainda prima por tirar do baú pérola de Newton Mendonça (1927 - 1960), Quero Você, tão sedutora quanto qualquer standard da era bossa-novista. Com inspirados arranjos que valorizam o canto leve dos Cariocas, Nossa Alma Canta se impõe como título especial na discografia do grupo pela bossa e, sobretudo, pela alma que dá o tom (e o frescor) do álbum.

Cordão do Boitatá repõe bloco (e disco) na rua

Agrupado em 1996, o Cordão do Boitatá desfila como bloco no Carnaval do Rio de Janeiro (RJ), mas sem carro de som, somente com o pique e com o ritmo de marchinhas de folias passadas. Contudo, o grupo também anima quadrilhas nas festas de São João e, no Natal, reaviva a tradição do Pastoril. Essa diversidade estilística do Cordão foi bem traduzida no repertório de seu primeiro CD, Sabe Lá o que É Isso?, lançado originalmente em 2004 e ora reeditado pela gravadora Biscoito Fino neste mês de fevereiro de 2010. Marcha das Flores traz a voz macia de Teresa Cristina, parceira de Pedro Miranda no tema. Dona Ivone Lara é a convidada de Apito de Ouro. Já Mineiro, Mineiro traz Xangô da Mangueira (1923 - 2009).

Charles Gavin explica aos fãs motivo de sua saída dos Titãs

O baterista Charles Gavin enviou um e-mail ao site de fãs Planeta Titãs esclarecendo os motivos que o levaram a deixar os Titãs. O anúncio da saída do músico foi feita na sexta-feira, 12, em um comunicado oficial emitido pela banda.
Segundo Gavin, não há problemas entre ele e os outros integrantes do grupo e sua saída foi devido a um “esgotamento físico e mental”. Para o posto de Gavin a banda chamou o baterista Mario Fabre. Confira abaixo, na íntegra, a nota publicada no Planeta Titãs:
Amigas e companheiras de estrada:
Como sabem, meu afastamento dos Titãs foi divulgado nesta sexta, 12 de fevereiro de 2010, e, conseqüentemente, oficializado. A primeira coisa que digo é: não se preocupem com a banda - um excelente baterista já foi colocado em meu posto, indicação de meu irmão Cesar - o que torna este momento de ruptura menos triste, menos doloroso e mais dinâmico. Tenho certeza de que os Titãs viverão sua nova fase de forma criativa e positiva. Os shows serão incríveis como sempre foram...
Gostaria de expressar aqui o meu eterno agradecimento por todos estes anos em que vocês nos fizeram companhia, trazendo sempre na bagagem apoio, admiração, alegria, carinho, inspiração e alto astral. Obrigado mesmo, de coração.
Meu afastamento se deve a um esgotamento físico e mental, provocado pelo que acontece quando uma banda como os Titãs alterna, ano após ano, álbuns e turnês - condição muito bem retratada na música Turnê, do disco Domingo.
Apesar de saber que a essência de uma banda de Rock n’ Roll é estar na estrada como diz a canção do disco Sacos Plásticos, percebi que não estava feliz - são as contradições da vida...
Meu afastamento é amigável, transparente, realizado sem ressentimentos ou mágoas, acertado da melhor maneira possível, respeitando história, amizade e as individualidades dos Titãs. Nós estamos bem...
Peço a vocês que levem esta mensagem aos outros fãs da banda. E a gente vai se falando...
Beijos, Charles Gavin”.

U.F.O. no Brasil: lendária banda britânica vem ao país em maio


Com mais de 40 anos de carreira, a lendária banda britânica U.F.O. virá pela primeira vez ao Brasil no mês de maio. O grupo ainda não divulgou detalhes da turnê pela América Latina em seu site oficial, mas os ingressos para o show em São Paulo já estão à venda no site da Ticket Brasil.
O U.F.O. está em turnê divulgando o álbum “The Visitor”, lançado em junho do ano passado. A banda ganhou destaque no cenário internacional na década de 70, quando lançou álbuns que se tornaram clássicos, como “Phenomenon” (1974), “Force It” (1975) e “Lights Out” (1977).
A atual formação do grupo conta com o guitarrista e tecladista Paul Raymond, o baterista Andy Parker, o guitarrista Vinnie Moore e o vocalista Phil Mogg. Confira as informações divulgadas pelo site da Ticket Brasil:
26/05/2010 - São Paulo/SP
Carioca Club - Rua Cardeal Arcoverde, 2.899
Horário: 20h00
Ingressos: R$ 99,99 (pista 1º lote - mais taxa de conveniência) / R$ 149,99 (mezanino 1º lote - mais taxa de conveniência)
Informações: 11 3331-3978 / www.ticketbrasil.com.br

Os Cariocas lança disco à altura de sua história

Com 62 anos de estrada, grupo Os Cariocas lança disco à altura de sua história

João Pimentel
Grupo mais antigo em atividade no Brasil, Os Cariocas, que completam 62 anos de estrada em 2010, há muitos anos não lançam um trabalho à altura de sua primorosa história. E a capa do mais novo CD, "Nossa alma canta" (Guanabara Records), parece antever mais um disco de regravações sem brilho, ou uma aposta em novidades que não condizem com a qualidade do quarteto vocal formado pelo pianista e arranjador Severino Filho, o único remanescente da formação original, pelo violonista Eloi Vicente, pelo baterista Hernane Castro e pelo baixista Neil Teixeira. A acrílica sobre tela de Newton Mesquita, sabe-se lá se pela má impressão, parece uma xerox colorida de segunda. Mas, se a apresentação deixa a desejar, o disco é precioso em sua totalidade. Ou seja, um repertório exemplar, arranjos primorosos, afinação perfeita, muitos dos melhores instrumentistas brasileiros e participações pontuais de Milton Nascimento, João Donato e Marcos Valle, em faixas de suas autorias.
"Rio que corre", parceria de João Donato, Lysias Ênio e a compositora bissexta Beth Carvalho, abre os trabalhos de forma primorosa: "Rio que corre o ano inteiro/ Em fevereiro, balanço geral/ Lá vem Portela, Mangueira/ Lá vem a porta-bandeira/ O povo que canta e levanta a vida no carnaval." O arranjo de Severino ganha cores nos sopros de Léo Gandelman, Mauro Senise, Marcelo Martins, Vittor Santos e suingue no piano do próprio Donato.
Em "Quero você", de Newton Mendonça, uma formação mais econômica dá um brilho especial para a música. Por sinal, a simplicidade e a economia permeiam o disco, em contraponto com o número de estrelas. E estas se adequam ao trabalho, jogando sempre para o quarteto.
É o caso de Milton Nascimento, que faz as vezes de um quinto integrante do grupo em "Clube da esquina 2", com o ótimo Kiko Continentino ao piano. Ou de Badeco, um dos fundadores do grupo, que empresta voz ao "Samba do Carioca", de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes. Outra participação muito especial é de Hortênsia, irmã de Severino, na clássica "Você ", de Menescal e Bôscoli. Especial porque no fim dos anos 1950 ela substituiu provisoriamente o outro irmão e cabeça dos Cariocas, Ismael Netto, morto precocemente. É bom lembrar que o grupo começou como um quinteto.
O disco tem como mérito um repertório de canções não gravadas pelo grupo, mas que parecem ter sido feitas para a sua formação de base instrumental e vocal. Assim é "Você vai ver", de Tom Jobim; ou "Baiãozinho", de Eumir Deodato, com este ao piano e Carlos Malta no pífano; ou mesmo "Jet samba", de Marcos Valle, que assume os teclados acompanhado do mestre das percussões Robertinho Silva. Como não relacionar "Estrada do sol", de Jobim e Dolores Duran, e "Rapaz de bem", de Johnny Alf, aos Cariocas?
A única canção que foge a este conceito, "Futuros amantes", de Chico Buarque, vem pontuar não apenas o sopro de modernidade dos arranjos, mas a capacidade do grupo de se reinventar e servir de farol para quem pretende se atrever a herdar a bandeira do canto vocal brasileiro.