9.30.2009
Moacyr Scliar tem o melhor romance de 2009 segundo Prêmio Jabuti
RIO - A Companhia das Letras faturou os três primeiros lugares na categoria romance da 51ª edição do Prêmio Jabuti. O ouro ficou com Moacyr Scliar e seu "Manual da paixão solitária", a segunda colocação é de Milton Hatoum por "Orfãos do Eldorado" e "Cordilheira", de escritor gaúcho Daniel Galera, fecha o pódio. O trio desbancou títulos como "Heranças", de Silviano Santiago, finalista do prêmio Portugal Telecom. Os livros do ano nas categorias ficção e não-ficção só serão conhecidos no dia 4 de novembro, durante a cerimônia de premiação em São Paulo.
Também gaúcho, Fabrício Carpinejar ficou em primeiro na categoria Contos e crônicas por "Canalha!", lançado pela Bertrand Brasil. "Ostra feliz não faz pérola" (Planeta), de Rubem Alves e "Os comes e bebes nos velórios da Gerais e outras histórias" (Auana) de Déa Rodrigues da Cunha Rocha também levaram o troféu para casa pela segunda e terceira colocação, respectivamente.
Em Poesia, Alice Ruiz S. ganhou o prêmio máximo por "Dois em um" (Iluminuras). Em segundo lugar, "Antigos e soltos: poemas e prosas da pasta rosa", compilado pelo Instituto Moreira Salles. Em terceiro, um empate: Eucanaã Ferraz, de "Cinemateca" (Companhia das Letras) e Reynaldo Bessa, de "Outros barulhos" (Anome Livros), foram contemplados.
Na categoria reportagem, a jovem Vanessa Barbara, de 27 anos, levou a melhor pelo livro "O livro amarelo do terminal", lançado pela Cosac Naify. O segundo e o terceiro lugar ficaram com Luiz Cláudio Cunha, por "O sequestro dos Uruguaios - uma reportagem dos tempos da ditadura" (L&PM) e Zuenir Ventura, por "1968 - o que fizemos de nós".
Confira a lista dos ganhadores das principais categorias do prêmio Jabuti 2009:
Reportagem
1- "O livro amarelo do terminal" (Cosac Naify), de Vanessa Barbara
2- "O seqüestro dos Uruguaios - uma reportagem dos tempos da ditadura (L&PM), de Luiz Cláudio Cunha
3- "1968 - o que fizemos de nós" (Planeta), de Zuenir Ventura
Biografia
1- "O sol do Brasil" (Companhia das Letras), de Lilia Moritz Schwarcz
2- "José Olympio, o editor e sua casa" (G.M.T.), de José Mário Pereira
3- "O santo sujo: a vida de Jayme Ovalle" (Cosac Naify), de Humberto Werneck
Poesia
1- "Dois em um" (Iluminuras), de Alice Ruiz S.
2- "Antigos e soltos: poemas e prosas da pasta rosa" (Instituto Moreira Salles), do Instituto Moreira Salles
3- "Cinemateca" (Companhia das Letras), de Eucanaã Ferraz e "Outros barulhos" (Anome Livros), de Reynaldo Bessa
Contos e crônicas
1- "Canalha! - crônicas" (Bertrand), de Fabricio Carpinejar
2- "Ostra feliz não faz pérola" (Planeta), de Rubem Alves
3- "Os comes e bebes nos velórios das Gerais e outras histórias (Auana), de Déa Rodrigues da Cunha Rocha
Infantil
1- "A invenção do mundo pelo Deus-curumim" (34), de Braulio Tavares
2- "No risco do caracol" (Autêntica Editora), de Maria Valéria Rezende e Marlette Menezes
3- "Era outra vez um gato xadrez" (Record), de Letícia Wierzchowski
Juvenil
1- "O fazedor de velhos" (Cosac Naify), de Rodrigo Lacerda
2- "Cidade dos deitados" (Cosac Naify e Edições SESC-SP), de Heloisa Prieto
3- "A distância das coisas" (Edições SM), de Flávio Carneiro
Romance
1- "Manual da paixão solitária" (Companhia das Letras), de Moacyr Scliar
2- "Orfãos do eldorado" (Companhia das Letras), de Milton Hatoum
3- "Cordilheira" (Companhia das Letras), de Daniel Galera
Os outros vencedores estão no site oficial do prêmio Jabuti .
,Fã do Brasil, Werner Herzog ri da loucura em 'Bad lieutenant'
Rodrigo Fonseca
RIO - Cansaço é uma sensação desconhecida pelo diretor alemão Werner Herzog, que anda ansioso para saber como os cariocas vão reagir a "Bad lieutenant: Port of Call New Orleans", em exibição hoje, às 15h10m e às 21h50m, no Estação Vivo Gávea 5, no menu do Festival do Rio. - Nos últimos 11 meses, eu finalizei os longas-metragens "Bad lieutenant", com Nicolas Cage, e "My son, my son, what have ye done", e o curta-metragem "La bohème", para exibi-los no Festival de Veneza, no início de setembro. Fiz ainda uma tradução para o inglês do livro "Conquest of the useless: reflections from the making of Fitzcarraldo" (um diário lançado na Alemanha em 2004 sobre o filme que rodou em 1982 na Amazônia) e trabalhei como narrador do curta "Plastic bag", de Ramin Bahrani. Ainda arrumei tempo de fundar uma curso de cinema (Rogue Film School, em Los Angeles) que está selecionando alunos - orgulha-se o cineasta de 67 anos. - Criando, eu não me canso. Filmo, às vezes, das 14h às 3h, mas não esgoto a equipe, porque resolvo tudo com eles de maneira concentrada. Em um set, eu só filmo o que é essencial.
referências ao "cult" de Ferrara
Ao telefone com O GLOBO, intercalando reflexões em inglês com frases em um português de tempero germânico, Herzog é gentileza pura. referências ao "cult" de Ferrara
- Não fique me falando muito do seu país porque meu coração dói de saudades dos meus amigos brasileiros. Estou procurando um argumento que me permita filmar aí. Ou mesmo encenar uma ópera - diz Herzog, que montou "Tannhäuser", de Wagner, no Teatro Municipal do Rio em 2001. Entre os amigos de que mais sente falta no Brasil, Herzog destaca o diretor Ruy Guerra, que trabalhou como ator em seu "Aguirre - A cólera dos deuses" (1972).
- Ruy é um grande diretor. Queria saber como ficou "Veneno da madrugada", o último filme dele.
Vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes de 1974 por "O enigma de Kaspar Hauser", Herzog teve poucos dias para arrancar de Nicolas Cage a atuação mais perturbadora de sua carreira. Em "Bad lieutenant: Port of Call New Orleans", Cage é Terence McDonagh, um policial que anestesia suas fortíssimas dores de coluna viciando-se em drogas e jogo. Desde que iniciou o projeto, Herzog corrige quem diz que o filme é um remake do thriller "Vício frenético" (1992), de Abel Ferrara, também batizado de "Bad lieutenant" nos EUA. - Nunca vi o longa de Ferrara. Quando as produtoras (Nu Image e Millennium Films) me convidaram para o projeto, eles compraram só os direitos para usar o título "Bad lieutenant" e a premissa do policial viciado. Desde o começo, eles não queriam um remake. O filme que eu fiz é avesso aos clichês de Nova Orleans no cinema, como o French Quarter >ita<(bairro de maior influência francesa na cidade), o vodu, o jazz. Preferi investir na tese de que Nova Orleans seria uma espécie de Sodoma e Gomorra dos EUA, por fugir das castrações morais habituais do país, com sua mistura cultural de tradições negras e francesas - diz Herzog, que concorreu ao Oscar de melhor documentário este ano com "Encounters at the end of the world".
Previsto para estrear em 2010, "Bad lieutenant: Port of Call New Orleans" já levanta apostas para uma possível indicação ao Oscar para Cage, que lava a plateia às gargalhadas mesmo na cena em que tortura uma velhinha ou delira com a visão de iguanas. A comparação entre Cage e Klaus Kinski (1926-1991), ator com quem Herzog tinha uma tortuosa relação, tem sido inevitável.
- Rodei "Bad lieutenant" correndo, em 22 dias, para aproveitar a janela de disponibilidade na agenda de Cage. Só topei o projeto porque era ele. Há quase 30 anos, eu acompanho a carreira de Cage. Ele faz meu longa parecer o filme americano mais engraçado desde "Um tira da pesada". "Bad lieutenant" faz rir mais do que comédias com Eddie Murphy porque seu protagonista é um homem mau. Mau não no sentido da perversidade, mas no da falta de limite. Há alegria na maldade. A maldade liberta.
Desde que lançou "O homem urso", em 2005, voltando a mobilizar a atenção dos críticos, Herzog passou a ser tratado como um cronista da loucura nos cinemas.
Desde que lançou "O homem urso", em 2005, voltando a mobilizar a atenção dos críticos, Herzog passou a ser tratado como um cronista da loucura nos cinemas.
- Alguns dizem que a liberdade que busco na maldade é loucura. Aliás, há anos as pessoas me perguntam sobre o lugar da loucura em meus filmes. Mas não consigo criar a partir de abstrações como essas. Tudo o que eu sei de Terence McDonagh é que ele encarna a realidade de Nova Orleans, cidade talhada para filmes noir, um gênero que brota em tempos de incertezas. E não há incerteza maior do que uma crise financeira como a que enfrentamos hoje - diz Herzog. - Não é por acaso que o filme com mais cara de cinema noir dos últimos anos, por falar de ambiguidade e por mostrar uma visão sinistra dos EUA, foi "Batman - O Cavaleiro das Trevas". Mais do que um grande filme, Christopher Nolan nos deu um sinal de alerta. Três filmes alemães vistos em 20 anos
Desatualizado com o cinema da Alemanha - "Se eu vi dois ou três filmes alemães em 20 anos, foi muito", confessa -, Herzog, que trabalha em Los Angeles, vê com otimismo a troca presidencial dos EUA.
- A América se autorregenera. Quando o país sofria com a política de caça às bruxas de Joseph McCarthy, veio Kennedy trazendo a liberdade. Aí, Kennedy foi assassinado, a euforia baixou, e surgiu Nixon. São altos e baixos. Depois de oito anos de Bush, vem Obama com novas propostas, um novo olhar - diz. - Enfim, esta é uma terra capaz de regenerar suas feridas políticas.
Até o fim do Festival do Rio, "Bad lieutenant: Port of Call New Orleans" terá mais três sessões: amanhã, às 13h30m e às 18h, no Estação Ipanema; e no dia 1, às 22h15m, no Estação Barra Point.
- A América se autorregenera. Quando o país sofria com a política de caça às bruxas de Joseph McCarthy, veio Kennedy trazendo a liberdade. Aí, Kennedy foi assassinado, a euforia baixou, e surgiu Nixon. São altos e baixos. Depois de oito anos de Bush, vem Obama com novas propostas, um novo olhar - diz. - Enfim, esta é uma terra capaz de regenerar suas feridas políticas.
Já estão no ar os novos programas musicais, desta vez privilegiando também os jovens, que há muito tempo esperavam por uma programação musical que falasse sua língua.
O programa Segue o Som, exibido as segundas às 18h, sextas às 19h e em reprise aos sábados, às 20h apresenta clipes de todos os estilos de música e promete inovar apostando na interatividade com o público. Os telespectadores poderão, por exemplo, enviar sugestões de artistas, clipes, blogs, além de seus próprios videoclipes para serem exibidos, ajudando assim na construção da identidade do programa.
O Alto Falante, produção da Rede Minas exibido as quartas, às 17h30 e aos sábados, às 20h é uma revista eletrônica musical voltada para a música pop, que apresenta notícias e reportagens sobre shows, artistas e novidades sobre o mercado fonográfico.
Já o Sinfonia Fina, em seus dez episódios, que exibimos quarta-feira à 00h e sexta às 23h45 é produzido pela TV Cultura de São Paulo em parceria com o Conservatório de Tatuí, apresenta uma mistura entre música erudita e popular, com uma linguagem jovem que promete agradar a todos os públicos.
Os já consagrados, A Grande Música, Samba na Gamboa, Cena Musical, Viola minha Viola e Som na Rural agora serão exibidos em novos horários.Samba na Gamboa – Terça-feira, às 22h
Cena Musical – Quinta-feira, à 00h
A Grande Música – Sábado, às 15h e em reprise segunda-feira, à 00h10
Viola minha Viola – Domingo, às 09h
Som na Rural – Domingo, às 18h30
Deixe de lado os 10 mitos mais famosos sobre nutrição
Abandone idéias falsas para que sua dieta e seu treino rendam mais
Por Minha Vida
As especialistas em nutrição Wendy Repovich e Janet Peterson, membros do American College of Sports Medicine, expuseram durante a 11ª Conferência Anual de Saúde e Fitness da entidade, dez mitos relacionados à nutrição. Alguns são conselhos transmitidos de geração em geração.
1. Diabetes tipo 2 pode ser prevenido ingerindo alimentos de baixo índice glicêmico. Altos níveis de glicose não são o que causa diabetes. A doença é causada pela resistência do corpo à insulina. Alimentos com alto índice glicêmico podem causar picos no nível de glicose, mas isso é apenas um indicador da presença de diabetes, não a raiz do problema.
2. Comer imediatamente após o trabalho muscular irá impulsionar a recuperação. Atletas de resistência (endurance) precisam ingerir carboidratos imediatamente após o exercício para repor os níveis de glicogênio, e uma pequena quantidade de proteína para acentuar essa reposição. Isso pode ser feito bebendo um achocolatado desnatado ou um isotônico. A proteína nesse momento não irá ajudar a construir músculos, então, para atletas de força (trabalho anaeróbico), não é preciso comer imediatamente após seu treinamento.
3. Pessoas com síndrome do intestino irritável devem evitar comer fibras. Há dois tipos de fibras, solúveis e insolúveis. Apenas esta última pode ser fonte de problemas. As fibras solúveis, no entanto, encontradas na maioria dos grãos, são absorvidas mais facilmente pelo corpo e podem ajudar as pessoas com a síndrome a prevenir constipações.
4. Ingerir porções extras de proteína é necessário para ganhar massa muscular. A menos que o corredor faça um treino significativo com peso, a proteína extra não terá nenhum efeito. Mesmo uma exigência maior do nutriente em função do treino pode ser suprida facilmente pela alimentação.
5. Suplementos vitamínicos são necessários para todo mundo. Com uma alimentação variada em frutas, vegetais e grãos integrais, quantidades moderadas de proteína magra e quantidade adequada de calorias, não há por que tomar suplementação. Os suplementos vitamínicos são recomendados para gestantes e pessoas com distúrbios nutricionais.
6. Evitar álcool. Moderação é a chave. Todo álcool é um anticoagulante, e o vinho tinto contém antioxidantes benéficos para a saúde.
7. Comer ovos elevará o colesterol. O mito surgiu porque a gema tem a maior concentração de colesterol do que qualquer outro alimento. Porém, não é suficiente para colocar a saúde em risco se houver moderação no consumo. Estudos sugerem que um ovo por dia não elevará o colesterol e será uma grande fonte de nutrientes.
8. Grãos marrons são de produtos integrais. Corantes e aditivos marrons podem dar aos alimentos a aparência de serem integrais. Ler os rótulos é boa dica para se certificar. Ingerir cerca de 90 g por dia de grãos ajuda a reduzir o risco de doenças do coração e diabetes.
9. Beber oito copos de água por dia. É preciso repor o líquido perdido a cada dia, durante a respiração, a excreção e no suor, mas isso não significa beber dois litros de água diariamente. É difícil medir a quantidade exata de água ingerida em bebidas e na alimentação. Um indicativo é a urina, se estiver amarelo escuro, beba mais água.
10. Comer carboidrato engorda. Cortar os carboidratos da dieta pode ter um benefício de redução de peso no curto prazo, devido à perda de líquido; mas comer carboidrato com moderação não ocasiona um ganho de peso diretamente. O corpo usa carboidrato como fonte de energia e um período sem ele pode causar cansaço e letargia
Por Minha Vida
As especialistas em nutrição Wendy Repovich e Janet Peterson, membros do American College of Sports Medicine, expuseram durante a 11ª Conferência Anual de Saúde e Fitness da entidade, dez mitos relacionados à nutrição. Alguns são conselhos transmitidos de geração em geração.1. Diabetes tipo 2 pode ser prevenido ingerindo alimentos de baixo índice glicêmico. Altos níveis de glicose não são o que causa diabetes. A doença é causada pela resistência do corpo à insulina. Alimentos com alto índice glicêmico podem causar picos no nível de glicose, mas isso é apenas um indicador da presença de diabetes, não a raiz do problema.
2. Comer imediatamente após o trabalho muscular irá impulsionar a recuperação. Atletas de resistência (endurance) precisam ingerir carboidratos imediatamente após o exercício para repor os níveis de glicogênio, e uma pequena quantidade de proteína para acentuar essa reposição. Isso pode ser feito bebendo um achocolatado desnatado ou um isotônico. A proteína nesse momento não irá ajudar a construir músculos, então, para atletas de força (trabalho anaeróbico), não é preciso comer imediatamente após seu treinamento.
3. Pessoas com síndrome do intestino irritável devem evitar comer fibras. Há dois tipos de fibras, solúveis e insolúveis. Apenas esta última pode ser fonte de problemas. As fibras solúveis, no entanto, encontradas na maioria dos grãos, são absorvidas mais facilmente pelo corpo e podem ajudar as pessoas com a síndrome a prevenir constipações.
4. Ingerir porções extras de proteína é necessário para ganhar massa muscular. A menos que o corredor faça um treino significativo com peso, a proteína extra não terá nenhum efeito. Mesmo uma exigência maior do nutriente em função do treino pode ser suprida facilmente pela alimentação.
5. Suplementos vitamínicos são necessários para todo mundo. Com uma alimentação variada em frutas, vegetais e grãos integrais, quantidades moderadas de proteína magra e quantidade adequada de calorias, não há por que tomar suplementação. Os suplementos vitamínicos são recomendados para gestantes e pessoas com distúrbios nutricionais.
6. Evitar álcool. Moderação é a chave. Todo álcool é um anticoagulante, e o vinho tinto contém antioxidantes benéficos para a saúde.
7. Comer ovos elevará o colesterol. O mito surgiu porque a gema tem a maior concentração de colesterol do que qualquer outro alimento. Porém, não é suficiente para colocar a saúde em risco se houver moderação no consumo. Estudos sugerem que um ovo por dia não elevará o colesterol e será uma grande fonte de nutrientes.
8. Grãos marrons são de produtos integrais. Corantes e aditivos marrons podem dar aos alimentos a aparência de serem integrais. Ler os rótulos é boa dica para se certificar. Ingerir cerca de 90 g por dia de grãos ajuda a reduzir o risco de doenças do coração e diabetes.
9. Beber oito copos de água por dia. É preciso repor o líquido perdido a cada dia, durante a respiração, a excreção e no suor, mas isso não significa beber dois litros de água diariamente. É difícil medir a quantidade exata de água ingerida em bebidas e na alimentação. Um indicativo é a urina, se estiver amarelo escuro, beba mais água.
10. Comer carboidrato engorda. Cortar os carboidratos da dieta pode ter um benefício de redução de peso no curto prazo, devido à perda de líquido; mas comer carboidrato com moderação não ocasiona um ganho de peso diretamente. O corpo usa carboidrato como fonte de energia e um período sem ele pode causar cansaço e letargia
9.29.2009
Entrevista Diretor de '500 dias com ela', Marc Webb fala de música, internet e cinema
RIO - "Um cara conhece uma garota. Ele se apaixona. Ela não". Esta história de amor mal sucedida resumida no cartaz do filme é o mote da comédia romântica "500 dias com ela", bombom indie que integra a mostra Panorama do Festival do Rio 2009. O longa é a estreia no cinema do premiado diretor de videoclipes americano, Marc Webb, de 35 anos, que participa da sessão de gala no Cine Odeon, nesta terça-feira, às 19h15.
O filme foi uma das revelações do Festival de Sundance deste ano e vem colecionando críticas positivas por onde é exibido. Segundo o cineasta, a boa recepção do filme se deve à busca de romper com os clichês das comédias românticas tradicionais.
- Não acho que "500 dias com ela" seja revolucionário, mas ele é diferente. Há uma fórmula que está ficando esgotada. Eu gostaria de dizer que os estúdios estão buscando uma forma de quebrar isso, mas não sei se é bem o que está acontecendo. Acho que é o público que quer ver algo diferente. Há um mercado de pessoas jovens interessadas em formatos diferentes. E elas têm um gosto mais sofisticado do que se pensa - explica Webb.
"500 days of Summer" (no original) conta a história do romântico inveterado Tom (Joseph Gordon-Levitt, de "10 coisas que odeio em você"), que se apaixona pela descolada Summer (Zooey Deschanel, de "Sim, senhor"), que não acredita no amor. A história dos dois é contada de forma não linear - intercalando encantamento e desilusão - recheada de referências rock que vão de The Smiths e The Clash até "Sid e Nancy" - essa última com direito a um divertido vídeo publicado na internet em que Zooey e Gordon-Levitt reproduzem uma cena trajados, respectivamente, como o falecido Sex Pistol Sid Vicious e sua amada Nancy Spungen.
- Esse filme é baseado em uma história real. A cena no elevador aconteceu. Com aquela música do The Smiths ("There is a light that never goes out"). É sobre pessoas reais, em situações reais, com que a gente pode se identificar - revela.
Com canções que vão de Simon & Garfunkel a Wolfmother - passando pela primeira dama da França Carla Bruni e pelo projeto da atriz Zooey Deschanel, o disco "She & Him" - a trilha sonora é um dos pontos altos do filme. Mas a música não funciona apenas como pano de fundo, é um elemento importante da história.
- Há várias cenas em que a letra da música ajuda na narração. É o caso de uma música de Regina Spektor, "Hero", em que a letra diz explicitamente o que só pode ser visto implicitamente nos diálogos da cena - conta o diretor.
A combinação de referências músicais, narrativa diferenciada e boas críticas gerou um burburinho sobre o filme na internet. Para Webb, a rede quebra as barreiras entre o cineasta e o espectador e fica cada vez mais difícil para os estúdios conseguir vender filmes ruins.
- As notícas se espalham. E isso também dá vida a filmes que são bons e que não têm dinheiro suficiente para gastar com circuitos promocionais tradicionais. Mas ainda é uma influência limitada. Campanhas de marketing, trailers e propagandas de TV ainda têm um poder muito grande. Porém, quando uma coisa simples assim encontra uma conexão com seu público-alvo na internet, é muito importante para o filme - conclui.
(500) DIAS COM ELA (LP) - 14 anos. TER (29/9) 19:15 Odeon Petrobras. QUI (1/10) 14:00 Cinemark Downtown 1. QUI (1/10) 19:00 Cinemark Downtown 1. DOM (4/10) 16:30 Leblon 1. DOM (4/10) 21:30 Leblon 1. SEG (5/10) 16:30 Roxy 3. SEG (5/10) 21:30 Roxy 3.
Tenso e preocupado, Fábio Assunção passa no teste do tapete vermelho
- Ele é um grande amigo. Estou muito feliz por ele. - disse Giulia.
RIO - Nesta segunda-feira, o tapete vermelho do Odeon foi estendido para a première do filme "Bellini e o demônio". Grande parte das atenções, no entanto, não estava voltada para a primeira exibição do longa no festival. O evento marcou a volta de Fábio Assunção, afastado por conta de um tratamento para dependência química. Era a prova de fogo do ator, que protagoniza a produção baseada no livro do titã Tony Bellotto. Visivelmente assustado, ele conseguiu se sair bem.
Fábio foi um dos últimos a aparecer no cinema do Centro do Rio. Enquanto não chegava, os convidados eram bombardeados com perguntas sobre o estado do ator.
- Não estive com ele desde o fim das gravações. - esquivou-se o diretor do filme Marcelo Galvão.
- Vim aqui para prestigiar meu grande amigo Fábio. Tenho certeza de que ele vai estar grandioso no filme. - despistou o ator Rodrigo Santoro. Fábio chegou ao lado da namorada Karine Tavares faltando três minutos para o início da sessão, que estava marcada para as 21h45m, mas só começou às 22h20m. Posou para fotos e pouco falou sobre os problemas que o levaram a abandonar, no ano passado, as gravações da novela das seis "Negócio da China".
- Estou me sentindo bem e espero que o filme tenha uma carreira ótima. O primeiro ("Bellini e a esfinge", de 2000) foi lançado aqui e levou o prêmio principal. Fico muito feliz de estar lançando o segundo no festival também - afirmou.
Assim que entrou no cinema, ele recebeu cumprimentos de amigos como os atores Marcelo Serrado, Marcos Pasquim e Giulia Gam. Antes de assistir ao filme, fez questão de tirar fotos com Tony Bellotto e Malu Mader.
- Ele é um grande amigo. Estou muito feliz por ele. - disse Giulia.
Vestindo paletó listrado e calça jeans e usando uma boina na cabeça ("É para esconder as entradas", brincou), Fábio não parava de se queixar do calor. A mão inquieta e o discurso treinado denunciavam seu medo de ser confrontado com perguntas pessoais.
" Estou honrado por fazer esse filme. Quero rodar o terceiro "
Ao entrar na sala de projeção, pediu para ficar nos fundos. Mas foi convencido por uma assessora a sentar-se na frente, em um dos assentos reservados para a equipe da produção.
- Estou honrado por fazer esse filme. Quero rodar o terceiro ("Bellini e os espíritos", o terceiro livro da série). Obrigado por virem assistir ao trabalho da gente. - discursou o ator antes da exibição.
Ao final da sessão, veio o alívio. Toda a equipe saiu para comemorar a boa recepção do público carioca. Menos Fábio, que preferiu entrar no carro e ir embora junto com a namorada.
Piraí Fest homenageia 90 anos de Virgínia Lane
Entre os dias 8 e 12 de outubro será realizado na cidade de Piraí o 8° Piraí Fest. Além de shows com Bruno & Marrone, Jammil, Jeito Moleque, João Bosco, Dudu Lima e a cantora gospel Alda Célia, o 8° Piraí Fest, maior festival cultural e gastronômico do Sul Fluminense, terá uma homenagem especial à Virgínia Lane, que escolheu Piraí como residência. Virgínia, que já tem espaço fixo na galeria da Casa de Cultura de Piraí, será homenageada com a exposição especial, que contará os 90 Anos da Vedete do Brasil e estará aberta à visitação durante os cinco dias do evento. As apresentações dos shows ocorrerão em três palcos – Centro de Eventos, Praça da Preguiça e Praça da prefeitura.
Cinco anos após estourar, Céu volta à cena e defende 'o silêncio para enxergar as coisas'
Renato Lemos
Bubuia, segundo o idioma do povo do Norte do país, é a mesma coisa que borbulha, aquela espuminha que fica boiando por cima da água quando a onda passa. Céu gostou da palavra. Mais que isso, gostou da imagem que ela lhe proporcionou. Na quarta faixa de seu novo CD, "Vagarosa", ela - ao lado de Thalma de Freitas e Anelis Assumpção - canta as delícias da sua descoberta. A música ("Eu vou/ na bubuia eu vou", cantada num ritmo beeem lento) serve de senha para entender o que anda se passando na cabeça da cantora. Céu agora vai na bubuia.
- É uma espécie de "Deixa a vida me levar", é o jeito que ando vendo a vida.
Isso pode ser comprovado pelo tempo que demorou para lançar seu segundo disco: cinco anos. Entre um trabalho e outro, deu para a cantora fazer shows por todo o Brasil, ser indicada ao Grammy (perdeu para Angélique Kidjo, do Benin), ter a filha Rosa (homenageada no CD com uma versão de "Menina Rosa", de Benjor), cantar "Wave" na abertura do Pan 2007, emplacar três músicas em novelas, alcançar a melhor posição de um artista brasileiro no ranking da "Billboard" desde Astrud Gilberto com "Garota de Ipanema", em 1963, compor minuciosamente o novo repertório e, claro, descansar um bocado. O disco - como tudo em torno da cantora - pode ser visto assim: calmo, desacelerado, quase preguiçoso.
- Não sei se gosto muito do rótulo de preguiçosa, mas nos últimos tempos eu tenho valorizado cada vez mais o silêncio e a calma para enxergar as coisas. Acho que a gente tem que se virar sempre para as raízes, recuperar aquela história do menos é mais. Isso vale pra tudo - diz a cantora, que aproveitou o nascimento da filha, há um ano e três meses, para desacelerar de vez. - As pessoas estão sempre pensando no que pode acontecer e desvalorizam o momento em que vivem. Claro que é importante ganhar dinheiro, mas tem que saber pra quê, né? Não entro nessa. Olha só o trânsito. Isso é um inferno!
Bubuia, segundo o idioma do povo do Norte do país, é a mesma coisa que borbulha, aquela espuminha que fica boiando por cima da água quando a onda passa. Céu gostou da palavra. Mais que isso, gostou da imagem que ela lhe proporcionou. Na quarta faixa de seu novo CD, "Vagarosa", ela - ao lado de Thalma de Freitas e Anelis Assumpção - canta as delícias da sua descoberta. A música ("Eu vou/ na bubuia eu vou", cantada num ritmo beeem lento) serve de senha para entender o que anda se passando na cabeça da cantora. Céu agora vai na bubuia.
- É uma espécie de "Deixa a vida me levar", é o jeito que ando vendo a vida.
Isso pode ser comprovado pelo tempo que demorou para lançar seu segundo disco: cinco anos. Entre um trabalho e outro, deu para a cantora fazer shows por todo o Brasil, ser indicada ao Grammy (perdeu para Angélique Kidjo, do Benin), ter a filha Rosa (homenageada no CD com uma versão de "Menina Rosa", de Benjor), cantar "Wave" na abertura do Pan 2007, emplacar três músicas em novelas, alcançar a melhor posição de um artista brasileiro no ranking da "Billboard" desde Astrud Gilberto com "Garota de Ipanema", em 1963, compor minuciosamente o novo repertório e, claro, descansar um bocado. O disco - como tudo em torno da cantora - pode ser visto assim: calmo, desacelerado, quase preguiçoso.
- Não sei se gosto muito do rótulo de preguiçosa, mas nos últimos tempos eu tenho valorizado cada vez mais o silêncio e a calma para enxergar as coisas. Acho que a gente tem que se virar sempre para as raízes, recuperar aquela história do menos é mais. Isso vale pra tudo - diz a cantora, que aproveitou o nascimento da filha, há um ano e três meses, para desacelerar de vez. - As pessoas estão sempre pensando no que pode acontecer e desvalorizam o momento em que vivem. Claro que é importante ganhar dinheiro, mas tem que saber pra quê, né? Não entro nessa. Olha só o trânsito. Isso é um inferno!
Videoinstalação de Neville D'Almeida abre centro cultural em Ipanema
Cláudia Amorim
A videoinstalação "ipanemAldeia", de Neville D'Almeida e com curadoria de Alberto Saraiva, inaugura a programação da galeria de arte do prédio, que recebe também este fim de semana a mostra Pocket Films, do Festival do Rio.
- Esse trabalho, com imagens do inverno de Ipanema, é uma homenagem ao bairro. E segue a nossa linha de multiplicidade e convergência de linguagens, mostrando o lado videoartista de um cineasta - diz Maria Arlete Gonçalves, diretora de cultura do Oi Futuro.
'ipanemAldeia'
Oi Futuro Ipanema.
A videoinstalação de Neville D'Almeida abre a galeria de arte contemporânea do novo centro cultural. Até 8 de novembro. Rua Visconde de Pirajá 54, Ipanema - 3201-3000. Ter a dom, das 13h às 21h.
RIO - O Oi Futuro chegou a Ipanema. Instalado num prédio art déco de 1.500 metros quadrados e dois andares, o centro cultural no início da Rua Visconde de Pirajá foi aberto na quinta-feira ao público, com galeria, café, a escola Oi Kabum! e uma sala com 130 lugares.
A videoinstalação "ipanemAldeia", de Neville D'Almeida e com curadoria de Alberto Saraiva, inaugura a programação da galeria de arte do prédio, que recebe também este fim de semana a mostra Pocket Films, do Festival do Rio. 'ipanemAldeia'
Oi Futuro Ipanema.
A videoinstalação de Neville D'Almeida abre a galeria de arte contemporânea do novo centro cultural. Até 8 de novembro. Rua Visconde de Pirajá 54, Ipanema - 3201-3000. Ter a dom, das 13h às 21h.
Erasmo celebra vício jovial no show 'Rock'n'Roll'
MAURO FERREIRA
Foi com a voz e imagem intencionalmente distorcidas que Erasmo Carlos apareceu, através do telão, no palco da casa carioca Vivo Rio, onde estreou a turnê nacional de seu show Rock'n'Roll na noite de sexta-feira, 25 de setembro de 2009. Como se fosse um dependente químico, o Tremendão dá um depoimento hilário para no fim confessar que seu vício irrecuperável é o rock'n'roll, celebrado no álbum de inéditas lançado em maio. Por essa genial abertura, o espectador já intui que o show vai ser uma festa de arromba. E é mesmo. Jovial como o CD que o inspirou, o show Rock'n'Roll junta Erasmo a músicos da nova geração. Nada menos do que três integrantes da banda - Pedro Loppez (baixo), Luiz Loppez (guitarra) e Alan Fontenele (bateria) - são oriundos do grupo Filhos da Judith, atuante na cena indie carioca. Eles injetam sangue novo numa banda que destaca previsivelmente as guitarras, tocadas em alto e bom som por Luiz, Billy Brandão e pelo pré-histórico Dadi, momentaneamente fora do seu ofício de baixista. No bis, Erasmo ainda convocou Liminha, produtor do disco, para subir ao palco e encorpar a banda como guitarrista em Cover - número valorizado pela inusitada invasão do palco por sósias de ícones do rock e da cultura pop como Elvis Presley (1935 - 1977), Marylin Monroe (1926 - 1962) e Roberto Carlos - e em Festa de Arromba, que termina num duelo de guitarras que evoca o espírito do bom e velho rock'n'roll que ainda anima Erasmo. Dez!
Aos 68 anos, Erasmo Carlos poucas vezes soou tão jovem em cena. Há todo um cuidado no show - desde as projeções até as hilariantes tiradas cênicas da abertura e dos covers - que faz de Rock'n'Roll o melhor espetáculo apresentado pelo artista nos últimos 20 anos. É fato que algumas músicas do disco novo, caso de Jogo Sujo, não renderam tudo o que poderiam na estreia. Chuva Ácida - para citar mais um exemplo - também caiu sem impacto no roteiro. São números que certamente ficarão mais azeitados e ajustados quando o show for para a estrada com seu repertório que engloba (quase) todos os grandes sucessos da carreira do cantor. Na intenção de contentar o público, Erasmo tocou somente metade das 12 músicas do álbum Rock'n'Roll, ignorando petardos como Um Beijo É um Tiro, parceria sua com Nando Reis. Mas é justamente essa preocupação com a satisfação popular que faz com o que o show tenha um mágico clima de celebração. Tanto que, nos refrãos de Sentado à Beira do Caminho e É Preciso Saber Viver, o cantor direciona o microfone para a platéia para que o público cante com ele num coro forte e popular.
"Rock'n'Roll não é somente rebeldia e contestação. É amor também", ressalta Erasmo, quase se justificando por cantar Mulher e Minha Superstar, sucessos radiofônicos que deram novo impulso à sua carreira no início dos anos 80. Conceitos à parte, entre músicas novas e velhas, Erasmo fez a festa. Os efeitos dos teclados de José Lourenço deram outra pele ao Negro Gato em constraste com a placidez bossa-novista do número seguinte, Noturno Carioca, parceria de Erasmo com Nelson Motta. Mais tarde, o peso das guitarras encorpa o Panorama Ecológico - tema pioneiro na defesa das causas ambientais - e dá tom heavy a Quero que Vá Tudo para o Inferno, o avassalador sucesso de Roberto Carlos em 1965, atualmente renegado pelo Rei por manias e por convicções religiosas. Os ótimos arranjos valorizam e renovam as músicas. Rock'n'Roll reitera a certeza de que Uma Guitarra É uma Mulher é, aliás, uma das grandes faixas do CD homônimo do show. E de que os sucessos das velhas tardes de domingo - Lobo Mau, Minha Fama de Mau, Vem Quente que Eu Estou Fervendo - continuam jovens como esse tremendo roqueiro quase setentão que, sem pudores, continua devotado aos vícios de sua juventude.
Foi com a voz e imagem intencionalmente distorcidas que Erasmo Carlos apareceu, através do telão, no palco da casa carioca Vivo Rio, onde estreou a turnê nacional de seu show Rock'n'Roll na noite de sexta-feira, 25 de setembro de 2009. Como se fosse um dependente químico, o Tremendão dá um depoimento hilário para no fim confessar que seu vício irrecuperável é o rock'n'roll, celebrado no álbum de inéditas lançado em maio. Por essa genial abertura, o espectador já intui que o show vai ser uma festa de arromba. E é mesmo. Jovial como o CD que o inspirou, o show Rock'n'Roll junta Erasmo a músicos da nova geração. Nada menos do que três integrantes da banda - Pedro Loppez (baixo), Luiz Loppez (guitarra) e Alan Fontenele (bateria) - são oriundos do grupo Filhos da Judith, atuante na cena indie carioca. Eles injetam sangue novo numa banda que destaca previsivelmente as guitarras, tocadas em alto e bom som por Luiz, Billy Brandão e pelo pré-histórico Dadi, momentaneamente fora do seu ofício de baixista. No bis, Erasmo ainda convocou Liminha, produtor do disco, para subir ao palco e encorpar a banda como guitarrista em Cover - número valorizado pela inusitada invasão do palco por sósias de ícones do rock e da cultura pop como Elvis Presley (1935 - 1977), Marylin Monroe (1926 - 1962) e Roberto Carlos - e em Festa de Arromba, que termina num duelo de guitarras que evoca o espírito do bom e velho rock'n'roll que ainda anima Erasmo. Dez!
Aos 68 anos, Erasmo Carlos poucas vezes soou tão jovem em cena. Há todo um cuidado no show - desde as projeções até as hilariantes tiradas cênicas da abertura e dos covers - que faz de Rock'n'Roll o melhor espetáculo apresentado pelo artista nos últimos 20 anos. É fato que algumas músicas do disco novo, caso de Jogo Sujo, não renderam tudo o que poderiam na estreia. Chuva Ácida - para citar mais um exemplo - também caiu sem impacto no roteiro. São números que certamente ficarão mais azeitados e ajustados quando o show for para a estrada com seu repertório que engloba (quase) todos os grandes sucessos da carreira do cantor. Na intenção de contentar o público, Erasmo tocou somente metade das 12 músicas do álbum Rock'n'Roll, ignorando petardos como Um Beijo É um Tiro, parceria sua com Nando Reis. Mas é justamente essa preocupação com a satisfação popular que faz com o que o show tenha um mágico clima de celebração. Tanto que, nos refrãos de Sentado à Beira do Caminho e É Preciso Saber Viver, o cantor direciona o microfone para a platéia para que o público cante com ele num coro forte e popular.
"Rock'n'Roll não é somente rebeldia e contestação. É amor também", ressalta Erasmo, quase se justificando por cantar Mulher e Minha Superstar, sucessos radiofônicos que deram novo impulso à sua carreira no início dos anos 80. Conceitos à parte, entre músicas novas e velhas, Erasmo fez a festa. Os efeitos dos teclados de José Lourenço deram outra pele ao Negro Gato em constraste com a placidez bossa-novista do número seguinte, Noturno Carioca, parceria de Erasmo com Nelson Motta. Mais tarde, o peso das guitarras encorpa o Panorama Ecológico - tema pioneiro na defesa das causas ambientais - e dá tom heavy a Quero que Vá Tudo para o Inferno, o avassalador sucesso de Roberto Carlos em 1965, atualmente renegado pelo Rei por manias e por convicções religiosas. Os ótimos arranjos valorizam e renovam as músicas. Rock'n'Roll reitera a certeza de que Uma Guitarra É uma Mulher é, aliás, uma das grandes faixas do CD homônimo do show. E de que os sucessos das velhas tardes de domingo - Lobo Mau, Minha Fama de Mau, Vem Quente que Eu Estou Fervendo - continuam jovens como esse tremendo roqueiro quase setentão que, sem pudores, continua devotado aos vícios de sua juventude.









