7.22.2009

Sarney, o homem incomum

Leandro Fortes

Salve a governabilidade!

Há anos, nem me lembro mais quantos, os principais colunistas e repórteres de política do Brasil, sobretudo os de Brasília, reputam ao senador José Sarney uma aura divinal de grande articulador político, uma espécie de gênio da raça dotado do dom da ponderação, da mediação e do diálogo. Na selva de preservação de fontes que é o Congresso Nacional, estabeleceu-se entre os repórteres ali lotados que gente como Sarney, ou como Antonio Carlos Magalhães, em tempos não tão idos, não precisa ser olhada pelas raízes, mas apenas pelas folhagens. Esse expediente é, no fim das contas, a razão desse descolamento absurdo do jornalismo brasiliense da realidade política brasileira e, ato contínuo, da desenvoltura criminosa com que deputados e senadores passeiam por certos setores da mídia.

Olhassem Sarney como ele é, um coronel arcaico, chefe de um clã político que há quatro décadas domina a ferro e fogo o Maranhão, estado mais miserável da nação, os jornalistas brasileiros poderiam inaugurar um novo tipo de cobertura política no Brasil. Começariam por ignorar as mentiras do senador (maranhense, mas eleito pelo Amapá), o que reduziria a exposição de Sarney em mais de 90% no noticiário nacional. No Maranhão, a família Sarney montou um feudo de cores patéticas por onde desfilam parentes e aliados assentados em cargos públicos, cada qual com uma cópia da chave do tesouro estadual, ao qual recorrem com constância e avidez. O aparato de segurança é utilizado para perseguir a população pobre e, não raras vezes, para trucidar opositores. A influência política de Sarney foi forte o bastante para garantir a derrubada do governador Jackson Lago, no início do ano, para que a filha, Roseana, fosse reentronizada no cargo que, por direito, imaginam os Sarney, cabem a eles, os donatários do lugar.

José Sarney é uma vergonha para o Brasil desde sempre. Desde antes da Nova República, quando era um político subordinado à ditadura militar e um representante mais do que típico da elite brasileira eleita pelos generais para arruinar o projeto de nação - rico e popular - que se anunciava nos anos 1960. Conservador, patrimonialista e cheio dessa falsa erudição tão típica aos escritores de quinta, José Sarney foi o último pesadelo coletivo a nós impingido pela ditadura, a mesma que ele, Sarney, vergonhosamente abandonou e renegou quando dela não podia mais se locupletar. Talvez essa peculiaridade, a de adesista profissional, seja o que de mais temerário e repulsivo o senador José Sarney carregue na trouxa política que carrega Brasil afora, desde que um mau destino o colocou na Presidência da República, em março de 1985, após a morte de Tancredo Neves.

Ainda assim, ao longo desses tantos anos, repórteres e colunistas brasileiros insistiram na imagem brasiliense do Sarney cordial, erudito e mestre em articulação política. É preciso percorrer o interior do Maranhão, como já fiz em algumas oportunidades, para estabelecer a dimensão exata dessa visão perversa e inaceitável do jornalismo político nacional, alegremente autorizado por uma cobertura movida pelos interesses de uns e pelo puxa-saquismo de outros. Ao olhar para Sarney, os repórteres do Congresso Nacional deveriam visualizar as casas imundas de taipa e palha do sertão maranhense, as pústulas dos olhos das crianças subnutridas daquele estado, várias gerações marcadas pela verminose crônica e pela subnutrição idem. Aí, saberiam o que perguntar ao senador, ao invés de elogiar-lhe e, desgraçadamente, conceder-lhe salvo conduto para, apesar de ser o desastre que sempre foi, voltar à presidência do Senado Federal.

Tem razão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao afirmar, embora pela lógica do absurdo, que José Sarney não pode ser julgado como um homem comum. É verdade. O homem comum, esse que acorda cedo para trabalhar, que parte da perspectiva diária da labuta incerta pelo alimento e pelo sucesso, esse homem, que perde horas no transporte coletivo e nas muitas filas da vida para, no fim do mês, decidir-se pelo descanso ou pelas contas, esse homem comum é, basicamente, honesto e solidário. Sarney é o homem incomum. No futuro, Lula não será julgado pela História somente por essa declaração infeliz e injusta, mas por ter se submetido tão confortavelmente às chantagens políticas de José Sarney, a ponto de achá-lo intocável e especial. Em nome da governabilidade, esse conceito em forma de gosma fisiológica e imoral da qual se alimenta a escória da política brasileira, Lula, como seus antecessores, achou a justificativa prática para se aliar a gente como os Sarney, os Magalhães e os Jucá.

Pelo apoio de José Sarney, o presidente entregou à própria sorte as mais de seis milhões de almas do Maranhão, às quais, desde que assumiu a Presidência, em janeiro de 2003, só foi visitar esse ano, quando das enchentes de outono, mesmo assim, depois que Jackson Lago foi apeado do poder. Teria feito melhor e engrandecido a própria biografia se tivesse descido em São Luís para visitar o juiz Jorge Moreno. Ex-titular da comarca de Santa Quitéria, no sertão maranhense, Moreno ficou conhecido mundialmente por ter conseguido erradicar daquele município e de regiões próximas o sub-registro civil crônico, uma das máculas das seguidas administrações da família Sarney no estado. Ao conceder certidão de nascimento e carteira de identidade para 100% daquela população, o juiz contaminou de cidadania uma massa de gente tratada, até então, como gado sarneyzista. Por conta disso, Jorge Moreno foi homenageado pelas Nações Unidas e, no Brasil, viu o nome de Santa Quitéria virar nome de categoria do Prêmio Direitos Humanos, concedido anualmente pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República a, justamente, aqueles que lutam contra o sub-registro civil no País.

Em seguida, Jorge Moreno denunciou o uso eleitoral das verbas federais do Programa Luz Para Todos pelos aliados de Sarney, sob o comando, então, do ministro das Minas e Energia Silas Rondeau este um empregado da família colocado como ministro-títere dentro do governo Lula, mas de lá defenestrado sob a acusação, da Polícia Federal, de comandar uma quadrilha especializada em fraudar licitações públicas. Foi o bastante para o magistrado nunca mais poder respirar no Maranhão. Em 2006, o Tribunal de Justiça do Maranhão, infestado de aliados e parentes dos Sarney, afastou Moreno das funções de juiz de Santa Quitéria, sob a acusação de que ele, ao denunciar as falcatruas do clã, estava desenvolvendo uma ação político-partidária. Em abril passado, ele foi aposentado, compulsoriamente, aos 42 anos de idade. Uma dos algozes do juiz, a corregedora (?) do TRE maranhense, é a desembargadora Nelma Sarney, casada com Ronaldo Sarney, irmão de José Sarney.

Há poucos dias, vi a cara do senador José Sarney na tribuna do Senado. Trêmulo, pálido e murcho, tentava desmentir o indesmentível. Pego com a boca na botija, o tribuno brilhante, erudito e ponderado, a raposa velha indispensável aos planos de governabilidade do Brasil virou, de um dia para a noite, o mascate dos atos secretos do Senado. Ao terminar de falar, havia se reduzido a uma massa subnutrida de dignidade, famélica, anêmica pela falta da proteína da verdade. Era um personagem bizarro enfiado, a socos de pilão, em um jaquetão coberto de goma.

Na mesma hora, pensei no povo do Maranhão.

Leandro Fortes é jornalista e o artigo foi publicado em seu blog “Brasília, eu vi”

7.21.2009

Espetáculo 'Hairspray' mantém o tom e o humor exigidos


Barbara Heliodora

RIO - Nos últimos anos, o sucesso do musical "Hairspray" tem sido ligado principalmente ao gimmick de ter um ator (no caso da versão de 2007 para o cinema, por exemplo, o mais que famoso John Travolta) no papel de Edna, mãe da gordinha adolescente que sonha em ser estrela de um show de televisão. Escrito nos anos 1980, no entanto, de início o musical ficava ainda mais americano do que é: tudo se passa no início da década de 1960, em Baltimore, parte integrante do Sul racista, justamente no tempo em que os movimentos e eventos em favor da integração racial estavam atingindo o auge e fazendo suas mais significantes vitórias.
(Elenco e diretor falam sobre adaptação do espetáculo da Broadway)
O preconceito contra a obediência a qualquer exagero da moda (como os casos de fenomenal engenharia capilar sustentada pelo generoso uso do laquê do título), assim como a exclusão do sonhado sucesso social em função da gordura, emprestavam a "Hairspray" uma modesta relevância, hoje perdida. Sobram o puro jogo teatral, a música e a dança, em torno da ideia da luta pelo sucesso em condições adversas. Tudo é levado para o exagero na criação dos personagens, principalmente os cabelos, um exagero alegre e sorridente. Os autores americanos foram muito bem traduzidos e adaptados por Miguel Falabella, o que permite a fluência de espetáculo.
" direção de Miguel Falabella é firmemente voltada para o tom e o humor que "Hairspray" exige e resulta alegre e divertida "
A encenação, em cartaz no Teatro Casa Grande, é fiel ao original, como é indispensável que seja, com Renato Scripilitti criando cenários de fácil mobilidade e clara identificação de locais, o fundo correto para as cores e exageros dos figurinos de Marcelo Pies, tudo buscando evocação de época, com o original por guia. É boa a luz de Maneco Quinderé, mas o desenho de som de Tocko Michelazzo é um tanto exagerado no volume. Da Broadway veio Jeff Whitting, que já era dono da coreografia e obtém ótimo rendimento de todo o elenco. Felipe Senna é o responsável pela direção musical e tem boa execução.
A direção de Miguel Falabella é firmemente voltada para o tom e o humor que "Hairspray" exige e resulta alegre e divertida, mantendo o tom americano, essencial, mas deixando-o simpático aos olhos e ouvidos brasileiros. O elenco está rendendo bem. No grupo central, Edson Celulari e Simone Gutierrez dão boa conta do recado; já Danielle Winits rende menos que Arlete Salles e Jonatas Faro. No numeroso elenco de apoio (que tem ótima atuação de conjunto), Ivana Domenico marca presença em três papéis, Heloisa de Palma cresce para o final, Bené Monteiro é uma revelação, e as três Dinamites, Corina Sabbas, Karin Hils e Bia Martins, são um dos pontos mais altos do espetáculo.
A popularidade dos musicais parece irrecusável, e "Hairspray" é um espetáculo alegre e atraente.


@Oi Casa Grande.
Rua Afrânio de Melo Franco 290, Leblon.
@Tel: 2511-0800.
@Qui e sex, às 21h. @Sáb, às 18h e às 21h30m.@ Dom, às 19h.
@Qui e sex: R$ 40 (balcão setor 3), R$ 80 (balcão setor 2), R$ 100 (plateia setor 1) e R$ 120 (plateia VIP e camarotes). @Sáb e dom: R$ 60 (balcão setor 3), R$ 100 (balcão setor 2), R$ 120 (plateia setor 1) e R$ 150 (plateia VIP e camarotes). 180 minutos (com intervalo).
Até 4 de outubro. Livre.

Sinfônica de Barra Mansa apresenta concertos no Festival Vale do Café

Em Barra Mansa: A orquestra se apresenta hoje na Igreja Matriz de São Sebastião, no Centro

A Orquestra Sinfônica de Barra Mansa fará cinco concertos na 7ª edição do Festival Vale do Café, que acontece desde sexta-feira (17) até domingo (26), em diversos municípios da região do Vale do Paraíba. Idealizado por Cristina Braga em 2003, o festival tem como objetivo criar um polo turístico cultural e acelerar o desenvolvimento econômico do interior do estado do Rio de Janeiro.

Todos os concertos da OSBM têm como solista um dos maiores violinistas clássicos da atualidade, Turíbio Santos, que também é diretor artístico do festival.

As apresentações começaram no último sábado (18), na Praça Barão de Campo Belo, em Vassouras. Ontem (20) foi a vez da população de Barra do Piraí receber a OSBM, na Igreja São Benedito, na Praça Nilo Peçanha. Em Barra Mansa a orquestra se apresenta hoje (21), na Igreja Matriz de São Sebastião, no Centro. Já na sexta-feira (24) o concerto acontece em Piraí, na Igreja Sant'Anna. Para finalizar o festival, no próximo domingo (26), a OSBM realiza um concerto de encerramento em Três Rios, no Teatro Nilo Peçanha, na Praça São Sebastião. Todas as apresentações são gratuitas e começam às 20h.

A OSBM, composta por cerca de 105 músicos, entre professores e monitores do Projeto Música nas Escolas, se apresentará sob a regência do maestro Guilherme Bernstein.

A dieta lulista emagrece o PT

Villas Boas Corrêa

A crise de debilidade que atacou o Partido dos Trabalhadores, fundado pelo maior líder operário do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, quando presidente do Sindicato dos Trabalhadores em São Bernardo do Campo, apresenta a singularidade, embora não seja o caso único da legenda que perde importância quando chega ao poder, enquanto os aliados, como o insaciável guloso PMDB incham como bola de soprar.
É exato que o PT começou a incomodar o presidente Lula com os escândalos iniciais da longa e interminável temporada, com os escabrosos casos do mensalão, para comprar adesões que fortalecessem a base parlamentar do governo e que foi qualificado como dos maiores da crônica do Congresso e do caixa dois para financiar a campanha da turma de casa.
Mas, o presidente tratou o seu partido como dono, alternando a generosidade na distribuição de empregos público, desde o inchaço com o maior ministério de todos os tempos, todos com vagas para acomodar os companheiros em dificuldades com momentos de irritação para a gula petista reconhecia a necessidade de atender aos aliados.
Se ao menos para engambelar o distinto público, o governo tivesse o pudor de discutir programas, avaliar a competência das indicações políticas teria evitado esta imagem da mistura caótica de bom e razoáveis escolhas, com outras que chegam ao ridículo.
E na véspera da campanha que bate a porta dos outros, pois o presidente disparou na frente, saltando o obstáculo dos prazos constitucionais, na campanha da candidatura da ministra Dilma Rousseff, da sua escolha pessoal e que o PT com muitos fazenda, os sinais dos ressentimentos começam a ocupar espaço no noticiário político.
No mais ostensivo dos exemplos, na realização do 19° Encontro Estadual do PT do Rio Grande do Sul. Sem meias palavras, começou por ignorar a orientação da direção nacional recomendando que não fosse antecipado o calendário eleitoral para atropelar as articulações de alianças nos estados.
O PT gaúcho não apenas mandou às favas o adiamento que só interessa à ministra-candidata a presidente da República como lançou a candidatura do ministro da Justiça, Tarso Genro e tornar pública a decisão de convidar o PDT brizolista para indicar o candidato a vice-governador.
No entusiástico discurso, o candidato-ministro Tarso Genro ressalvou que a seção gaúcha não tem nenhuma objeção a qualquer partido que queira aderir à candidatura de Dilma, “mas o palanque do PT, aqui é de esquerda e conversa com o centro, Saiba Dilma que o palanque que pode dar vitória é o do PT”.
E estamos conversados

"Casamento é o destino tradicionalmente oferecido às mulheres pela sociedade. Também é verdade que a maioria delas é casada, ou já foi, ou planeja ser, ou sofre por não ser." (Simone de Beauvoir)

Quero aproveitar esta citação de Simone Beauvoir para concluir a divulgação dos dados da Pesquisa/ Mulheres: Amor x Profissão.
O que mais chamou minha atenção no levantamento dos dados foi a enorme necessidade que, ainda hoje, a mulher tem de ter um companheiro que a sustente e seja seu protetor. Isto reforça a minha percepção constante de que grande parte da infelicidade feminina reside na expectativa do casamento. Portanto, hoje não quero escrever muito, apenas deixar um poema sobre o Amor. O mais fica para sua reflexão e elaboração.
Continuo aguardando seus comentários. conversandocomvocebotecos@gmail.com
Obrigada. Um abraço.
Márcia Modesto (Psicóloga/ Psicanalista/ Terapeuta Familiar Sistêmica)

Para Viver um Grande Amor
Carlos Drummond de Andrade

É preciso abrir todas as portas que fecham o coração.
Quebrar barreiras construídas ao longo do tempo,
Por amores do passado que foram em vão
É preciso muita renúncia em ser e mudança no pensar.
É preciso não esquecer que ninguém vem perfeito para nós!
É preciso ver o outro com os olhos da alma e se deixar cativar!
É preciso renunciar ao que não agrada ao seu amor...
Para que se moldem um ao outro como se molda uma escultura,
Aparando as arestas que podem machucar.
É como lapidar um diamante bruto para fazê-lo brilhar!
E quando decidir que chegou a sua hora de amar,
Lembre-se que é preciso haver identificação de almas!
De gostos, de gestos, de pele...
No modo de sentir e de pensar!
É preciso ver a luz iluminar a aura,
Dando uma chance para que o amor te encontre
Na suavidade morna de uma noite calma...
É preciso se entregar de corpo e alma!
É preciso ter dentro do coração um sonho
Que se acalenta no desejo de: amar e ser amada!
É preciso conhecer no outro o ser tão procurado!
É preciso conquistar e se deixar seduzir...
Entrar no jogo da sedução e deixar fluir!
Amar com emoção para se saber sentir
A sensação do momento em que o amor te devora!
E quando você estiver vivendo no clímax dessa paixão,
Que sinta que essa foi a melhor de suas escolhas!
Que foi seu grande desafio... e o passo mais acertado
De todos os caminhos de sua vida trilhados!
Mas se assim não for...
Que nunca te arrependas pelo amor dado!
Faz parte da vida arriscar-se por um sonho...
Porque se não fosse assim, nunca teríamos sonhado!
Mas, antes de tudo, que você saiba que tem aliado.
Ele se chama TEMPO... seu melhor amigo.
Só ele pode dar todas as certezas do amanhã...
A certeza que... realmente você amou.
A certeza que... realmente você foi amada

7.20.2009

Ciclo de palestras na ABL traz visões diferentes sobre as relações Brasil-França

João Pimentel

RIO - Mais de 400 anos depois de Villegagnon, uma nova invasão: oito dos mais renomados intelectuais que atuam no meio acadêmico francês, nas áreas de filosofia, filologia, literatura, historiografia e antropologia, além da crítica, participam do ciclo de palestras "A França volta ao Petit Trianon", que acontece até quinta-feira (23.07), na Academia Brasileira de Letras. As conferências, coordenadas pelo presidente da casa, Cícero Sandroni, serão abertas ao público e terão tradução simultânea.
O ciclo foi criado por Sandroni a partir da reforma do Petit Trianon, sede da Academia desde 1923, quando o prédio foi doado pelo governo francês. O imóvel histórico é uma réplica idêntica à construída por Maria Antonieta no Palácio de Versalhes.
- A rainha queria um espaço dentro do palácio para ter a sua intimidade. Essa foi a origem do Trianon original. O arquiteto Antoine Gabrielli criou então essa joia neoclássica. O próprio Lúcio Costa atestou a perfeição da cópia. Como o Ano da França no Brasil coincidiu com a restauração que recuperará o projeto original, decidimos fazer o gesto simbólico de devolução do prédio - diz Sandroni.
Ele lembra que o prédio, originalmente, foi sede do pavilhão francês nas comemorações do centenário da independência do Brasil, em 1922. Desta época, por exemplo, é o prédio que abriga o consulado americano, na mesma Avenida Presidente Wilson, antiga Avenida das Nações.
Confira a programação completa do ciclo:

TERÇA-FEIRA (21.07): 10h - "Francofilia" (Commment peut-on être francophone?)
Xavier North - Linguista e Delegado Geral da Língua Francesa do Ministério da Cultura e das Comunicações da França.
11h20m: "O francês e o português entre as línguas românicas" (Le Français et le Portugais parmi les langues romanes)
Henriette Walter - Linguista e professora na Universidade Haute-Bretagne em Rennes,
Membro do Conceil International de la Langue Française, é conhecida internacionalmente como uma das maiores especialistas em Fonologia. É autora de Aventura das línguas no ocidente (Mandarim Editora 2001).
***
QUARTA-FEIRA (22.07):
10h: "Ficção teórica" (Fiction Thèorique)
Henri-Pierre Jeudy - Sociólogo. Pesquisador e professor do Centre de la Recherche Scientifique e do Laboratório de Antropologia das Instituições e das Organizações Sociais. Autor de obras sobre o pânico, o medo, a catástrofe, as memórias coletivas e os patrimônios. Ente seus livros publicados: O corpo como objeto de arte (Estação Liberdade, 2002), Le Désir de catastrophe (Aubier, 1990).
11h20m: "O Brasil e o 'modelo' francês" (Le Brésil et le 'modèle' français)
Pierre Rivas - Professor Emérito de Literatura Comparada na Universidade Paris X. Tradutor e autor do primeiro estudo sistemático sobre a presença do Brasil e de Portugal nas letras francesas de 1880 a 1935, publicado no Brasil com o título "Encontro entre literaturas: França, Portugal e Brasil".
***
QUINTA-FEIRA (23.07): 10h: "Imprensa e livrarias de origem francesa" (Perdition et découverte: presse et librairies d'origine française)
Jacqueline Penjon - Professora de Língua, Literatura e Civilização Brasileira na Universidade Paris III. Autora da tese "Ser professor de português em Paris".
11h20m: "A História, representação do passado e medida do tempo" (L'Histoire, reprèsentation du passé et mesure du temps)
Roger Chartier - Diretor da École des Hautes Études em Sciences Sociales, em Paris, Professor especializado em história cultural e história da leitura. Entre seus livros publicados no Brasil: História da vida privada (Cia das Letras, 2009); Inscrever e apagar (UNESP, 2007), Do palco a página (Casa da Palavra, 2002).

Academia Brasileira de Letras - Av. Presidente Wilson 203, Castelo. Tel.: 3974-2500

Benedetto Lupo é o solista dos concertos que a OSB realiza no fim de semana


Luiz Paulo Horta

RIO - O pianista italiano Benedetto Lupo é o solista dos concertos que a Orquestra Sinfônica Brasileira realiza neste fim de semana, na Sala Cecília Meireles, sob a regência de Andrew Grams. No programa, o Concerto para a mão esquerda de Ravel, peças de Nino Rota, Dukas e Chabrier. Com boa carreira na Europa e nos Estados Unidos, Lupo estará quinta-feira (23.07) na Fundação Eva Klabin fazendo música de câmara com um quarteto de cordas que tem os violinos de Michel e Bernardo Bessler (quinteto de Schumann e um quarteto de Haydn).
Quarta-feira (22.07), na Sala, a série Pianissimo da Dell'Arte termina com o pianista espanhol Iván Martín, que vai tocar, entre outras peças, as "Danças Espanholas", de Granados. Aos 31 anos, Martin desenvolve intensa carreira na Europa e nos Estados Unidos.
Nesta terça (21.07), no Ibam, apresentação do tenor venezuelano Andrés Perillo, tendo ao piano Andrés Roig.

Sala Cecília Meireles:
Largo da Lapa 47, Lapa. Tel: 2332-9160.
Fundação Eva Klabin.
Av. Epitácio Pessoa 2.480, Lagoa. Tel: 3202-8550

ROGÊ

Cantor e compositor identificado com um pop de acento carioca, o músico debruça-se sobre o samba nas apresentações do disco Brasil em Brasa, lançado no início do ano. Ele mostra algumas canções próprias tiradas do baú e parcerias mais recentes, como a faixa-título, feita com Arlindo Cruz e Gabriel Moura. Além de algumas incursões de Chico Buarque pelo gênero, Rogê exibe, dele, Catinga de Suingue e Samba Pode Esperar. 18 anos. Carioca da Gema (300 pessoas). Avenida Mem de Sá, 79, Lapa, 2221-0043. Terça (21), 21h. R$ 17,00.

TANIA MALHEIROS

No repertório da cantora, clássicos do samba como Praça Onze, de Herivelto Martins e Grande Otelo, e Tem que rebolar, de José Batista e Magno de Oliveira, eternizada por Ciro Monteiro e Elizete Cardoso. Outros grandes nomes que ganham interpretação de Tânia Malheiros são Wilson Moreira, Nei Lopes, Nelson Sargento, Paulo César Pinheiro, Délcio Carvalho e Dona Ivone Lara. 18 anos. Rio Scenarium (1 000 pessoas). Rua do Lavradio, 20, Centro, 3147-9000. Terça (21) e quarta (22), 22h. R$ 15,00. Cc.: todos. Cd.: todos. www.rioscenarium.com.br.

QUARTETO EM CY

As tarimbadas cantoras do grupo encerram a série de shows Saudades de Dolores Duran, em homenagem aos cinquenta anos de morte da cantora e compositora (1930-1959). Além de parcerias de Dolores com Tom Jobim, Cyva, Cybele, Cynara e Cylene mostram alguns dos sucessos que ganharam fama pelos vocais do quarteto. Livre. Centro Cultural Light (194 lugares). Avenida Ma-rechal Floriano, 168, Centro, 2211-4515, Metrô Presidente Vargas. Quinta (23), 12h30 e 18h30. Grátis. Distribuição de senhas uma hora antes.

LEBLON JAZZ FESTIVAL

Depois do sucesso da primeira realização, o festival ganha mais uma edição. A principal atração do palco montado na Rua Dias Ferreira, no trecho entre a Rua Professor Azevedo Marques e a Avenida Ataulfo de Paiva, é o casal sensação Marcelo Camelo e Mallu Magalhães. Outras atrações da tarde são o guitarrista Victor Biglione, o saxofonista George Israel e a banda Os Roncadores. Livre. Praça Cazuza. Rua Dias Ferreira, em frente ao número 15, Leblon. Sábado (25), 13h às 21h. Grátis.

MORAES MOREIRA
Há um ano o músico baiano subiu ao palco da Feira de São Cristóvão para desfiar grandes sucessos da carreira. O registro do show chega às lojas no DVD A História dos Novos Baianos e Outros Versos, que Moreira agora lança na Lapa. Estão no repertório Ferro na Boneca, do início da trajetória, além de clássicos que ganharam fama na época dos Novos Baianos, a exemplo de Acabou Chorare, Pombo Correio, Preta Pretinha e Festa do Interior. Com participação de Pepeu Gomes. Na abertura, o som fica por conta da banda Vulgo Qinho e os Caras. 18 anos. Circo Voador (2 500 pessoas). Arcos da Lapa, s/nº, Lapa, 2533-0354. Sábado (25), 22h. R$ 40,00. Bilheteria: 12h/18h (seg. a qui.); a partir de 20h (sex. e sáb.). IC. www.circovoador.com.br.

4º PENEDO WINTER JAZZ

A grande atração do fim de semana de shows do festival é a francesa Manu Le Prince. Dividindo-se entre a França e o Brasil, Manu costuma se apresentar em clubes de jazz parisienses e festivais europeus. Na serra, ela conta com a participação do saxofonista franco-argelino Idriss Boudrioua e do multi-instrumentista Arismar do Espírito Santo, que a acompanham em obras de Michel Legrand, Tom Jobim, Fátima Guedes e Cole Porter. Esta é uma ótima oportunidade para ver Espírito Santo em ação com a guitarra. Reconhecido como um artista completo, o guitarrista tem a sua maneira de tocar e compor harmonias inusitadas como marca registrada. Antes, na sexta (24), a atração é o bluesman J.J., ao lado do quarteto César Machado. Aos trinta anos de carreira, Jackson tocou com grandes nomes do gênero. Seu primeiro conjunto, Rocking Teens, tinha entre seus integrantes Jimi Hendrix. Do ex-parceiro, ele exibe Little Wing. Jazz Village Bistrô (60 lugares). Rua Toivo Suni, 33 (Hotel Pequena Suécia), Penedo, (24) 3351-1275. Sexta (24), 21h. R$ 100,00. Sábado (25), 21h. R$ 50,00. Cc.: todos. Cd.: todos. www.jazzvillage.com.br.

TURBILHÃO CARIOCA

Surgido de uma das oficinas de percussão do Monobloco, o grupo mostra que Carnaval pode ser o ano inteiro apresentando versões de músicas conhecidas acompanhadas de poderosa percussão. O cavaquinhista Pedro Buarque puxa Isso Aqui Tá Bom Demais, de Dominguinhos, Frevo Mulher, de Zé Ramalho e Festa do Interior, de Moraes Moreira. Também estão previstos sambas-enredos clássicos da União da Ilha, do Salgueiro e da Imperatriz. Entre outros, É Hoje e Liberdade! Liberdade! costumam agitar a pista. 18 anos. Posto 8 (386 pessoas). Avenida Rainha Elizabeth, 769, Ipanema, 2523-1703. Domingo (26), 20h. R$ 15,00 (mulher) e R$ 30,00 (homem). Bilheteria: 16h/22h.

e-mail para esta coluna botecosdovaledocafe@gmail.com

Festival de MPB vira filme

A onda dos documentários musicais pode ser comparada a outra onda sonora ocorrida no Brasil, lá pelo fim dos anos 1960, quando o país praticamente parava para acompanhar os festivais de música. Num encontro entre os dois tempos, um documentário, claro, está em curso para contar os fatos do III Festival de MPB da TV Record (1967), considerado o mais importante da História. Dirigido por Ricardo Calil e Renato Terra, o filme tem o título provisório de "A noite que mudou a MPB".
- Historicamente, o cinema brasileiro sempre buscou energia e inspiração na música popular, desde as chanchadas até "2 filhos de Francisco". No caso dos documentários recentes, existe um desejo de investigar uma manifestação cultural que não apenas é muito bem-sucedida como também reflete a complexidade da sociedade brasileira como nenhuma outra, incluindo aí o cinema - explica Calil.
"A noite..." deve ser lançado até o fim do ano. O filme vai trazer entrevistas com artistas e jurados daquele festival, como Sérgio Ricardo, Chico Buarque, Caetano, Gil, Edu Lobo, Chico Anysio e Roberto Carlos.
- Nós acreditamos que o momento retratado, a final do III Festival da Record, ajuda a entender a ebulição cultural e política daquela época e, quem sabe?, do que aconteceu depois com nossa música, nosso país e com os fundamentais artistas que estiveram lá - diz Calil.
Mas não é só. A lista de documentários com temática musical programados para este ano ou em produção é imensa, sem preconceito com gênero, tendências ou origem. "Mamonas, o documentário", de Claudio Khans, resgata a história dos Mamonas Assassinas. "Favela on blast", de Leandro HBL e Diplo, é um retrato da cultura em torno do funk. "Contratempo", de Malu Mader e Mini Kerti, mostra a trajetória de

jovens do projeto Villa-Lobinhos. "Palavra (en)cantada", de Helena Solberg, cria uma ponte entre MPB e poesia. "Loki - Arnaldo Baptista", de Paulo Henrique Fontenelle, é uma cinebiografia do Mutante. "O homem iluminado", de Nelson Pereira dos Santos, mostra Tom Jobim a partir da visão das mulheres de sua vida. "O homem que engarrafava nuvens", de Lírio Ferreira, traz vida e obra do compositor Humberto Teixeira. "Raul, o início, o fim e o meio", de Adrian Cooper, relembra Raul Seixas. "O milagre de Santa Luzia", de Sergio Rozenblit, viaja pelo Brasil ao som da sanfona. E "L.A.P.A.", de Cavi Borges e Emilio Domingos, este em cartaz desde o ano passado, trata do hip-hop no Rio. Ufa!
Calma lá: ufa nada.
- A música é a principal vertente da nossa cultura e, portanto, acho natural o cinema focar o assunto. Fora isso, é uma forma de preservar nossa memória, já que personagens riquíssimos como Macalé, Arnaldo Baptista e Simonal, por exemplo, não são lembrados no rádio e na TV - diz João Pimentel, crítico de música do GLOBO, que, com Marco Abujamra, dirigiu "Jards Macalé: um morcego na porta principal", um dos lançamentos de 2009.
Mesmo depois de citar uma série de filmes, provavelmente ainda estamos esquecendo de algum. É que a música brasileira tem espaço para muitas outras cenas de cinema. Opa, "Cena de cinema" não é o título de uma música do Lobão? Olha aí mais um possível documentário musical.

Este vídeo foi montado com as duas apresentações do frevo GABRIELA, em 21/10/1967, noite final do histórico III Festival da Música Popular Brasileira, no Teatro Record Centro, São Paulo.