6.08.2009


Alimentos transgênicos

Os alimentos transgênicos são aqueles cujas sementes foram alteradas com o DNA (material genético localizado no interior das células) de outro ser vivo (como uma bactéria ou fungo) para funcionarem como inseticidas naturais ou resistirem a um determinado tipo de herbicida. Surgiram no início dos anos 80, quando cientistas conseguiram transferir genes específicos de um ser vivo para outro.

A comercialização de transgênicos ainda é polêmica. Empresas, produtores e cientistas que defendem a nova tecnologia dizem que ela vai aumentar a produtividade e baratear o preço do produto, além de permitir a redução dos agrotóxicos utilizados.

Os que a atacam, como os ambientalistas e outra parcela de pesquisadores afirmam que o produto é perigoso: ainda não se conhece nem os seus efeitos sobre a saúde humana nem o impacto que pode causar ao meio ambiente.

Apesar de proibida a produção destes alimentos no Brasil, nada garante que o consumidor já não esteja comendo produtos transgênicos sem saber. Eles podem estar chegando a partir da importação de alimentos e matérias-primas de países como a Argentina e os Estados Unidos, que já cultivam e comercializam os transgênicos há alguns anos.

Alimentos Transgênicos
Pontos positivos dos alimentos transgênicos
Aumento da produção de alimentos

Melhoria do conteúdo nutricional, desenvolvimento de nutricênicos (alimentos que teriam fins terapêuticos);

Maior resistência e durabilidade na estocagem e armazenamento

Pontos negativos dos alimentos transgênicos
Aumento das reações alérgicas;

As plantas que não sofreram modificação genética podem ser eliminadas pelo processo de seleção natural, pois, as transgênicas possuem maior resistência às pragas e pesticidas;

Aumento da resistência aos pesticidas e gerando maior consumo deste tipo de produto;

Apesar de eliminar pragas prejudiciais à plantação, o cultivo de plantas transgênicas pode, também, matar populações benéficas como abelhas, minhocas e outros animais e espécies de plantas.

Alguns países que cultivam alimentos transgênicos
Estados Unidos: melão, soja, tomate, algodão, batata, canola, milho.
União Européia: tomate, canola, soja, algodão.
Argentina: soja, milho, algodão.
No mundo todo, pesquisadores e cientistas estão desenvolvendo pesquisas sobre quais são as reais consequências da utilização de alimentos genéticos no organismo humano e no meio-ambiente. Consumidores de países onde já ocorre a comercialização de alimentos transgênicos exigem a sua rotulagem, assim como estão sendo feito com os orgânicos, para que possam ser distinguidos na hora da escolha do alimento.

Rotulagem dos alimentos transgênicos
Um outro tema abordado quando se discute os alimentos transgênicos é o da rotulagem dos produtos. Todo o cidadão tem o direito de saber o que irá consumir. Por isto, a descrição da composição do alimento e o gene que foi inserido no produto, devem ser informados. Além dos rótulos dos produtos nacionais é necessário que sejam analisados os produtos importados produzidos através da biotecnologia.

No meio de todas as discussões, uma certeza reina entre cientistas, representantes do governo e da defesa do consumidor: é preciso investir em pesquisa e aprimorar os estudos.

Fontes:
www1.uol.com.br
Cartilha Novas Tecnologias - Procon-PBH
Publicação do IDEC/SP

Sandra Helena Mathias Motta
Nutricionista
Centro – 3322- 3715
Vila Nova – 3326 -5487
sandranutti@yahoo.com.br

PAIS, MÃES E EDUCADORES, LEIAM !

Palestra do Içami Tiba, em Curitiba:

1. A educação não pode ser delegada à escola. Aluno é transitório.
Filho é para sempre.

2. O quarto não é lugar para fazer criança cumprir castigo. Não se
pode castigar alguém com internet, som, tv, etc.

3. Educar significa punir as condutas derivadas de um comportamento
errôneo. Queimou índio pataxó, a pena (condenação judicial) deve ser
passar o dia todo em hospital de queimados.

4. Confrontar o que o filho conta com a verdade real. Se falar que
professor o xingou, tem que ir até a escola e ouvir o outro lado, além
das testemunhas.

5. Informação é diferente de conhecimento. O ato de conhecer vem após
o ato de ser informado de alguma coisa. Não são todos que conhecem.
Conhecer camisinha e não usar significa que não se tem o conhecimento
da prevenção que a camisinha proporciona.

6. A autoridade deve ser compartilhada entre os pais. Ambos devem
mandar. Não podem sucumbir aos desejos da criança. Criança não quer
comer? A mãe não pode alimentá-la. A criança deve aguardar até a
próxima refeição que a família fará. A criança não pode alterar as
regras da casa. A mãe NÃO PODE interferir nas regras ditadas pelo pai
(e nas punições também) e vice-versa. Se o pai disse que não ganhará
doce, a mãe não pode interferir. Tem que respeitar sob pena de criar
um delinquente. Em casa que tem comida, criança não morre de fome . Se
ela quiser comer, saberá a hora. E é o adulto tem que dizer QUAL É A
HORA de se comer e o que comer.

7. A criança deve ser capaz de explicar aos pais a matéria que
estudou e na qual será testada. Não pode simplesmente repetir,
decorado. Tem que entender.

8. Temos que produzir o máximo que podemos, pois na vida não podemos
aceitar a média exigida pelo colégio. Não podemos dar 70% de nós, ou
seja, não podemos tirar 7,0.

9. As drogas e a gravidez indesejada estão em alta porque os
adolescentes estão em busca de prazer. E o prazer é inconsequente,
pois aquela informação, de que droga faz mal, não está gerando
conhecimento.

10. A gravidez é um sucesso biológico, e um fracasso sob o ponto de
vista sexual.

11. Maconha não produz efeito só quando é utilizada. Quem está são,
mas é dependente, agride a mãe para poder sair de casa, para da droga
fazer uso. A mãe deve, então, virar as costas e não aceitar as
agressões. Não pode ficar discutindo e tentando dissuadi-lo da idéia.
Tem que dizer que não conversará com ele e pronto. Deve 'abandoná-lo'.

12. A mãe é incompetente para 'abandonar' o filho. Se soubesse
fazê-lo, o filho a respeitaria. Como sabe que a mãe está sempre ali,
não a respeita.

13. Homem não gosta quando a mulher vem perguntar: 'E aí, como foi o
seu dia?'. O dia, para o homem, já foi, e ele só falará se tiver
alguma coisa relevante. Não quer relembrar todos os fatos do dia..

14. Se o pai ficar nervoso porque o filho aprontou alguma coisa, não
deve alterar a voz. Deve dizer que está nervoso e, por isso, não quer
discussão até ficar calmo. A calmaria, deve o pai dizer, virá em 2, 3,
4 dias. Enquanto isso, o videogame, as saídas, a balada, ficarão
suspensas, até ele se acalmar e aplicar o devido castigo.

15. Se o filho não aprendeu ganhando, tem que aprender perdendo.

16. Não pode prometer presente pelo sucesso que é sua obrigação. Tirar
nota boa é obrigação. Não xingar avós é obrigação. Ser polido é
obrigação. Passar no vestibular é obrigação. Se ganhou o carro após o
vestibular, ele o perderá se desistir ou for mal na faculdade.

17. Quem educa filho é pai e mãe. Avós não podem interferir na
educação do neto, de maneira alguma. Jamais. Não é cabível palpite.
Nunca.

18. Mães, muitas são loucas. Devem ser tratadas. (palavras dele).

19. Se a mãe engolir sapos do filho, a sociedade terá que engolir os dele.

20. Videogames são um perigo. Os pais têm que explicar como é a
realidade. Na vida real, não existem 'vidas', e sim uma única vida.
Não dá para morrer e reencarnar. Não dá para apostar tudo, apertar o
botão e zerar a dívida.

21. Professor tem que ser líder. Inspirar liderança. Não pode apenas
bater cartão.

22. Pai não pode explorar o filho por uma inabilidade que o próprio
pai tenha. 'Filho, digite tudo isso aqui pra mim porque não sei ligar
o computador'. O filho tem que ensiná-lo para aprender a ser líder. Se
o filho ensina o líder (pai), então ele também será um líder. Pai tem
que saber usar o Skype, pois no mundo em que a ligação é gratuita pelo
Skype, é inconcebível o pai pagar para falar com o filho que mora
longe.

23. O erro mais frequente na educação do filho é colocá-lo no topo da
casa. Não há hierarquia. O filho não pode ser a razão de viver de um
casal. O filho é um dos elementos. O casal tem que deixá-lo, no
máximo, no mesmo nível que eles. A sociedade pagará o preço quando
alguém é educado achando-se o centro do universo.

24. Filhos drogados são aqueles que sempre estiveram no topo da família.

25. Cair na conversa do filho é criar um marginal. Filho não pode dar
palpite em coisa de adulto. Se ele quiser opinar sobre qual deve ser a
geladeira, terá que saber qual é o consumo (KWh) da que ele indicar.
Se quiser dizer como deve ser a nova casa, tem que dizer quanto que
isso (seus supostos luxos) incrementará o gasto final.

26. Dinheiro 'a rodo' para o filho é prejudicial. Tem que controlar e
ensinar a gastar.

Palestra ministrada pelo Dr. Içami Tiba, Psiquiatra, em Curitiba,
23/07/08. Médico pela Faculdade de Medicina da USP. Psiquiatra pelo
Hospital das Clínicas da FMUSP.. Professor-Supervisor de Psicodrama de
Adolescentes pela Federação Brasileira de Psicodrama. Membro da Equipe
Técnica da Associação Parceria Contra Drogas - APCD.
Membro Eleito do Board of Directors of the International Association
of Group Psychotherapy. Conselheiro do Instituto Nacional de
Capacitação e Educação para o Trabalho "Via de Acesso". Professor de
diversos cursos e workshops no Brasil e no Exterior.
Criou a Teoria Integração Relacional, na qual se baseiam suas
consultas, workshops, palestras, livros e vídeos.
Em pesquisa realizada em março de 2004, pelo IBOPE, entre os
psicólogos do Conselho Federal de Psicologia, os entrevistados
colocaram o Dr. Içami Tiba como terceiro autor de referência e
admiração - o primeiro nacional.

· 1º- lugar: Sigmund Freud;

· 2º- lugar: Gustav Jung;

· 3º- lugar: Içami Tiba.


Você não pode evitar que os problemas batam à sua porta, mas não há
necessidade de oferecer-lhes uma cadeira"
(Joseph Joubert)

6.06.2009

Eles foram para Petrópolis, de Ivan Lessa e Mario Sergio Conti

Era o início do novo milênio e os amigos Ivan Lessa e Mario Sergio Conti, missivistas de longa data, foram convidados pelo UOL para trocar uma correspondência pública através da internet. Ainda se acreditava que grandes nomes do jornalismo poderiam atrair muita audiência, e patrocínios, logo a ideia era "repiclar" o modelo, de correspondência, com outros autores, se desse certo - mas o projeto durou um ano, apenas. E, agora, quase dez anos depois, é publicado, em livro, pela Companhia das Letras. Além da correspondência oficial, ainda hoje no ar, o volume foi enriquecido com os e-mails, trocados "in private", pelos missivistas, comentando a própria correspondência e outros fatos da vida. Um ato de coragem, na verdade, porque Lessa e Conti não poupam comentários ferinos acerca de empregadores, colegas de trabalho e até amigos. Quanto ao estilo, é uma aula de Ivan Lessa, do começo ao fim, que, apesar do péssimo humor (bastante notório, aliás), tem imaginação de ficcionista e deixa desnorteado mesmo o sóbrio diretor da atualmente impecável Piauí. No fim, o próprio Lessa reconheceria que, fora do Pasquim, nunca tinha tido tamanha liberdade para escrever. Conti tenta se impor pela cultura, e pela capacidade analítica, mas não consegue ser tão divertido, obrigando o leitor, muitas vezes, a pular sua parte da dita correspondência. Diogo Mainardi, num de seus exageros, proclamou, certa vez, que Ivan Lessa era um dos maiores escritores brasileiros vivos. Como em tudo, não dá para levar ao pé da letra, mas Eles foram para Petrópolis, para os cultores da língua, revela-se imperdível - e Luiz Schwarcz vai encontrando maneiras de lançar Ivan Lessa entre capas o máximo possível
Colaboração Angela Chaloub


Gravação ao vivo do CD "Casa da Bossa" (Universal -- 1997)
Especial Multishow TV

Johny Alf e Fafá de Belém(vocais)
Cesar Camargo Mariano (piano)
Nico Assumpção (baixo)
Romero Lubambo (violão)
Téo Lima (bateria)

Ilusão à toa
Composição: Johnny Alf

Eu acho engraçado
Quando um certo alguém
Se aproxima de mim
Trazendo exuberância
Que me extasia

Meus olhos sentem
Minhas mãos transpiram
É um amor que eu guardo há muito
Dentro em mim
E é a voz do coração que canta assim
Assim

Olha, somente um dia
Longe dos teus olhos
Trouxe a saudade do amor tão perto
E o mundo inteiro fez-se tão tristonho

Mas embora agora eu tenha perto
Eu acho graça do meu pensamento
A conduzir o nosso amor discreto
Sim, amor discreto pra uma só pessoa
Pois nem de leve sabes que eu te quero
E me apraz essa ilusão à toa

O maestro Silvio Barbato

Por Andreas Kisser, colunista do Yahoo! Brasil

O acidente com o avião da Air France que ocorreu nesta semana foi chocante, aliás sempre um acidente aéreo é muito chocante, principalmente porque muita gente utiliza o transporte aéreo hoje em dia. Mas um nome confirmado na lista de passageiros do voo 447 me deixou em choque, era um conhecido, uma recente e crescente amizade: o maestro Silvio Barbato.

Conheci o maestro há mais ou menos três anos, quando fui convidado a participar de um evento no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Vários músicos estava no evento, que apoiava, principalmente, a inclusão da música no currículo escolar. O maestro Barbato regeu uma orquestra de jovens pobres de diferentes partes mais do Brasil, escolhidos pelo próprio maestro, uma preocupação social e um projeto que ele tinha um grande prazer em organizar.
Nós fizemos um tema do compositor Heitor Villa-Lobos, "O Trenzinho do Caipira", uma das obras mais conhecidas do grande mestre da nossa música erudita, com a guitarra fazendo a melodia principal e a orquestra acompanhando. Foi magistral, eu lembro da empolgação do Silvio com aquela junção da guitarra distorcida e pesada com os intrumentos de uma orquestra. Foi uma sensação fantástica.
Eu comecei a admirar muito o maestro por sua postura em relação à música. Geralmente, grandes maestros não são favoráveis à junção da música erudita com outros estilos. Na verdade, existe um grande preconceito por parte deles, muitos desprezam outras maneiras de expressão musical. O Silvio não. Ele era muito aberto a novos experimentos, mantendo a classe e a técnica da música erudita, mas sempre buscando novos caminhos. Ele me deixou muito à vontade e, apesar de ter sido a primeira vez que eu tocava com uma orquestra, estava muito confiante. Foi uma experiência inesquecível!
Depois deste concerto, tocamos novamente em Brasília, durante comemoração de 200 anos do jornal Correio Brazilense, que foi também uma homenagem ao tenor Luciano Pavarotti. Foi uma grande noite, além do tema do Villa-Lobos, tocamos também "Ave Maria" de Shubert, tema que Pavarotti cantava como ninguém.
Eu e o maestro Sílvio Barabato estávamos preparando um concerto, com guitarra e orquestra, que seria isnpirado na floresta amazônica, tema sempre muito atual e brasileiro. Desde o ano passado, ja escrevíamos algumas ideias e procurávamos patrocínio para a empreitada.
A última vez que vi o maestro foi na sexta-feira, dias antes do acidente, no show que o Sepultura fez no Canecão, no Rio de Janeiro. Ele estava muito animado porque tinha encontrado pessoas que poderiam patrocinar o nosso projeto. Nos falamos depois do show nos camarins e ele partiu para se preparar para a sua viagem, corriqueira, à Europa.
Fica a saudade e o exemplo de um homem da música a serviço da música. Foi um privilégio conhecê-lo e poder ter trabalhado junto com este grande maestro.

Deixo também algumas informações sobre o maestro Silvio Barbato.
- Diretor Musical e Regente Titular da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro em Brasília e Regente Titular da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, Silvio Barbato estudou composição e regência com Claudio Santoro.
- No Conservatório Giuseppe Verdi, em Milão, recebeu o Diploma de Alta Composição na classe de Azio Corghi. Ainda na Itália freqüentou a classe de Franco Ferrara, colaborando com o maestro Romano Gandolfi no Teatro Alla Scala. Em Chicago, realizou seu PhD em Ópera Italiana sob a orientação de Philip Gossett.
- No Teatro Nacional Claudio Santoro está na sua nona temporada como Diretor Musical. Com a Orquestra do Teatro regeu concertos em Roma (Piazza Navona), Lisboa (Mosteiro dos Jerônimos), nos Teatros Municipais de São Paulo e do Rio de Janeiro e em diversas capitais brasileiras. Suas gravações com a Orquestra incluem as Sinfonias Brasil - 500 Anos e os Clássicos do Samba, com Jamelão, Ivone Lara e Martinho da Vila.
- Entre seus trabalhos com artistas internacionais, destacam-se: Aprile Millo, Montserrat Caballé, e Roberto Alagna e Angela Gheorghiu.
No centenário de Carlos Gomes, a convite de Placido Domingo, foi o curador da ópera "O Guarani", que abriu a temporada da Washington Opera.
- Diretor musical do filme "Villa Lobos, Uma Vida de Paixão", foi premiado com o "Grande Prêmio Brasil de Cinema 2001", na categoria de melhor trilha musical. Em 2003 compôs o balé "Terra Brasilis" que se apresentará, ainda em 2004, na Itália.
- Pelo trabalho que vem realizando na área cultural, Silvio Barbato recebeu inúmeras condecorações do governo brasileiro, tendo sido promovido ao grau de Comendador da Ordem do Rio Branco, além de ter recebido a Medalha do Mérito Cultural da Presidência da República.
- O maestro ainda se apresenta regularmente como regente convidado de diversas orquestras européias e americanas. Neste ano, era presença garantida no Festival de Spoletto (EUA) com uma nova produção de Capuleti e Montecchi, de Bellini. Em julho, estaria no Festival Europeu de Roma regendo o Requiem de Verdi.
Abraço
Andreas Kisser

Andreas Kisser, casado, três filhos, músico, guitarrista do grupo Sepultura. Espera debater e, principalmente instigar novas idéias e caminhos usando a música como inspiração para a busca de entendimento e tolerância.

6.05.2009

Grupo Nós do Morro revive no CCJF o histórico espetáculo 'Opinião'


Natália Soares

RIO - Política e sexo sempre rendem debates acalorados em qualquer mesa de bar. Há 45 anos, porém, falar sobre esses temas era um risco. Em cima de um palco, então, uma grande ousadia, assumida por uma trupe de corajosos encabeçada por Oduvaldo Viana Filho, Armando Costa e Paulo Pontes, que montaram o histórico show "Opinião", em 1964 (ano do golpe militar), com a direção de Augusto Boal, morto há um mês. Os tempos são outros, a realidade mudou, mas outras ditaduras repressoras surgiram. Esse é o mote de "Outra opinião", nova peça do grupo Nós do Morro, que estreia quinta-feira (04.06) no Centro Cultural da Justiça Federal, às 19h30m.
- O Boal mesmo dizia que é difícil remontar "Opinião", pois ele refletia os dramas daquela época. A ideia nasceu do debate para pensar em um novo espetáculo, e dele surgiram diversos comentários sobre as nossas muitas realidades - conta Paulo Gianini, que assume pela primeira vez a direção do grupo e também assina o roteiro. - Vivemos na ditadura da violência, da beleza, de um comportamento padrão. Daí a importância de se falar sobre todas essas questões.
Na década de 60, o recado era dado por Nara Leão, Maria Bethânia, João do Vale e Zé Kéti. Desta vez, são 30 atores que se revezam no palco. A música continua sendo o fio condutor entre os depoimentos, desta vez com canções de compositores contemporâneos como Pedro Luís, Arnaldo Antunes, Céu, Marisa Monte, Lirinha e outros.
- Assim como na época da ditadura, é preciso peitar hoje uma série de imposições que nos cerceiam, como é o caso da violência e do tráfico, muito presentes no Vidigal, de onde vem o grupo - acredita a atriz Fernanda Ferreira, que interpreta uma menina de 20 e poucos anos que engravida e, sem família, vai morar com uma amiga. A personagem de Fernanda quer abortar, mas a amiga é contra:

" é preciso peitar hoje uma série de imposições que nos cerceiam "

- É um dilema muito comum, mas a ideia não é levantar bandeiras, mas sim propor questionamentos. E, como os temas surgiram das nossas vivências, são todos bastante atuais.
Outro tema espinhoso é o que o ator Leonardo Imperador chama de "ditadura da religião". Ele interpreta um habilidoso pastor que leva a plateia a um grande culto.
- O pastor simboliza todas as religiões, mostrando ali como funciona esse jogo de sedução em que você tem de dar algo material para alcançar o Reino dos Céus - diz Leonardo.
Para ele, é preciso mexer com uma sociedade anestesiada e sem opinião:
- Nosso papel como atores cidadãos é instigar e provocar. Vai ser ótimo se colocarmos a galera para pensar.

'Outra opinião' - Centro Cultural Justiça Federal. Av. Rio Branco 241 - Centro. Quar e quin, às 19h30m. R$ 20 (inteira). Temporada de 04 de junho a 16 de julho.
Estreias e reestreias de espetáculos agitam a semana nos palcos cariocas

Atriz Denise Fraga no espetáculo 'A alma boa de Setsuan'

RIO - A temporada teatral está agitada esta semana nos palcos cariocas, com estreias e reestreias para todos os gostos. O elogiado espetáculo "A alma boa de Setsuan", que vem de terras paulistanas, é um dos destaques. A adaptação da obra de Bertold Brecht, com Denise Fraga e grande elenco, estreia nesta sexta (05.06) no Teatro dos Quatro. A atriz retorna aos palcos do Rio depois de 18 anos.

Neste primeiro fim de semana do Festival Internacional de Teatro do Centro Cultural Bando do Brasil, o espetáculo russo "Semianyki", do Teatro Lecedei da Rússia, será apresentado. Sempre às 19h30m, de sexta a domingo (07.06).
Na Casa de Cultura Laura Alvim, Camila Amado dirige "Quando as máquinas param", a partir de texto do polêmico Plinio Marcos.
Há também reestreias de peças que foram sucesso em temporadas anteriores. "Deznecessários" e "Acepipes" são exemplos e garantias de boas risadas no Vivo Rio e no Teatro Glaucio Gil. Outra que volta, quatro anos depois, é "Por que você não disse que me amava?", em cartaz na Caixa Cultural, com Cristina Pereira e Rafael Ponzi, sob direção de Paulo Betti, a partir desta sexta (05.06).

Confira as estreias e reestreias da semana:

ESTREIAS
De corpo presente @ Solar de Botafogo. Rua General Polidoro 180, Botafogo - 2543-5411. Terça e quarta, às 21h (até 30 de agosto)
A alma boa de Setsuan @ Teatro dos Quatro. Rua Marquês de São Vicente 52, 2º piso, Shopping da Gávea, Gávea - 2274-9895. Quinta a sábado, às 21h, e domingo, às 20h (até 2 de agosto)
Um estranho casal @ Teatro do Leblon - sala Fernanda Montenegro. Rua Conde Bernadotte 26, Leblon - 2529-7700. Quinta a sábado, às 21h30m, e domingo, às 20h (até 2 de agosto).
Outra opinião @ Centro Cultural da Justiça Federal. Av. Rio Branco 241, Centro - 3212-2565. Quarta e quinta, às 19h30m (até 16 de julho)
Semianyki - Festival Internacional de Teatro @ CCBB. Rua Primeiro de Março 66, Centro - 3808-2020. Sexta a domingo, às 19h30m. R$10 (inteira) e R$ 5 (meia)
Quando as máquinas param @ Casa de Cultura Laura Alvim. Av. Vieira Souto 176, Ipanema - 2332-2015. De quinta a sabado, às 21h, e domingo, às 20h. R$30 e R$15 (meia)
REESTREIAS
Por que você não disse que me amava? @ Caixa Cultural - Teatro Nelson Rodrigues. Av. Chile 230, Centro - 2262-8152. Quinta (estréia esta sexta, 05.06) a sábado, às 20h, e domingo, às 19h (até dia 28)
Espia uma mulher que se mata @ Teatro Maria Clara Machado (Planetário). Rua Padre Leonel Franca 240, Gávea - 2274-7722. Sexta e sábado, às 21hs, e Domingo, às 20hs (até 5 de julho). R$ 25 e R$ 12,50 (meia)
Deznecessários @ Vivo Rio. Avenida Infante Dom Henrique 85, Centro - 2272-2900. Sábado (06.06), às 21h30m, e domingo (07.06), às 20h
Acepipes @ Teatro Glaucio Gil. Praça Cardeal Arcoverde s/n, Copacabana - 2547-7004. Quintas, às 20h (até 30 de julho). R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia)
Stand Up Comedy - Marco Luque @ Oi Casa Grande. Av. Afrânio de Melo Franco 290, Leblon. Quintas (até 11.06), às 21h30m. R$ 50 e R$ 25 (meia)
Os monólogos da vagina @ Teatro Municipal de Niterói. Rua XV de Novembro 35, Centro, Niterói - 2620-1624. Sábado e domingo (somente 6 e 7 de junho). R$ 50 e R$ 25 (meia)
Fonte: O Globo

Erasmo Carlos lança disco com parcerias inéditas com Nando Reis e Nelson Motta e homenagem às mulheres

Christina Fuscaldo

RIO - Há tempos vinham cobrando que Erasmo Carlos fizesse um disco de rock. Pois bem. O músico reviveu seus tempos de Tremendão, fez parcerias inéditas com Nelson Motta ("Chuva ácida" e "Noturno carioca"), Nando Reis ("Um beijo é um tiro" e "Mar vermelho") e Chico Amaral ("Noite perfeita" e "A guitarra é uma mulher"), convidou Liminha para a produção e Dadi Carvalho para tocar e gravou "Rock'n'roll". O álbum chega às lojas nesta sexta-feira, dia do seu aniversário de 68 anos.
- Liminha e Dadi alternaram baixo e guitarra. O mais interessante é que eles nem se falavam. De acordo com a música, entravam no estúdio sabendo o que iam tocar. E os parceiros, são novas formas de linguagem. Nando é um músico que faz letra, e ele escreveu para mim. Chico Amaral, conheci através do empresário do Skank, e ele já havia feito uma música chamada "Erasmo Carlos de Rotterdam" - conta o músico.
Com 12 faixas, o CD lançado pela gravadora Coqueiro Verde traz melodias simples ("a harmonia é semelhante a de um monte de músicas, é rock'n'roll básico"), e letras criativas, ao estilo do Tremendão. Destaque para "Cover", na qual Erasmo se confessa um imitador de si mesmo. A ideia surgiu de repente, no dia em que ele se deu conta de que nunca havia visto um cover seu.
- Isso é surpreendente. Soube uma vez que havia um ator que me imitava no teatro, mas eu não vi. Tem pessoas que são boas para caricatura. Roberto Carlos é uma delas - diz.
Mas a grande homenagem do disco é para as mulheres. Lilith, Paula Toller, Luluzinha, Lady Di, Sharon Stone, Salomé, Mata Hari... Mesmo que algumas tenham ficado de fora, "Olhar de mangá" é dedicada àquelas que tem "olhar de pidona". Para ele, na verdade, todas tem.

" Toda mulher sempre terá um olhar de pidona mesmo que esteja fechado na hora da entrega "-

Ficaram de fora mais de um milhão de mulheres, que não couberam na música. Ao escrever esta letra, queria dizer que toda mulher sempre terá um olhar de pidona mesmo que esteja fechado na hora da entrega - romantiza.
Filho de Erasmo, Gil Eduardo gravou bateria em "Noite perfeita" e João Barone, do Paralamas do Sucesso, pegou nas baquetas em "Mar vermelho" e "Celebridade". Esta última é uma critica escrita por Liminha e pela atriz Patricia Travassos e musicada pelo Tremendão. Para dar um toque jovial a "Chuva ácida", "Um beijo é um tiro", "Noite perfeita" e "Encontro às escuras", Erasmo Carlos convidou para fazer os vocais os músicos Pedro Dias e Luiz Lopez, integrantes da banda Filhos de Judith:
- O Liminha indicou os meninos e, de cara, achei o nome da banda ótimo. Vocal não é uma coisa muito usada no Brasil e eu adoro. Eu vim de conjunto vocal.
Solteiro e feliz, Erasmo Carlos vive uma fase de muito trabalho. Além do lançamento do disco, ele tem se dedicado à finalização do livro que lançará em setembro.
- Está quase pronto. Estamos escolhendo fotos, pegando autorizações. Só não sei o título ainda. O livro tem casos biográficos, que aconteceram comigo, com artistas que conheço e com a família - adianta.
Mas, segundo ele, o importante não é o personagem, mas a piada.
- Escrevi à mão e meu filho passou para o computador - diz Erasmo, já arrancando gargalhadas

Vira-lata' com orgulho, Zeca Baleiro se apresenta no Canecão


José Raphael Berrêdo

RIO - O maranhense Zeca Baleiro, que se apresenta no Canecão neste sábado (06.06) e no domingo (07.06), considera o brasileiro um povo "vira-lata, mestiço, sem pureza". Mas se engana quem pensa que os adjetivos são pejorativos na opinião dele. Pelo contrário, o próprio músico se define como um autêntico vira-lata e as críticas, exposta em letras como a de "Vai de Madureira", faixa do álbum que dá nome à turnê "O coração do homem-bomba", são para os que se envergonham de sua miscigenação.

- O povo ainda tem aquilo que o Nelson Rodrigues chamou de "complexo de vira-lata", a triste mania de valorizar somente o que vem de fora. O brasileiro é mesmo vira-lata, mas é possível ser um vira-lata com orgulho, amor próprio, altivez - explica o músico, que já criticara o emprego de termos estrangeiros no português em "Samba do Approach", que Zeca Pagodinho ajudou a popularizar. - Palavras (desnecessárias) em inglês são como um crachá de subdesenvolvimento, de "espírito de cucaracha" - completa.

Tocar no Rio é um desafio superado por Zeca. O público carioca, segundo o cantor, "é difícil de conquistar, mas depois se torna fiel e cativo". Não à toa, este é o terceiro show baseado em "Coração do homem-bomba" no Rio, mas o público pode apostar em novidades, como canções ainda não gravadas ("Coco do trava-língua", por exemplo, da dupla Geraldo Mousinho e Cachimbinho). Há também participações especiais, virtuais, de Chico César, André Abujamra e Siba.

Pequenas surpresas cênicas e sonoras também estão no roteiro do show, classificado como festivo e rítmico. Skas, sambas-funks, reggaetons, rocks e boleros, além de releituras de canções famosas, compõem o set list. Já o título do CD que dá nome à turnê, além de combinar com o nome da banda Os Bombásticos, que acompanha Zeca, lembra o lado crítico e observador do compositor:
- O homem-bomba é o homem contemporâneo, sempre à beira de uma explosão. Esse é o ponto de partida pra apresentar canções que falam de consumo, da incomunicabilidade dos nossos tempos, de saudade, do amor, difícil de ser vivido hoje.

Zeca adia há anos, por falta de tempo, o projeto de gravar músicas para crianças. Seu início como compositor para teatro infantil, ainda em São Luís (MA) na década de 80, não foi esquecido e depois do nascimento de um casal de filhos a ideia se fortaleceu.
- Tenho material para dois discos, que pretendo realizar em breve.

Para os fãs, ele dá uma dica de onde o encontrar fora dos palcos cariocas:
- O que mais gosto no Rio é andar naquele calçadão milagroso, tomar uma água de coco, pensar na vida... Quando dá tempo, ando no Centro, na Lapa, adoro aquela atmosfera. Um programa? Comer um cabrito no restaurante (Nova) Capela e depois saborear uma sobremesa na Confeitaria Colombo.

Zeca Baleiro @ Canecão. Show "O coração do homem-bomba". Venceslau Brás 215, Botafogo - 2105-2000. Sab (06.06), às 22h, e dom (07.06), às 20h30m. De R$ 30 (meia) a R$120.

'Carioquinha' está de volta com descontos de até 100% para turismo local

A partir desta segunda-feira (01.06) até 5 de julho, o carioca e os moradores da Cidade Maravilhosa têm um bom incentivo para fazer turismo na cidade. É a 11ª edição do "Carioquinha", ação promocional que reúne 120 atrações, entre pontos e serviços turísticos, hotéis e restaurantes, com preços reduzidos - em até 100% como no caso do Museu de Arte Moderna - para quem comprovar residência ou nascimento no Rio e Grande Rio.

Este ano há algumas novidades, como o passeio ecológico "O outro lado do Rio", oferecido pela Cooperativa Vale Encantado. O preço cai de R$ 75 para R$ 60.
Os tradicionais pontos turísticos, como Pão de Açúcar e Corcovado continuam com seus 50% de desconto.

Quem é adepto de esportes radicais, tem dezenas de opções. Do mergulho ao voo livre, passando por escalada e salto de paraquedas, tem emoção para todos os gostos e preços.

A Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), outro sucesso no ano passado, repete a dose e se apresenta com ingressos pela metade do preço, nos dias 18 de junho e 3 de julho, na Sala Cecília Meireles.

É possível também se hospedar pagando bem menos, tanto na cidade do Rio, como na Regiões dos Lagos e Serrana. No total, 46 hotéis estão inscritos. Os restaurantes não ficam de fora, mas participam em menor número, com oito estabelecimentos.

Para ter direito aos descontos é preciso comprovar nascimento ou residência no Rio ou Grande Rio (Belford Roxo, Duque de Caxias, Guapimirim, Itaboraí, Itaguaí, Japeri, Magé, Mangaratiba, Maricá, Mesquita, Nilópolis, Niterói, Paracambi, Nova Iguaçu, Queimados, São Gonçalo, São João de Meriti, Seropédica e Tanguá).

Confira todas as informações sobre as 146 atrações do Carioquinha 2009 em

www.carioquinha.com.br/ .