6.05.2009


Programe-se
Veja a nossa programação de eventos e reserve um espaço na sua agenda. É diversão garantida!



Rio Folle Journée começa com concerto em homenagem a Silvio Barbato

RIO - O clima no início do ensaio de segunda (01.06) para o concerto de abertura da 3ª edição da Rio Folle Journée não era bom. Os músicos da orquestra formada especialmente para o festival pelo maestro Roberto Tibiriçá estavam abalados pela notícia de que Silvio Barbato, que já regera muitos deles, estava a bordo do Airbus sumido no Atlântico. Mas, quando eles começaram a tocar obras de Mozart, tema do evento, a atmosfera triste se desanuviou um bocado.
- A música de Mozart tem esse poder. Sempre que eu estou triste, ponho para tocar a 'Sinfonia Haffner', e, na mesma hora, meu estado de espírito muda. É como se fosse um remédio ou uma droga química - compara a organizadora do festival Helena Floresta, que trabalha em parceria com o francês René Martin.
A sinfonia favorita de Helena, contudo, não está programada nos 38 concertos que se estenderão desde esta quarta-feira (03.06) a domingo (07.06). O espetáculo de abertura, às 20h, na Sala Cecília Meireles, trará outra sinfonia do compositor austríaco, a de nº 40, além do concerto para piano nº 20 (com a solista Sonia Goulart) e da abertura da ópera "Così fan tutte". O programa será dedicado a Barbato e será precedido de algumas palavras de Tibiriçá e de um minuto de silêncio.
Antes disso, às 18h, o auditório do BNDES acolherá uma espécie de pré-estreia do festival, com o Octeto Villa Lobos tocando a abertura da ópera "O rapto do serralho", um divertimento e a serenata nº 12.
- O festival é tanto para conhecedores de música clássica quanto para novatos.
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Confira a programação do Festival Rio Folle Journèe

SEXTA-FEIRA (05.06)
Sala Cecilia Meireles - 835 lugares
13h. Calíope. Julio Moretzsohn direção; Coro e órgão
solistas Helen Heinzle, Lina Santoro, Mona Vilardo e Raquel Antunes, sopranos. Ana Madalena Nery e Mac'la Nunes, altos. Luperci Henrique e Raoni Hübner, tenores. Leandro da Costa e Rafael Thomas, barítonos. Eduardo Biato, órgão. "Mozart e sua influência no Brasil"; Mozart : "Te Deum" K. 141; Mozart : "Ave verum corpus" K. 618; Mozart : Kyrie da "Missa da coroação "K. 317; J.M. Nunes Garcia : "Gloria" e "Agnus Dei da Missa de Nossa Senhora"; J.J. Emerico Lobo de Mesquita : "Credo da Missa" en fá Mozart : Alma Dei Creatoris K. 277; Mozart : "Regina Coeli" K. 276.
14h. Eduardo Monteiro flauta; Romain Guyot clarineta; Quatuor Ysae quarteto de cordas; Mozart : Quarteto para flauta, violino, viola, violoncelo n°1 em ré maior K 285. Mozart : Quinteto para clarineta e cordas "Stadler" em lá maior K. 581.
16h. Jean Claude Pennetier piano. Mozart : Sonata em lá maior "alla turca" K. 331. Mozart : Sonata em lá menor K. 310.
17h. Berenice Menegale piano. Mozart : Sonata em si bemol maior K. 281; Mozart : Rondó em lá menor K.511. Mozart : Sonata em fá maior K. 53.
19h. Quatuor Ysae quateto de cordas. (60'). Mozart : Quarteto n°14 em sol maior K. 387; Mozart : Quarteto n° 15 em ré menor K. 421;
20h. Anne Queffélec piano. Mozart : 9 Variações em ré maior sobre um tema de Duport K. 573; Mozart : Fantasia em dó menor K. 475; Mozart : Sonata em dó menor K. 457.
Teatro João Caetano
19h. Orquestra Rio Folle Journée. Roberto Tibiriçá direção; Romain Guyot clarineta; Pavel Sporcl violino; Mozart : Abertura "As bodas de Figaro" K. 492; Mozart : Concerto para violino e orquestra n° 3 em sol maior K216; Mozart : Concerto para clarineta e orquestra em lá maior K622
Igreja N.Sra. do Carmos da Lapa
17h. Quatuor Ysae quarteto de cordas (60'). Mozart : Quarteto n° 16 em mi bemol maior K. 428; Mozart : Quarteto n°17 em si bemol maior " A Caça " K. 458
SÁBADO (06.06)
Sala Cecilia Meireles
10h. Fany Solter piano. Mozart : Fantasia em dó menor K. 475; Mozart : Sonata em dó menor K. 457; Mozart : Variações em sol maior da ópera " Os peregrinos de Meca "de Gluck K.455
12h. Gérard Caussé viola. Quatuor Ysae quarteto de cordas; Mozart : Quinteto de cordas n° 4 em sol menor K. 516; Mozart : Duo para violino e viola em mi maior K. 423;
14h. Calíope. Orquestra de câmara. Julio Moretzsohn direção Solistas Lívia Dias, soprano, Paulo Mestre, contratenor, Raoni Hübner, tenor, Rafael Thomas, barítono, Mozart : Missa breve K. 258
Mozart : "Vesperae Solennes de Confessore" K. 339
15h. Eduardo Monteiro piano. Mozart : Fantasia em ré menor K. 397, Mozart : Sonata em ré maior K. 311
Mozart : Rondo em ré maior K.485, Mozart : Sonata em si bemol maior K. 333
17h. Pavel Sporcl violino. Romain Guyot clarineta, Gérard Caussé viola, Christian Ivaldi piano, Mozart : Sonata n°24 para violino e piano em fá maior K. 376
Mozart : Trio para piano, clarineta e viola "Kegelstatt" em mi bemol maior K. 498.
18h. Anne Queffélec piano. Gérard Caussé viola, Quatuor Ysae quarteto de cordas, Mozart : Sonata para piano n°4 em mi bemol maior K. 282, Mozart : Quarteto para piano, violino, viola, violoncelo em sol menor K. 478, Mozart : Quinteto para cordas n° 3 em dó maior K. 515.
21h. Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. Fabio Mechetti direção, Arnaldo Cohen piano, Mozart : Abertura de "Don Giovanni K. 527, Mozart : Serenata para orquestra n°6 "Serenata noturna" em ré maior K. 239
Mozart : Concerto para piano e orquestra n° 17 em sol maior K. 453
Salão Leopoldo Miguez
12h30. Sonia Goulart piano. Mozart - 9 variações sobre um Minueto de Duport em ré maior K.573, Mozart- Sonata em fá maior K.332, Mozart- Sonata em ré maior K.576
14h30. Christian Ivaldi piano. Jean Claude Pennetier piano. Mozart : Sonata para piano a quatro mãos em si bemol maior K. 358. Mozart : Fuga para teclado em sol maior K.401 [fragmento]. Mozart : Sonata em dó maior KV 19. Mozart : Sonata para piano a quatro mãos em fá maior K. 497.
17h30. Eliseu de Barros violino. Alexandre Barros - oboé. Dominic Desautels - clarineta, Catherine Carignan - fagote, Evgueni Gerassimov - trompa, Miguel Rosselini piano, Celina Szrvinski piano. Mozart :Sonata maior para piano e violino em dó maior K.296, Mozart : Quinteto para piano e sopros em mi bemol maior K.452
Auditório Guiomar Novaes
19h30. Marcelo Thys piano, Luciano Magalhães piano. Mozart : Sonata em dó maior para piano a 4 mãos, K 19. Mozart: Sonata em si bemol maior para piano a 4 mãos, K 358. Mozart : Sonata em fá maior para piano a 4 mãos, K 497.
Igreja N.Sra. do Carmos da Lapa
15h. Quatuor Ysae quarteto de cordas. (65') Mozart : Quarteto n°18 em lá maior K. 464; Mozart : Quarteto n° 19 em dó maior "Dissonâncias" K. 465
DOMINGO (07.05)
Sala Cecilia Meireles
11h. Jean-Claude Pennetier piano. Quatuor Ysae quarteto de cordas. Mozart : Fantasia para piano em dó menor K. 475. Mozart : Quarteto para piano, violino, viola, violoncelo em mi bemol maior K 493
12h. Celina Szrvinsk piano. Miguel Rosselini piano
Mozart : Andante e Cinco Variações para piano a quatro mãos em sol maior K.501. Mozart : Sonata para piano a 4 mãos em sol maior K.357. Mozart : Sonata para piano a quatro mãos em dó maior K.521.
14h. Pavel Sporcl violino. Christian Ivaldi piano. Mozart : Sonata n°27 para violino e piano em sol maior K. 379. Mozart : Sonata n°28 para violino e piano em mi bemol maior K. 380.
15h30. Anne Queffélec piano. Luis Carlos Justi - oboé. José Freitas - clarineta, Aloysio Fagerlande - fagote, Philip Doyle - trompa, Mozart : Sonata para piano n°10 em dó maior K. 330, Mozart : Quinteto para piano, oboé, clarineta, trompa e fagote, em mi bemol maior K. 452
17h. Christian Ivaldi piano. (65') Jean Claude Pennetier piano. Mozart : Sonata para piano a quatro mãos em ré maior K. 381. Mozart : Andante e 5 variações para piano a quatro mãos em sol maior K. 501. Mozart : Fantasia para orgão mecanico em fá menor K. 608. Moozart : Sonata para piano a quatro mãos em dó maior K. 521
19h. Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. Fabio Mechetti direção. Arnaldo Cohen Mozarrt : Sinfonia n° 36 "Linz" em dó maior K. 425, Mozart : Concerto para piano e orquestra n° 17 em sol M K 453
Auditório Guiomar Novaes.
13h. Iura Rezende - clarineta, Eliseu Barros -violino, Radmila Bocec - violino. Arvin Gopal- viola, Lina Radvanovic - violoncelo, Elisa Galeano - piano, Mozart: Trio para piano, clarineta e viola Mi bemol maior K-498 (Kegelstat), Mozart : Quinteto para clarineta e cordas K.581
Teatro João Caetano
14h. Calíope. Orquestra de câmara: Julio Moretzsohn direção, Solistas Lívia Dias, soprano, Paulo Mestre, contratenor Raoni Hübner, tenor, Rafael Thomas, barítono. Mozart : Missa breve K. 258, Mozart : "Vesperae Solennes de Confessore" K. 339

6.04.2009

Simonal, de alto a baixo

MARCELO COELHO

O equilíbrio entre "vir de baixo" e "estar por cima" transforma-se em tragédia individual

COM MUITA categoria, e sem espírito de pilantragem, o documentário "Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei" faz com o espectador aquilo que o cantor fazia com o público: leva-o de um lado para o outro, balançando para a esquerda ou para a direita, conforme a música.
Durante a primeira metade do filme, não há quem não se renda ao charme de Simonal. Mas a palavra "charme" não expressa bem suas qualidades.
Um cantor como Yves Montand, por exemplo, tem o maior charme do mundo. Seduz o público com uma mistura de gentileza com despreocupação, de muito magnetismo com certo desligamento também.
Mas Simonal parece "metido" demais para ser charmoso; está tão convicto do próprio sucesso que não se curva à necessidade de "seduzir" o público.
Age como se todo mundo já estivesse seduzido. Ele surge no palco como se desfrutasse de um privilégio -o de ser Simonal- que, generosamente, resolve então oferecer à admiração dos espectadores. As pessoas não ficam apenas encantadas com o cantor: parecem gratas a ele, simplesmente porque Simonal, como um príncipe, deu-se ao luxo de aparecer.
Mesmo nas cenas a que o passar do tempo confere uma aura de ridículo (Simonal dançando o cha-cha-cha, por exemplo), a superioridade do cantor não cede um milímetro. Uma espécie de soberania psicológica parece autorizá-lo a fazer qualquer bobagem.
Um silêncio de incredulidade e de admiração se impõe na sala do cinema quando se alcança o ponto alto dessa primeira metade do filme. Numa cena histórica, vemos Simonal cantando ao lado de ninguém menos que Sarah Vaughan.
E é a grande diva americana quem parece quase uma caloura encabulada, mal e mal ocupando o palco diante daquele brasileiro que, sem nunca ter aprendido inglês, conversa com ela com uma intimidade, com uma autoconfiança irresistíveis.
O lugar muito específico da "pilantragem" de Simonal, entre as décadas de 60 e 70, talvez se explique a partir desse encontro entre a jazzista americana e o mulato carioca.
O tropicalismo exacerbava, por assim dizer, o nosso próprio exotismo -fazendo da cultura brasileira, com suas bananas, carnavais e Chacrinhas, uma espécie de caricatura crítica daquilo que os americanos viam em nós, através de Carmen Miranda e do Zé Carioca.
No "patropi" de Simonal, o tropicalismo se inverte. Negro sem ser sambista, namorando loiras e passeando de carrão no Leblon, é como se ele fosse um grande "entertainer" americano "tropicalizado", "canibalizado" pelo ambiente carioca. Ele açucarou a imagem (que intimidava os brasileiros de 60) de um negro no topo da pirâmide social.
O que ele tinha de "metido" e arrogante, aos olhos da época, era contrabalançado por essa atitude de deboche, de não estar levando o papel a sério, que é tão clara nas suas apresentações. Não por acaso, ele cantava músicas tradicionais, como "Meu Limão, Meu Limoeiro", com ginga americana.
O equilíbrio entre "vir de baixo" e "estar por cima", obtido genialmente por Simonal em sua carreira, transforma-se em colapso ético e em tragédia individual depois.
A segunda metade do filme tem seu ponto mais impressionante no depoimento do antigo contador de Simonal. Torturado no Dops a mando do cantor, é hoje um homem velho e pobre; e o espectador, sensibilizado pelo implacável ostracismo de mais de 20 anos sofrido pelo astro, sensibiliza-se igualmente pelo destino desse cidadão anônimo, que os diretores do documentário tiveram o mérito e a sorte de redescobrir.
Julgar é fácil, ter pena é fácil, e sem dúvida é mais difícil perdoar alguém que, ao que parece, não teve o senso político ou a disposição de arrepender-se a tempo. Pensando nos inúmeros e muito calibrados depoimentos do filme, acho que Simonal associou o seu sucesso profissional a uma atitude de onipotência; andar de Mercedes era equivalente a se dizer favorável à ditadura, amigo dos homens do SNI... Não era isso, afinal, estar no alto da pirâmide?
Ensinaram-lhe que não. Uma pessoa mais equipada politicamente talvez tivesse meios de reconfigurar a própria imagem. Isso não aconteceu; depois de tanto sucesso, Simonal teve de voltar para o lugar de onde veio: o lugar de baixo. Mas não sem ter marcado, também, sua presença na história da música (e da sociedade) do Brasil.

A generosidade da mídia com os poderosos

"Sarney pede desculpas por informação errada sobre auxílio-moradia" foi o título na Folha de S.Paulo. "Sarney vai devolver auxílio-moradia" foi o título no O Globo. Bonito. Que íntegro homem público o presidente do Senado, ultimamente voltado a denunciar a "ditadura" na Venezuela, ele que se locupletou com duas décadas de absoluta servidão à ditadura consequente do golpe contra João Goulart, em 1964...

Deve ser íntegro, porque durante dois anos vinha recebendo, sem ter direito - principalmente nos últimos meses, quando, para além da própria residência em Brasilia, ainda contava com as mordomias infindáveis do palacete destinado ao presidente da Casa - R$ 3.800 reais a mais do que lhe confere o contracheque de Senador, "sem saber".

"Nunca requeri; a administração é que depositava na minha conta sem que eu soubesse."

Afirmação cínica e ofensiva à grande maioria do povo brasileiro. Sarney recebia, sem notar, uma overdose de R$ 3.800 reais em seu salário, e os jornalões tão preocupados com a "defesa da ética na política" publicam seus argumentos sem nenhum comentário constrangedor. Apenas registrando o pedido de desculpas, como a aceitar que nada de mais grave ocorrera com a primeira reação mentirosa, em que Sarney negava a informação divulgada pela primeira vez.

Mais ainda, a considerar, na ausência de comentários que vai jogar a informação no esquecimento. Essa diferença de cifras é desprezível, num país em que a Suprema Corte discute se deve ou não colocar em prisão quem rouba um sabonete em supermercado? Evidentemente que não. Sarney, a quem não se atribui nenhum passado profissional além dos mandatos parlamentares, construiu fortuna incalculável com seus vencimentos (vamos admitir que soube economizar). Mas nem por isso é possível admitir que nem olhe para seu contracheque, ao menos para manter controle contra imprevistos ou ""erros". Portanto, mentiu, e não pode ser absolvido por um simples pedido de desculpas ao negar a primeira versão. Mente, como mentiu ao se comportar como se nada soubesse das mazelas infindáveis que a Casa por ele presidida promoveu a partir de nomeações de Executivos em sua gestão anterior. Como se nada tivesse a ver com o passado recente dos diretores que operavam ações criminosas que ele tenta minimizar ao anunciar que limitaria as ações investigativas dos escândalos à Polícia Legislativa, em detrimento da Polícia Federal e dos demais órgãos federais a que estão sujeitos o restante dos brasileiros.

O senador José Sarney, numa democracia verdadeira, num Congresso minimamente digno, não poderia, por essa sequência de eventos, escapar a uma Comissão de Ética. E era isso que os grandes jornais deveriam ter registrado, a despeito da desculpa esfarrapado, quando pego na mentira

6.03.2009

Hoje tem Parangolé

RIO - O estilo cabaré, que voltou com força total em algumas casas cariocas, chegou a um cantinho da Fundição Progresso. Todas as quintas, o grupo Teatro de Anônimo promove no local onde faz seus ensaios as "Noites de parangolé": uma mistura de circo, teatro e música, sempre com algum convidado diferente. Curiosa com o mix de atrações, fui conferir o espetáculo, e vi que cabaré também pode ser um "programa família". Por que não?
Como cheguei cedo - por volta das 19h, enquanto a apresentação estava marcada para as 20h - pude observar o público que chegava. Tinha uma galera jovem, alguns grupos de amigos, mas o que me chamou mesmo a atenção foram as crianças e até um casal de idosos. Quando fui atendida por uma "garçonete", que na verdade era um homem negro e alto vestido com saia e peruca loura, comecei a perceber qual era o clima do evento, e vi que o humor ia rolar solto.
O show começa com a banda "Bole-bole", que garante a trilha sonora do espetáculo. A tal garçonete, chamada pelo apresentador de "Mulate", sobe ao palco com os outros atores do grupo, primeiramente na simulação de um desastrado show de calouros. A partir de então eles intercalam esquetes de humor com as apresentações dos artistas convidados. Na quinta-feira passada (28.05) teve o show de contorcionismo da argentina radicada carioca Fernanda Ledesma, as acrobacias da dupla Raoni Morales e Paula Limia, e o equilibrista Felipe Farinha. Esse último foi o que mais gostei, já que ele conseguiu me deixar super tensa ao andar em uma corda quase por cima da plateia. Detalhe: ele fingia estar bêbado. Fiquei com pena do pobre espectador convidado a ajudá-lo na proeza de subir na corda bamba. Mas, confesso, foi engraçado.
O show também tem uma tentativa de strip de duas personagens do espetáculo. Digo tentativa, porque a falta de jeito intencional das mulheres é tamanha que uma delas encerra a apresentação com um belo "estabaco". No fim da noite, algumas pessoas se animaram a dançar com o chorinho da banda "Bole-bole".
Nesta quinta, o "Noites de parangolé" recebe o Circo Teatro Artetude, do Distrito Federal, e o Barracão Teatro, de São Paulo. O espetáculo tem direção musical de Ricardo Cotrim, integrante do Cordão do Boitatá.

'Noites de parangolé' - Espaço Teatro de Anônimo, Fundição Progresso. Rua dos Arcos, 24, Lapa. Tel: 2524-0930. Quin, 20h. R$ 20.

Mostra pernambucana reabre o Teatro Glauce Rocha

João Pimentel RIO - Após dois anos fechado para reformas do sistema de ar-condicionado, do piso, dos camarins e de adaptação à legislação de acessibilidade para cadeirantes, o Teatro Glauce Rocha reabre suas portas com sotaque nordestino. Um show de Antonio Nóbrega, nesta quarta-feira (03.06), às 18h30m, abre o projeto A Ribalta Pernambucana, uma mostra da cena teatral local. A programação inclui apresentação de seis grupos, oficina de dança, exposição, seminário, palestra e lançamento de livros, até 21 de junho, de quinta a domingo.
- Não foi uma reforma estrutural, já que o teatro estava em boas condições. Mas eram necessárias algumas adaptações. A grande modificação foi no sistema de ar-condicionado, que era ancestral - conta a coordenadora de teatro da Funarte, Heloisa Vinabé, ressaltando a entrada gratuita para a mostra pernambucana.
Nóbrega fará um show retrospectivo de seus 15 anos de carreira. Serão lembradas canções de discos como "Na pancada do ganzá", "Madeira que cupim não rói", "Pernambuco falando para o Mundo" e "Lunário perpétuo". Multiinstrumentista, ele cantará baiões, maracatus, frevos-canções, choros e marchas de blocos tocando rabeca, violino e bandolim.

A programação segue até o dia 21 de junho. Confira:

Quarta-feira (03.06):
18h30m - reabertura oficial do Teatro Glauce Rocha e estreia do projeto A Ribalta Pernambucana com show de Antonio Nóbrega
Quinta-feira (04.06):
18h - Abertura da exposição 'Memórias da cena pernambucana' e lançamento da coleção de quatro livros do jornalista e escritor pernambucano Leidson Ferraz.
19h - Espetáculo Angu de Sangue, do Coletivo Angu de Teatro (Recife/PE)
Sexta-feira (05.06):
9h às 18h - Exposição 'Memórias da cena pernambucana'
17h - Palestra sobre a cena teatral pernambucana com o jornalista Leidson Ferraz
19h - Espetáculo Angu de Sangue, do Coletivo Angu de Teatro (Recife/PE)
Sábado (06.06) e domingo (07.06):- Ato, do grupo Magiluth (Recife/PE)
Quinta-feira (11.06):
- A Paixão e a Sina de Mateus e Catirina, do grupo Tropa do Balacobaco (Arcoverde/PE)
Sexta-feira (12.06):
15h - Oficina de danças tradicionais nordestinas com o grupo Tropa do Balacobaco (Arcoverde/PE).
19h - A paixão e a sina de Mateus e Catirina, do grupo Tropa do Balacobaco (Arcoverde/PE)
Sábado (13.06) e domingo (14.06):
- Quando o sol vem à janela, da Trupe Cara e Coragem (Cabo de Santo Agostinho/PE)
Quinta-feira (18.06) e sexta (19.06):
- O Palhaço Jurema e os Peixinhos Dourados, da Cia. Construtores de Histórias (Recife/PE)
Sábado (20.06) e domingo (21.06):- Deus Danado, do grupo Arte em Cena (Caruaru/PE)

Projeto 'A ribalta pernambucana' - Teatro Glauce Rocha. Av. Rio Branco 179 - Centro. Tel: 2220-0259. Espetáculos teatrais: 19h; exposição: das 9h às 18h.
Colaboração Angela Chaloub

Filarmônica de Berlim toca Zequinha de Abreu / Aloysio de Oliveira

Quando Zequinha de Abreu e Aloysio de Oliveira poderiam supor que “Tico Tico no Fubá” fôsse tocado pela Filarmônica de Berlim!

"Tico-Tico no Fubá", choro composto por Zequinha de Abreu e Aloysio de Oliveira, é uma das músicas brasileiras mais conhecidas no mundo, especialmente por ter aparecido em cinco filmes americanos.

No vídeo anexo, "Tico-Tico no Fubá" é interpretado pela "Orquestra Filarmônica de Berlim",regida pelo maestro israelense/argentino Daniel Barenboim