5.11.2009

Colaboração Angela Chaloub

Maria Bethânia e Paulinho da Viola são entrevistados para o Documentário Francês de 1969 "Saravah", de Pierre Barouh.

Eles cantam "Rosa Maria" de Eden Silva e Anibal Silva, "Tudo é Ilusão" (canção de Eden Silva e Tufy Lauar ) e "Pecadora" (Jair do Cavaquinho e Joãozinho).

Bethânia nesse trecho faz referências ao disco "Tempo de amor" de Dalva de Oliveira, lançado naquele ano com a faixa "Tudo é Ilusão" além de "Tem Mais Samba" de Chico Buarque de Hollanda.

Saravah

Documentário de 1969 com Maria Bethânia, Paulinho da Viola, Pixinguinha, João da Baiana e Baden Powell, entre outros.

Foi no mês de fevereiro de 1969 que o diretor de cinema francês Pierre Barouh desembarcou no Rio de Janeiro disposto a registrar em película momentos de uma música que, embora conhecesse pouco, o fascinava intensamente. O olhar do estrangeiro, de coração aberto para a música brasileira, capturou imagens que durante 36 anos permaneceram desconhecidas no país.

Foi lançado agora, em DVD, o filme Saravah, resultado das sessões de filmagem de Barouh com os ancestrais Pixinguinha e João da Baiana, então octagenários, os jovens Maria Bethânia (aos 21 anos) e Paulinho da Viola, tendo Baden Powell como elo de ligação entre gerações tão distantes e fundamentais da arte brasileira.

A nova missão artística francesa empreendida por Barouh se inicia no desfile da Mangueira no carnaval daquele ano. Do glamour da avenida, a ação se desloca para um bar do subúrbio carioca, na rua Pixinguinha, registrando o encontro entre o genial maestro e Baden Powell, intermediado pelo cineasta. Pixinguinha lembra a viagem dos Oito Batutas a Paris, na década de 20, e chega a cantarolar a música tema do grupo com o qual se apresentou durante oito meses na capital francesa.

Interessado nas intervenções culturais e religiosas da presença da África no Brasil, Barouh entrevista João da Baiana que, acompanhado por Baden ao violão, sapateia e toca prato e faca, enquanto entoa Okekerê, de sua autoria, e Yaô, de Pixinguinha. Um momento em que a história atemporal do Brasil é materializada em imagens pelas lentes de Barouh.

História esta que se manifestava espontaneamente diante do diretor europeu. A seqüência que mostra Maria Bethânia quase menina ao lado do também muito jovem Paulinho da Viola é para figurar em qualquer antologia da música brasileira. A ação se passa numa mesa de bar, ao ar livre, com a presença de vários amigos e uma atmosfera que combinava descontração e reverência.

Bethânia e Paulinho interpretam sambas de Jair do Cavaquinho (Pecadora), Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito (Pranto de Poeta), além de criações do próprio Paulinho, como Coração Vulgar e Coisas do Mundo minha Nega. Paulinho teoriza sobre o universo das escolas-de-samba e suas influências, diante da cumplicidade e contemplação de Bethânia e de um diretor em êxtase.

A seqüência seguinte mostra uma jam session de Bethânia, ao lado de músicos como o trombonista Raul de Souza e o pianista Luis Carlos Vinhas, interpretando canções de Caetano Veloso – Baby e Tropicália – então exilado em Londres. Da Bahia cosmopolita para um Pernambuco nostálgico, Bethânia recria o Frevo número 1 do Recife, de Antonio Maria, e Pra Dizer Adeus, de Edu Lobo e Torquato Neto, em imagens raríssimas onde a própria cantora se acompanha ao violão, executando a harmonia intrincada de Lobo.

É a hora do encontro entre Baden e Pixinguinha, lá no começo do filme, desdobrar-se inevitavelmente em música, através de uma acachapante versão de Lamentos, de Pixinguinha, com o maestro estabelecendo contrapontos em seu saxofone para o violão de Baden. Quando o espectador já não tem mais fôlego para tanto impacto visual e sonoro, entra a seqüência do Baden Powell Quarteto, com a participação da cantora Márcia, interpretando a mesma Lamentos, agora com a letra de Vinicius de Moraes, parceiro de Baden nas canções que se seguem: Formosa e Tempo de Amor. Para finalizar, o próprio Barouh entoa Samba Saravah, versão em francês do Samba da Bênção, de Baden e Vinicius, também com Baden ao violão.

Nos extras, uma visita de Barouh ao morro do Cantagalo, no Rio, em 2003, acompanhado do cineasta Walter Salles Junior, na casa do compositor Adão Xalebarada, e a gravação da cantora Bia, acompanhada por Sivuca, de La Nuit de mon Amour, versão de A Noite do meu Bem, clássico de Dolores Duran, vertida para o francês por Pierre Barouh.


O que era privilégio de franceses e japoneses (que tiveram anteriormente acesso a edições em DVD), passa a patrimônio brasileiro, com o lançamento de Saravah. Se o som direto às vezes pode deixar a desejar para o espectador mais exigente, o valor documental impõe a obra como um dos mais impactantes lançamentos da música brasileira na era do DVD.

Gênero: Documentário
Diretor: Pierre Barouh
Duração: 62 minutos
Ano de Lançamento: 1969
País de Origem: Brasil
Idioma do Áudio: Português/Francês
Qualidade de Vídeo: DVD Rip
Formato de Tela: Tela Cheia (4x3)
Tamanho: 700 Mb
Legendas: No torrent

III Festival de Música Popular da Record / 1967

Julio Medaglia, Chico Anysio, Ferreira Gullar. Em 1967, eles decidiram o maior dos Festivais

Fred Melo Paiva -

SÃO PAULO - A platéia que lotava o teatro tinha se tornado personagem à parte, armada até os dentes de assobios e faixas. Queria impor no berro a sua escolha. Os artistas, isolados em seus camarins, sentiam-se prontos para enfrentar os leões. Na noite da grande final, vaias e aplausos se misturavam. Uns mais vaiados do que aplaudidos, outros mais aplaudidos do que vaiados. Mas, quando chegou a minha vez, a vaia foi unânime.

Não tinha jeito de cantar. Por causa do barulho, era impossível ouvir o acompanhamento. Me senti acuado e resolvi reagir. Disse uns desaforos, que depois a censura cortou do vídeo. Em seguida, quebrei o meu violão e o atirei sobre o público. Naquela hora, pouco me importava se estivesse jogando para o alto tudo o que eu tinha construído na minha carreira.

A Elis Regina me abraçou, emocionada e solidária com o meu gesto. Minha música foi desclassificada pela direção da TV Record. Saí do teatro sob escolta. Uma parte da platéia queria me linchar.

O violão do Sérgio Ricardo, esse nosso Kurt Cobain, veio a esbofetear um sujeito sentado nas primeiras filas. A performance pode ser verificada no YouTube, desde o momento em que o Sérgio começa a entoar os primeiros versos de Beto Bom de Bola até o instante em que pisa na mesma, arremessando o instrumento.

Em frente ao palco, no fosso destinado às orquestras do Teatro Paramount, em São Paulo, ficavam os 15 jurados deste que é considerado o grande Festival de Música Popular Brasileira em todos os tempos. Há controvérsia a respeito de qual carcaça craniana teria sido mais perigosamente sobrevoada pela ferramenta de trabalho de Sérgio Ricardo.

"Passou bem em cima de mim", diz o maestro Julio Medaglia. Numa posição intermediária, "alguma coisa passou zunindo" sobre a corcova do jornalista Salomão Schwartzman. Também o poeta Ferreira Gullar deve ter ouvido aquele violão, no alarido rolando por cima do seu telhado.

O júri do III Festival de Música Popular Brasileira ocupava posição das mais complicadas - e não apenas porque ficava na linha de frente, sujeito a levar uma cabongada. O problema é que em 1967 a rivalidade de estilos musicais chegou a seu ápice, fazendo surgir as torcidas organizadas. Em anos anteriores, o público que acompanhava os festivais ao vivo, de dentro do teatro, limitava-se a aplaudir canções de que gostava.

Agora havia uma clara indisposição com os "inimigos", muitas vezes vaiados impiedosamente até o último acorde. O enfrentamento extrapolava o espaço do Paramount, antigo cine-teatro construído no final dos anos 20, hoje Teatro Abril. Palco que recebera Nat King Cole em 1959, acabou arrendado pela TV Record em 67, justamente para as transmissões do Festival. Nas ruas, até passeatas eram empreendidas para manifestar apoio a este ou aquele compositor.

O clima político ajudava a botar lenha na fogueira. Uma parte do público ainda se emocionava com a Jovem Guarda, cuja temática tinha a profundidade da Daniella Cicarelli no Video Music Brasil - sem querer ofender a Jovem Guarda. Uma outra parte só aceitava as letras que dessem na ditadura a sua violada.

Para embaralhar ainda mais o jogo, emergia desse caldeirão uma turma de espantosa qualidade. Entre os compositores que interpretaram suas próprias músicas, o Festival de 1967 reuniu Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Geraldo Vandré, Edu Lobo. Entre os cantores, Roberto Carlos, Elis Regina, Gal Costa.


Até a Hebe Camargo, mas deixa isso pra lá. Com o público fungando na retaguarda, não era raro voar sobre o júri ovos e tomates. Numa das eliminatórias, o jornalista e jurado Sérgio Cabral, pai do atual governador do Rio de Janeiro, viu o produto da feira passar "raspando no meu nariz e estourar perto do Gullar e do Chico Anysio", outro dos que compunham o júri. Para sair do teatro,

Cabral desenvolveu a técnica do absurdo. Consistia em segurar a mulher pelo braço e atravessar o auditório repetindo o seguinte bordão: "Mas isso é um absurdo! É um absurdo! Um absurdo!". Dessa forma, não importando a qualidade dos inconformados, o Sérgio Cabral estava sempre do lado deles.

Escolher o júri para o Festival de 1967 foi um parto. Nenhuma tendência deveria ser privilegiada. "Tratava-se de resolver uma equação com três variáveis: o conhecimento para a avaliação, a credibilidade junto à empresa e ao meio musical, e a posição política", conta o crítico de música Zuza Homem de Mello em A Era dos Festivais (Editora 34, esgotado).

A solução foi parir uma metade de gente de esquerda e outra de direita, misturá-las a figuras da indústria do disco, executivos da Record, maestros, jornalistas. A primeira atividade do grupo foi chafurdar centenas de fitas K-7. Para fugir do assédio, Julio Medaglia, então com 29 anos, levava o balaio e os gatos para a casa do pai dele, no bairro da Lapa, em São Paulo. "Passamos um mês ouvindo música e tomando caipirinha."
Embora parte do corpo de jurados, Julio Medaglia podia fazer arranjo para quem ele quisesse - arranjo musical, veja bem. Chegou a colaborar com Gilberto Gil em Domingo no Parque, a música que chegaria em segundo lugar. Mas, "como Rogério Duprat tinha sido expulso da Universidade de Brasília e estava completamente duro, eu dei para ele esse espaço". Por sugestão do Julio Medaglia, Duprat juntaria Gil e Os Mutantes, lançando as bases do Tropicalismo.

"A gente sempre foi contra o rock", ele diz, "mas sabíamos distinguir um Jimi Hendrix, uma Janis Joplin". Por isso foi convidado por Caetano Veloso para trabalhar no arranjo de Alegria, Alegria, cuja música seria executada pelos argentinos dos Beat Boys. Seguro de que "o contraste já viria da mistura da banda de rock com a marcha-rancho", acabou se autodispensando da função.

Caetano tirou quarto lugar, colocando-se ao lado de Gil como a grande surpresa musical daquele ano - e contribuindo decisivamente para mudar a cara da MPB a partir de 1968, justificando, em 67, o título de "Festival da Virada". Julio Medaglia voltaria a trabalhar com ele em 68, assinando o arranjo de Tropicália. Há poucos meses, o Julio, que está com 69 anos, emprestou para uma exposição a partitura original da música. "Fizeram um seguro milionário", diz. "Tomara que suma."

Sérgio Cabral, o pai, fazia parte da "tradicional família musical". Por isso ficou "chocado" quando soube que Gil e Caetano subiriam ao palco acompanhados de bandas de rock. "Mas a estética matou a minha ideologia em 2 minutos". Ainda que desprovido de ideologia, deu seu voto para Ponteio mesmo, a música de Edu Lobo que levou o primeiro lugar.

O Chico Anysio não. O Chico Anysio cravou Alegria, Alegria, porque considera Caetano "o melhor letrista do Brasil, mais até do que o Chico Buarque". Se o Chico Anysio disser isso para o Ferreira Gullar, corre o risco de tomar uma violada. Em 1967, Gullar não teve dúvida: deu seu voto para Roda Vida, de Chico Buarque, que terminou o Festival em terceiro lugar. O Ferreira Gullar até conhecia o Caetano, que "tinha vindo tomar conta da Bethânia quando ela chegou no Teatro Opinião para fazer o Carcará".

Mas naquele tempo a esquerda ainda votava na esquerda. Salomão Schwartzman, que segundo o próprio sofreu "um expurgo stalinista" ao ser demitido recentemente da Rede Cultura, apostou em Domingo no Parque.

"Durante o Festival, todos nós tínhamos a noção de estar diante de algo maravilhoso", lembra Sérgio Cabral. "O que não sabíamos era que aquilo nunca mais se repetiria com tanta qualidade." Sentindo que o sucesso do Festival poderia conduzir a vaca diretamente para o brejo, Julio Medaglia procurou Paulinho Machado de Carvalho, o dono da Record.

Pediu que "não matasse a galinha dos ovos de ouro". Sugeriu que preservasse os artistas contratados pela emissora, sob pena de transformá-los em celebridades, e de o povo se cansar de suas músicas. "Mas não adiantou nada", ele diz. "É por isso que nos anos 70 vieram a turma das sapatonas e os seus boleros horríveis. Foi só se esboçar a abertura política, e a música brasileira acabou."

Quarenta anos se passaram de um momento glorioso da MPB. Com exceção daqueles que na época se organizaram empresarialmente, os demais se transformaram em dinossauros. As lições que tiro do violão quebrado estão guardadas no meu coração.

Numa disputa esportiva, vence o que faz mais gols, ganha o cavalo que primeiro botar o focinho no olho mecânico. É incontestável. Qual música é inferior ou superior à outra: Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, ou Carinhoso, de Pixinguinha? Em qual você vota? Isso não existe.

Sérgio Ricardo vive hoje no Rio de Janeiro. Tem 75 anos e prepara o lançamento de um novo CD. Além de ter composto a trilha sonora de Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha, o Sérgio vai deixar como legado uma das mais famosas manchetes da história do jornalismo brasileiro, publicada por um jornal popular: "Violada no auditório".

Sérgio Cabral gostaria de ter votado em outra...

Leonardo Lichote

RIO - O jornalista Sérgio Cabral saiu do Teatro Record Centro, em São Paulo, no dia 21 de outubro de 1967 com uma ponta de incômodo. Jurado do 3º Festival da Música Popular Brasileira, ele tinha acabado de dar seu voto à vitoriosa "Ponteio", de Edu Lobo e Capinan. Mas, pouco depois da divulgação do resultado, já estava arrependido.

- Saí de lá pensando que deveria ter votado em "Domingo no parque" (de Gilberto Gil), que é uma obra-prima - lembra. - Mas não acredito que meu voto teria mudado o resultado. De qualquer forma, "Ponteio" é ótima, e qualquer finalista que ganhasse ali seria justo.
O curioso é que o jurado arrependido era, antes do festival, um opositor de "Domingo no parque". Gil apresentou a canção com os Mutantes, numa ousadia que atraiu a antipatia dos puristas. Alinhado com a esquerda nacionalista, Cabral era contra o uso de guitarras elétricas na música brasileira.

- Quando soube que Gil e Caetano (que mostrou "Alegria, alegria" acompanhado dos roqueiros argentinos do Beat Boys) iriam cantar com grupos de rock, já estava preparado para não votar neles. Eu era da ala que tinha preconceito mesmo contra guitarra, uma turma que tinha até o próprio Gil, que participou da passeata (protesto nacionalista celebrizado como a "passeata contra a guitarra") - conta. - Mas fui convencido pelo fator estético. Enquanto ouvia aquilo, pensava: "Mas isso está bonito".

A platéia de 67, porém, estava quente como nunca, recorda Cabral. Não foi à toa que naquele ano surgiu o termo festivaia. Uma das lembranças mais fortes que o jurado guarda do festival é o furor do auditório. Já no primeiro dia, a torcida organizada para "O combatente", cantada por Jair Rodrigues, respondeu com violência à eliminação da canção. Além das vaias, ela atirou objetos contra o júri. Cabral conta que era a primeira vez que via aquilo.

- Um ovo passou a um milímetro do meu rosto e estourou perto de Gullar e Chico Anysio - lembra. - A platéia se empolgou com "O combatente" porque ela tinha a mímica da canção de protesto.

Mas o marco na história das festivaias viria apenas dias depois, na terceira eliminatória, com a famosa violada de Sérgio Ricardo - em resposta às insistentes vaias, que o impediam de apresentar sua "Beto bom de bola", o cantor quebrou seu violão e o lançou sobre a platéia.








DEZARIE FAZ APRESENTAÇÃO ÚNICA DIA 16 DE MAIO NA FUNDIÇÃO


• A dama do reggae lança CD no Rio e toca acompanhada por integrantes do MIDNITE Uma das mais cultuadas vozes femininas do reggae, DEZARIE faz apresentação única na Fundição Progresso sábado, dia 16 de maio. Ela é a grande atração da 4ª edição do 'Fundição Reggae Music'. Palco de alguns dos principais festivais do gênero no país, a casa já recebeu artistas consagrados como Don Carlos, Ziggy Marley, Israel Vibration, Ziggy Marley, Andrew Tosh, Midnite, Groundation, Steel Pulse, entre outros.

DEZARIE - conhecida como "a dama do reggae das Ilhas Virgens" - apresenta o repertório de seu disco mais recente, "Eaze the pain" (2008). Será o lançamento do CD no Rio de Janeiro. Na Fundição, ela canta acompanhada pelo multiinstrumentista RON BENJAMIN e pelo guitarrista EDMUND, ambos integrantes da banda MIDNITE. A cantora volta à Lapa dois anos depois da apresentação histórica que lotou a Fundição, em 2007. Ela também faz show em Aracajú, Salvador, Brasília, Florianópolis, Porto Alegre e São Paulo.

18 anos. Fundição Progresso (5 000 lugares). Rua dos Arcos, 24, Lapa, 2220-5070. Sábado (16), 0h. R$ 25,00 a R$ 70,00. Bilheteria: 10h/13h30 e 14h/18h (seg. a sex.); a partir das 12h (sáb.). www.fundicao.org.

As histórias e parcerias do Clube da Esquina

Livro reúne fotos e depoimentos dos integrantes do grupo que revolucionou a música brasileira na década de 70. “A gravadora nem queria aceitar o projeto”, conta Lô Borges

Danilo Casaletti

Companheiros “Agradeço pelo pessoal do Clube ter entendido o que eu queria dizer, meu novo jeito de compor"
Eu já estou com o pé nessa estrada/ Qualquer dia a gente se vê/ Sei que nada será como antes/ Amanhã. Os versos da canção Nada será como antes (Milton Nascimento/ Ronaldo Bastos) revela o espírito com que uma turma de garotos entrou em estúdio em 1972 para gravar um disco que mudaria os rumos da música brasileira. A história do grupo é contada no livro Coração Americano - 35 anos do álbum Clube da Esquina (Editora Prax), que acaba de ser lançado.

No livro, textos e imagens organizados por Andréa Estanislau ilustram o que foi o encontro de jovens músicos que se encontravam na esquina das ruas Divinópolis e Paraisópolis, no bairro Santa Tereza, em Belo Horizonte, para tocar violão. Depois do lançamento do disco, o som deles - que trazia novidades harmônicas e estéticas para a música brasileira - ganhou o país e o mundo.

Na época do lançamento do primeiro volume do Clube, em 1972, Milton Nascimento já era famoso. Tinha participado de festivais de música e sua composição Travessia já era conhecida do grande público. Até Elis Regina, uma das cantoras mais consagradas da época, havia gravado suas canções. Coube a ele então a missão de convencer a sua gravadora, a EMI-Odeon, a apostar naquela reunião de garotos que tão a fim de fazer um novo som e, mais que isso, lançar um disco duplo. "A gravadora não queria bancar o projeto. Milton bateu o pé e disse que iria procurar outra que se interessasse pelo disco", diz o músico Lô Borges, em entrevista a ÉPOCA. Lô tinha apenas 20 anos quando assinou a capa ao lado do amigo Milton.

Segundo Lô, ele, Milton e toda a turma - Beto Guedes, Toninho Horta, Wagner Tiso, Tavito, Nelson Ângelo, Ronaldo Bastos, Fernando Brant, Marcio Borges, entre outros - não tinham consciência do impacto que o álbum causaria. “Queríamos fazer música, tocar nossas canções. Tudo foi acontecendo naturalmente, durante as gravações mesmo”, conta. Para ele, o disco consegue ter unidade mesmo com as diferentes sonoridades propostas por ele e por Milton. “Agradeço por eles terem entendido o que eu queria dizer, meu novo jeito de compor e tocar que tinha uma clara inspiração nos Beatles. Eu fui um dos primeiros a compor baladas aqui no Brasil”, afirma Lô.

As músicas do Clube chamaram a atenção de uma geração de artistas. Elis, por exemplo, gravou Cais e Nada será como antes, em 1972, e, em 1980, uma nova versão para o Trem Azul. Tom Jobim registrou a mesma canção, na década de 90. "Ter sido gravado por Elis e Tom, para mim, valeu mais do que ter vendido um milhão de cópias de qualquer disco”, diz Lô.
Apesar de conviver com o "fantasma" do Clube até hoje - não há apresentação em que não peçam para cantar as músicas do grupo ou que fãs não cobrem um novo encontro dos amigos -, Lô é categórico ao afirmar que os dois discos e a reunião com seus amigos só lhe trouxeram alegrias na carreira. "O disco ter sido citado em 1001 Álbuns que você deve ouvir antes de morrer, do crítico Robert Dimery, é sinal de que fizemos um trabalho de qualidade”.

O segundo volume do Clube da Esquina foi lançado em 1978. Desta vez, além dos antigos parceiros do Clube, Milton, mais uma vez mentor do projeto, trouxe novos amigos, como as cantoras Elis Regina e Joyce e os compositores Chico Buarque, Ana Terra e Danilo Caymmi. No ano passado, a gravadora EMI lançou os dois discos em uma edição comemorativa.

Um terceiro disco? Lô não acredita nessa possibilidade. “Isso teria que partir do Milton, mas acho que ele não está voltado para isso. A chance de isso acontecer é muito remota”. Enquanto isso, o músico reforça sua parceria com outro mineiro, Samuel Rosa, vocalista do Skank. Os dois devem lançar juntos, neste ano, um CD e um DVD para comemorar os 10 anos de parceria. “A simbiose entre Samuel Rosa e Lô Borges cria algo novo, que não é nem Skank e nem Clube da Esquina”, diz Lô. Além desse projeto, Lô também pretende lançar um disco gravado no ano passado junto com a Orquestra Sinfônica de Belo Horizonte.

SERESTA MODERNA - Dia 14 de maio , às 18h30

SERESTA MODERNA, com Manu Santos (voz), Bel Ferratt (voz), João Gabriel (teclado), Tiago Oliveira (percussão e voz) e João Francisco Neves (voz e violão).

"A História da Discografia da MPB de 1916 aos Dias de Hoje"

O espetáculo traça o caminho dos grandes sucessos da nossa música com seus maiores clássicos. Estórias deliciosamente contadas e cantadas pelo Seresta Moderna. O objetivo do grupo é ocupar um espaço na MPB entre os grandes grupos vocais do país. Clássicos da nossa música em releituras modernas, sensíveis e de belos arranjos, unindo tradição e modernidade. Vocalistas e instrumentistas de fino talento revigoram pérolas da música brasileira, transmitindo curiosidades e fatos deliciosos sobre as canções e compositores presentes no repertório. O roteiro começa em 1916 com o primeiro samba oficialmente gravado no país de autoria de Donga e Mauro de Almeida e segue década em década até os dias de hoje.

rograma: Pelo Telefone (Donga / Mauro de Almeida); Carinhoso (Pixinguinha / João de Barro); Taí (Joubert de Carvalho); Aquarela do Brasil (Ary Barroso); Marina (Dorival Caymmi); Amélia (Ataulfo Alves / Mário Lago); Boiadeiro, Asa Branca (Luiz Gonzaga / Humberto Teixeira); Me Deixe em Paz (Monsueto / Ayrton Amorim); Wave (Tom Jobim); Eu Sei que Vou te Amar (Tom Jobim / Vinícius de Moraes); Port-pourri Jovem Guarda (Erasmo Carlos / Roberto Carlos); Disparada (Geraldo Vandré / Theo de Barros); Ponteio (Edu Lobo / Capinan); Travessia (Milton Nascimento / Fernando Brant); As Rosas Não Falam (Cartola); Emoções (Erasmo Carlos / Roberto Carlos); O Bêbado e a Equilibrista (João Bosco / Aldir Blanc); Mas que Nada (Jorge Ben Jor). Haverá distribuição de senhas às 17h30, na portaria do IBEU. Lugares limitados!

Centro Cultural IBEU (110 lugares)
Av. N. Sra. de Copacabana, 690/11º andar
Entrada Franca
Mais informações: 3816-9432 - E-mail: cultural@ibeu.org.br


VITAMINA C

A vitamina C tornou-se popular em virtude do seu papel como antioxidante, com potencial de oferecer proteção contra algumas doenças e contra os aspectos degenerativos do envelhecimento.

A vitamina C (também conhecida como ácido ascórbico) é uma das 13 principais vitaminas que fazem parte de um grupo de substâncias químicas complexas necessárias para o funcionamento adequado do organismo. É uma das vitaminas hidrossolúveis, o que significa que seu organismo usa o que necessita e elimina o excesso.

A vitamina C é encontrada em alimentos como frutas cítricas, tomates, morangos, pimentão-doce e brócolis. A melhor maneira de se obter a quantidade necessária é por meio de uma alimentação saudável e rica em vitamina C. Uma dieta rica em frutas e vegetais também pode ajudar a prevenir alguns tipos de câncer.

A deficiência de vitamina C pode causar doenças cardiovasculares, câncer, envelhecimento precoce, imunodeficiências, propensão a contrair virose, flacidez da pele, dificuldade de cicatrização, escorbuto e distúrbios emocionais.

Algumas pessoas tomam grandes quantidades de suplementos vitamínicos porque acreditam que podem evitar algumas doenças, como resfriados. Entretanto, essas suposições não foram comprovadas. Ingerir quantidades excessivas de vitamina C (mais do que 100mg por dia, aproximadamente) pode causar náuseas, cólicas estomacais, diarréia e cálculos renais.

ALIMENTOS QUE CONTÉM VITAMINA C

Morangos (uma xícara, cortados).....95 mg
Mamão (uma xícara, cubos).............85 mg
Kiwi (um, médio)...............................75 mg
Laranja (uma, média)........................70 mg
Suco de laranja (1/2 xícara)..............50 mg
Manga (uma xícara, cortada)...........45 mg
Pimentão vermelho ou verde...........65mg / Cru Cozido... 50mg
Brócolis (1/2 xícara, cozido).............60mg
Couve (uma xícara, cozida) ............50mg
Couve-de-bruxelas (1/2 xícara, cozida)....50mg
Ervilhas cozidas.......40mg / Frescas Congeladas....20mg

Fonte: Hospital Santa Lúcia

Sandra Helena Mathias Motta
Nutricionista
Centro – 3322- 3715
Vila Nova – 3326-5487
sandranutti@yahoo.com.br

5.10.2009

Dionne e Gal


Antonio Carlos Miguel

por alguns instantes pensei que a quarta dose de Dionne Warwick seria em excesso. As primeiras sete canções foram no esquema rapidinho, com apenas uma passada pelas belas melodias de Bacharach, enquanto o formato daquele grupo, piano da diretora musical, Kathleen Rubbicco, mais baixo, bateria, percussão e dois teclados fazendo o papel cordas, flautas, também me parecia gasto - por que não contratar uns instrumentistas em cada país?, pensava.

até ela anunciar que daria um outro andamento a um dos clássicos de Bacharach & David, imprimindo mais balanço a "I say a little prayer" - foi uma prece profana, de um suingue lesado com clima de salsa e samba.

em seguida, "Fragile", de Sting, que ganhou status de standard, até a simpática sequência brazuca (quando o percussionista nascido em Brasília, Renato Pereira, há 15 anos na banda, ganha a adesão de dois ritmistas cariocas) que anunciou o que todos esperavam da noite: o encontro.

Dionne e Gal no "Piano na Mangueira" de Jobim e Chico, na "Bahia" ("Baixa do Sapateiro") de Ary e numa "Girl from the Ipanema" com sutil viés lésbico - será que sútil mesmo?

poderia ter acabado ali mas, antes do óbvio e burocrato número final, "That's what friends are for" (com Gal apenas se equilibrando na pronúncia na parte que coube a Elton John no disco original), volta o show de Dionne e o ápice da noite: "What the world needs now is love"...

Caetano e banda Cê: zii e zie dá onda!


Antonio Carlos Miguel

"Que onda, que onda, que onda que dá / Que bunda, que bunda!"
sim, o refrão, que se hospedou na minha cabeça durante a madrugada e esta manhã, é de "A cor amarela", mas serve também para descrever o efeito do show de "Zii e zie", que estreou nesta sexta no Canecão.
samba de roda que já era um dos destaques da temporada de "Obra em progresso", na qual foi gerado o disco, "A cor amarela" prossegue arrebatador. Assim como "Perdeu", cujo idem riff de guitarra pontua outros momentos - está tanto no fim de "Eu sou neguinha" (que vem emendada a "A cor amarela") quanto no de "Incompatibilidade de gênios", o samba de João Bosco e Aldir Blanc tão bem transfigurado na versão de Caetano.
mais músicas de "Zii e zie" rendem muito bem - "Lapa", "Falso Leblon", "Base de Guantánamo" (que leva ao transe) e mesmo "Lobão tem razão", esta, apesar da equivocada afirmação de seu título e letra. Mas, o que faz o show "Zii e zie" ser tão interessante é o elo com outras canções caetânicas, da guitarrada avant la lettre que é "Irene" (uma "zie" de "A cor amarela", e que, ao nascer, fim dos anos 1960, foi um estrondoso sucesso nos ares radiofônicos, numa época em que músicas como essa tocavam sem pressão, jabá) a "Objeto não identificado" e "A voz do morto" (com sua exaltação a Paulinho da Viola).
e em tudo, como vem desde "Cê", a guitarra de Pedro Sá é o grande trunfo: com timbres surpreendentes, solos sempre longe do óbvio, daquele gasto formato guitar-hero. Caetano, que anda numa fase de exaltação de heróis (da bela homenagem a Augusto Boal, após cantar sua "Maria Bethânia" dos tempos do exílio, a referência a Hermano Vianna, o "herói vivo" que bolou o agora encerrado blog "Obra em progresso") acertou em cheio ao apostar num antiguitar hero.
beirava uma da madrugada quando saímos do Canecão, talvez desse de pegar o show de Ed Motta na Fundição Progresso, que também deu muita onda, no ano passado, no Canecão, mas temos muito compromissos nesse sábado, incluindo um dos pedidos de zie Elsa: jogar suas cinzas no mar de Ipanema, Vai ser em horário perto da Marcha da Maconha, ou seja, de alguma forma, K e eu também estaremos solidários com o movimento pela liberação da erva, que dá onda.
depois tento contar mais um pouco, e em breve boto alguns dos trechos filmados por K


'Ovo', de Deborah Colker, deixa o Brasil impresso no Cirque du Soleil


Marília Martins

MONTREAL, Canadá - As imagens impressionam: uma floresta de insetos, flores gigantes, teias elásticas, cores fortes e uma sequência de ritmos muito brasileiros, do samba ao forró, do funk carioca ao baião e ao carimbó, que faz a plateia dançar. Mais ainda: ginastas transformados em bailarinos, que logo viram acrobatas do mais famoso circo do mundo. A estreia de "Ovo", o primeiro espetáculo do Cirque du Soleil dirigido por uma mulher, foi delirantemente aplaudida, na sede da companhia, no Canadá. E a coreógrafa carioca Deborah Colker ria de orelha a orelha: tinha vencido o desafio de deixar sua marca pessoal numa companhia com mais de 25 anos de estrada, internacionalmente conhecida por ter revolucionado a linguagem dos espetáculos circenses. A marca de Deborah, que é também a do cenógrafo Gringo Cardia e a do diretor musical Berna Ceppas, se faz com essa reinvenção da acrobacia em forma de dança, da dança em forma de mímica, da mímica em forma de circo, e do circo em forma de ginástica quase olímpica.
Confira fotogaleria com imagens do espetáculo 'Ovo'
São 53 artistas, de mais de dez nacionalidades, numa produção de R$ 88 milhões que levou dois anos para sair do papel e chegar ao picadeiro. A rotina de mais de 12 horas de trabalho diário levou Deborah, Gringo e Ceppas a se mudarem para Montreal há dois anos e a contratarem uma equipe de tradutores para driblar os problemas de comunicação com um elenco que parecia saído de uma torre de Babel.
" É um espetáculo muito grande, e eu acordo no meio da noite com esse circo rodando nos meus sonhos "
- Minha cabeça não parou um minuto. É um espetáculo muito grande, e eu acordo no meio da noite com esse circo rodando nos meus sonhos, com esses movimentos ganhando espaço até nas paredes do meu quarto... - diz Deborah.
A estreia foi nervosa: a rede de segurança dos acrobatas demorou para ser esticada; um número inteiro de dança e acrobacia foi incluído na última semana, a pedido do diretor artístico do Cirque du Soleil, Gilles Ste-Croix. Um teste para nervos de aço. Ste-Croix costuma ser chamado de "leão" por defender o padrão de qualidade da companhia e demitir diretores até às vésperas de estreias. Mas tudo deu certo, mesmo que o cronômetro de Deborah tenha registrado um atraso aqui e outro ali. Lá estavam os trapezistas rodopiando no ar, o equilibrista de cabeça para baixo numa bicicleta suspensa num fio e os saltos entremeados da ginga de coreografias brasileiríssimas. Tudo dançado com precisão pela turma de estrangeiros que aprendeu com Deborah a rebolar no "sambandinho" e a cantar em português, o que a cantora canadense Marie Claude Marchand faz com perfeição, chegando a confundir os poucos brasileiros presentes com sua imitação do sotaque carioca da bossa nova, à frente de uma banda com quatro músicos brasileiros.
Por que o 25º espetáculo do Cirque du Soleil tem como tema o mundo dos insetos? Porque o circo queria falar de meio ambiente, e Deborah resolveu unir natureza, espaço e movimento a partir de uma visão do submundo de criaturas que podem voar, rastejar, saltar ou escalar paredes, tecer teias e ter bem mais do que quatro patas. A coreógrafa mergulhou nesse universo de mosquitos, aranhas, gafanhotos e baratas, que costuma ser desprezado e temido por seres humanos, como quem embarca numa fantasia de ritmos de vida, movimentos e sons.

Série na Caixa Cultural debate a música brasileira vista pela lente de seus biógrafos

RIO - Escritores, mediador, perguntas da plateia... À primeira vista, a série "Toca-livros" - que será realizada esta semana, de terça a sexta-feira, às 19h30m, no Teatro de Arena da Caixa Cultural - é um típico ciclo de debates, no caso sobre livros dedicados a personagens da música brasileira. Mas Edison Viana, idealizador e produtor do projeto, prefere defini-lo como um misto de entrevista coletiva e programa de rádio.
- As perguntas podem ser feitas a todo momento. E teremos músicas para ilustrar a conversa - explica Viana.
No primeiro encontro, os convidados são Arthur Dapieve e Carlos Marcelo, autores de obras sobre Renato Russo; na quarta-feira, Marília Barboza fala de seu trabalho sobre Cartola; Ruy Castro aborda seu livro sobre Carmen Miranda, no terceiro debate; Paulo Cesar de Araújo e sua biografia proibida de Roberto Carlos encerram a sequência.
Os encontros serão gravados. O projeto de Viana é transformar o "Toca-livros" em programa de rádio, série de TV e, mais tarde, num documentário sobre a forma como a música brasileira aparece nos livros:
- Fala-se muito sobre discografia da música brasileira e sua filmografia. Mas sua bibliografia é esquecida. Não se parou para pensar nesse conjunto de livros, seus enfoques, os temas abordados.

Toca-livros: Caixa Cultural RJ - Teatro de Arena. Av. Almirante Barroso, 25 - Centro. Tel.: 2544-4080. De 12 a 15 de maio. Entrada franca (distribuição de senhas no local, a partir das 18h30min)