5.11.2009

DEZARIE FAZ APRESENTAÇÃO ÚNICA DIA 16 DE MAIO NA FUNDIÇÃO


• A dama do reggae lança CD no Rio e toca acompanhada por integrantes do MIDNITE Uma das mais cultuadas vozes femininas do reggae, DEZARIE faz apresentação única na Fundição Progresso sábado, dia 16 de maio. Ela é a grande atração da 4ª edição do 'Fundição Reggae Music'. Palco de alguns dos principais festivais do gênero no país, a casa já recebeu artistas consagrados como Don Carlos, Ziggy Marley, Israel Vibration, Ziggy Marley, Andrew Tosh, Midnite, Groundation, Steel Pulse, entre outros.

DEZARIE - conhecida como "a dama do reggae das Ilhas Virgens" - apresenta o repertório de seu disco mais recente, "Eaze the pain" (2008). Será o lançamento do CD no Rio de Janeiro. Na Fundição, ela canta acompanhada pelo multiinstrumentista RON BENJAMIN e pelo guitarrista EDMUND, ambos integrantes da banda MIDNITE. A cantora volta à Lapa dois anos depois da apresentação histórica que lotou a Fundição, em 2007. Ela também faz show em Aracajú, Salvador, Brasília, Florianópolis, Porto Alegre e São Paulo.

18 anos. Fundição Progresso (5 000 lugares). Rua dos Arcos, 24, Lapa, 2220-5070. Sábado (16), 0h. R$ 25,00 a R$ 70,00. Bilheteria: 10h/13h30 e 14h/18h (seg. a sex.); a partir das 12h (sáb.). www.fundicao.org.

As histórias e parcerias do Clube da Esquina

Livro reúne fotos e depoimentos dos integrantes do grupo que revolucionou a música brasileira na década de 70. “A gravadora nem queria aceitar o projeto”, conta Lô Borges

Danilo Casaletti

Companheiros “Agradeço pelo pessoal do Clube ter entendido o que eu queria dizer, meu novo jeito de compor"
Eu já estou com o pé nessa estrada/ Qualquer dia a gente se vê/ Sei que nada será como antes/ Amanhã. Os versos da canção Nada será como antes (Milton Nascimento/ Ronaldo Bastos) revela o espírito com que uma turma de garotos entrou em estúdio em 1972 para gravar um disco que mudaria os rumos da música brasileira. A história do grupo é contada no livro Coração Americano - 35 anos do álbum Clube da Esquina (Editora Prax), que acaba de ser lançado.

No livro, textos e imagens organizados por Andréa Estanislau ilustram o que foi o encontro de jovens músicos que se encontravam na esquina das ruas Divinópolis e Paraisópolis, no bairro Santa Tereza, em Belo Horizonte, para tocar violão. Depois do lançamento do disco, o som deles - que trazia novidades harmônicas e estéticas para a música brasileira - ganhou o país e o mundo.

Na época do lançamento do primeiro volume do Clube, em 1972, Milton Nascimento já era famoso. Tinha participado de festivais de música e sua composição Travessia já era conhecida do grande público. Até Elis Regina, uma das cantoras mais consagradas da época, havia gravado suas canções. Coube a ele então a missão de convencer a sua gravadora, a EMI-Odeon, a apostar naquela reunião de garotos que tão a fim de fazer um novo som e, mais que isso, lançar um disco duplo. "A gravadora não queria bancar o projeto. Milton bateu o pé e disse que iria procurar outra que se interessasse pelo disco", diz o músico Lô Borges, em entrevista a ÉPOCA. Lô tinha apenas 20 anos quando assinou a capa ao lado do amigo Milton.

Segundo Lô, ele, Milton e toda a turma - Beto Guedes, Toninho Horta, Wagner Tiso, Tavito, Nelson Ângelo, Ronaldo Bastos, Fernando Brant, Marcio Borges, entre outros - não tinham consciência do impacto que o álbum causaria. “Queríamos fazer música, tocar nossas canções. Tudo foi acontecendo naturalmente, durante as gravações mesmo”, conta. Para ele, o disco consegue ter unidade mesmo com as diferentes sonoridades propostas por ele e por Milton. “Agradeço por eles terem entendido o que eu queria dizer, meu novo jeito de compor e tocar que tinha uma clara inspiração nos Beatles. Eu fui um dos primeiros a compor baladas aqui no Brasil”, afirma Lô.

As músicas do Clube chamaram a atenção de uma geração de artistas. Elis, por exemplo, gravou Cais e Nada será como antes, em 1972, e, em 1980, uma nova versão para o Trem Azul. Tom Jobim registrou a mesma canção, na década de 90. "Ter sido gravado por Elis e Tom, para mim, valeu mais do que ter vendido um milhão de cópias de qualquer disco”, diz Lô.
Apesar de conviver com o "fantasma" do Clube até hoje - não há apresentação em que não peçam para cantar as músicas do grupo ou que fãs não cobrem um novo encontro dos amigos -, Lô é categórico ao afirmar que os dois discos e a reunião com seus amigos só lhe trouxeram alegrias na carreira. "O disco ter sido citado em 1001 Álbuns que você deve ouvir antes de morrer, do crítico Robert Dimery, é sinal de que fizemos um trabalho de qualidade”.

O segundo volume do Clube da Esquina foi lançado em 1978. Desta vez, além dos antigos parceiros do Clube, Milton, mais uma vez mentor do projeto, trouxe novos amigos, como as cantoras Elis Regina e Joyce e os compositores Chico Buarque, Ana Terra e Danilo Caymmi. No ano passado, a gravadora EMI lançou os dois discos em uma edição comemorativa.

Um terceiro disco? Lô não acredita nessa possibilidade. “Isso teria que partir do Milton, mas acho que ele não está voltado para isso. A chance de isso acontecer é muito remota”. Enquanto isso, o músico reforça sua parceria com outro mineiro, Samuel Rosa, vocalista do Skank. Os dois devem lançar juntos, neste ano, um CD e um DVD para comemorar os 10 anos de parceria. “A simbiose entre Samuel Rosa e Lô Borges cria algo novo, que não é nem Skank e nem Clube da Esquina”, diz Lô. Além desse projeto, Lô também pretende lançar um disco gravado no ano passado junto com a Orquestra Sinfônica de Belo Horizonte.

SERESTA MODERNA - Dia 14 de maio , às 18h30

SERESTA MODERNA, com Manu Santos (voz), Bel Ferratt (voz), João Gabriel (teclado), Tiago Oliveira (percussão e voz) e João Francisco Neves (voz e violão).

"A História da Discografia da MPB de 1916 aos Dias de Hoje"

O espetáculo traça o caminho dos grandes sucessos da nossa música com seus maiores clássicos. Estórias deliciosamente contadas e cantadas pelo Seresta Moderna. O objetivo do grupo é ocupar um espaço na MPB entre os grandes grupos vocais do país. Clássicos da nossa música em releituras modernas, sensíveis e de belos arranjos, unindo tradição e modernidade. Vocalistas e instrumentistas de fino talento revigoram pérolas da música brasileira, transmitindo curiosidades e fatos deliciosos sobre as canções e compositores presentes no repertório. O roteiro começa em 1916 com o primeiro samba oficialmente gravado no país de autoria de Donga e Mauro de Almeida e segue década em década até os dias de hoje.

rograma: Pelo Telefone (Donga / Mauro de Almeida); Carinhoso (Pixinguinha / João de Barro); Taí (Joubert de Carvalho); Aquarela do Brasil (Ary Barroso); Marina (Dorival Caymmi); Amélia (Ataulfo Alves / Mário Lago); Boiadeiro, Asa Branca (Luiz Gonzaga / Humberto Teixeira); Me Deixe em Paz (Monsueto / Ayrton Amorim); Wave (Tom Jobim); Eu Sei que Vou te Amar (Tom Jobim / Vinícius de Moraes); Port-pourri Jovem Guarda (Erasmo Carlos / Roberto Carlos); Disparada (Geraldo Vandré / Theo de Barros); Ponteio (Edu Lobo / Capinan); Travessia (Milton Nascimento / Fernando Brant); As Rosas Não Falam (Cartola); Emoções (Erasmo Carlos / Roberto Carlos); O Bêbado e a Equilibrista (João Bosco / Aldir Blanc); Mas que Nada (Jorge Ben Jor). Haverá distribuição de senhas às 17h30, na portaria do IBEU. Lugares limitados!

Centro Cultural IBEU (110 lugares)
Av. N. Sra. de Copacabana, 690/11º andar
Entrada Franca
Mais informações: 3816-9432 - E-mail: cultural@ibeu.org.br


VITAMINA C

A vitamina C tornou-se popular em virtude do seu papel como antioxidante, com potencial de oferecer proteção contra algumas doenças e contra os aspectos degenerativos do envelhecimento.

A vitamina C (também conhecida como ácido ascórbico) é uma das 13 principais vitaminas que fazem parte de um grupo de substâncias químicas complexas necessárias para o funcionamento adequado do organismo. É uma das vitaminas hidrossolúveis, o que significa que seu organismo usa o que necessita e elimina o excesso.

A vitamina C é encontrada em alimentos como frutas cítricas, tomates, morangos, pimentão-doce e brócolis. A melhor maneira de se obter a quantidade necessária é por meio de uma alimentação saudável e rica em vitamina C. Uma dieta rica em frutas e vegetais também pode ajudar a prevenir alguns tipos de câncer.

A deficiência de vitamina C pode causar doenças cardiovasculares, câncer, envelhecimento precoce, imunodeficiências, propensão a contrair virose, flacidez da pele, dificuldade de cicatrização, escorbuto e distúrbios emocionais.

Algumas pessoas tomam grandes quantidades de suplementos vitamínicos porque acreditam que podem evitar algumas doenças, como resfriados. Entretanto, essas suposições não foram comprovadas. Ingerir quantidades excessivas de vitamina C (mais do que 100mg por dia, aproximadamente) pode causar náuseas, cólicas estomacais, diarréia e cálculos renais.

ALIMENTOS QUE CONTÉM VITAMINA C

Morangos (uma xícara, cortados).....95 mg
Mamão (uma xícara, cubos).............85 mg
Kiwi (um, médio)...............................75 mg
Laranja (uma, média)........................70 mg
Suco de laranja (1/2 xícara)..............50 mg
Manga (uma xícara, cortada)...........45 mg
Pimentão vermelho ou verde...........65mg / Cru Cozido... 50mg
Brócolis (1/2 xícara, cozido).............60mg
Couve (uma xícara, cozida) ............50mg
Couve-de-bruxelas (1/2 xícara, cozida)....50mg
Ervilhas cozidas.......40mg / Frescas Congeladas....20mg

Fonte: Hospital Santa Lúcia

Sandra Helena Mathias Motta
Nutricionista
Centro – 3322- 3715
Vila Nova – 3326-5487
sandranutti@yahoo.com.br

5.10.2009

Dionne e Gal


Antonio Carlos Miguel

por alguns instantes pensei que a quarta dose de Dionne Warwick seria em excesso. As primeiras sete canções foram no esquema rapidinho, com apenas uma passada pelas belas melodias de Bacharach, enquanto o formato daquele grupo, piano da diretora musical, Kathleen Rubbicco, mais baixo, bateria, percussão e dois teclados fazendo o papel cordas, flautas, também me parecia gasto - por que não contratar uns instrumentistas em cada país?, pensava.

até ela anunciar que daria um outro andamento a um dos clássicos de Bacharach & David, imprimindo mais balanço a "I say a little prayer" - foi uma prece profana, de um suingue lesado com clima de salsa e samba.

em seguida, "Fragile", de Sting, que ganhou status de standard, até a simpática sequência brazuca (quando o percussionista nascido em Brasília, Renato Pereira, há 15 anos na banda, ganha a adesão de dois ritmistas cariocas) que anunciou o que todos esperavam da noite: o encontro.

Dionne e Gal no "Piano na Mangueira" de Jobim e Chico, na "Bahia" ("Baixa do Sapateiro") de Ary e numa "Girl from the Ipanema" com sutil viés lésbico - será que sútil mesmo?

poderia ter acabado ali mas, antes do óbvio e burocrato número final, "That's what friends are for" (com Gal apenas se equilibrando na pronúncia na parte que coube a Elton John no disco original), volta o show de Dionne e o ápice da noite: "What the world needs now is love"...

Caetano e banda Cê: zii e zie dá onda!


Antonio Carlos Miguel

"Que onda, que onda, que onda que dá / Que bunda, que bunda!"
sim, o refrão, que se hospedou na minha cabeça durante a madrugada e esta manhã, é de "A cor amarela", mas serve também para descrever o efeito do show de "Zii e zie", que estreou nesta sexta no Canecão.
samba de roda que já era um dos destaques da temporada de "Obra em progresso", na qual foi gerado o disco, "A cor amarela" prossegue arrebatador. Assim como "Perdeu", cujo idem riff de guitarra pontua outros momentos - está tanto no fim de "Eu sou neguinha" (que vem emendada a "A cor amarela") quanto no de "Incompatibilidade de gênios", o samba de João Bosco e Aldir Blanc tão bem transfigurado na versão de Caetano.
mais músicas de "Zii e zie" rendem muito bem - "Lapa", "Falso Leblon", "Base de Guantánamo" (que leva ao transe) e mesmo "Lobão tem razão", esta, apesar da equivocada afirmação de seu título e letra. Mas, o que faz o show "Zii e zie" ser tão interessante é o elo com outras canções caetânicas, da guitarrada avant la lettre que é "Irene" (uma "zie" de "A cor amarela", e que, ao nascer, fim dos anos 1960, foi um estrondoso sucesso nos ares radiofônicos, numa época em que músicas como essa tocavam sem pressão, jabá) a "Objeto não identificado" e "A voz do morto" (com sua exaltação a Paulinho da Viola).
e em tudo, como vem desde "Cê", a guitarra de Pedro Sá é o grande trunfo: com timbres surpreendentes, solos sempre longe do óbvio, daquele gasto formato guitar-hero. Caetano, que anda numa fase de exaltação de heróis (da bela homenagem a Augusto Boal, após cantar sua "Maria Bethânia" dos tempos do exílio, a referência a Hermano Vianna, o "herói vivo" que bolou o agora encerrado blog "Obra em progresso") acertou em cheio ao apostar num antiguitar hero.
beirava uma da madrugada quando saímos do Canecão, talvez desse de pegar o show de Ed Motta na Fundição Progresso, que também deu muita onda, no ano passado, no Canecão, mas temos muito compromissos nesse sábado, incluindo um dos pedidos de zie Elsa: jogar suas cinzas no mar de Ipanema, Vai ser em horário perto da Marcha da Maconha, ou seja, de alguma forma, K e eu também estaremos solidários com o movimento pela liberação da erva, que dá onda.
depois tento contar mais um pouco, e em breve boto alguns dos trechos filmados por K


'Ovo', de Deborah Colker, deixa o Brasil impresso no Cirque du Soleil


Marília Martins

MONTREAL, Canadá - As imagens impressionam: uma floresta de insetos, flores gigantes, teias elásticas, cores fortes e uma sequência de ritmos muito brasileiros, do samba ao forró, do funk carioca ao baião e ao carimbó, que faz a plateia dançar. Mais ainda: ginastas transformados em bailarinos, que logo viram acrobatas do mais famoso circo do mundo. A estreia de "Ovo", o primeiro espetáculo do Cirque du Soleil dirigido por uma mulher, foi delirantemente aplaudida, na sede da companhia, no Canadá. E a coreógrafa carioca Deborah Colker ria de orelha a orelha: tinha vencido o desafio de deixar sua marca pessoal numa companhia com mais de 25 anos de estrada, internacionalmente conhecida por ter revolucionado a linguagem dos espetáculos circenses. A marca de Deborah, que é também a do cenógrafo Gringo Cardia e a do diretor musical Berna Ceppas, se faz com essa reinvenção da acrobacia em forma de dança, da dança em forma de mímica, da mímica em forma de circo, e do circo em forma de ginástica quase olímpica.
Confira fotogaleria com imagens do espetáculo 'Ovo'
São 53 artistas, de mais de dez nacionalidades, numa produção de R$ 88 milhões que levou dois anos para sair do papel e chegar ao picadeiro. A rotina de mais de 12 horas de trabalho diário levou Deborah, Gringo e Ceppas a se mudarem para Montreal há dois anos e a contratarem uma equipe de tradutores para driblar os problemas de comunicação com um elenco que parecia saído de uma torre de Babel.
" É um espetáculo muito grande, e eu acordo no meio da noite com esse circo rodando nos meus sonhos "
- Minha cabeça não parou um minuto. É um espetáculo muito grande, e eu acordo no meio da noite com esse circo rodando nos meus sonhos, com esses movimentos ganhando espaço até nas paredes do meu quarto... - diz Deborah.
A estreia foi nervosa: a rede de segurança dos acrobatas demorou para ser esticada; um número inteiro de dança e acrobacia foi incluído na última semana, a pedido do diretor artístico do Cirque du Soleil, Gilles Ste-Croix. Um teste para nervos de aço. Ste-Croix costuma ser chamado de "leão" por defender o padrão de qualidade da companhia e demitir diretores até às vésperas de estreias. Mas tudo deu certo, mesmo que o cronômetro de Deborah tenha registrado um atraso aqui e outro ali. Lá estavam os trapezistas rodopiando no ar, o equilibrista de cabeça para baixo numa bicicleta suspensa num fio e os saltos entremeados da ginga de coreografias brasileiríssimas. Tudo dançado com precisão pela turma de estrangeiros que aprendeu com Deborah a rebolar no "sambandinho" e a cantar em português, o que a cantora canadense Marie Claude Marchand faz com perfeição, chegando a confundir os poucos brasileiros presentes com sua imitação do sotaque carioca da bossa nova, à frente de uma banda com quatro músicos brasileiros.
Por que o 25º espetáculo do Cirque du Soleil tem como tema o mundo dos insetos? Porque o circo queria falar de meio ambiente, e Deborah resolveu unir natureza, espaço e movimento a partir de uma visão do submundo de criaturas que podem voar, rastejar, saltar ou escalar paredes, tecer teias e ter bem mais do que quatro patas. A coreógrafa mergulhou nesse universo de mosquitos, aranhas, gafanhotos e baratas, que costuma ser desprezado e temido por seres humanos, como quem embarca numa fantasia de ritmos de vida, movimentos e sons.

Série na Caixa Cultural debate a música brasileira vista pela lente de seus biógrafos

RIO - Escritores, mediador, perguntas da plateia... À primeira vista, a série "Toca-livros" - que será realizada esta semana, de terça a sexta-feira, às 19h30m, no Teatro de Arena da Caixa Cultural - é um típico ciclo de debates, no caso sobre livros dedicados a personagens da música brasileira. Mas Edison Viana, idealizador e produtor do projeto, prefere defini-lo como um misto de entrevista coletiva e programa de rádio.
- As perguntas podem ser feitas a todo momento. E teremos músicas para ilustrar a conversa - explica Viana.
No primeiro encontro, os convidados são Arthur Dapieve e Carlos Marcelo, autores de obras sobre Renato Russo; na quarta-feira, Marília Barboza fala de seu trabalho sobre Cartola; Ruy Castro aborda seu livro sobre Carmen Miranda, no terceiro debate; Paulo Cesar de Araújo e sua biografia proibida de Roberto Carlos encerram a sequência.
Os encontros serão gravados. O projeto de Viana é transformar o "Toca-livros" em programa de rádio, série de TV e, mais tarde, num documentário sobre a forma como a música brasileira aparece nos livros:
- Fala-se muito sobre discografia da música brasileira e sua filmografia. Mas sua bibliografia é esquecida. Não se parou para pensar nesse conjunto de livros, seus enfoques, os temas abordados.

Toca-livros: Caixa Cultural RJ - Teatro de Arena. Av. Almirante Barroso, 25 - Centro. Tel.: 2544-4080. De 12 a 15 de maio. Entrada franca (distribuição de senhas no local, a partir das 18h30min)

5.09.2009

Caetano Veloso canta a relação com o Rio em show repleto de homenagens


João Pimentel

RIO - O encontro com a nova geração de músicos que formam a bandaCe, o guitarrista Pedro Sá, o baterista Marcelo Callado e o baixista e tecladista Ricardo Dias Gomes fez bem a Caetano Veloso. A estreia do show de lançamento de "Zii e zie", na noite desta sexta-feira, no Canecão, disco em que faz uma leitura pessoal do Rio de Janeiro, o cantor apresentou um repertório de novas canções e de releituras de antigas composições, suas e de outros autores, adaptadas à sonoridade crua do trio.
Caetano Veloso fala do show 'Zii e Zie'
Rio Show: confira o roteiro carioca de Caetano na cidade
Além de cantar sua relação com a cidade, afagou o desafeto Lobão, pediu vivas a Paulinho da Viola, homenageou as irmãs e dedicou "Maria Bethânia" ao diretor teatral Augusto Boal, morto no dia 2 de maio.
Se alguns de seus transambas soam, à primeira vista, estranhos no disco, essa estranheza se esvai com sua interpretação ao vivo.
Caetano abriu a noite com "A voz do morto", letra que deságua na lembrança de Paulinho da Viola: "Eu canto com o mundo que roda/ Eu e o Paulinho da Viola/ Viva o Paulinho da Viola!", para aplausos da platéia. O cenário composto por uma asa delta e imagens do Rio no telão deram o tom para "Sem cais", do novo disco. Na sequência, "Trem das cores" puxou o primeiro coro da plateia. Depois do momento delicado, foi a vez de: "Mandou, julgou, condenou, salvou, executou, soltou, prendeu", de "Perdeu", a canção mais crua e cruel do disco.
Depois de acarinhar o desafeto em "Lobão tem razão", Caetano fez uma bela interpretação de "Maria Bethânia", lembrou que a canção foi feita no exílio e a dedicou a Boal.
- Ele foi o primeiro a dirigir a Bethânia quando ela veio para o Rio - lembrou. - Tivemos em alguns momentos posições antagônicas, mas, mesmo que tenham compreendido de outra forma, no "Verdade tropical" (livro de Caetano) ele aparece como um grande herói.
Depois das novas "Tarado ni você" e "Menina da Ria", "Não identificado" trouxe de volta o coro e o sorriso de Caetano, que continuou em "Odeio", única música do disco anterior, "Cê", a constar no repertório: A Cuba de "A base de Guantánamo" leva o show até a "Lapa" de Caetano e "A cor amarela", duas das melhores canções do disco novo.
Depois de uma "Eu sou neguinha?" quase tribal, já é hora do bis, que tem seu auge em "Força estranha", e a última homenagem da noite, a Roberto Carlos. Roberto, Paulinho, Lobão, Bethânia e, principalmente, o público carioca, agradecem tanto carinho.

Os caminhos cruzados de Elis Regina e Nara Leão

O clima entre as estrelas era hostil por causa de Elis, a quem Nara admirava

Nara Leão nasceu no dia 19 de janeiro de 1942. Elis Regina morreu no dia 19 de janeiro de 1982. Elis, que implicou muito com a musa da bossa nova depois que ela aderiu ao iê-iê-iê da Jovem Guarda, teceu elogios à rival numa entrevista ao jornal Última Hora em... 19 de janeiro de 1976. Coincidências à parte, as vidas de Elis e Nara tropeçaram em pedras semelhantes. Uma delas tinha nome e sobrenome: Ronaldo Bôscoli.

O jornalista, letrista e produtor Bôscoli havia namorado Nara na adolescência. Foi noivo da cantora entre o final dos anos 50 e o início dos 60, na época em que o apartamento da família Lofêgo Leão, na avenida Atlântica, servia de ponto de encontro dos entusiastas da bossa nova. Quase todos bem nascidos e bem criados na Zona Sul carioca, como Roberto Menescal, Carlinhos Lyra, Luís Carlos Vinhas, Sylvia Telles, Chico Feitosa e Luizinho Eça, e o baiano João Gilberto.

O relacionamento de Nara e Bôscoli foi por água abaixo em 1961, quando Maysa anunciou à imprensa, sem o conhecimento do jornalista, que se casaria com ele. É certo que os dois dormiram juntos na turnê que haviam acabado de fazer por Argentina, Uruguai e Chile, mas a história do casamento foi invenção de Maysa. E Nara rompeu com Bôscoli de uma maneira enérgica: não atendia nem os telefonemas do compositor, em quem seu pai, o severo Jairo Leão, depositava um bocado de confiança.

Pois bem. Elis Regina e Ronaldo Bôscoli casaram-se no civil no dia 5 de dezembro de 1967. Em comparação à idade de Bôscoli, Elis era ainda mais nova do que Nara: 16 anos contra 13 de diferença. O casamento durou cinco anos, entre separações, reconciliações e o nascimento do primogênito João Marcelo Bôscoli, hoje dono da gravadora Trama. Bôscoli, o Ronaldo, só teria novamente acesso à Nara Leão anos mais tarde.

O jornalista e compositor Nelson Motta foi testemunha da rixa entre Elis e Nara. "A Elis tinha uma grande voz. Nara Leão era o contrário: tinha poucos recursos vocais, mas usava muito bem a inteligência. Era hostilizada pela Elis por causa da pequena voz, mas reunia os melhores repertórios e trabalhou muito pela música brasileira. Já a Nara vivia dizendo que Elis era uma grande cantora", revela.

Até a imprensa sabia que Elis detestava Nara. As duas foram convidadas para estrelar a série ‘As grandes rivalidades’, publicada na revista Manchete. O crítico de música e jornalista Sérgio Cabral lembra esse episódio em ‘Nara Leão, uma biografia’, lançada pela Lumiar. "O clima era de hostilidade, principalmente por parte de Elis Regina", afirma Cabral no livro.

E continua, linhas abaixo: "Bem humorada, Nara até brincou com a rival na hora das fotografias. ‘Como é? Estão dizendo por aí que não queremos posar juntas. Podemos ou não?’ Elis nada respondeu e, à medida que as fotos eram batidas, foi perdendo a paciência, até que estourou: ‘Vou embora porque não gosto de Nara Leão’. Em seguida, Carlos Marques entrevistou as duas isoladamente".

Sérgio Cabral destaca a agressividade de Elis para com Nara. "Elis Regina foi contundente: ‘Eu não tinha nada contra a moça Nara Leão. Hoje eu tenho porque me irrita a sua falta de posição, dentro e fora da música popular brasileira. Ela foi a musa, durante muito tempo, mas começou gradativamente a trair cada movimento do qual participava. Iniciou na bossa nova, depois passou a cantar samba de morro, posteriormente enveredou pelas músicas de protesto e, agora, aderiu ao iê-iê-iê. Negou todos...’".

Só a título de curiosidade, vale reproduzir o trecho da entrevista ao jornal Última Hora, de Samuel Wainer, na qual Elis aplaudia a paciência da irmã de Danuza e, portanto, cunhada de Wainer, adiantando a postura que adotaria com ela no futuro: "Eu sou esquentada. Tem gente que é calma, a Nara Leão, por exemplo, é uma pessoa que tem uma paciência histórica, sentou, esperou tudo acomodar e fez um disco certo. Aliás, ela sempre faz as coisas certas nas horas corretas e para as pessoas exatas. Eu sou guerreira e pego a metralhadora para sair atrás de quem me enche o saco".